quarta-feira, 11 de março de 2009

Repressão à luta das campesinas


O blog Celeuma traz a informação de que, no amanhecer de ontem (10/3), a Brigada Militar destruiu o acampamento das mulheres campesinas, localizado numa via pública entre um assentamento e a área da Votorantim Celulose e Papel (VCP), no município de Candiota, sul do estado. As manifestantes que estavam com seus filhos foram separadas das crianças; oito integrantes da Via Campesina foram detidas na Delegacia local; e mulheres que se alojaram interior de um ginásio da cidade foram deixadas sem água e comida.

Com isso, a BM pretende responsabilizar as mães com crianças em idade escolar, através dos Conselhos Tutelares. Segundo o sítio noticioso, as autoridades estaduais continuam com sua estratégia de perseguição e criminalização de movimentos sociais: "De um lado, o governo do estado e o Ministério Público Estadual fecham as ecolas itinerantes e deixaram 600 crianças do meio rural dependendo da boa vontade de prefeituras, já precarizadas e com verba reduzida para atender a sua própria comunidade escolar. De outro, agora, se utiliza de um expediente legalista, para transferir a responsabilidade para as agricultoras acampadas".

A matéria mostra ainda que, em 2007, a VCP teve receita líquida de R$ 30,4 bilhões e lucro líquido de R$ 4,8 bi. A empresa pretende transformar 140 mil hectares no estado em desertos verdes para a produção de celulose. Atualmente, 48 mil hectares em 27 municipios já foram tomados pela monocultura do eucalipto.

O blog também denuncia os efeitos econômicos perversos desse tipo de cultivo; de acordo com a reportagem, uma família que planta um hectare para a VCP recebe em média R$ 385 por ano, ou seja, apenas R$ 32 por mês; em comparação, uma família que vende 10 litros de leite por dia tem uma renda 3 vezes maior.

"Quando recebeu incentivos e isenções para se instalar no RS, a Votorantim afirmou que o empreendimento abriria 30 mil novos postos de trabalho. Hoje a própria empresa informa que seus projetos geram 2,5 mil na indústria e outras 2 mil vagas temporárias na manutenção e corte das lavouras de eucalipto", conclui a matéria.

Na foto da Agência Celeuma Imagem, deserto verde da Votorantim em Candiota, região sul do estado. Como se vê, nenhuma outra espécie vegetal consegue viver entre as fileiras da árvore usada na produção de papel. Muitas lavouras estão sendo invadidas por animais silvestres que perderam seu habitat natural em função do plantio indiscriminado de eucaliptos.

Créditos: Cristiano Muniz

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