quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Derrota em referendo é 'alerta', diz Maringoni



Mateus Alves

Para comentar a derrota do governo venezuelano no plebiscito sobre as reformas constitucionais propostas por Hugo Chávez, o Correio da Cidadania conversa com o jornalista e historiador Gilberto Maringoni.

De acordo com Maringoni, autor do livro “A Venezuela que se inventa”, o resultado das urnas na Venezuela é um alerta a Chávez para que haja uma reaproximação com setores moderados e um reparo nas insuficiências do processo de reformas iniciado com a chegada do presidente ao poder em 1999.

Correio da Cidadania: Qual você acredita ter sido o principal fator que levou Chávez à derrota no plebiscito sobre a reforma constitucional?

Gilberto Maringoni: Se olharmos os números, vemos que a oposição manteve a quantidade de votos conseguida nas eleições passadas. O que houve foi uma abstenção de quase metade do eleitorado; o surpreendente não foi a oposição ter ganho, mas sim o chavismo ter reduzido sua votação.

CC: Tamanha abstenção foi, então, a única causa da derrota? Por que tantos chavistas não compareceram às urnas?

GM: Segundo Chávez, essa foi a causa. O certo é que não foi a oposição quem ganhou, mas sim o governo quem perdeu. Claro que, ainda observando os números, houve uma vitória da oposição por uma pequena margem, mas não se pode ficar dizendo que “foi apenas por uma pequena margem” como maneira de amenizar a situação e resolver o problema.

Quando diz que a abstenção ganhou, Chávez passa um dado real, mas não diz qual é a causa disso. Ele não fala quais foram as razões que motivaram os seus apoiadores a não comparecer às urnas para aprovar a reforma constitucional, forçada por ele como se fosse uma espécie de plebiscito que o aprovasse.

Tais fatores são vários. Precisam ser procurados nas insuficiências de um processo que evoluiu bastante desde 1999, mas que ainda possui problemas. Como principais questões conjunturais, que aconteceram de um ano para cá, temos a certa “forçada de mão” que o governo e Chávez deram em alguns episódios.

O primeiro desses é a formação do PSUV, o Partido Socialista Unificado da Venezuela. É um partido criado de cima para baixo, que foi formado desta maneira pois não existem movimentos sociais autônomos na Venezuela. O partido tem 6 milhões de militantes, mas estes não compareceram às urnas – se o tivessem feito, as mudanças na Constituição teriam sido aprovadas. Há problemas na estruturação do partido e em sua participação no governo – Chávez diz que “quem está com ele está no PSUV”.

O governo Chávez tem uma característica de não ter sido resultado de movimentos de massa, mas sim de um cansaço popular com o projeto neoliberal das décadas de 80 e 90 e da crise vivida no país que não resultou em um crescimento da mobilização popular.

Isso fez com que não houvesse movimentos autônomos. O que existe são iniciativas políticas populares tomadas pelo governo.

O grau de fragmentação da sociedade venezuelana resultante dos 40 anos de democracia do Pacto do Ponto Fijo, estabelecido em 1961, e da crise estrutural enfrentada no país durante os anos 1980 e 1990 criou uma sociedade com um potencial de rebeldia muito grande, mas de escassa organização.

CC: Desde que foi levado ao poder, em 1999, Chávez não foi capaz de aglutinar os descontentes no país?

GM: Ele conseguiu aglutinar de certa forma, mas se vemos organizações como a UNT, central sindical do país, trata-se de uma organização sem vida autônoma, sem muita expressão.

Isso faz com que as mobilizações no país sejam apenas de apoio a Chávez, como observamos durante o golpe de 2001 e em suas vitórias nas eleições.

CC: Quais outros motivos contribuíram para a ausência de chavistas nas urnas?

GM: As brigas que Chávez comprou, algumas delas bem difíceis, também contribuíram. Criticar a Igreja Católica, às vésperas do referendo, foi muito danoso à sua imagem; todos sabem que a Igreja venezuelana é golpista, conservadora, mas chamar os bispos na TV de “vagabundos” provoca sentimentos no povo que são complicados. Ele começou a brigar com aqueles que, toda semana, estão no púlpito falando diretamente com seus fiéis.

A não-renovação da RCTV - que embora em mérito Chávez tenha sido corretíssimo ao não permitir a continuação das transmissões pela emissora - foi uma decisão tomada de maneira pouco pedagógica para a população. O presidente tinha a prerrogativa legal para não renovar a concessão, mas não foi feito um grande debate nacional sobre a democratização das comunicações, não foi criado um método para tornar tal fato uma questão de formação política, que informasse à população o que é um monopólio, a razão pela qual não deveria ser renovada a concessão da RCTV e qual a razão pela qual a rede não poderia participar de um golpe de Estado e continuar impune.

Não sei se a melhor maneira deveria ter sido levar o caso à Justiça ou à Assembléia nacional, onde Chávez também ganharia por ter quase a totalidade das cadeiras. Fazer isso por um decreto é incômodo – como explicar para a população que ela não terá mais a sua novela? Além disso, a emissora colocada no ar é de muito baixa qualidade, é uma emissora oficial no pior sentido da palavra.

Essas batalhas foram complicadas. No caso da discussão com o rei da Espanha, Chávez estava certo, então não foi um problema. Porém, a briga com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, veio em péssima hora; Chávez caiu em uma armadilha. De qualquer maneira, Uribe iria romper o diálogo com as FARCs, e o presidente venezuelano foi até condescendente demais ao levar a questão adiante. Uribe esperou para terminar o diálogo exatamente antes do referendo, procurando desgastar a imagem de Chávez.

Avaliações de colegas venezuelanos também dão conta de problemas internos do governo, de ineficiência de serviços públicos, questões administrativas. O fato é que essa derrota de Chávez não é o fim do mundo, mas sim um alerta. O presidente desfruta de uma popularidade igual a que tinha durante as últimas eleições, de algo em torno de 60%. O que aconteceu foi um desligamento dos setores moderados ou para o “não” ou para a abstenção.

Setores da intelectualidade que estavam com Chávez se abstiveram. Raúl Baduel, que faz parte de um setor chavista presente em várias situações nas quais o presidente precisou de apoio, resolveu puxar o freio de mão. É certo que havia divergências entre os dois, mas Baduel não é um opositor histórico, não é um golpista e não pode ser tratado como um traidor.

Há também um tratamento ruim dado pelo governo em relação ao movimento estudantil. O combate que se fez quando começaram as mobilizações foi falar que os estudantes eram “peões do império”; claro que havia manipulação, que havia estudantes filiados a partidos de direita, mas à massa que estava nas ruas não pode ser dado o mesmo tratamento que é dado aos dirigentes, pois têm um descontentamento difuso.

Além disso, a reforma constitucional foi mal conduzida, faltou debate. A proposta original de Chávez continha 35 itens a serem modificados, e a Assembléia Nacional agregou, desnecessariamente, outros 34. A proposta transformou-se em uma árvore de natal, complicada, e Chávez e a oposição forçaram que a consulta para a aprovação da reforma fosse um plebiscito sobre o próprio presidente.

Tais problemas, no entanto, não podem colocar em dúvida os aspectos positivos conquistados pelo governo na Venezuela. A própria direita está espantada com a situação, pois Chávez tem ainda cinco anos de governo pela frente e um poder de aglutinação imenso, sendo capaz de retificar todos os seus problemas para que não perca apoios importantes.

CC: Quais seriam esses aspectos positivos?

GM: Chávez tem feito um governo que, até aqui, mudou a face da América Latina. No essencial, o rumo do governo está correto, ao democratizar a sociedade, ampliar os poderes das camadas populares e da população indígena, reduzir a jornada de trabalho, acabar com a autonomia do Banco Central, proibir o latifúndio, fortalecer o Estado em seu caráter público, ao realizar as “missões” que serviram e servem de assistência a uma grande parcela da população venezuelana que sofria uma exclusão total.

O governo também colocou a questão social no centro da esfera de governo, algo que foi seguido por outros países na América Latina. Chávez mostrou também que é possível romper com o modelo neoliberal e distribuiu a riqueza do petróleo para a população, mesmo embora o Estado venezuelano ainda seja muito burocrático, muito corrompido, ineficiente.

A luta ideológica que faz também é de extrema ousadia. A Venezuela, um país pequeno, conseguir pautar as lutas na América Latina e servir de referência a outros países – não só Cuba, Bolívia e Equador, mas também a Argentina e o Brasil, por exemplo – é algo de extrema importância.

CC: A riqueza proveniente do petróleo torna tal tarefa mais fácil, não?

GM: Claro, com o barril de petróleo a 100 dólares, até você e eu faríamos a mesma coisa. Mas o fato de o petróleo estar valendo tanto se deu muito em função do próprio Chávez; é preciso lembrar que isso não aconteceu por mágica. Quando Hugo Chávez tomou posse, o custo do petróleo era de 9 dólares por barril, e a OPEP estava desarticulada. Em julho de 2000, o presidente convocou, em Caracas, uma reunião geral do cartel petrolífero, algo que não ocorria há mais de 30 anos; ali, a OPEP retomou a política de cotas, de restringir a produção para resguardar reservas e, assim, melhorar o preço de barganha.

Já no final de 2000, o petróleo estava a 22 dólares o barril. Houve, claro, um fator que estava além do controle de Chávez: o aumento brutal do consumo mundial, capitaneado pela China a partir de 2001.

CC: A questão da reeleição indefinida faz parte dos aspectos negativos da proposta de reforma constitucional?

GM: Isso não é um problema tão grande quanto a imprensa alardeia. É uma proposta dentro das regras democráticas, não é um golpe. A pauta da reeleição foi colocada na América Latina pela direita – Fernando Henrique Cardoso, que a critica, foi quem a iniciou no Brasil.

Há alguns regimes europeus atrasados, com reis, imperadores – muito mais atrasados que qualquer república de banana, pois mantêm uma dinastia com dinheiro público à toa –, onde primeiros-ministros ficam no poder enquanto têm apoio, como na Inglaterra. Chávez ficaria no poder enquanto tivesse apoio.

É importante dizer, também, que a Constituição brasileira, de 1988 para cá, sofreu mais de 50 mudanças votadas no Congresso – ou seja, reformas constitucionais qualificadas, feitas por governos neoliberais. Ninguém achou que isso era golpe, e foram feitas sem nenhuma consulta popular. As mudanças que Chávez tenta fazer foram levadas a um debate público, por meio de referendo. A direita precisa deixar de hipocrisia, pois ela nunca foi tão democrática quanto a Venezuela nos dias de hoje.

Como disse uma articulista da Folha de S. Paulo recentemente, Chávez, apesar da derrota nas urnas, ainda pode sair ganhando, pois o resultado da consulta prova que seu regime é democrático, que ele pode perder.

CC: As críticas da falta de democracia na Venezuela, então, são infundadas?

GM: O governo de Chávez é o melhor governo da América Latina, é extremamente avançado, e o presidente teve habilidade ao construir o seu governo.

Agora, trata-se de um governo muito pessoal. Se Chávez é assassinado, o processo venezuelano fica comprometido. Não se criou uma cultura chavista, mas sim uma cultura de agregados, de apoio popular difuso. Não existe um partido com um núcleo de elaboração política para o governo da Venezuela – aliás, a elaboração política e teórica do governo é muito pobre.

Hugo Chávez, porém, é um tático excepcional. Entre o que ele fez ao longo dos anos há coisas geniais. A maneira como dividiu a oposição na questão das telecomunicações ao fazer um acordo com Gustavo Cisneros é um ponto alto da tática política mundial histórica.

CC: Em face das estruturas políticas tradicionais que observamos em países em desenvolvimento, você acredita que lideranças carismáticas que flertam com o populismo são um dos caminhos possíveis para que se consigam mudanças?

GM: É errado dizer que Chávez flerta com o populismo; ele é, sim, um populista. Precisamos largar a teorização feita pela direita da ciência política e mesmo por pessoas de esquerda de que o populismo é um mal. O populismo não é uma escolha, é uma situação histórica dada.

No Brasil, durante os anos 30, época em que não havia uma cultura de instituições democráticas urbanas consolidadas e estávamos saindo da República Velha, do voto de bico de pena, o avanço que houve no país no campo econômico e a migração das pessoas do campo para a cidade não tinham nenhuma referência de convívio institucional. A referência era um líder carismático, Getúlio Vargas. Isso também aconteceu na Argentina e no México.

Na Venezuela, por conta da crise profunda vivida no final do século XX, as instituições existentes estavam virando fumaça. A única maneira existente de impedir que o país se auto-destruísse era a chegada ao poder de um líder carismático, populista. Não há nenhum problema nisso; existem, sim, componentes autoritários em um líder populista, mas, naquela situação, não havia alternativa.

Como não há movimento popular estruturado, uma das funções do líder populista foi cumprir o papel de solidificar essas pontas. Chávez é uma etapa histórica na construção de instituições democráticas sólidas, que espero que seja transitória.

É preciso tirar da cabeça que o populismo é uma coisa negativa. Mesmo chavistas dizem que o presidente não é populista, mas é sim. E isso não é uma coisa ruim. Quem diz que o populismo é ruim é a direita, até mesmo pelas características de fortalecer o lado popular da sociedade de um governo do tipo.

Um problema do qual lideranças populistas padecem é a sua incapacidade em organizar a sociedade. Isso faz com que não tenham substituto à altura. Para se manter no poder, tais líderes não podem ter competidores; na Venezuela é assim, não há substituto à altura de Chávez.

CC: Quais os rumos que você acredita que o governo de Chávez deverá tomar a partir de agora? Há mesmo essa possibilidade de o presidente sair fortalecido pois o resultado nas urnas reitera a democracia existente em seu governo?

GM: Inicialmente, o governo sairá enfraquecido. A direita, não só na Venezuela como também na Bolívia e no Equador, tentará se reanimar. Se o governo venezuelano conseguir resolver os seus problemas, reaglutinar suas bases, se reaproximar dos setores moderados que momentaneamente – espero – se afastaram de Chávez, pode se fortalecer, sim.

Chávez não deverá moderar os objetivos estratégicos do processo na Venezuela, mas sim aprimorar sua flexibilidade tática para conseguir conviver com diferenças internas. O país cresce a 10% ao ano, e é muito difícil Chávez cair com estes índices. Agora, se isso acontecer, será algo muito preocupante.

CC: Quais as diferenças principais entre o governo da Bolívia e o governo venezuelano?

GM: O governo de Evo Morales teve sua origem no movimento social, Morales era dirigente sindical, houve mobilizações impressionantes no país entre 2001 e 2004. Na Bolívia, diferentemente da Venezuela, existe uma mobilização popular – por isso a direita, lá, tem um grande problema. Não é um governo sem apoio.

CC: E quais as suas opiniões sobre as mudanças possíveis no Equador de Rafael Correa?

GM: Lá, temos um caso novo. Até agora, Correa venceu uma grande batalha ao conseguir convocar a Constituinte. O Equador tem problemas gravíssimos: não tem moeda própria, é um país pobre, que viveu intensas ebulições nos últimos anos. Elegeram um governo popular, que caiu e foi substituído por um governo de direita; agora, levaram outro presidente popular ao poder.

Parece-me, à distância, que a situação no país está tranqüila. Quando Rafael Correa for tocar em pontos nevrálgicos do sistema de dominação de classes, tudo pode se radicalizar; quando as propostas de reforma começarem a ser votadas, aí sim haverá enfrentamento.



Caminhos da revolução digital

Apesar de dominante, o capitalismo não consegue mais sustentar a lógica de acumulação e trabalho. Seus principais alicerces — a economia, a ética burocrática e a cultura de massas — estão em crise. Com a internet florescem, em rede, novas formas de produzir riquezas, diálogos e relações sociais

Hernani Dimantas, Dalton Martins

Aprendemos que as redes são orgânicas. Aprendemos também que as redes são emergentes. Emergência é um processo de auto-organização. "A única diferença é o material de que são feitas: células de enxames, calçadas, zeros e uns". Isso não importa. Relevante é observar a tendência do pensamento de baixo para cima, bottom up, modificando a forma da humanidade pensar. Continuamente, ouvimos falar das experiências de organização de comunidades de seres vivos, da capacidade de construção de redes descentralizadas das formigas, dos cupins, das abelhas. Seriam reflexos da capacidade orgânica da colaboração?

Mutação, transformação e modificação são palavras que uso bastante no cotidiano digital. A internet trouxe a idéia de revolução, e traz consigo críticas inequívocas de como a sociedade moderna está estruturada. Romper paradigmas significa destruir os preconceitos nos quais estamos inseridos. E muitos desses preconceitos estão diretamente ligados à forma como nos organizamos e conversamos. Mesmo de forma sutil, sem exatamente compreendermos porque agimos de determinada maneira.

Se debatemos tal desconstrução da sociedade de massa, podemos admitir as mudanças e passar a agir de acordo com essa nova possibilidade. E existe uma tendência de utilizarmos cada vez mais os meios binários — seja para comprar e vender, ou para distribuir informação. Comercial ou não. E essa tendência acompanha a forma de organização dos grupos sociais e sua capacidade de conversarem de múltiplas maneiras.

Nessa corrida maluca, percebemos que os mercados também se transformam. O Manifesto Cluetrain é claro. Propõe o fim dos negócios como conhecemos. Por quê? Os mercados são conversações. E essa conversação faz as pessoas se aproximarem, não só para trocar informações cotidianas, muitas vezes descartáveis. Mas para uma auto-organização da sociedade civil. As conversações seriam a democratização do processo organizacional coletivo?

Linux, o primeiro produto moderno e competitivo criado de modo não-capitalista

Essa é a proposta do movimento dos códigos livres. Uma organização colaborativa, anárquica e disforme. Poderosa pela essência que une as pessoas num projeto comum. A rede faz tal movimento aflorar. O Linux foi o primeiro produto moderno e competitivo criado num modo de produção não capitalista. Entender isso é compreender que as mudanças atingem o meio digital. E devem repercutir construtivamente para outros setores.

Mas o mundo dos negócios é avesso a críticas. Idéias sustentadas em fatos reais são mostradas como se fossem apenas utopia. Lunáticos que não entendem o dinamismo do dinheiro. Pois o vil metal move o mundo. No entanto, qual foi o investimento inicial no Linux? Nada!

E esse nada está apavorando o grande monopólio. É difícil combater a organização de pessoas comuns. Estamos vendo o Linux e outros programas abertos aumentando a participação nos mercados. Essa realidade é inexorável. Uma realidade que modifica a essência da forma como conversamos, como estamos buscando nos organizar. A mudança é estrutural, topológica, elementar e, absolutamente, transformadora.

Colaboração é a novidade da sociedade da informação. Linus Torvalds causou um alvoroço enorme ao liberar o código de seu programa numa lista de debates. A frase Release early and release often (Libere cedo e libere freqüentemente) passou a redesenhar um modelo de produção. Colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência. Colaboração como viés estrutural no desenvolvimento das novas organizações, veia latente dos processos de inovação tecnológica, canal de viabilização da interação entre fornecedores, clientes e comunidades de usuários dos múltiplos produtos hoje oferecidos pela internet.

Por meio das redes sociais, novas geografias de poder, nas quais o link subverte a hierarquia

Com as tecnologias da comunicação e da interação, as redes passam a facilitar a convivência à distância em tempo real. Provocam e potencializam a conversação. Reconduzem a comunicação para uma lógica de sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições de forma descentralizada e participativa. Reorientam fluxos criativos e abrem novas possibilidades de circulação da riqueza.

O capitalismo, apesar de dominante, não consegue mais sustentar a lógica da acumulação e do trabalho. Seus principais alicerces, a economia, o paradigma da ética burocrática e a cultura de massas, estão em crise. Essa aponta a necessidade de uma nova ordem, uma reestruturação. Marx escreveu sua crítica em O Capital, num momento que a sociedade industrial estava aflorando, mas não se apresentava, ainda, como o paradigma dominante. O século 21 exige, portanto, modificações estruturais no poder para atender a nascente sociedade informacional. É nesse cenário que as redes sociais adquirem importância, pois em seu elemento constitutivo trazem uma nova possibilidade organizacional, logo, estrutural dos fluxos de conversação e da forma como o poder é exercido a partir dos relacionamentos entre pessoas.

A tecnologia catalisa a inteligência das pessoas. A revolução das tecnologias da informação atua remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência de agenciamentos colaborativos como base de sustentação social. Não podemos atribuir tais mudanças apenas à tecnologia. A internet torna possível o florescimento de novos movimentos sociais e culturais em rede. Possibilita organizar a sociedade civil em novas formas de gestão e retornar às redes humanas depois de um longo período de domínio das redes de máquinas e da burocracia. No limite da ruptura dos paradigmas, a colaboração aparece como um potencializador das energias produtivas. A sociedade está se tornando mais aberta e de uma forma ampla, mais colaborativa.

O software livre é o caso mais conhecido da resistência digital — e o que teve maior impacto. Uma nova dinâmica, que demonstra a produção de conhecimento livre como alternativa economicamente viável e sustentável. O código aberto está trazendo para a inovação o que a linha de montagem trouxe para a produção em massa. Estamos caminhando para uma era em que a colaboração substituirá a corporação. Uma opção pela descentralização do poder catalisado pelas conversações de uma sociedade em rede.

Ao invés de telespectadores, pessoas que desejam protagonizar suas existências e colaborar

As pessoas não querem mais ser telespectadores. Elas têm a possibilidade de interagir com as comunidades na internet e, assim, protagonizar as próprias existências. Buscando na comunidade digital os interesses comuns. Uma alternativa para o crescimento colaborativo.

Entra a internet. E por incrível que possa parecer, essa ferramenta fez um estrago nas idiossincrasias dos poderosos. A internet é maquínica. Pois recria um poder nômade no âmago. Um poder que se recria a cada instante. Catalisados pelos nós das redes. Uma reviravolta acontece nos dogmas ocidentais. Onde se lia transcendência, agora se enxerga e vive a imanência

Nesse sentido, estamos num processo de progressão jamais visto. Pois qualquer pessoa tem a possibilidade de publicar na rede, seja em forma de email, artigos, blogs, músicas ou imagem. A internet é um meio multimídia que dá às pessoas inúmeras formas de expressão. A cultura cibernética não é nada mais do que uma compilação de tal diversidade. Está em curso um processo silencioso, uma revolução que não será televisionada, que provocará mudanças profundas na sociedade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O Melhor do Acustico MTV 2 - Audio DVD

Faixas
01. Fixação - Kid Abelha
02. Assim Caminha a Humanidade - Lulu Santos
03. Tudo que Vai - Capital Inicial
04. Papai Me Empresta o Carro - Rita Lee e Titãs
05. Flores em Você - Ira!
06. Infinita Highway - Engenheiros do Hawaii
07. Relicário - Cássia Eller e Nando Reis
08. Qual É? - Marcelo D2
09. Hoje - Charlie Brown Jr. e Marcelo Nova
10. Feira Moderna - Paralamas do Sucesso
11. Firmamento - Cidade Negra
12. Grand Hotel - Kid Abelha
13. A Cura - Lulu Santos
14. Lança Perfume - Rita Lee
15. Natasha - Capital Inicial
16. E.C.T. - Cássia Eller
17. Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles... - Enegenheiros do Hawaii
18. Vai Vendo - Marcelo D2
19. W/ Brasil (Chama o Síndico) - Jorge Ben Jor
20. Maneiras - Zeca Pagodinho
Capitalismo e socialismo




Wladimir Pomar

No Brasil, parcelas da esquerda partem do pressuposto que as contradições de nossa sociedade são próprias da ordem capitalista. Não seriam derivadas de qualquer atraso ou gargalo de desenvolvimento nacional, produzido pela permanência de setores ou interesses pré-capitalistas. Daí concluem que isso tornaria evidente que estamos em uma etapa socialista da revolução.

Os defensores desse pressuposto dizem que a população brasileira não vive em função da soja, da celulose e da mineração, mas sim de seus pequenos negócios e da sua agricultura familiar, opostos ao capitalismo. E, supõe-se, precursores do socialismo.

Eles também sustentam que a energia do rio Madeira não interessa para a maior parte da população, que depende do mercado interno, dos serviços públicos, da capacitação tecnológica e do micro-crédito. Em outras palavras, mercado interno, serviços públicos, capacitação tecnológica e micro-crédito estariam em oposição aos setores agro-exportadores e às grandes empresas do capitalismo, e seriam partícipes da etapa socialista.

É interessante que não notem que esse tipo de discussão está colocado nos limites estritos da ordem capitalista. A luta, justa e necessária no atual contexto brasileiro, entre os pequenos negócios, a agricultura familiar e outros setores de pequenos proprietários, contra os grandes negócios, é eminentemente uma luta de pequenos capitalistas contra grandes capitalistas. É aquilo que no jargão político se chama luta democrático-burguesa.

Ao monopolizar o capital, as tecnologias, as rendas e as terras, triturando os pequenos (e também os médios) capitalistas, o grande capital introduziu brutais distorções no desenvolvimento das forças produtivas e nas relações de produção, repondo na ordem do dia problemas que pareciam superados por seu desenvolvimento. Portanto, recolocou na ordem do dia uma reivindicação histórica da sociedade brasileira, a da democratização da propriedade, urbana e rural, o que é importante para a luta socialista, mas não é socialismo.

Pretender que a sobrevivência e o desenvolvimento desse pequeno capitalismo, contra o grande capitalismo, represente a entrada na "etapa socialista" pressupõe não só dizer que o pequeno capitalismo sobreviverá no socialismo, mas principalmente que ele é o próprio socialismo. Não deixa de ser uma forma de evitar os temores dos pequenos capitalistas, escondendo que a ultrapassagem, ou a ruptura, com o capitalismo inclui a socialização de, pelo menos, uma parte substancial da propriedade privada dos meios de produção.

Seria melhor dizer francamente, para os pequenos capitalistas, que nas condições de oligopolização da sociedade brasileira, somente o socialismo tem condições de realizar a democratização da propriedade e garantir a sobrevivência, por um tempo razoável, dos pequenos capitalistas ao lado das formas socialistas de propriedade. Isso pode dar um nó na cabeça de muita gente, mas é muito mais educativo do que espalhar ilusões.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.


A guerra secreta dos EUA na
Somália

www.orientemediovivo.com.br

Desde a derrubada do governo somali do Conselho Supremo das
Cortes Islâmicas em janeiro deste ano, as batalhas e a resistência
do movimento islâmico contra o governo-fantoche colocado no
poder pelos Estados Unidos continuam nas ruas de Mogadíscio, a
capital da Somália. A estratégia estadunidense de expandir a sua
área de influência e poder na região do chifre da África (nordeste do
continente), através da mesma estratégia de levar a “democracia e
liberdade” pela qual o mundo ocidental reconhece a criminosa
ocupação no Afeganistão e no Iraque, seqüestrou as vidas de
milhares de civis inocentes também na Somália.
De acordo com a ONU, através de seu enviado especial à Somália,
Ahmedou Ould-Abdallah, da Mauritânia, “a situação humanitária na
Somália é a pior da África”. Diariamente, refugiados lutam para
atravessar o Golfo de Aden para o Iêmen. Cerca de 10 mil fugiram
do país entre janeiro e agosto de 2007, mas muitos outros
simplesmente desapareceram. Em setembro, a ONU relatou que
embarcações com corpos de dezenas de refugiados foram
conduzidas pelas forças de ocupação etíopes até o golfo, onde os
corpos foram abandonados mar adentro.
As forças etíopes invadiram a Somália em dezembro de 2006, sob
ordem direta dos Estados Unidos, para remover o governo do
Conselho Supremo das Cortes Islâmicas. O ministro do Exterior da
Etiópia, Seyoum Mesfin, afirmou que suas tropas “são um exército
de libertação, e não uma força de ocupação”. Apesar disso, a
invasão do país representou um crime contra a soberania da
Somália. O povo somali, em todo momento, se mostrou contra
qualquer intervenção estrangeira em seu país, especialmente vinda
dos Estados Unidos. Essa visão ficou clara através da declaração
da ministra do Exterior da Itália, Patrizia Sentinelli, após uma
reunião com líderes do atual governo-fantoche somali. Segundo ela,
“a presença de forças etíopes na Somália é inaceitável para o povo
somali”. Mesmo assim, chegou ao país a conhecida bandeira de
“democracia e liberdade” estadunidense e, como de costume, o
povo é quem pagou o preço.
Os interesses estadunidenses na região estão na origem do conflito
que sangra o país africano. Entre eles, a localização geográfica
estratégica do país, rota mundial do petróleo, e o controle do próprio
combustível. “O Conselho Supremo das Cortes Islâmicas é apenas
um pretexto”, afirma Jama Mohamed, da Organização Somaliana
para o Desenvolvimento Comunitário. “O principal interessado na
crise são os Estados Unidos”. Empresas estadunidenses têm
concessão para a exploração do recurso natural em todo o país,
mas empresas chinesas rivais têm ameaçado o domínio dos EUA.
“Os interesses dos Estados Unidos estão claros desde 1993 [ano
em que o exército estadunidense protagonizou uma intervenção
malsucedida na Somália], quando eles quiseram condenar o nosso
país apenas à categoria de mero produtor de alimentos”, explica
Mohamed. Em 1993, após um atentado que deixou 18 de seus
soldados mortos, no coração de Mogadíscio, os Estados Unidos
abandonaram a Somália e se recusaram a participar de qualquer
operação de paz em toda a África – inclusive no Genocídio de
Ruanda, em 1994, em que mais de 1 milhão de pessoas foram
mortas, o equivalente a 11% da população do país.
década de 1990. Decretada pela CIA a “talibanização” da Somália
no início de 2006, como os mesmos classificaram o governo do
Conselho Supremo das Cortes Islâmicas, os estadunidenses
primeiro tentaram comprar a “rendição” dos mesmos entre fevereiro
e março, sem sucesso. Para evitar mais uma frente de batalha, o
trabalho sujo foi feito pela Etiópia, subordinada aos Estados Unidos
desde o anunciado plano estadunidense intitulado “Ato para a
Liberdade, Democracia e Direitos Humanos na Etiópia”, do início de
2007.
Depois de décadas de guerras internas, lideranças muçulmanas,
sob a bandeira do Conselho Supremo das Cortes Islâmicas,
finalmente haviam conseguido dar uma unidade à nação somali.
Com a deflagração do conflito promovido pelos Estados Unidos, os
mesmos, que já bombardearam o país atrás de “membros da Al-
Qaeda”, têm revelado a sua constante política de dupla
personalidade que, em última instância, busca fragmentar as forças
internas para enfraquecer qualquer tipo de reação. Como
conseqüência, o antiamericanismo cresceu também em toda a
África, seguindo os exemplos do Oriente Médio e América Latina.
Dessa forma, será difícil encontrar uma nação que receberá, de
braços abertos, novas interferências estadunidenses. 

TE VER...(Skank)


Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estio e não se animar

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É como ser feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Não se ligar que a tarde vai vadia e mítica
É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o néctar do verdadeiro amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

Nicholas Spykman e a América Latina

Para o principal geoestrategista norte-americano do século XX, qualquer ameaça à hegemonia dos EUA na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile. Uma ameaça à hegemonia nesta região terá que ser respondida através da guerra, escreveu Spykman.

O principal “geoestrategista” norte-americano do século XX, nasceu em Amsterdam, em 1893, e morreu nos Estados Unidos, em 1943. Era de origem holandesa, mas fez seus estudos superiores na Universidade da Califórnia, e foi professor da Universidade de Yale, onde dirigiu o seu Instituto de Estudos Internacionais, entre 1935 e 1940. Morreu ainda jovem, com 49 anos, e deixou apenas dois livros sobre a política externa norte-americana: o primeiro, America’s Strategy in World Politics, publicado em 1942, e o segundo, The Geography of the Peace, publicado um ano depois da sua morte, em 1944. Dois livros que se transformaram na pedra angular do pensamento estratégico norte-americano de toda a segunda metade do século XX, e do início do século XXI.

Nicholas Spykman não foi um cientista, foi um “geopolítico” e a geopolítica não é uma ciência, é apenas uma disciplina que estuda a relação entre o espaço e a expansão do poder, antecipando e racionalizando as decisões estratégicas dos países que exercem poder fora de suas fronteiras nacionais. É por isto, aliás, que só existe produção geopolítica relevante, nas chamadas “grandes potências”, e cada uma delas tem sua própria “escola geopolítica”, com suas preocupações, objetivos e racionalizações específicas. Como no caso clássico da “escola geopolítica alemã”, de Friederich Ratzel e Karl Haushofer, com a sua teoria do “espaço vital” e do “pan-germanismo”, que serviu de ponto de partida para explicar a “necessidade geográfica” de expansão alemã, na direção da Europa Central, e da Rússia/União Soviética. Ou também, como no caso da “escola geopolítica inglesa” de Halford Mackinder, com sua famosa tese de que “quem controla o “coração do mundo”( situado mais ou menos entre Berlim e Moscou), controla também a “ilha mundial” (a Eurásia), e quem controla a “ilha mundial” controla o mundo”. Teoria que serviu de base para justificar a política externa britânica durante todo o século XX, e seu permanente veto e bloqueio de qualquer aliança entre a Alemanha e a Rússia/União Soviética.

Dentro desta tradição, não há dúvida que Nicholas Spykman foi o pai da “escola geopolítica norte-americana”. Ele partiu das idéias de Halford Mackinder, mas modificou sua tese central: para Spykman, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente o “coração do mundo”, é quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria, e seguem fazendo até os nossos dias. Spykman escreveu seus dois livros antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e por isto chama atenção a sua capacidade genial de prever o que aconteceria depois da guerra, tanto quanto a semelhança entre suas propostas estratégicas e a política externa que os Estados Unidos adotaram efetivamente, durante a segunda metade do século XX, na Europa, Ásia e América.

Em 1942, Nicholas Spykman defendeu a necessidade de uma aliança estratégica e de uma hegemonia conjunta, anglo-americana, para “gerir o mundo” depois do fim da Guerra, como de fato ocorreu, em São Francisco, em Bretton Woods, e na formulação da Doutrina Churchill-Truman da “cortina de ferro”. Além disto, Spykman defendeu a necessidade de que os Estados Unidos reconstruíssem e protegessem a Alemanha, depois da guerra, para facilitar a “contenção” da União Soviética, como aconteceu durante toda a Guerra Fria. E defendeu também a necessidade de reconstruir e proteger o Japão, para enfrentar a ameaça futura da China, que era na época o principal aliado asiático dos Estados Unidos. Por fim, Spykman se opôs ao projeto da unificação européia, e defendeu a manutenção do equilíbrio de poder europeu, tutelado pelos Estados Unidos, como vem acontecendo cada vez mais, depois da queda do Muro de Berlim.

E com relação à América, o que foi que previu e propôs Nicholas Spykman? Sobre este ponto, chama a atenção o grande espaço que ele dedica na sua obra à discussão da América Latina, e em particular, à “luta pela América do Sul”. Ele parte de uma separação radical, entre a América dos anglo-saxões e a América dos latinos. Nas suas palavras “as terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando uma similitude entre as duas que de fato não existe”(p:46). (1)

Em seguida, ele propõe dividir o “mundo latino” em duas regiões, do ponto de vista da estratégia americana, no sub-continente: uma primeira, “mediterrânea”, que incluiria o México, a América Central e o Caribe, alem da Colômbia e da Venezuela; e uma segunda que incluiria toda a América do Sul, abaixo da Colômbia e da Venezuela. Feita esta separação geopolítica, Spykman define a “América Mediterrânea como uma zona em que a supremacia dos Estados Unidos não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos Estados Unidos.. o que significa que o México, Colômbia e Venezuela (por serem incapazes de se transformar em grandes potências ), ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos Estados Unidos” (p: 60).

Donde, qualquer ameaça à hegemonia americana na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile, a “região do ABC”. Nas palavras do próprio Spykman: “para nossos vizinhos ao sul do Rio Grande, os norte-americanos seremos sempre o “Colosso do Norte”, o que significa um perigo, no mundo do poder político. Por isto, os países situados fora da nossa zona imediata de supremacia, ou seja, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum ou através do uso de influências de fora do hemisfério” (p:64) E neste caso, conclui: “uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida através da guerra”. (p: 62). O mais interessante é que se estas análises, previsões e advertências não tivessem feitas por Nicholas Spykman, pareceriam bravata de algum destes populistas latino-americanos, que inventam inimigos externos e que se multiplicam como cogumelos, segundo a idiotia conservadora.

(1) Spykman, N. , “America’s Strategy in World Politics", Harcourt, Brace and Company, New York,1942


José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Relatório sobre Irã contradiz ‘discurso do medo’ usado por Bush

Apesar de um novo relatório do serviço de inteligência dos EUA garantir que o Irã suspendeu seu programa de armas nucleares em 2003, o presidente Bush reafirma que o "Irã era perigoso, é perigoso e será perigoso".

WASHINGTON E TEERÃ - Os serviços de inteligência dos Estados Unidos disseram na segunda-feira (3) que o Irã suspendeu seu programa de armas nucleares quatro anos atrás. O surpreendente relatório, que revelou que o esforço iraniano para transformar material nuclear em bomba foi interrompido em 2003, contradiz documento apresentado há dois anos pela Casa Branca, no qual constava que Teerã estava no caminho de fabricar uma bomba atômica.

Segundo o chefe da diplomacia Manouchehr Mottaki, o Irã recebeu favoravelmente a "correção" da opinião dos Estados Unidos sobre seu programa nuclear. "Nós acolhemos bem todos os países que questionaram a questão nuclear iraniana no passado, independente de seus motivos, quando eles realisticamente corrigem seus pontos de vista", afirmou o chanceler à rádio estatal. Segundo Mottaki, que cita diversos informes, "a tendência atual das atividades nucleares do Irã é pacífica".

O novo relatório enfraquece o ‘discurso do medo’ usado pelos Estados Unidos em relação ao Irã. Assim como fez para justificar a invasão ao Iraque, o governo norte-americano defende um estado de prontidão que muitas vezes não guarda necessidade com a realidade.

No caso iraquiano, o governo Bush disse que Saddam Hussein possuía vínculos com a Al Qaeda e mantinha estoques de armas de destruição em massa, o que depois se mostrou uma mentira. Discursos como esse ajudam desde a conquistar apoio da população norte-americana quanto mais verbas no Congresso para programas do governo, neste caso em benefício da indústria bélica.

Estratégia mantida
Apesar do novo relatório do serviço de inteligência, George W. Bush optou por continuar defendendo que o Irã representa um grande perigo para o mundo. "O Irã era perigoso, é perigoso e será perigoso" se for permitido que leve adiante seu programa nuclear com fins militares, disse o presidente norte-americano nesta terça-feira (4).

Fiel aliada dos Estados Unidos no Iraque, a Grã-Bretanha optou pelo mesmo caminho e garantiu que o Irã constitui "um problema muito sério". Londres, disse um porta-voz do primeiro-ministro Gordon Brown, considera que o documento norte-americano, "em termos gerais", confirma que "temos razão em temer que o Irã tentasse desenvolver armas nucleares".

* As informações são da Agência Ansa
Os 100 Melhores Solos de Guitarra

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créditos: BlogDoLigeirinho


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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Um em cada seis nova-iorquinos tem fome


Mais de um milhão de nova-iorquinos não se alimenta adequadamente, denunciou uma coalizão de grupos de lutas contra a pobreza que criticou o governo americano por cortar a ajuda alimentar de emergência.
A Coalizão contra a Fome de Nova York afirmou que mais de 1,3 milhão de habitantes vivem em lugares onde a comida é escassa. Segundo estes dados, uma em cada seis pessoas sofre com a fome.
"Este estudo anual dos restaurantes populares mostra que há cada vez mais famílias de trabalhadores, crianças e idosos obrigados a recorrerem à alimentação de urgência", disse Joel Berg, diretor executivo do grupo.
"A fome continua crescendo na cidade apesar de, no ano passado, a economia ainda ser sido sólida. Agora que a economia está se debilitando, as filas nos restaurantes populares só fazem crescer", disse.
A coalizão, que representa 1.200 restaurantes populares, denunciou o corte por parte do governo de 5,4 milhões de kg de alimentos. "Estes programas, mantidos principalmente por voluntários, simplesmente não podem sobreviver" sem aajuda federal, disse.
Enquanto isso, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, aprovou um texto de lei, que libera uma verba de US$ 50 bilhões para as operações militares no Iraque e no Afeganistão, mas condicionada a uma retirada das tropas.
A aprovação da Câmara por 218 votos contra 203 é, no entanto, grandemente simbólica, uma vez que o projeto certamente irá fracassar no Senado, onde precisa obter 60 votos. O texto fala de um financiamento das operações limitado a quatro meses, enquanto o presidente George W. Bush pediu ao Congresso a aprovação de um orçamento de US$ 196 bilhões para as operações militares no Iraque e no Afeganistão.
A votação na Câmara de Representantes estipula que os US$ 50 bilhões serviriram para financiar o início de uma retirada das tropas do Iraque, que deveria começar 30 dias após a aprovação da lei, "esta legislação encoraja nossos inimigos", reagiu imediatamente a Casa Branca, reforçando que se o projeto "chegar ao escritório do presidente, ele aplicará seu veto".
O presidente Bush, vetou nesta terça-feira um projeto de lei destinado aos setores de saúde, trabalho e serviços e assinou uma legislação de gastos para Defesa.