terça-feira, 11 de novembro de 2008

Bloqueio israelense mergulha Gaza na escuridão


Milhares de moradores da faixa de Gaza ficaram sem eletricidade depois que Israel cortou o fornecimento de combustível à única termoelétrica do território, controlado pelo Hamas. A central parou no domingo (9), depois que Israel se recusou a retomar o abastecimento, apesar de advertido de que as reservas estavam quase no fim.


Menino da Gaza: combustível está no fim

Sherine Tadros, correspondente da TV Al Jazira na cidade de Gaza, disse que o apagão no território era quase completo. Além disso, os suprimentos de combustível da população estavam se esgotando rapidamente.


O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, mandou fechar os postos de fronteira na semana passada, depois que combatentes palestinos dispararam foguetes contra o sul de Israel. Barak decidiu-se pelo bloqueio "depois de consultas com funcionários da segurança e em vista do constante fogo de foguetes", conforme alega um comunicado nesta segunda-feira (10).


Temores pelo hospital


Afora os problemas gerais causados pelo apagão, Tadros destaca dois sérios problemas que ele causa. "O corte de energia elétrica afeta as bombas d'água que operam o sistema de esgoto daqui, e a eletricidade é necessária ao funcionamento dos hospitais", reporta. "Alguns dos hospitais menores começarão a ficar sem combustível para seus geradores nas próximas 36 horas, o que causa imediata preocupação".


No entanto, Israel insistiu que a faixa estava recebendo energia elétrica das redes de distribuição israelenses e egípcias em quantidade suficiente para cobrir 75% da demanda.


O Ministério do Exterior acusou o Hamas de explorar a situação com fins políticos. "A cínica exploração da população de Gaza pelo Hamas é desprezível", diz um comunicado do Ministério.


A Comissão Européia, que financia o abastecimento da única central elétrica de Gaza, disse ter sido informada de que Israel pode autorizar o fornecimento na terça-feira. "O escritório de ligação de Israel com os territórios palestinos disse-nos que o abastecimento da central pode reiniciar amanhã", disse um porta-voz da União Européia. Mas fontes israelenses que pediram anonimato, segundo a Al Jazira, disseram que o fornecimento só será retomado caso cesse o disparo de foguetes contra o sul de Israel.


"Punição coletiva"


Kanan Obeid, funcionário da área de energia de Gaza, criticou a atitude como um exemplo da "política israelense de punição coletiva".


A central termoelétrica responde por cerca de um quarto da eletricidade de Gaza e o Egito fornece um pequeno volume. O restante provém basicamente de Israel. A maior parte do suprimento de combustíveis e gás requerido por Gaza passa pelo terminal de Nahal Oz, eque fica entre a faixa e o território de Israel.


Uma rede de túneis que liga Gaza ao Egito é usada pela população local para driblar o bloqueio israelense contra o território e trazer para ali produtos, inclusive combustível. Outro jornalista da Al Jazira em Gaza, Ayman Mohyeldin, diz que embora o fluxo subterrâneo permita que algumas pessoas se arranjem, não pode abastecer "a crítica infraestrutura de Gaza". Ele cita duas razôes: "a qualidade do petróleo egípcio não permite que ele seja usado no gerador; e ao mesmo tempo o gerador é monitorado por observadores da UE e eles não permitem que se use combustível contrabandeado para gerar eletricidade".


O coordenador das atividades de Israel nos territórios palestinos, Peter Lerner, disse: "Recebemos uma solicitação [dos palestinos] de entrega de combustível e encaminhamos a solicitação ao Ministério da Defesa em Tel Aviv".


"Liberdade de imprensa violada"


O fechamento da fronteira também impede há cinco dias que jornalistas entrem na faixa de Gaza. O fato provocou protestos da Foreign Press Association (FPA, Associação da Imprensa Estrangeira), sediada em Tel Aviv. A entidade, que representa correspondentes estrangeiros em Israel e nos territórios palestinos, condenou a restrição imposta por Tel Aviv como "uma grave violação da liberdade de imprensa".


Israel freqüentemente fecha os pontos de acesso a Gaza, depauperando a economia local e mantendo os cidadãos do território sob pressão, em represália ao disparo de foguetes por parte de combatentes palestinos.


Mesmo antes do fechamento, havia uma renovação dos apelos por uma retomada do estagnado processo de paz palestino-israelense. O Quarteto do Oriente Médio – agrupando UE, Rússia, ONU e Estados Unidos – reuniu-se no Egito domingo e fer um chamamento pelo avanço das conversações de paz.

Créditos: Vermelho
Fonte: Al Jazira

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