terça-feira, 18 de novembro de 2008

A leitura na vida e na morte do Che

Para Guevara, a leitura foi como um filtro que lhe permitiu dar sentimento à experiência. Um espelho que a definia, dava-lhe forma. Além disso, a leitura serviu como metáfora da diferença entre sua vida política e a pessoal, permanecendo como um resto do passado, em meio à experiência da ação pura, do desprovimento e da violência

Tiago Nery - Diplo-Br


No poema Lisboa revisitada, Fernando Pessoa escreveu: “(...) só és lembrado em duas datas, aniversariamente: quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste (..)”. Ernesto Che Guevara parece uma dessas pessoas que só são lembradas no aniversário de sua morte. Com freqüência, exalta-se a figura do herói-mártir do voluntarismo revolucionário, do guerrilheiro heróico. No último dia 14 de junho, Guevara completaria 80 anos. Mais uma vez, as poucas referências ao seu aniversário natalício não mencionaram outras dimensões da vida deste ser profundamente complexo e humano.

Guevara passou por várias metamorfoses ao longo da vida, e essas mutações bruscas foram a marca de sua personalidade. Teve muitas vidas simultâneas – a do viajante, a do médico, a do aventureiro, a do crítico social - que se condensaram e se cristalizaram, por fim, em sua experiência de condottiere, como gostava denominar-se. No entanto, pouco se escreveu sobre a paixão que tinha pela leitura, que remonta à sua infância, e que o acompanharia até seu assassinato na Bolívia.

De acordo com o próprio Guevara, seu interesse pela leitura começou ao tentar ocupar-se durante os ataques de asma, quando seus pais o obrigavam a ficar em casa, fazendo inalações prescritas por eles. Devido às crises, a mãe ensinou-o a ler, pois muitas vezes ele não pôde ir à escola. A partir de então, Guevara se transformou num leitor voraz. Alberto Granado, o amigo que o acompanhou na viagem pela América do Sul, ficou intrigado quando descobriu que o jovem Ernesto “já estava lendo Freud, gostava da poesia de Baudelaire e lera Dumas, Verlaine e Mallarmé em seu idioma original, bem como a maioria dos livros de Émile Zola, os clássicos argentinos, como o épico Facundo de Sarmiento, e as mais recentes obras de William Faulkner e Jonh Steinbeck”. [1]

Ao longo de sua trajetória, Guevara procurou unir a leitura à vida. Como leitor, buscava completar o sentido de sua vida por meio de imagens extraídas das leituras que fazia. Assim, viveu a partir de certos modelos de experiência que leu e procurou repetir e realizar; encontrou em cenas lidas um modelo ético de conduta, a forma pura da experiência. Cortázar escreveu um conto, sobre uma passagem na sua vida, em que el Che, ferido, pensando que está à morte, lembra-se de um relato que leu. Assim escreveu em Passagens da guerra revolucionária: “Na mesma hora comecei a pensar na melhor maneira de morrer, naquele minuto em que tudo parecia perdido. Lembrei-me de um velho conto de Jack London, em que o protagonista, apoiado no tronco de uma árvore, toma a decisão de acabar a vida com dignidade, ao saber-se condenado à morte, por congelamento, nas regiões geladas do Alasca. É a única imagem de que me lembro”.

A vida de Guevara foi marcada pela constante tensão entre o ato de ler e a ação política: a leitura, na figura sedentária do leitor e prática, do guerrilheiro que avança. Mais que paixão, a leitura era para ele uma dependência. “Minhas duas fraquezas fundamentais: o fumo e a leitura”. E leitura feita em situações de perigo, em situações extremas, fora de lugar, em circunstâncias de desorientação, de ameaça, de morte. A leitura opondo-se a um mundo hostil, como restos ou lembranças de outra vida. No excelente ensaio Ernesto Guevara, rastros de leitura, o escritor Ricardo Piglia define esses momentos do guerrilheiro nos intervalos da marcha contínua: “essas cenas de leitura seriam o vestígio de uma prática social. Trata-se de uma pegada - um tanto borrada -, de um uso do sentido que remete às relações entre os livros e a vida, entre as armas e as letras, entre a leitura e a realidade". [2]

Existem duas fotos extraordinárias da revolução cubana. Numa Che lia uma biografia de Goethe num acampamento guerrilheiro. A outra captou o momento em que lia na Bolívia, em cima de uma árvore, em meio à desolação e à experiência terrível. Trata-se de Guevara como o último leitor

Para Guevara, a leitura foi como um filtro que lhe permitiu dar sentimento à experiência. Um espelho que a definia, dava-lhe forma. Além disso, a leitura serviu como metáfora da diferença entre sua vida política e a pessoal, permanecendo como um resto do passado, em meio à experiência da ação pura, do desprovimento e da violência. Isso já era percebido no período da luta em Cuba. Em um testemunho sobre a experiência da guerra de libertação cubana, alguém afirma, referindo-se ao Che: “leitor incansável, abria um livro quando fazíamos uma parada, ao passo que nós, mortos de cansaço, fechávamos os olhos e tratávamos de dormir”. Há uma foto conhecida dessa época, em que lia uma biografia de Goethe num acampamento guerrilheiro. Outra foto extraordinária, captou o momento em que lia na Bolívia, em cima de uma árvore, em meio à desolação e à experiência terrível. Trata-se de Guevara como o último leitor.

Ademais, costumava registrar em seu diário a experiência pessoal e a coletiva a qual estava inserido inteiramente. Escrevendo, Guevara fixou a experiência em si, o que permitiria em seguida ler sua própria vida como se fosse a de outro, e reescrevê-la. No entanto, o Diário da Bolívia é excepcional, por não ter sido reescrito.

Na marcha da história, o leitor sobrevive em Guevara, sob o eterno conflito entre ação do ser político e a leitura do ser isolado, sedentário, reflexivo. Há um relato sobre o primeiro combate da guerrilha boliviana em que estava lendo estendido em sua rede, enquanto esperava o momento exato do início à emboscada. Ainda no país andino, quando por fim é capturado, no dia 8 de outubro de 1967, Che, sem forças, carregava seus livros, dos quais não abriu mão, enquanto todos os outros já se haviam desfeito daquele peso supérfluo.

Nos momentos finais de vida, uniram-se o Che leitor e o Che político, talvez porque estiveram juntos desde o início. Enquanto estava preso na escolinha de La Higuera, aguardando ser assassinado, Julia Cortés, professora e única a assumir uma atitude solidária com Ernesto, foi levar-lhe de casa um prato de comida. Quando entrou na sala, encontrou o Che jogado no chão, ferido. Então – e estas seriam suas últimas palavras - Guevara mostrou-lhe uma frase escrita na lousa e disse que a mesma não estava correta; com enfática perfeição, falou: “falta o acento”. A frase era “yo sé leer” (‘eu sei ler’). Por uma dessas ironias do destino, como um oráculo, uma cristalização quase perfeita, a frase que Guevara corrigiu tinha a ver com leitura.

Como afirma Ricardo Piglia, Guevara “morreu com dignidade, como o personagem de Jack London”. Morre o homem. Ficam suas idéias, sua determinação, seu exemplo.



[1] ANDERSON, JL. Che Guevara: uma biografia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

[2] PIGLIA, R. O último leitor. São Paulo: Companhia das Letras, 2006

A receita oculta de Yeda para o déficit zero


A governadora Yeda Crusius (PSDB) e seus aliados comemoram o "déficit zero" como um grande feito do atual governo. Mas o que é, afinal de contas, o "déficit zero"? O Ministério Público de Contas, que emitiu parecer prévio desfavorável à aprovação das contas de Yeda no exercício de 2007, identificou alguns dos principais ingredientes dessa receita:

- Descumprimento dos limites constitucionais mínimos de gastos com saúde, educação e pesquisa científica e tecnológica.

- Pendência de repasses aos municípios, referentes às quotas de salário-educação, multas de trânsito, ICMS, IPVA, entre outros itens, totalizando R$ 90,090 milhões.

- Sucessivas prorrogações de contratos emergenciais, burlando a exigência de realização de concursos públicos.

- Dívidas com precatórios judiciais contabilizadas em valor menor que o real pelo Estado, incluídas suas autarquias e fundações.

- Não-repasse integral ao IPERGS do produto das contribuições previdenciárias retidas junto à folha de pagamento dos servidores.

- Suplementação das despesas com publicidade em 55,01%.

Esse último ingrediente é fundamental para que essa receita não seja publicada nos meios de comunicação. Sem isso, o bolo do déficit zero desandaria.

Foto: Paula Fiori/Palácio Piratini

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A mídia de esgoto de RS....

Sobre festas comuns de adolescentes aos finais de semana e convidados negligenciados por adultos


"(...) Era uma festa comum, como fazem milhares de adolescentes a cada fim de semana, com a total anuência dos pais. O excesso, muito provavelmente, correu por conta de um convidado que costuma ser ignorado ou negligenciado pelos adultos quando os jovens anunciam seus programas: o álcool. Além de ser a porta de entrada para outras drogas ainda mais degradantes, a bebida alcoólica altera comportamentos e expõe a riscos os consumidores. Mas é socialmente tolerada e até incentivada. Sob o pretexto de que as festas perdem a graça sem álcool, ou de que todos bebem, a garotada consegue facilmente convencer pais e responsáveis a respeito da liberação da droga lícita. Daí à perda de controle é um passo (...)" (Os grifos são meus - msilvaduarte).

Editorial de Zero Hora no último sábado, 15, comentando o recente estupro, na cidade de Joaçaba, SC, de uma adolescente de 15 anos por jovens de classe média, "no decorrer de uma aparentemente inocente festinha com pipoca e bebida alcoólica".



Nada mal para um empresa que organizou, no último verão, em um certo final de semana, uma festa comum voltada para adolescentes patrocinada por uma cervejaria. Como se vê, o Grupo RBS é um adulto que não negligencia e nem ignora o álcool quando anuncia seus eventos caça-níqueis para adolescentes. Isso é o que La Vieja chama de responsabilidade social empresarial.

La Vieja continua sustentando a tese de que, além de em geral fazer mau jornalismo, o Grupo RBS redefine o conceito de hipocrisia todas as vezes em que há confronto entre seus interessses privados e determinados interesses públicos.

Créditos: LaViejaBruja
Entendendo o Irã



Luiz Eça

Há 2.500 anos, quando os antepassados de George Bush habitavam as florestas da Europa, vestindo peles de animais e comendo carne crua, o Irã (o império dos persas) era a mais poderosa nação do mundo.

Conquistado pelos árabes no século 7, o Irã adotou a religião deles e integrou-se no império islâmico como uma parte importante, distinguindo-se nas ciências, literatura, filosofia e arquitetura, daquela que foi a principal civilização da Idade Média.

A dinastia Safavida, que reinou no Irã depois que ele se separou do império muçulmano, foi outro momento de glória do país.

Estes fatos criaram uma identidade nacional e tornaram o povo iraniano orgulhoso de seu país. Mas, a partir do século 19, líderes corruptos permitiram que durante muitos anos a Rússia e a Inglaterra dominassem o Irã e explorassem sua economia. O povo iraniano sempre se rebelou contra as concessões feitas a essas potências e, em 1906, uma revolução constitucional tornou o Irã uma monarquia parlamentarista. Mas os russos e os ingleses não se tocaram. Em 1907 assinaram um tratado que dava à Inglaterra o controle do sul e à Rússia, do norte.

Nessa época, descobriu-se que o Irã tinha muito petróleo e uma empresa inglesa, a Anglo-Iranian Oil Company, assenhorou-se de sua exploração.

Em 1919,os ingleses impuseram o Acordo Anglo-Iraniano que dava a eles o controle do exército, do tesouro, dos transportes e das comunicações do país.

Novamente o povo iraniano revoltou-se e dois anos depois foi revogado o Acordo. Assumiu o poder Reza Shá que procurou modernizar o Irã. Suas boas relações com a Alemanha foram pretexto para os russos e ingleses invadirem o país, em 1941, e forçarem Reza Shá a abdicar em favor de seu sobrinho, Reza Palevi.

Depois da guerra, o nacionalismo empolgou os iranianos. Em 1951, seu parlamento elegeu o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, com a proposta de nacionalizar a indústria petrolífera. Ele declarou ser inaceitável que o Irã fosse um dos povos mais miseráveis do mundo enquanto a Anglo-Iranian ganhava fortunas, explorando as imensas reservas de petróleo do país.

Os ingleses reagiram, aliados aos americanos. E a CIA promoveu a "Operação Ájax", um golpe de Estado contra Mossadegh, tendo o xá Reza Pahlevi assumido poderes ditatoriais. Sem demora, ele devolveu o petróleo às companhias estrangeiras. Reprimiu violentamente a oposição, com sua polícia secreta, a Savak, matando e torturando. Os adversários do regime só podiam reunir-se nas mesquitas, o que deu força política aos clérigos.

Nos anos subseqüentes, os Estados Unidos apoiaram o xá, enviando imensos carregamentos de armas e equipamentos militares. Com isso, o anti-americanismo, nascido na crise que destruiu Mossadegh e a democracia iraniana, radicalizou-se.

Em 1979, o descontentamento contra o governo do xá provocou uma insurreição popular que levou ao poder o aiatolá Komeini e os fundamentalistas xiitas. 30 dias depois de sua posse, houve o episódio em que estudantes seqüestraram 465 pessoas na embaixada dos Estados Unidos. Komeini não apoiou, mas também não fez nada e o governo americano rompeu relações com Teerã.

Em 1980, o governo Ronald Reagan ajudou Sadam Hossein quando ele atacou o Irã, fornecendo helicópteros e informações de satélites para localizar os pontos a serem bombardeados. Nessa guerra, morreu 1 milhão de iranianos. Para o povo: com a cumplicidade dos Estados Unidos.

Estas intervenções americanas condensaram-se numa herança de ódio que tornou o Irã hostil aos Estados Unidos.

Eleito em 1998, o moderado presidente Khatami defendeu a liberdade de expressão, os direitos humanos e uma política econômica que atraísse capitais estrangeiro. Tentou melhorar as relações com os Estados Unidos, mas desistiu quando Bush colocou o Irã no "eixo do mal". Diante da fúria nacional, as eleições seguintes foram ganhas pelo ultra-conservador Ahmadinejad.

Parece estranho que os Estados Unidos tenham sido responsáveis ou co-responsáveis pela queda de um regime democrático (Mossadegh) e de um governo reformista (Khatami). Mas tem lógica, considerando-se os objetivos estratégicos de sua política externa. Como império, eles não podem admitir governos que não aceitem sua hegemonia (Eisenhower: "Quem não está conosco está contra nós"). Sobretudo no caso do Irã que ocupa uma posição geográfica favorável para controlar o fluxo do petróleo dos produtores da península arábica, podendo cortar os fornecimentos necessários à economia americana. Além disso, as reservas do Irã, na OPEP só suplantadas pelas da Arábia Saudita, são extremamente apetitosas para as petrolíferas americanas. Ora, tanto Mossadegh quanto Khatami defendiam uma política externa independente e a exploração do petróleo pelos iranianos. Eram inaceitáveis, portanto.

Ahmadinejad também é. A Casa Branca tem um plano para derrubá-lo: agravar cada vez mais as sanções contra o Irã até levar sua economia a um ponto próximo do colapso, o que forçaria o governo iraniano a interromper a produção de urânio puro.

Derrotado e com o país afundado em problemas econômicos profundos, o regime dos aiatolás perderia apoio popular e poderia ser derrubado. Caso o Irã não cedesse, restaria sempre a opção militar.

Há evidências de que o Irã não pretenda produzir bombas nucleares. O próprio serviço secreto americano já admitiu que isso atualmente não acontece. E o governo iraniano atendeu a quase todas as solicitações feitas pela agência atômica da ONU.

De outro lado, ele se recusa a admitir certas inspeções. Tem justificativas aceitáveis: teme que os inspetores informem aos Estados Unidos segredos militares. Há precedentes históricos para o Irã desconfiar do Ocidente.

Mas se o Irã não pretende ter bombas atômicas por que não aceita importar urânio puro, em vez de produzi-lo?

Aí entra uma questão de orgulho nacional. O Irã é um grande país, com 72 milhões de habitantes e uma indústria em fase de expansão, além de sua liderança na área do petróleo. Tem uma rica herança cultural e um passado glorioso.

Seu povo não aceita que os Estados Unidos e Israel desenvolvam programas nucleares enquanto isso lhes seja proibido.

Washington alega que, tendo Ahmenadabad declarado que Israel seria varrido do mapa, não seria surpresa se ele usasse bombas atômicas para isso.

Na verdade, o presidente do Irã esclareceu que não pretende fazer nada contra o povo de Israel. Somente acha que seu regime racista acabará desaparecendo, sendo substituído por uma sociedade, sem distinções de religião ou raça. E, convenhamos, os iranianos nunca seriam tão loucos de atacar um país que já tem 200 bombas, mais o apoio dos Estados Unidos e seu arsenal nuclear.

Como os iranianos não devem mesmo pedir água, restaria a opção militar. A crise econômica que assola o mundo a inviabilizou, por agora. Bombardeado, o Irã fecharia o estreito de Ormuz, bloqueando a passagem do petróleo das nações da Arábia e levando seu preço às alturas.

Quando o furacão passar, talvez o novo presidente americano terá condições para encarar uma guerra. Pelas palavras dos candidatos, estão dispostos. "Bomb, bomb, bomb", é a palavra de ordem de McCain.

Já Obama fala em mais pressões diplomáticas, "sem tirar da mesa" a opção militar. Como ele deve vencer, resta esperar que suas ameaças não passem de demagogia para ganhar os votos de um público que a mídia convenceu a temer o Irã.

Luiz Eça é jornalista.

“DONOS DA MÍDIA”: NASCE UMA FERRAMENTA PODEROSA A FAVOR DA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

Por Leandro Uchoas

Produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), instituição ligada ao Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o sítio “Donos da Mídia” tende a se tornar uma das mais importantes ferramentas virtuais para pesquisas relacionadas à comunicação.



A equipe de pesquisadores – jornalistas, estudantes e professores – rastreou toda a mídia brasileira, levantando dados que escancaram sua concentração e suas relações com o poder político. Foram estudados dados dos 9475 veículos de comunicação do país – do jornalismo impresso à radiodifusão. Brilhante, o trabalho deixa à mostra a urgência da democratização dos meios de comunicação brasileiros.



Segundo os dados, existem 35 grupos de abrangência nacional no Brasil, controlando 516 veículos de comunicação. O grupo Abril controla 74 desses veículos; as organizações Globo dominam 69. No ranking das corporações, são seguidas de perto por Band e Record, com 47 e 34 veículos, respectivamente.



Segundo a pesquisa, a Rede Globo detém hoje 340 veículos de comunicação em todo o Brasil. As sete principais redes detêm 1110 dos 1553 veículos de comunicação brasileiros – 71,5%. Entre as sete, cinco são exatamente as mesmas de 30 anos atrás, quando os estudos começaram, durante a ditadura militar.



A segunda constatação é a escancarada proximidade com o poder político, o que talvez explique a produção conservadora da maioria desses veículos, e sua defesa intransigente dos valores de mercado. A Constituição Federal proíbe que políticos eleitos sejam sócios ou diretores de veículos de comunicação. Entretanto, segundo dados oficiais, 271 políticos controlam 324 meios. Um notório desrespeito à lei máxima do país.



Segundo os dados, o partido com maior domínio dos meios é o DEM. 58 deputados, senadores e prefeitos do partido são sócios ou diretores de empresas de mídia. Em segundo lugar vem o governista PMDB, com 48 políticos. O PSDB, com 43, e o PP, com 23, completam a lista dos quatro principais. O sítio também aponta o estado de Minas Gerais como aquele em que há mais políticos detentores de veículos midiáticos. São 38, contra 28 em São Paulo e 24 na Bahia.



A pesquisa começou há trinta anos, com a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação (Abepec). Foi por muito tempo comandada por Daniel Herz, que nos anos 80 detectou a avassaladora concessão de outorgas do governo Sarney, através do ministro das Comunicações Antonio Carlos Magalhães (em menos de três anos, Sarney concedeu 527 concessões de rádio e TV). Herz morreu há dois anos, mas como se vê, o trabalho de sua vida foi ampliado e publicizado. É tarefa de todos os que sonham com uma comunicação mais democrática divulgar o endereço, e utilizar suas informações.



Acesse em www.donosdamidia.com.br

domingo, 16 de novembro de 2008

Revista 'Princípios' destaca os desafios da renovação do socialismo




Foi uma coincidência irônica o fato de que, ao mesmo tempo em que China e Vietnã completam respectivamente 30 e 20 anos da adoção de caminhos novos rumo à construção do socialismo, tenha eclodido a grande crise financeira que, partindo da venda de hipotecas nos Estados Unidos, revertendo-se para um processo de quedas de ações da bolsa, que repercutiu no mundo todo. Ao analisar e comemorar as conquistas da Ásia, a edição 98 da revista Princípios não poderia deixar de considerar essa grave crise.
Capa da edição de número 98 da revista 'Princípios' Segundo o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista nesta edição, é impossível compreender o desenvolvimento da Ásia sem entender o papel de economia cêntrica dos Estados Unidos e a sua forma de desenvolvimento. Na avaliação dele, o crescimento da Ásia é um subproduto da expansão americana do pós-guerra. Mas, por outro lado, a China se transformou no grande centro manufatureiro global, o que, segundo Belluzzo, coloca em xeque a capacidade dos Estados Unidos de avançar sem alterar as relações.
Muitos fatores foram apontados e muitas análises foram tecidas neste processo de crise dos Estados Unidos e expansão dos chamados países emergentes. A situação colocou em xeque dogmas econômicos e políticos, evidenciando a fragilidade do neoliberalismo e das políticas nele inspiradas, e ressaltando a solidez econômica, social e política aplicadas por países que, há pouco tempo atrás, eram vistos como impotentes.
Colaboradores da revista contribuíram para esta complexa análise levantando pontos importantes sobre os fundamentos desta situação que ora se coloca. Sobre o debate acerca do possível fim do modelo neoliberal, o economista Lecio Morais apontou que o modelo econômico já admite a crítica marxista e keynesiana de que o funcionamento independente dos mecanismos de mercado como único agente organizador da sociedade tende à desorganização e ao desastre.
Para Belluzzo, é preocupante a idéia de que chegamos ao fim do neoliberalismo visto que os Bancos e as instituições financeiras buscam subterfúgios para contornar a crise. Segundo ele nos próximos meses a luta política é que determinará o grau e a natureza da regulação nos próximos meses.
Sobre a China, a revista traz o artigo do historiador Augusto Buonicore sobre a Revolução e o surgimento de Mao Tse-tung como um líder político. Ainda sobre a China, a revista traz o texto do geógrafo Elias Jabbour, que fala sobre as estratégias que fizeram do país uma potência em desenvolvimento a despeito de dificuldades como a densidade demográfica, o modo de produção extensivo e o impacto ambiental.
Além disso, o artigo do primeiro ministro da República Popular da China, Wen Jiabao, aponta conquistas do país nestes últimos trinta anos, como: a superação do secular isolamento da nação chinesa, a maior liberdade do povo chinês etc, refletindo-se em um rápido crescimento econômico.
Sobre o Vietnã, o jornalista José Carlos Ruy lembra que, ao longo do século 20, o país foi vitorioso nas vezes em que foi duramente atacado por potências imperialistas. O Vietnã expulsou o Japão, que havia invadido o país durante a Segunda Guerra, derrotou a França quando esta tentou recolonizar, e venceu os Estados Unidos ao fim da guerra que devastou o país. Entretanto, o este foi o país mais bombardeado nas guerras do século 20, tendo sofrido seqüelas profundas e ficado marcado pela história com uma das mais trágicas histórias do século.
O contraponto interessante, abordado na revista, é registrado no artigo do embaixador do Vietnã no Brasil, Nguyen Thac Dinh. A situação atual, decorrente do processo de renovação vietnamita, aponta índices de desenvolvimento econômico e social. Segundo ele, a aprovação da chamada Doi Moi (Renovação Política), no 6º Congresso do Partido Comunista do Vietnã, em 1986, foi o ponto de partida que viabilizou as atuais conquistas do país. Tanto China quanto Vietnã ressaltaram a importância da democracia como condição a ser cada vez mais aprimorada no processo de construção do socialismo.
A nova edição da revista traz também um balanço dos Jogos Olímpicos e Para-olímpicos de Pequim, feito pelo ministro do Esporte, Orlando Silva; uma entrevista com o curador da polêmica 28ª Bienal de Artes de São Paulo; uma análise apontando as perspectivas que se abrem com a descoberta do chamado pré-sal, desenvolvida pelo diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima; uma entrevista com o físico Olival Freire, sobre a criação do Grande Colisor de Hádrons (LHC); outra entrevista, com a presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, sobre a reativação da 4ª frota estadunidense e o cerco militar global estabelecido por esse país; uma análise da crise abordando o colapso da Rodada de Doha, do sociólogo Ronaldo Carmona; a segunda parte do artigo sobre história urbana, dos professores Luiz Sergio Duartte e Adriana Mara Vaz de Oliveira.

E ainda falam mal de CUBA...

Cuba patenteia vacina terapêutica contra o câncer de pulmão

POR IRIS ARMAS PADRINO

• A primeira vacina terapêutica para o tratamento do câncer avançado de pulmão foi patenteada em Cuba e é a única registrada no mundo para este tipo de tumor maligno, noticiou a Agência de Informação Nacional.

Cuba patenteia vacina terapêutica contra o câncer de pulmão"Sob o nome de Cimavax EGF, esta vacina imunogênea é de provada eficácia e aumenta a possibilidade de sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem esta doença", disse a gerente do projeto, a doutora em ciências biológicas, Gisela González.

A especialista explicou à imprensa que esta vacina foi fabricada no Centro de Imunologia Molecular (CIM), uma das instituições insígnias do Pólo Cinetífico da capital do país.

"O primeiro teste clínico em Cuba foi feito, em 1995, a mais de 400 pacientes com esta doença em estágio avançado, que receberam com antecedência tratamento convencional com quimioterapia ou radioterapia", enfatizou.

"Entre as vantagens do medicamento sobressaem a diminuição ou eliminação da falta de ar, os doentes ganham peso, melhoram o apetite, a dor torna-se controlável, podendo se inserir na vida social", disse.

Sublinhou que a vacina, que provoca resposta imune e não tem efeitos severos, é composta por proteínas, uma pelo fator de crescimento epidérmico e pela P-64 K, da membrana, as duas obtidas a partir de recombinantes no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia.

González afirmou que se realizaram cinco testes fase I, dois testes fase II terminados um em Cuba e outro no Canadá e na Inglaterra.

De acordo com os resultados dos testes clínicos da fase II, constatou-se benefício clínico nesses pacientes, em comparação com os que não foram vacinados, razão pela qual foi solicitado patenteá-la na empresa regularizadora cubana.

Anunciou que se está realizando o terceiro teste clínico a 579 pacientes em onze hospitais do país e prevê-se, para gosto deste ano, dar início às pesquisas da fase II no Peru e, posteriormente, na China.

A diretora de Pesquisas Clínicas do CIM, doutora Tania Crombet, ressaltou que cientistas cubanos pesquisam a Cimavax EGF para aplicá-la a outros tumores de origem epidemóide (sólidos) e demonstraram sua utilidade em neoplasmas de pulmão, de cabeça e garganta, de cérebro, gástrico, de mama, de ânus, de próstata, de colo do útero, de bexiga, de ovário e de pâncreas.

Cuba, desde 1992, começou a fazer estudos com esta vacina, que incluiu os testes pré-clínicos, de animais de laboratório e, em 1995, o primeiro teste clínico. •

Comissão aprova rádios comunitárias para universidades e escolas

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovou, na quarta-feira (5), o Projeto de Lei 5172/05, do deputado Celso Russomanno (PP-SP), que permite às instituições de ensino superior obter autorização para operar rádios comunitárias.
Foi aprovado o substitutivo do relator, deputado Fernando Ferro (PT-PE), que amplia o projeto, fazendo-o abranger também escolas de nível médio, instituições particulares de ensino, escolas técnicas federais e centros vocacionais tecnológicos.
Além disso, o substitutivo permite a outorga de mais de uma emissora para universidades que tenham mais de um campus; e prevê a possibilidade das universidades operarem canal próprio de televisão educativa.
Importante suporte
O relator argumenta que muitas escolas de nível médio, em especial as públicas, situam-se em regiões carentes de infra-estrutura. Para essas regiões, diz Fernando Ferro, a emissora de rádio da escola será um importante suporte para acelerar o processo de desenvolvimento sócio-econômico.
Pelo substitutivo, a entidade de ensino particular que quiser operar uma rádio comunitária deverá comprometer-se a dar preferência a finalidades educativas, artísticas,culturais e informativas.
"Essas mudanças modernizadoras no marco legal vigente vão enriquecer a educação, a cultura e a cidadania no País", resume Fernando Ferro.
Preparação acadêmica
Segundo o autor, deputado Russomanno, o objetivo do projeto é contribuir para a preparação acadêmica e para o aperfeiçoamento profissional do estudante.
A legislação vigente já autoriza as universidades a operar emissoras educativas. Mas os altos custos de uma rádio educativa, diz Russomanno, inviabilizam o seu funcionamento nas instituições de ensino públicas. A rádio comunitária, mais barata, é mais compatível com a realidade universitária, argumenta o autor do projeto.
Tramitação
A proposta já havia sido rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura. Agora, ela segue para o exame da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, vai à votação em plenário.

Créditos: IZB

(Fonte: Dióges Santos, em http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=128264)

Cuba exibirá filme de Soderbergh sobre 'Che' Guevara


Cuba exibirá em dezembro o filme Che, obra do norte-americano Steven Soderbergh que fala sobre Ernesto "Che" Guevara, disse na última quinta-feira (13) o diretor do Festival de Cinema Latino-Americano de Havana.


Del Toro, no papel de Che: restrições para filmar

Ivan Giroud, diretor do festival que acontecerá entre os dias 2 e 12 de dezembro, disse a jornalistas que não sabe se Soderbergh, o ator Benício Del Toro e outros membros do elenco irão a Havana, devido às restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos às viagens para a ilha.


O filme de Soderbergh tem duas partes ("O argentino" e "guerrilha") e quatro horas de duração. "Em uma apresentação especial, vamos exibir as duas partes", disse Giroud durante uma coletiva de imprensa sobre o festival.


Em julho, Alfredo Guevara, presidente do festival de cinema de Havana, que chega à 30ª edição, disse a jornalistas que Cuba não iria exibir o filme caso ele tivesse "algum ataque" ao ex-presidente de Cuba Fidel Castro.


O filme foi rodado na Espanha e na Bolívia, onde Guevara foi capturado e executado no dia 9 de outubro de 1967, enquanto tentava expandir a guerrilha pela América Latina.


Giroud disse a jornalistas que os atores norte-americanos envolvidos no filme precisam de autorização de seu governo para viajar a Cuba. "Estão tratando (de sua vinda) (...) estão envolvidas aqui figuras do cinema norte-americano, então isso depende um pouco das permissões e das autorizações para a viagem", comentou.


O governo Bush aumentou o embargo comercial e as restrições de viagens à ilha.


O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, disse em 2007 que Soderbergh não pôde filmar na ilha devido ao embargo comercial aplicado pelos Estados Unidos desde 1962.


Segundo Giroud, o Festival de Havana terá neste ano 114 filmes. Os países mais representados no festival são a Argentina, o México, o Brasil, a Venezuela, o Chile e a Guatemala.


O festival começou em 1978. Além deste, a ilha organiza outros dois festivais internacionais.


Fonte: Reuters

Créditos:Vermelho

CPERS organiza greve em todo o Estado

O Comando de Greve do CPERS/Sindicato reuniu-se neste sábado para avaliar a assembléia geral de ontem, e para preparar a mobilização da categoria em todo o Estado. A assembléia decidiu pela greve como forma de pressionar pela retirada do projeto encaminhado na terça-feira passada pelo Governo Yeda que cria um piso estadual. Na avaliação do CPERS, a proposta de piso apresentada pela governadora “é uma tentativa de enganar a sociedade e a categoria de que se trata da mesma lei federal”.

“Essa tentativa não se sustenta, já que o governo está contestando na justiça o piso nacional. De semelhante tem apenas o valor de R$ 950,00 já que a proposta do governo gaúcho é na verdade um teto e não um básico. O projeto, se aprovado, significaria um congelamento de salários, pois sobre ele não seria aplicado aquilo de mais caro que a categoria tem: sua carreira, garantida através do seu esforço para se qualificar e então mudar de nível”, diz o sindicato em nota distribuída hoje.

Os professores também rejeitam a proposta do governo de elaborar um novo plano de carreira para o magistério. “A categoria não aceita alterações no plano, principalmente porque a intenção do governo é encurtar as distâncias entre os níveis, achatando os vencimentos dos educadores e com isso gastando menos com o pagamento de salários”, diz o CPERS. A primeira reunião do Comando de Greve definiu que até segunda (17) deverão estar constituídos todos os comandos de greve regionais e que durante o fim de semana os deputados estaduais serão procurados em suas regiões de origem. O CPERS pedirá aos parlamentares para que pressionem pela retirada do projeto e que assumam o compromisso de não votarem durante o recesso escolar qualquer projeto que retire direitos dos trabalhadores em educação.

Ainda na segunda-feira, o Comando de Greve encaminhará ao governo um pedido formal de audiência para o dia 18, à tarde. Os partidos políticos também serão procurados para que se manifestem em relação ao projeto e para agendar uma reunião com os deputados federais e senadores.

Foto: João Manoel de Oliveira