sábado, 18 de abril de 2009

Criança: a alma do negócio

Um video de Estela Renner

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mai. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que umn adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falama diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Direção Estela Renner
Produção Executiva Marcos Nisti
Maria Farinha Produções

http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40

escolha a melhor forma de visualizar noseu computador

Viúva confirma gravação que pode elucidar morte de Cavalcante

Por Lucas Azevedo

A empresária Magda Cunha Koenigkan, viúva do ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, reafirmou sua disposição de revelar tudo o que sabe para ajudar a polícia a desvendar a morte do marido.

A entrevista exclusiva da empresária, publicada pelo Jornal JÁ nesta quinta-feira, 16, repercutiu em todo o país. Um dos pontos que mais chamou atenção foi a revelação de Magda sobre uma gravação na qual Cavalcante aparece conversando com uma pessoa, não identificada, que participou da campanha para o Piratini em 2006.

Na conversa gravada, o ex-representante do governo gaúcho se mostra surpreso ao saber que parte do dinheiro arrecadado para a campanha tomou outro fim. “Foi aí que tudo começou”, segundo Magda.
Nas diversas entrevistas que deu sexta-feira, ela confirmou ter visto a gravação várias vezes, mas que não tem mais acesso a ela. Cavalcante, talvez por precaução, havia deixado o material com um amigo, que teria devolvido pouco antes de sua morte. Magda não sabe onde foi parar.

Magda desmentiu a declaração do comerciante Marcos Cavalcante de que ela seria ré em processos na Justiça do Distrito Federal. Ela afirma que seu nome é citado apenas como autora num processo de separação, de seu casamento anterior. “Meu ex-cunhado está sendo leviano nas suas informações, pois não sou ré em nenhum processo. Ele não me preocupa, pois era com quem Marcelo não conversava há quase dois anos, e o que menos conhecia sua vida profissional.”

Magda, que é diretora-geral da revista de análise política Sras&Srs, se disse preocupada com a repercussão que suas declarações estão tomando em Brasília. “Fui pega de supetão nessa história. Me sinto como se um copo de vinho tivesse caído sobre mim e manchado minha roupa. Não pude me defender nem do copo, nem do vinho.”

Em entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rádio Guaíba, veiculada na tarde dessa sexta-feira (17), a empresária revelou que tem procurado a polícia em Brasília para saber do andamento do inquérito, mas não tem obtido resposta.

Na 10ª. Delegacia, em Brasília, a expectativa é de após o feriado de Tiradentes, haja manifestação da Justiça em relação ao pedido do Aélio Caracelli, que quer mais prazo para concluir as investigações.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Está no blog do Azenha...

Um debate acalorado sobre a privatização da telefonia


por Luiz Carlos Azenha

Começou com a reclamação de um colega de trabalho, que desistiu da Telefonica depois da recente pane no serviço do Speedy. É uma característica dos "serviços" no Brasil, que desafiam a modernização: falhas, péssimo atendimento telefônico -- quando existe --, desleixo com o consumidor e um preço relativamente salgado.

Esse estado de coisas quase não aparece no jornal, nem na televisão. Não há "apagão" da telefonia, nem da internet. Haveria, com certeza, se os serviços fossem estatais. Afinal, o papel da mídia é justamente esse: promover as negociatas através das quais os sócios, parceiros ou patrocinadores lucram às custas de dinheiro público.

Os defensores da privatização dizem que seria pior se os serviços fossem estatizados. Argumentam que haveria menor concorrência. E que a máquina estatal ficaria inchada de apaniguados do governo de turno. É, de fato, um risco.

Os problemas foram identificados por alguns leitores. O Paulo Ramos, que mora em Campo Grande, disse que há dois anos tenta instalar banda larga em casa, mas recebe da operadora a informação de que não existe "suporte técnico". Pode ser um sintoma clássico da privatização: as empresas investem dinheiro nas regiões onde podem conseguir maior retorno.

A Ana Cruz lembrou: "O brasileiro é o consumidor que tem os maiores custos quando o assunto é o uso do celular. O cenário é apontado pelo levantamento da União Internacional de Telecomunicações, a UIT".

O Romanelli apresentou uma tabela mostrando que a assinatura fixa, que custava 89 centavos em 1995, passou a 40 reais e 50 centavos em julho de 2008, um aumento de 4.800% contra 247% do IGP. Segundo ele, "prova provada de que os novos donos (estatal espanhola) não colocaram dinheiro novo aqui, pois os liberais libertinos permitiram que os novos investimentos fossem repassados ao povo pelos novos corsários".

Luiz Alphapluis, autor do artigo sobre a cratera da telefonia que deu origem ao debate, comentou: "Tenho telefone da NET e também passei semanas cronometrando quanto tempo ficava ao telefone escutando musiquinha. [...] Só consegui ser atendido quando entrei na opção de cancelamento da assinatura. Só assim eles me ouviram".

A Érica trouxe uma série de reclamações. Uma das mais relevantes, em minha opinião, diz respeito à tarifa para ligações dentro da mesma área, a de DDD 19. Ela diz que se vê "obrigada a fazer ligações interurbanas para cidades que [ficam] entre 5 e 20 quilômetros de distância. [...] Pago valores absurdos".

O Roberto Jr. lembra que "a Telefonica é campeã de reclamações e considerada a pior prestadora de serrviços em TODOS os países da América Latina onde atua".

O José Carlos Lima fala das cidades onde nenhum orelhão está funcionando e cita três, no Maranhão: Balsas, São Raimundo das Mangabeiras e Sambaíba. Mais uma vez, é a lógica das empresas que investem apenas onde o retorno é garantido. O José Carlos também traz o Daniel Dantas para o assunto: "Daniel Dantas além de conseguir essa bocada maravilhosa ainda emplacou na compra a cláusula do reajuste dos serviços pela correção monetária o que quer dizer que as empresas de telefonia tem seus serviços reajustados mesmo que não preguem um prego numa barra de sabão".

O Raphael Garcia resumiu sua opinião: "Em tradução livre, podemos dizer que qualquer falha que esteja ocorrendo é simplesmente reflexo do serviço ridículo prestado pela companhia que investe em propaganda de maneira incessante mas não na qualidade de seus serviços. O que mais impressiona é que a ANATEL não faz NADA!".

Manoel, de Londrina, lembra que na cidade a telefonia continua sendo pública: "Foi das primeiras cidades do Brasil a ter celular digital. Tem um número absurdo de linhas fixas, orelhões e a banda larga funciona. A antiga Global Telecom (hoje Vivo) instalou uma matriz em Londrina. Dizia-se a boca pequena que era pra trucidar a Sercomtel com um choque de competência privada. Jamais chegou sequer a arranhar a concorrência da empresa pública". Ele diz que um plebiscito na cidade rejeitou a venda da área de celulares da empresa à operadora Tim.

"Se você quer defender a Telefonica e outros pilantras, problema seu Dvo"arak. Mas ao menos cobre pelos serviços, né meu?", escreveu o Manoel.

Foi uma referência ao leitor Dvorak, que o João Bravo desconfia ser o Fernando Henrique Cardoso ou eu, Azenha. Não. Não sou o John Bastos, nem o Dvorak, que escreveu: "Bom seria continuar como era no passado, ou seja, quando a linha telefonica era considerada um bem e poucos tinham condições de possuir uma, e era, inclusive, declarada no Imposto de Renda. A Anatel tem que fiscalizar e cobrar das empresas de telefonia um serviço decente".

Eduardo Nascimento, que diz ter vivido o processo de privatização, afirmou que "as teles eram um cabidaço de empregos; viravam de ponta-cabeças quando havia mudança de governo; quando havia expansão em alguma central, caciques compravam uma cota de telefones e lucravam horrores com a venda da linha e das ações; os clientes davam graças a Deus quando aguardavam apenas um ou dois anos pelo terminal".

Para Roberto Locatelli, no entanto, não foi bem assim:

"O governo da época (FHC) sabia que esse estrangulamento da telefonia iria acabar [por causa das novas tecnologias].", escreveu ele. "A verdade é que a telefonia iria mesmo dar esse salto. Só que seria patrimônio da nação. Com a privatização, o salto resultou numa drástica perda de qualidade. E a telefonia é um patrimônio... de Daniel Lex Luthor Dantas e outros 'empresários' do mesmo naipe".

Esse resumo NÃO EXPRESSA o debate completo, que está aqui.

Finalizar incondicionalmente bloqueio a Cuba é a prova de fogo de Obama nas Américas






Atilio A. Boron
- Correio da Cidadania

A iminente cúpula das Américas colocará à prova a seriedade das palavras pronunciadas por Joseph Biden na "Cúpula do Progressismo", sediada em Viña del Mar, em finais de março. Nesta oportunidade, o vice-presidente dos Estados Unidos disse que "acabou a época em que dávamos ordens". O curioso é que, em que pese as tão promissoras palavras, Biden foi muito enfático ao afirmar que continuaria o bloqueio contra Cuba, próximo de cumprir meio século de vida. Como conciliar ambas as colocações? A Casa Branca diz, por meio de seu qualificado porta-voz, que deseja instalar na região um clima de diálogo, respeito e compreensão; mas, simultaneamente, revela que não está disposta a pôr fim a um bloqueio criminoso e ilegal que recebeu o repúdio universal há décadas. Qual dessas duas afirmações representa a política de Barack Obama para nossa região?

Com sua enigmática declaração, Biden fortalece a impressão de que a administração Obama não parece muito preocupada em se diferenciar de seu antecessor. As grandes orientações da política externa de George W. Bush gozam de muito boa saúde nas duas áreas estratégicas da Casa Branca: guerra e economia. Na primeira, tendo não só ratificado em seu cargo o falcão Robert Gates como secretário de Defesa, mas também reforçando a presença militar estadunidense no Afeganistão e Paquistão, enquanto que a prolongada estadia de suas tropas no Iraque parece destinada a converter esse sofrido país num eterno enclave neocolonial norte-americano. No tocante à economia, a equipe de assessores e especialistas selecionada por Obama reúne os cérebros que conceberam e levaram à prática a radical desregulamentação do sistema financeiro dos anos 90, causadora da fenomenal explosão da bolha especulativa no verão boreal de 2008. O que se sabe de gente como Robert Rubin, Lawrence Summers, Timothy Geithner e Paul Volcker é que lhes caracteriza uma irredutível fidelidade ao neoliberalismo e aos interesses que este representa: o capital financeiro e os gigantescos oligopólios norte-americanos. Sua presença na nova administração dos democratas manifesta seu pertinaz empenho em restaurar a situação existente antes do estouro da crise, aplicando o mesmo remédio que resultou na atual débâcle. Havia outros economistas que, desde uma perspectiva crítica e ao mesmo tempo realista, poderiam ter assessorado muito melhor Obama: mencionemos apenas dois, Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, e Joseph Stiglitz, que obteve o mesmo galardão em 2001. Porém, Obama preferiu depositar confiança nos desgastados gurus do neoliberalismo, com o que se esvaem as esperanças de uma saída razoavelmente civilizada para a crise atual. O show midiático montado dias atrás pelo G-20 em Londres não permite pensar em outra coisa.

Sob tais condições, as declarações do novo governo estadunidense no sentido de flexibilizar algumas restrições em matéria de viagens e visitas de familiares a Cuba merecem um aplauso, mas a manutenção do bloqueio econômico à Ilha é absolutamente inaceitável e deve ser condenada sem atenuantes. Isso assinala, inequivocamente, a magnitude do hiato que separa o Obama da campanha eleitoral do Obama ocupante da Casa Branca. Agregamos também o abismo que separa as ilusões dos cultores da "obamania" em muitos países da região e fora dela, principalmente na Europa, das políticas que aquele está levando a cabo em sua inescapável condição de chefe do império. Suas promessas de revisar a política anticubana que os sucessivos governos da Casa Branca instalaram desde os próprios inícios da Revolução parecem destinadas a serem levadas pelo vento. Até agora, o que se notam são gestos dirigidos a maquiar o bloqueio, mas nada mais. Um bloqueio que, convém lembrar, é econômico, comercial, financeiro, migratório (pela canalhesca "Lei de Ajuste Cubano") e informático, impedindo a Ilha de acessar bandas de internet de alta velocidade.

A obstinada manutenção dessa situação é um sintoma revelador de surpreendentes patologias políticas que entorpecerão a gestão inovadora que deveria ter um presidente estadunidense enfrentado com uma crise como a atual. Quais patologias? Vejamos: em primeiro lugar, a de uma superpotência imperialista que, no lugar de definir sua política externa em função de interesses nacionais e critérios globais, mantém uma agressiva política contra um país, Cuba, que de maneira alguma ameaça sua segurança nacional. O resultado foi um aprofundamento do descrédito dos EUA na arena internacional, a irritação dos governos e populações do hemisfério e uma sensível perda de influência na região, posta em evidência pelo espetacular fracasso da ALCA, ignominiosamente sepultada na cúpula anterior de presidentes, que se deu em Mar del Plata, em 2005. Qual foi o pecado de Cuba? Algo imperdoável para os amos do império: ter lutado exitosamente pela sua autodeterminação e por sua dignidade, livrando-se das cadeias que a jogaram primeiro no colonialismo espanhol e depois no imperialismo norte-americano. Por isso se castiga a Ilha brutalmente, como uma punição diante de sua ousadia e como uma lição a quem sonhar imitá-la. No entanto, o tempo se encarregou de demonstrar que tal política só conseguiu alimentar o sentimento anti-imperialista das massas e criar as condições para o surgimento de uma série de governos de esquerda e centro-esquerda que, por distintas razões, frustraram o sonho americano de uma América Latina submetida aos desígnios da ALCA.

Em segundo lugar, os EUA se apresentam como um curioso país que, pelo dito mais acima, não tem uma, mas duas políticas externas: uma para Cuba e outra para o resto do mundo. Em matéria migratória, a "Lei de Ajuste Cubano" concede o Green Card a qualquer cidadão cubano que pise solo norte-americano; para o resto do mundo, no entanto, existem complicadíssimos trâmites de imigração. O migrante haitiano ou dominicano que arrisca sua vida atravessando o Caribe em frágeis embarcações será preso e devolvido ao seu país de origem em caso de ser pego; o cubano, por sua vez, uma vez que pisa o solo estadunidense automaticamente passa a desfrutar de todos os benefícios que se concedem aos imigrantes legais. No caso da fronteira sul dos EUA, a perseguição aos mexicanos ou centro-americanos sem documentos é implacável: não só se levantou um infame muro na fronteira asteca-estadunidense, como também estão à vista a caça a "la migra" e os massacres dos vigilantes das fronteiras, tudo contrastando odiosamente com o trato privilegiado que se dá aos imigrantes cubanos. Outro exemplo de patologia política: o Departamento de Estado condena incansavelmente o regime de partido único de Cuba, denuncia os supostos déficits de sua "qualidade institucional" e proclama abertamente a necessidade de produzir uma "mudança de regime", eufemismo para se referir à concretização da contra-revolução. Porém, essa política, com sua definição de princípios, contrasta chamativamente com as fraternais relações que Washington cultiva com a Arábia Saudita, país no qual os partidos políticos são proibidos, o despotismo monárquico é absoluto e a democracia uma quimera; contrasta também com as intensas relações econômicas forjadas com países como China e Vietnã, cujos sistemas de partidos são muito similares ao que existe em Cuba. Qual a razão de tamanha discriminação, de colossal inconsistência da política exterior norte-americana? Não há razão alguma, só a chantagem de um lobby mafioso, ante o qual Washington se prostra desonrosamente.

Terceira patologia: o bloqueio revela que Cuba ocupa um lugar especialíssimo no imaginário da classe dominante estadunidense. Apesar do tempo transcorrido, seus integrantes e seus representantes políticos não se conformam por ter perdido Cuba e insistem em recuperá-la, em se apropriar dela apelando a qualquer recurso. Cuba é sua doentia obsessão, sentem-na como um troféu de guerra – de uma guerra em que os patriotas cubanos haviam derrotado o poder colonial espanhol e que depois os EUA, com sujas artimanhas, arrebatou-lhes a vitória – e em nome dele são capazes de qualquer coisa. Quase meio século de bloqueio é um fenômeno que não tem paralelo na história do imperialismo. Impérios anteriores, desde Esparta e Roma até hoje, sitiaram por um tempo algumas cidades. Mas sustentar um bloqueio integral como o de que padece Cuba é algo sem precedentes na história da humanidade. Constitui uma monstruosidade, uma verdadeira aberração e uma imperdoável imoralidade. A manutenção de uma política que fracassou ostensivamente, que terminou por ilhar os EUA, só pode ser compreendida como sinal da decadência da classe política norte-americana. Com a iminente reabertura das relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, os EUA serão o único país do sistema interamericano que não tem relações com Cuba. Como sustentar uma política que não só fracassou em promover a tão desejada "mudança de regime" como também converteu os EUA em um tipo de pária do sistema internacional, quando, na última votação da Assembléia Geral da ONU, o bloqueio foi condenado por 185 dos 192 países membros da organização?

Consequentemente, se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, há um primeiro passo inevitável: levantar total e incondicionalmente o bloqueio e iniciar de imediato conversas para normalizar a relação com Havana. Deve reconhecer que Cuba não está isolada e que quem o está são os EUA. Com o transcorrer dos anos o prestígio de Cuba se agigantou, porque, sendo um país pequeno, demonstrou uma notável coerência e fortaleza em sua política externa. Cuba ajuda mais que os EUA aos povos de nossa América e, em geral, do terceiro mundo; e o faz com seus médicos, seus alfabetizadores, seus técnicos, seus treinadores esportivos e seu amplíssimo programa de cooperação científica e técnica, com cerca de 100 países. Cuba dá, enquanto os EUA tiram. E a exemplar resistência cubana granjeou o respeito da comunidade internacional, e muito especialmente dos povos e governos da América Latina e Caribe, quaisquer sejam suas orientações políticas. Os governantes que acudirão ao encontro de Trinidad e Tobago não poderão aprofundar as relações de cooperação com a Casa Branca em matérias como a migração, o narcotráfico, o terrorismo e tantas outras, a menos que se remova pela raiz o obstáculo da retirada do bloqueio a Cuba. Do contrário, pagarão um enorme custo político e poderão ser desalojados do governo mais cedo que tarde. Há vários exemplos recentes que ilustram a afirmação.

Demorar no cancelamento do bloqueio só servirá para prejudicar o interesse nacional dos EUA e dos numerosos indivíduos e empresas deste país, sacrificados em aras de um lobby como o aglutinado pela Fundação Nacional Cubano-americana, que é uma verdadeira vergonha para a política norte-americana. Isso está se tornando cada vez mais óbvio para uma parte crescente da dirigência política local. A carta que o senador Richard Lugar enviara ao presidente Barack Obama em 30 de março deste ano é bastante eloqüente. Nela, o senador de Indiana diz que a política dos EUA em relação a Cuba fracassou e que, devido a isso, "nossos interesses políticos e de segurança mais globais" estão sendo socavados, o que requer uma "transição nas relações cubano-estadunidenses". E o momento seria agora mesmo: a Cúpula das Américas. Richard Lugar agrega que a política seguida pela Casa Branca contrasta gritantemente com o amadurecido relacionamento dos países da América Latina e Caribe com a ilha. As recentes declarações anunciando planos de restabelecer as relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, a série de visitas a Havana dos presidentes de Equador, Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Brasil, Haiti, República Dominicana, Guatemala, Nicarágua e Honduras, e vários mais da região caribenha, e a incorporação de Cuba ao Grupo do Rio demonstram, em seu juízo, a solidão em que caíram os EUA e a União Européia, assim como a ONU, que aprovou uma resolução muito amplamente referendada pelos demais países condenando o embargo dos EUA durante os últimos 17 anos. "Para o resto do mundo", continua Lugar, "nosso atual enfoque desafia toda a lógica: ainda durante os mais ásperos momentos da Guerra Fria, os canais diplomáticos diretos com a ex-União Soviética jamais foram cortados". Agregaríamos: como é possível que os EUA mantenham conversas com países como Irã e Coréia do Norte e se neguem terminantemente a fazê-lo com Cuba? Como justificar tão doentia fixação?

A mensagem de Lugar é suficientemente clara: em uma época de crise como esta a Casa Branca não pode se dar o luxo de seguir sendo vista com enorme receio por povos e governos da região. Sua credibilidade internacional como uma potência que se arrogou a missão de promover a paz, a liberdade e a democracia se desvanece irreparavelmente pela sua política anticubana, à parte de tantas outras. A intenção de Obama de ser visto como uma radical na renovação da política estadunidense ficaria em palavras vazias de conteúdo se seu governo não produzir, agora mesmo, uma radical retificação de sua política com a ilha, cujo primeiro passo é o imediato encerramento do bloqueio (que nos EUA preferem denominá-lo, espertamente, de embargo, conscientes do repúdio universal que concita tal política). Por outro lado, não deveria escapar da atenção dos estrategistas norte-americanos que a imprescindível melhora nas relações entre os EUA e os países da América Latina – imprescindível, digamos, dada a inédita debilidade da superpotência, diante das aventuras militares sem rumo no Iraque e Afeganistão e brutalmente golpeada pela crise econômica – se veria negativamente influenciada pela manutenção do bloqueio. Todos os países da região, mesmo aqueles governados por partidos ou coalizões de direita, se manifestaram contra o bloqueio e, para Washington, seria impossível conferir credibilidade à sua promessa de fundar um novo padrão de relações interamericanas se, ao mesmo tempo, preserva uma retórica e uma política inspiradas no apogeu da Guerra Fria. Não só se prejudicam os interesses econômicos ianques como também se atenta contra a credibilidade global de sua política exterior.

Em outras palavras, as boas relações no âmbito interamericano deverão se construir sobre a base de gestos e iniciativas concretos que demonstrem a seriedade das intenções da Casa Branca, sua capacidade real para produzir políticas inovadoras e os alcances de seu apregoado compromisso com a ordem hemisférica baseada no diálogo e o respeito mútuo. Os governos da América Latina e Caribe que comparecerão à Cúpula de Trinidad e Tobago sabem que, sem acabar com o bloqueio, a nova ordem que Washington pretende construir será inviável, estará morta antes de nascer. Apesar de sua ausência, Cuba terá um papel estelar nesta reunião e nossos governos deverão atuar com grande firmeza e coordenadamente para exigir o fim do bloqueio; caso contrário, serão co-participantes do fracasso, pagando um alto preço em seus respectivos países. Em Port of Spain Obama se defrontará com a hora da verdade. Sua conduta neste conclave será a prova de fogo que colocará a nu se está ou não à altura dos desafios que lhe impõe a história. E isso não só em relação à questão cubana, mas também diante dos gravíssimos obstáculos que brotam da crise geral do capitalismo.

Atílio Boron é doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO em 2002.

Website: http://www.atilioboron.com

Trazido por Gabriel Brito, jornalista.








quinta-feira, 16 de abril de 2009

Está chegando a hora

CAMPANHA: PARE DE LER ZERO HORA E AFINS....



Saulo Bartini escreve:

A primeira memória notável de manipulação jornalística de que me recordo com clareza foi a cobertura - ou ausência de - da Globo em relação ao Movimento Diretas Já. Hoje parece uma coisa cândida, mas tratava-se do seguinte: milhares, milhões de pessoas mobilizadas participavam de lindos e gigantescos comícios para garantir eleições diretas para presidente da república. A Rede Globo simplesmente não cobria, não dava notícias, ignorava as manifestações.

Quando a mobilização começou a reunir milhões de pessoas e ficou claro de que os partidos de sempre fariam um conchavo para a eleição indireta de Tancredo a Globo, aliviada, deu algumas notícias de uma das mobilizações mais fantástica que o Brasil já viveu. Hoje ocultar uma mobilização de milhões de pessoas - mais do que risível - seria impossível.

Depois veio 1989 e a maior e mais safada campanha eleitoral - de Collor, é claro. E a mais deslavada manipulação já feita de um debate eleitoral. Ganha uma jujuba quem adivinhar qual a emissora que fez o crime. Bingo! Pode passar no Seu Zé e pegar a jujuba. Foi um escândalo e pegou um eleitor inocente, sem tradição de voto e sem filtros para compreender a mídia e suas enganações.

Depois nem me lembro mais. Houve de tudo nestes últimos vinte anos. Mentiram, enganaram, distorceram, assassinaram reputações, fizeram, desfizeram e acham - os tu-barões da grande mídia - que quase nada mudou. Aí está o grande engano.

Muita coisa mudou. Principalmente o povo brasileiro e sua experiência com a democracia, o voto e a mídia. O mesmo povo que vê maciçamente a novela da Globo, não acredita no seu jornalismo. É lógico: o melhor da Globo é a ficção, não é mesmo?

Hoje mentem, enganam e distorcem em doses cavalares. Há quilos de enganação todas as semanas. Aliás não há uma semana que a militância dos tu-barões não tente tungar alguém. Porém hoje há cerca de 60 milhões de brasileiros com algum tipo de acesso à internet. Já há vários milhões de acessos em banda larga. Que são muito mais significativos que a maioria das TVs. E do que a imensa maioria das rádios e jornais. E cada um tem acesso aos mais variados pontos de vista. E às mais variadas informações. Ou seja: quase tudo que os tu-barões sonegam ou distorcem a internet repõe.

Moral da história? Se não houver uma brutal censura à internet, em breve, mas breve mesmo, os jornalões e os tu-barões da grande mídia vão perder importância e influência. Se você duvida faça o teste: fique um mês sem ler ZH ou qualquer jornalão. Você poderá se surpreender ao descobrir que: a) não sentiu nenhuma falta, b) depois de 30 dias compreende melhor o que se passa no RS, no Brasil e no mundo, ou C) ZH fez falta: afinal como enrolar aquele copo que quebrou sem um bom punhado de folhas de jornal?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mais Carlos Costa.....


sem título...


… me dera desses teu olhar

como a Lua sempre me dá.

Não sejas tão linda quando passares por mim

Estou aprendendo a viver sem essa beleza.


Não sejas tão meiga

Para que eu aprenda

A viver sem meiguice.


Não dê um sinal de esperança

Pra que eu possa acordar em outro sonho

E viver …


Sejas para ti

Quem gostas, aquilo de ti.


Brinque tua beleza

Com a pureza, não ingênua,

Do teu amor!

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Noite,
Mais uma vez este açoite
Pelas tuas farras aos montes
Pelos teus porres e gestos sinceros.
Noite,
Vagabunda e sem dono
Abrigo dos que sustentam
A tua pompa e vanglória.
Noite,
Serás sempre um guia
Pra que busca alegria
Paraíso da juventude.
Noite,
És o lar dos maduros
Fonte dos imaturos
Carrasco deste poeta, que te escreve.
Noite, noite, noitedo.




Autor: Carlos E. M. Costa

Para refletir: O crescimento da soja não-transgênica



Por Gustavo Cherubine


Agricultores americanos tentam voltar para a soja convencional.

Pela primeira vez desde 1996, cai a área plantada com soja transgênica nos EUA, com mais agricultores decidindo plantar soja não transgênica. O cultivo da soja modificada atingiu seu ápice em 2008, alcançando 92% da produção do país.

Representantes de associações de produtores de soja, universidades e compradores de grãos relatam que a demanda por sementes de soja convencional está aumentando, o que deverá aumentar a área plantada para 10%.
Os motivos do recente interesse pela soja convencional incluem o preço baixo da commodity, prêmios atrativos pelo produto não transgênico e preços da semente transgênica só aumentando.

Segundo Grover Shannon, melhorista genético de soja do Delta Research Center, da Universidade de Missouri, “o sistema Roundup Ready já não é tão barato como antes”. O preço da saca de semente de soja transgênica Roundup Ready, da Monsanto, aumentou de 35 para 50 dólares, enquanto o galão do herbicida Roundup aumentou de 15 para 50 dólares. “Muitos agricultores estão bravos com a Monsanto”, disse Shannon.

O aumento dos problemas com ervas espontâneas que se tornaram resistentes ao Roundup (glifosato) também é motivo de preocupação para os agricultores. “Eles estão usando mais herbicidas, o que representa um aumento nos custos de produção”, disse Bill Schapaugh, melhorista de soja da Universidade de Kansas.

O desafio das sementes

Mas o mercado de soja convencional está diante de um grande desafio. Muitas empresas de sementes focaram seus trabalhos apenas em variedades transgênicas e eliminaram as sementes convencionais de suas linhas de produção ao longo dos últimos anos. As sementeiras estão empurrando as sementes transgênicas, de modo que as sementes convencionais estão cada vez menos disponíveis, tanto em diversidade de opções, como em quantidade.

Segundo Shannon, a indústria de sementes prefere vender sementes transgênicas devido à taxa de tecnologia (royalty) e à exigência de que os agricultores comprem sementes todos os anos (agricultores normalmente podem produzir suas próprias sementes a partir de variedades convencionais). “Os distribuidores de sementes não querem voltar a vender sementes não transgênicas. Eles querem vender sementes todo ano; é mais lucrativo”.

Contudo, boas variedades de sementes de soja não transgênica estão começando a ser disponibilizadas por algumas empresas nos EUA e no Canadá e por várias universidades americanas.

Fonte: Biodiversidad en América Latina y El Caribe

(retirado do Blog do Luis Nassif)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Grande DVD...delicie-se....

Mahavishnu Orchestra II

1974 - Live At Montreux









Baixe as 5 partes e coloque tudo dentro da pasta VIDEO_TS e é só gravar em DVD....a Véia disse não haver chances de reup....

Créditos: LagrimaPsicodelica

Rick Braun - Body And Soul (1997)

Para quem curte smooth-jazz é essencial conhecer esse excelente trompetista, Rick Braun tem todos os requisitos de um virtuose do trompete, possui uma sonoridade limpa e impecável, com um fraseado simples e objetivo. Esse disco é de 97 e conta ainda com a participação do grande saxofonista Boney James, grande parceiro de Braun, destaque para as faixas "Notorious", "Dark Eyes" e "Angel". O som é muito relax e o cara toca muito, lembrando muito Miles Davis nos seus últimos trabalhos.

Confira: http://rapidshare.com/files/219756599/Body_and_Soul.rar

Anatel persegue rádios comunitárias

Do blog do Miro, por ele mesmo:

Na semana passada, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destruiu, em São Paulo, oito toneladas de equipamentos apreendidos de radiodifusores comunitários. A operação foi feita com máquinas cedidas pela prefeitura paulistana e foi acompanhada pelo prefeito demo Gilberto Kassab. O ato de vandalismo teve forte repercussão na mídia hegemônica, que sempre tratou as rádios comunitárias como “piratas” e considerou mais esta destruição como um “ato simbólico”.

Como registrou o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), “a destruição de equipamentos de rádios comunitárias constitui um ato de ignorância e prepotência, representa uma atitude deliberada contra a democratização da comunicação e deixa às claras os temores de setores empresarias frente à Conferência Nacional de Comunicação”. O desproporcional alarde da mídia e a presença do prefeito demo confirmam a intolerância das elites diante das iniciativas de abnegados radiodifusores populares, que lutam para garantir voz as suas comunidades.

Serviçal dos barões da mídia

Ao patrocinar este ato grotesco de vandalismo, a Anatel mais uma vez explicitou que defende os interesses dos “barões da mídia”. Na constituição dessa agência reguladora ficou definido que ela também deveria trabalhar pelo fomento das rádios comunitárias, dada a sua importância para as comunidades. No entanto, até hoje a Anatel só perseguiu os radiodifusores populares e destruiu os seus equipamentos, comprados com enorme esforço dos comunicadores sociais. A legalização das rádios comunitárias esbarra sempre na enorme burocracia e no desinteresse da agência.

Como afirma a nota da FNDC, “a Anatel atua de modo contrário à democracia. Ao destruir os equipamentos, ela pratica um ato de vandalismo, investindo contra um patrimônio coletivo e de inestimável valor social para as comunidades. Ao destruí-los, a Anatel age de modo prepotente, pois lhe caberia a guarda do material e as providências para a sua preservação e reutilização, considerando que está em curso o aperfeiçoamento da legislação vigente e a regularização de milhares de emissoras comunitárias, cujos processos aguardam despachos do governo federal”.

“A destruição de equipamentos também representa uma cabal demonstração de ignorância sobre o papel fundamental da comunicação para a consolidação da democracia, o fortalecimento da sua pluralidade e dos laços culturais da nação brasileira. A desabusada prática de vandalismo e prepotência perpetrada pela Anatel não se deve a qualquer eventual desvio de suas funções, mas sinaliza que aquela agência e os interesses dos grandes grupos de mídia nela abrigados movem-se contra a realização da Conferência Nacional de Comunicação, prevista para dezembro”.