quinta-feira, 2 de outubro de 2008



Informe analisa exclusão juvenil na Venezuela






Adital



O Observatório de Participação e Convivência Cidadã do Centro Gumilla publicou seu primeiro relatório sobre a situação de exclusão que vivem os jovens da Venezuela. O estudo aborda uma linha de autopercepção juvenil e avalia as aproximações necessárias para a elaboração de ferramentas e mecanismos de participação política e social que melhorem sua integração com a sociedade.

"As políticas públicas de juventude são mecanismos que afetam de maneira direta a vida dos e das jovens. Por isso, é necessário observar seu desempenho e impacto com detalhamento, tanto pelos executores das políticas, como pela sociedade civil que deve vigiar e realizar o controle sobre os processos de elaboração, execução, validação e impacto", assinala o informe.

Para a realização do estudo, foram definidos cinco domínios: Anzoátegui, Lara, Bolívar, Carabobo e Zulia. A escolha desses domínios se deu por dois motivos: limitações dos recursos humanos e financeiros e grande densidade populacional nessas regiões. A faixa etária avaliada ficou entre 16 e 29 anos, com subclassificações por intervalos de idade não homogêneos. A metodologia aplicada é conhecida como grupos de discussão ou grupo focais, com entrevistas semi-estruturadas a especialista na área da juventude.

Entre as conclusões encontradas, o informe aponta que os jovens se percebem como pessoas responsáveis, capazes de ter controle sobre suas vidas. A responsabilidade, o compromisso e a importância das decisões que dizem respeito a seu futuro desenvolvimento foram um papel fundamental nas sessões grupais: "Esse dinamismo é importante porque os converte em sujeitos de seu próprio desenvolvimento permitindo-lhes enfrentar obstáculos e dificuldades".

Além disso, os jovens se dizem críticos da família, dos valores socioculturais dominantes, das relações políticas e econômicas, do uso das drogas, da violência juvenil. Segundo o estudo, essa característica faz que esses jovens se convertam em sujeitos potenciais de mudança e transformação. Os idosos criticam os mais jovens por suas condutas, porém os consideram muito mais adaptados a novas circunstâncias e especialmente hábeis no uso de tecnologias modernas.

"As mulheres apresentam notável interesse pela educação, inclusive mais que pelo emprego. Em suas prioridades de vida, primeiro está o estudo e depois o trabalho. Os homens dão mais importância e relevância ao desfrute como tal da juventude. Querem trabalhar e estudar", acrescenta.

As principias formas de exclusão encontradas pelo estudo foram: familiar, educativa, social, de gênero e política. Sobre a exclusão política, o informe explica que há uma divisão entre "chavistas" e "oposicionistas", havendo um constante enfrentamento entre essas tendências: "O que estão a favor do governo excluem a oposição, os da oposição excluem os que estão a favor do governo. As posições políticas também são causas de exclusão no emprego". De acordo com a análise, em geral, considera-se que a exclusão é gerada pelas pessoas que detêm poder, independentemente da posição política que tenham, fazendo-se necessário administrar o poder de forma que todos possam ter acesso às mesmas oportunidades e benefícios.

O relatório recomenda que o jovem seja concebido como agente de mudança, capaz, responsável e comprometido a solucionar os problemas que se apresentam em seu entorno. Por isso, o poder público deve fornecer-lhes ferramentas, além de capacidade técnica e recursos. Além disso, deve promover mecanismos de acesso à educação superior que consiga abranger a maior quantidade de estudantes possível ou criar institutos técnicos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Eleições em Bagé-Rs

Estamos envolvidos aqui em Bagé-Rs com as eleições municipais para prefeito e vereadores. Temos três candidatos com propostas bem definidas. Aliás, tinhamos quatro, mas, um,Bayard, nanico politicamente e no tamanho, desistiu na última hora, defendendo a tese de que era o momento de apoiar a oposição contra aqueles que o elegeram como vice-prefeito na última eleição. Queimou-se politicamente e como ser individual deixou a desejar, mostrando que seu interesse e projeto para a cidade que diz "tanto amar" nada mais era do que despeito por ter sido expurgado do governo atual por pura incompentência administrativa. O candidato do PP, Antenor Pereira está fazendo uma campanha simpática, representando as forças tradicionais e conservadoras do municipio, mas de forma coerente, não agressiva, tentando apenas colocar seu nome e o do seu partido em evidência, tentando limpar a barra suja deixada pelo antecessor, Carlos Azambuja, que queimou o partido, deixando de pagar o funcionalismo municipal por até 20 meses, em alguns casos. Mas a campanha de Antenor se caracteriza, não pelo enfrentamento e sim pela dignidade de restaurar aquilo que foi vilipendiado pelos asseclas partidários de antanho. Temos também um candidato do PMDM, coligado com forças interesseiras de poder e mando que nada mais fazem do que tentar denegrir a imagem do candidato da situação(Dudu-PT) que se encontra amparado pela boa administração de Mainardi-PT, que revitalizou Bagé, promovendo ações, amparadas pelo governo lula, principalmente nas áreas da Educação e da Saúde, vitais para a população carente e desassistida até então pelos demais governos.
Temos então tres candidaturas bem claras: uma que defende o continuismo da boa administração; outra que tenta convencer a população de que o melhor é aquela política servil e conservadora do latifúndio e da exploração do homem do campo e outra que se preocupa tão somente em denegrir o que está sendo feito, mas também não apresenta nada de concreto de como avançar nas áreas sociais, educacionais e de saúde pública, deixando transparecer que estão somente a fim de cargo e ocupar espaços politicos para crescimento pessoal.
Acreditamos que a população de bagé, os eleitores dessa cidade tão querida, não se deixarão enganar pelos apelos sensacionalistas de politiqueiros e decidirão de forma concsiente quem deverá ser o próximo prefeito da cidade. Esperamos...

Anaí Rosa - Influências (2004)




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O capital financeiro e a estratégia do medo











Quem acompanha a cobertura da crise nos Estados Unidos feita pela imprensa brasileira pode ser levado a acreditar que a política está "atrapalhando" a busca de uma solução para o problema. Essa afirmação vem sendo feita todos os dias por vários jornalistas e colunistas econômicos em todo país, supostamente especializados no assunto. A aprovação da proposta de ajuda aos bancos quebrados é apontada como uma condição necessária para evitar o caos. Há vários silêncios nesta cobertura, aqui e também nos EUA.

Em um artigo intitulado "Querem nos meter medo", o cineasta Michael Moore conta como centenas de milhares de pessoas entupiram os telefones e correios eletrônicos dos congressistas dos EUA contra a lei proposta pelo governo Bush para salvar os bancos em crise. E aponta como Wall Street e seu braço midiático (as redes de TV e outros meios) seguem com a estratégia de atemorizar a população, omitindo, entre outras coisas, que a proposta apresentada ao Congresso não trazia qualquer esperança para os pobres mortais ameaçados de perder suas casas hipotecadas. Vale a pena ler.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

grande documentário...


Alfabeto Afegão
(Alefbay-e Afghan)


SINOPSE:

O talibã constituiu não apenas um regime político, mas uma cultura que deixou um legado de espoliação e desgraça. A educação foi negada a aproximadamente 95% das mulheres e 80% dos homens do Afeganistão, um processo que já havia tido início antes da chegada do talibã ao poder. Este documentário mostra a vida de crianças nas vilas da fronteira com o Irã e questiona por que elas não têm a oportunidade de estudar. Apenas poucas meninas freqüentam aulas do Unicef. À procura de um esclarecimento para os problemas culturais do Afeganistão, o diretor abertamente meneia sua bandeira: a ação militar não adianta, porque, embora possam destruir um regime político, bombas não são capazes de erradicar uma cultura.

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME E O RELEASE:

Gênero: Documentário / Drama
Diretor: Mohsen Makhmalbaf
Duração: 46 minutos
Ano de Lançamento: 2002
País de Origem: Iran
Idioma do Áudio: Farsi
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0315148/

Qualidade de Vídeo:
DVD Rip
Vídeo Codec: XviD ISO MPEG-4
Vídeo Bitrate: 2008 Kbps
Áudio Codec: MP3
Áudio Bitrate: 129
Resolução: 592x448
Formato de Tela: Tela Cheia (4x3)
Frame Rate: 25.000 FPS
Tamanho: 700 Mb
Legendas: Em anexo


PREMIAÇÃO E CRITICA:

1. Thessaloniki 4th festival , Honorary Humanitarian Award (Greece) 2002

2. "Best Film Award"from Document ART International Film Festival, (Germany) 2002.

O Taliban já não era um regime político no Afeganistão, mas ainda era uma cultura. O bombardeamento pode arruinar um regime político, mas não pode mudar uma cultura. Você não pode livrar uma mulher que está aprisionada em um burqa com um míssil. A garota afegã precisa de educação. Ela não sabe que ela não sabe. Ela é prisioneira, mas ela não sabe que é prisioneira da pobreza, da ignorância, do preconceito, do chauvinismo machista e da superstição. 95% das mulheres e 80% dos homens no Afeganistão não têm a oportunidade de frequentar a escola mesmo depois do Taliban. O filme procura a chave perdida que consiga abrir a fechadura dos problemas culturais do Afeganistão.

Mohsen Makhmalbaf


DOWNLOADS ABAIXO:

Arquivo anexado Mohsen_Makhmalbaf___Afghan_Alphabet__2002_.torrent
Arquivo anexado Alefbay_e_afghan_PTBR.rar



A honra da terceira idade






A ONU consagra o 1º de outubro como Dia Internacional das Pessoas Idosas. Em todo o mundo, propõe que se reflita sobre os direitos e a missão própria das pessoas das chamadas "terceira e quarta idade". As pesquisas revelam que, em todo o mundo, a taxa de nascimentos tem diminuído, assim como o progresso da medicina tem evitado mortes, antes comuns. O resultado é que nos últimos 30 anos, mais do que dobrou o número das pessoas acima dos 60. No mundo, ultrapassam a cifra de 600 milhões e, no Brasil, 15% da população (27 milhões) tem mais de 65 anos.

As sociedades tradicionais como, comunidades indígenas e negras valorizam profundamente os anciãos, como detentores de uma sabedoria interior que se acumula à medida que as forças físicas vão diminuindo. As pessoas mais velhas são consideradas como portadoras privilegiadas do Espírito. Por isso, estas comunidades reservam sempre funções próprias para as pessoas mais velhas.Nas sociedades ditas modernas, organizadas em torno da produção e do lucro, quem não está mais no mercado se sente marginalizado e tende a envelhecer mais rapidamente. A família vive em torno das atividades e horários diferentes de cada um. Cada vez mais, o destino dos idosos é o asilo. Ali, as pessoas mais velhas recebem comida e cuidados básicos, mas, na maioria das vezes, se sentem isoladas e mesmo abandonadas. Uma pesquisa recente, feita por sociólogos da Universidade de Caxias do Sul, constatou que o sentimento de mais de 80% das pessoas idosas é de solidão e abandono.

Não adianta a medicina vencer doenças e conseguir que as pessoas vivam mais, se não se garantir qualidade de vida e verdadeira inserção dos idosos nos diversos níveis e tarefas da sociedade.

No romance Ninguém escreve ao coronel, de Gabriel Garcia Marques, o velho coronel, personagem principal do livro, espera, em vão, uma carta do governo lhe dando aposentadoria e pensão. A cada manhã, o coronel se olha no espelho, veste sua roupa mais pomposa e se põe à espera de uma correspondência que nunca chega. Todos sabem que não virá, inclusive sua mulher. Mas essa é a forma dele se manter vivo. Através daquele ritual de espera e ilusão, ao imaginar que a pensão continua sendo adiada, ele sente como se estivesse protelando a própria velhice.

Em seu clássico livro sobre a velhice, Simone de Beauvoir mostra, entre outras coisas, que o inconsciente não tem idade e que temos forte tendência a nos comportar, na velhice, como se jamais fôssemos velhos. Isso agrava o sofrimento de quem não se sente velho e percebe que os outros lhe vêem como idoso. Já na Roma antiga, em seu famoso tratado De Senectute (Da velhice), Cícero escrevia: "Tu envelheces quando começas a te considerar como uma pessoa velha". São raras as pessoas que, aos 60 anos, se consideram nessa condição. Mesmo depois dos 80 anos, muitos se sentem como se tivessem 50. Simone conclui: "Todo mundo quer viver por muito tempo, mas ninguém quer envelhecer". Os atuais cuidados e possibilidades de plásticas e terapias corporais aumentam ainda mais esta tendência. Entretanto, seja como for, ninguém escapa deste processo.

Uma amiga que mora em João Pessoa me contou que, nas eleições passadas, entrou na fila que havia na porta da seção eleitoral. De repente, um senhor saiu e, com a cultura de nordestino do interior que não disfarça as duras verdades da vida, falou claro e em uma linguagem que, hoje, não se costuma usar: "Atenção, velhinhos e velhinhas, podem passar à frente!". Sintomaticamente, ninguém se mexeu. Foi, então, que o homem apontou para a minha amiga: "A senhora não escutou? Pode vir!". Ela me contou isso, concluindo: "Assim, naquele dia, fiquei sabendo que era uma velhinha".

Há alguns anos, Ivan Lessa, jornalista brasileiro em Londres, conta em uma crônica que, aos 65 anos, a pessoa recebe do governo inglês o CV que não é o curriculum vitae e sim "Certificado de Velhice", ou a "Carteira de Velhinho", para o qual os ingleses "usam um eufemismo: 'Freedom Pass'. Passe da liberdade. Apesar de que dá direito a andar gratuitamente em transportes públicos e assegura a prioridade em certas filas desagradáveis, muitos preferem não recebê-lo. Não querem ser vistos como velhos. Outra amiga minha não tem nenhum problema com isso. Nem vê motivos para ter. Aos 88, essa grande educadora e mulher maravilhosa continua trabalhando incansavelmente na educação humana e artística das crianças de rua. Recentemente, me procurou com um novo projeto de vida e de trabalho. Ela imaginou a UPA, Universidade Popular das Artes e se sente feliz em organizar este novo trabalho.

Cada pessoa tem seu jeito de ser e de lidar com o cansaço da vida. O importante é descobrir que nunca é tarde para amar e para se consagrar a uma causa fundamental para a humanidade e para o planeta Terra. Toda a sociedade precisa valorizar os seus cidadãos mais idosos e receber deles o testemunho de sua sabedoria. No mundo antigo, já se sentindo idoso e em uma prisão por causa da fé, Paulo escreveu: "Combati o bom combate, concluí a minha carreira e mantive firme a fé" (Cf. 2 Tm 4, 7).


* Monge beneditino e escritor

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Reforma Ortográfica - Mudanças após o GreNal!

Texto de autoria desconhecida e postada no Orkut por Luciano Jalfim.

Hoje será assinada a reforma ortográfica da língua portuguesa, portanto prestem atenção: O "c" mudo que os portugueses usavam não mais será utilizado, por exemplo: O certo é GALÁTICOS e não GALÁCTICOS.

O apóstrofo continua em vigor, por exemplo: É D'Alessandro e não Dale Alessandro.
O k, y e o w são incorporados no nosso alfabeto, especialmente em nomes; como por exemplo: Poderia ser Nylmar, mas se foi batizado como NILMAR, assim continua sendo.
Da mesma forma a pessoa pode pedir um Kilo de Chocolate, mas não é correto dizer cuatro quilos, ou 4 kylos de chocolate.
O til sobre a letra N não é admitida no nosso idioma. Portanto GUIÑAZU não existe. É sonho... ou assombração para os outros.
O ch e o x seguem sendo usados, devendo ser observada a grafia correta: CHOCOLATE é com ch. CHOCOLATE COM QUATRO é considerado uma crueldade, sendo até admitido o uso do xis. O "x" no final do nome segue em vigor, ex.: Alex.
O acento no início das palavras paroxítonas terminadas em ditongo continuam sendo acentuadas: Exemplo: ÍNDIO. Embora aquele acento no alto possa parecer a supremacia do indígena quando salta entre alguns palermas.
Por tudo isso, seja você um professor ou um operário, deve aprender as mudanças no nosso idioma. Anunciam-se dois fatos importantes: O clássico do Operário do Mato Grosso x Operário da Azenha.
A última é ligada à crise do setor financeiro americano. Em vez de usar o cifrão $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$, que é expressão do problema financeiro, sugerimos usar a mesma tecla, porém na minúscula e tudo se resolve, vejam só:
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OGM perde espaço em MT

Alto custo do glifosato e logística em favor das regiões oeste e noroeste do Estado fazem variedade retroceder na lavoura a cada safra. Tecnologia OGM que já foi vista como ‘salvação da lavoura’ se revela agora em MT, uma variedade cheia de ‘poréns’

Vedete das lavouras nas safras de 2004, 2005 e 2006, os transgênicos ou OGMs (organismos geneticamente modificados) começam a perder espaço para a soja convencional em Mato Grosso, principalmente na região oeste e noroeste, em lavouras localizadas em Campos de Júlio e Sapezal, por exemplo, onde a presença do grão OGM recua para cerca de 5% da área plantada. A elevação de até 70% nos preços do litro do glifosato – químico específico para este tipo de variedade – e a logística favorecida por meio dos portos de Itacoatiara e Santarém, fizeram com que os sojicultores retrocedessem no planejamento da cultura e optassem pela soja convencional, a isenta de trangenia.

Os portos que embarcam soja para Europa, localizados no Amazonas e Pará, respectivamente, só movimentam variedade convencional, obedecendo a exigência do seu mercado consumidor.

Por conta destes fatores, a soja geneticamente modificada vem sendo gradativamente substituída pela convencional, fenômeno que há dois anos não se observava em Mato Grosso. Hoje, apenas 5% do plantio na região oeste/noroeste são de soja transgênica. Nas regiões norte e leste, este percentual chega a 40% e, no sul, 75%.

“O produtor está fazendo as contas antes de plantar e está chegando à conclusão de que trabalhar com OGMs hoje sai muito caro”, aponta o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro.

Aliada a este fator está a estratégia das tradings responsáveis pelo escoamento da produção das regiões oeste e noroeste de Mato Grosso – a Amaggi e a Cargill – que possuem um nicho de mercado bem pontual: o europeu, que via de regra, paga um pouco mais pela soja convencional a estas empresas exportadoras. Entretanto, o produtor não vê a cor do ‘dinheiro a mais’ pago pelos europeus. Quem ganha mesmo são as tradings, que criaram um sistema de escoamento próprio para o transporte da soja convencional. Normalmente, essas empresas não compram produtos OGMs para não misturá-los aos não-transgênicos (convencionais) e, assim, evitar a contaminação e o comprometimento da carga.

A via de escoamento, denominada “Corredor de Exportação Noroeste”, sai da região do Parecis por caminhão até Porto Velho (RO) e vai de balsa até ao porto de Itacoatiara, no Amazonas.

Os portos de Itacoatiara, da Amaggi, e Santarém, controlado pela Cargill, por exemplo, são exclusivos para o transporte de soja não-transgênica. Por isso, quem tem terra nas regiões oeste e noroeste de Mato Grosso acaba optando pelo plantio de não-transgênicos e vendendo para essas duas empresas, pela facilidade de escoamento.

Segundo dados da Aprosoja/MT, através desse corredor são transportados cerca de três milhões de toneladas por safra, para atender basicamente o mercado europeu, que tem preferência pela soja não-transgênica. Nesta transação, a trading recebe um ‘prêmio’ de US$ 60 a US$ 80 por tonelada, ‘faturamento extra’ de até US$ 240 milhões por safra. Mas o produtor não tem qualquer participação nesta diferença paga às empresas. Muito pelo contrário: se a soja for transgênica, o produtor é que tem de pagar um deságio de US$ 2 por saca às tradings.

A reportagem procurou a Cargill e a Amaggi, mas as tradings se negaram a dar informações, alegando ‘questões estratégicas’. A Amaggi, via assessoria de imprensa, informou que o presidente do grupo, Pedro Jacyr Bongiolo, “não gostaria de falar sobre este assunto, pois são informações estratégicas do Grupo que não podemos divulgar”.

Fatores

Para o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, o cultivo de soja transgênica depende de três fatores básicos: preço do glifosato, variedades adaptadas à região e produtividade. “Os produtores estão colocando tudo isso na balança”, conta, apontando que a transgenia é vantagem do ponto de vista da operacionalidade, pois facilita o controle e manejo da lavoura. “Mas o problema é na hora de comprar o glifosato”.

Glauber informou que apesar do alto custo do glifosato, 40% da soja produzida em Mato Grosso é transgênico. “Mato Grosso ainda é um dos poucos estados que têm grande área de plantio de soja convencional. No Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, mais de 90% das áreas utilizam sementes transgênicas”.


Por Marcondes Maciel, da reportagem do Diário de Cuiabá, Domingo, 28 de setembro de 2008http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=328264

Chocolate galáctico: Inter 4x1 Grêmio (Brasileirão)

domingo, 28 de setembro de 2008

Wall Street, descanse em paz:

o fim de uma era




Wall Street. Duas palavras simples que, assim como Hollywood e Washington, conjuram um mundo. Um mundo de grandes egos. Um mundo onde pessoas adoram apostar com dinheiro emprestado. Um mundo de negócios realizados na corda-bamba, impulsionados por computadores.

Em busca de retornos cada vez maiores -e iates maiores, carros mais rápidos e coleções de arte mais caras para seus altos executivos- as firmas de Wall Street reforçaram suas mesas de negociação e contrataram gênios da física quântica para desenvolver programas à prova de falhas.

Os fundos hedge colocavam os mercadores no vermelho (a alta da coroa dinamarquesa) ou no preto (a queda do PIB da Tailândia). E firmas de private equity reuniam fundos gigantes e saíam em uma onda de compras, adquirindo empresas como se fossem uma segunda esposa comprando sapatos Jimmy Choo em liquidação.

Este mundo está em grande parte chegando ao fim.

O imenso pacote de resgate que está sendo debatido no Congresso poderá ter sucesso em estabilizar os mercados financeiros. Mas é tarde demais para ajudar firmas como Bear Stearns e Lehman Brothers, que já desapareceram. O Merrill Lynch, cujo touro de sua marca registrada simbolizava Wall Street para muitos americanos, está sendo absorvido pelo Bank of America, localizado a centenas de quilômetros de Nova York, em Charlotte, Carolina do Norte.

Para a maioria dos financistas que permanecem, com a exceção de alguns poucos superastros, os dias de dinheiro fácil e bônus gigantes são coisa do passado. O boom do crédito que levou ao crescimento explosivo de Wall Street secou. Os reguladores que ficaram de lado por muito tempo agora estão ávidos para refrear os bad boys de Wall Street e as práticas que se proliferaram nos últimos anos.

"Os dias aventureiros nos negócios das firmas de Wall Street, basicamente transformando a si mesmas em fundos hedge gigantes, acabaram. A verdade é que não eram tão bons", disse Andrew Kessler, um ex-administrador de fundo hedge. "Você não mais verá pessoal de nível médio ganhando um número de sete dígitos ou múltiplos números de sete dígitos que ninguém conseguia entender exatamente como conseguiram aquilo."

O início do fim é sentido mesmo nos corredores do elitista e conservador Goldman Sachs, que, entre seus pares de Wall Street, resumia e definia a cultura de alto risco, alto retorno.

O Goldman é uma firma que as outras firmas de Wall Street adoram odiar. Ele conta com alguns dos maiores fundos hedge e de private equity do mundo. Seus banqueiros de investimento são os mais inteligentes. Seus corretores, os melhores. São eles que ganham mais dinheiro em Wall Street, dando à firma o apelido de Goldmine (mina de ouro) Sachs. (Seus 30.522 funcionários ganharam em média US$ 600 mil no ano passado -uma média que inclui tanto secretárias quanto corretores.)

Apesar dos executivos de outras firmas torcerem secretamente para que o Goldman cometesse pelo menos um grande erro, ao mesmo tempo eles se esforçavam ao máximo para copiá-la.

Apesar do Goldman permanecer excelente na prestação de consultoria para fusões e na intermediação do lançamento de ações no mercado, o que ele faz melhor do que qualquer outra firma de Wall Street é negociar bens mobiliários. Isso envolve o uso de seus próprios fundos, assim como uma pilha de dinheiro emprestado, para fazer grandes apostas globais.

Outras firmas tentaram seguir seu exemplo, acumulando risco e mais risco, na tentativa de capturar uma pitada da mágica do Goldman e de seus lucros estelares trimestre após trimestre.

Ninguém chegou perto.

Enquanto a crise de crédito tomava Wall Street ao longo do ano passado, levando o Merrill, Citigroup e Lehman Brothers a sofrerem prejuízos pesados em grandes apostas em ativos ligados a hipotecas, o Goldman continuava navegando sem grandes problemas.

Em 2007, no mesmo ano em que o Citigroup e o Merrill demitiram seus presidentes-executivos, o Goldman registrou receita e lucros recordes e pagou a seu chefe, Lloyd C. Blankfein, US$ 68,7 milhões -o maior valor pago a um presidente-executivo de Wall Street.

Mas até mesmo o menino de ouro de Wall Street não conseguiu suportar a turbulência que sacudiu o sistema financeiro nas últimas semanas. Após os problemas no Lehman e no American International Group (AIG), e do Merrill ter acertado às pressas sua compra pelo Bank of America há duas semanas, as ações do Goldman sofreram um golpe.

A crise do AIG foi particularmente problemática. O Goldman era o maior parceiro de negócios do AIG, segundo várias pessoas ligadas à seguradora, que pediram anonimato por causa dos acordos de confidencialidade. O Goldman assegurou aos investidores que sua exposição ao AIG era imaterial, mas clientes e investidores nervosos abandonaram a firma, temerosos de que os bancos de investimento -mesmo um tão estimado quanto o Goldman- poderiam não sobreviver.

"O que aconteceu confirmou meu sentimento de que o Goldman Sachs, independente de quão bom fosse, não estava imune à sorte", disse John H. Gutfreund, o ex-presidente-executivo do Salomon Brothers.

Assim, no último fim de semana, diante de poucas opções, o Goldman Sachs engoliu a pílula amarga e se transformou, entre todas as coisas, em algo simples e ordinário: um banco de depósitos.

A ação não significa que o Goldman dará, tão cedo, torradeiras como brinde pela abertura de uma conta em uma agência em Wichita. Mas a mudança é um ataque à cultura do Goldman e ao âmago de seus lucros excepcionais nos últimos anos.

Nem todos acham que a máquina de fazer dinheiro do Goldman ficará totalmente restrita. Na semana passada, o Oráculo de Omaha, Warren E. Buffett, fez um investimento de US$ 5 bilhões no banco, e o Goldman levantou outros US$ 5 bilhões em uma oferta separada de ações.

Ainda assim, dizem muitas pessoas, diante de mudanças tão amplas, o Goldman Sachs poderá perder o que o tornava tão especial. Mas, até aí, poucas coisas permanecerão as mesmas em Wall Street.

Créditos:Vermelho

Fonte: The New York Times
Julie Creswell e Ben White
Tradução: Tradução: George El Khouri Andolfato
UOL Mídia Global