quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Carlos Montoya - The Gold Collection - 1998

The Gold Collection - 1998


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Disco 1
1. Tango Flamenco
2. Malagueña
3. Tango Antiguo
4. Granadinas
5. Soleares
6. Solea Cana
7. Levante
8. Chufla
9. Rumbeao
10. Aires de Genil
11. Variaciones
12. Seguiriya
13. Tanguillo; Zambrilla
14. Bulerias
15. Alhambra-Granada
16. Caribe E Flamenco

Disco 2
1. Fandango
2. Macerna en Tango
3. Alegrias
4. Farrúca
5. Jerez
6. Zambra
7. Saeta en Sevilla
8. Cante Jondo
9. Malaga
10. Provencal
11. Zapsteap
12. Taranto
13. Variaciones Por Rosa: Alegrias
14. Solea: Bulerias Por Solea
15. Bolero Maorquie/Castilla/Galicia
16. Fandango de Huelva y Verdiales


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“O embaixador dos EUA lidera a conspiração contra meu governo”

Presidente da Bolívia acusa embaixador dos Estados Unidos no país de conspirar contra o governo e de tentar repetir no país "o que fizeram no Kosovo". Evo Morales revela que camponeses e indígenas já pediram armas para defender o governo, mas defende revolução pelas urnas e não pelas armas.

Às sete da manhã, o Palácio Quemado já está um formigueiro e os ministros devem ter paciência para conversar com o chefe de Estado. “É assim mesmo”, diz um embaixador com experiência na dinâmica “evista” a um ministro novato no gabinete que se impacienta com a demora de Evo Morales em chegar a uma reunião com exportadores.

Em um intervalo de alguns minutos, o líder cocalero conversou com Il Manifesto sobre temas da atualidade nacional e internacional. Enquanto tomava um suco de mamão, acusou o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, de conspirar contra seu governo e de tentar repetir na Bolívia “o que fizeram no Kosovo”. Admite que camponeses e indígenas pediram armas para defender o governo diante das demandas autonomistas de Santa Cruz. E assinala que, se o diálogo não avançar, a saída será convocar um referendo revogatório para o presidente e os governadores, “para que o povo diga a quem apóia”.

Il Manifesto: Como é possível retomar o diálogo com os governadores opositores?
Evo Morales: Nós apostamos na autonomia. No referendo de 2006, a maioria dos bolivianos disse “Não”, mas em quatro regiões ganhou o “Sim”. Por isso garantimos autonomias na nova Constituição e sinto que é necessário criar um espaço no Poder Executivo, um ministério de Autonomias que comece a construir com os movimentos sociais uma autonomia baseada na legalidade e na solidariedade entre regiões. Mas alguns grupos confundem autonomia com separação ou independência.

Il Manifesto: Santa Cruz segue avançando direção de seu referendo autonomista de 4 de maio...
Evo Morales: Gostaríamos que parassem para que pudéssemos avançar juntos.

Il Manifesto: Se o diálogo fracassar segue valendo a proposta do referendo revogatório?
Evo Morales: Exato. Por isso dissemos que apostamos nas urnas e não nas armas.

Il Manifesto: Mas admitiu também que alguns setores campesinos pediram armas para defender o governo. Como é isso?
Evo Morales: Recebi algumas ligações telefônicas e sou transparente. Comentei com a imprensa que tergiversou sobre minhas declarações. Preocupou-me bastante receber chamadas de companheiros do campo e da cidade que me disseram textualmente: “Irmão presidente, quando era dirigente sindical você se fez respeitar, agora nós faremos respeitar, nos dê armas”. Eram fortes as chamadas. Em um certo momento tive que desativar meu celular, que atendo só de madrugada.

Il Manifesto: E qual foi sua resposta a esses pedidos?
Evo Morales: Por certo não estamos de acordo com isso. Disse que é preciso fazer uma revolução nas urnas e não com armas, e estamos cumprindo isso. Mas as agressões e humilhações causam estas reações em nossos companheiros. Inclusive houve uma marcha a La Paz pedindo-me armas. Tudo isso é provocado por uma direita racista que já me chamou de macaco. E se tratam o presidente como um animal, o que podem esperar os camponeses e indígenas?

Il Manifesto: O sr. se referiu ao Kosovo. Crê que pode ocorrer o mesmo na Bolívia?
Evo Morales: Quero que o mundo inteiro saiba é que há uma conspiração contra minha pessoa encabeçada pelo embaixador dos Estados Unidos (Philip Goldberg). Perguntemo-nos de onde veio o embaixador estadunidense (que atuou no Kosovo). Não vamos permitir que os Estados Unidos sigam conspirando para dividir a Bolívia com grupos oligárquicos e mafiosos. Se os EUA lutam contra a corrupção e a injustiça por que não extraditam o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada? (acusado por quase uma centena de mortes, produto da repressão na “guerra do gás” de 2003). Quando os povos se levantam, estas autoridades pró-império e pró-capitalistas correm para onde isso ocorre. Quando já não podem dominar, porque há democracias libertadoras e não comprometidas, os EUA fomentam a divisão.

Il Manifesto: Considera encerrado, com as desculpas do embaixador, o caso da utilização de bolsistas como informantes?
Evo Morales: O senhor Vincent Cooper (funcionário da segurança da embaixada dos EUA) é persona non grata para a Bolívia e o assunto está sendo investigado. Hoje sabemos que utilizam seus estudantes, que vêm com vontade de aprender, para fazer espionagem. Descobrimos até que a polícia boliviana fazia espionagem e perseguições para a embaixada-norte-americana.

Il Manifesto: Acredita que uma vitória democrata nos EUA poderia melhorar as relações?
Evo Morales: Entendo que há políticas de Estado nos EUA, mas gostaríamos que começassem a respeitar os direitos humanos e os processos de libertação e as transformações profundas que estão ocorrendo na América Latina. Para isso, devem pôr fim à prática da espionagem, da tentativa de submissão e da soberba. O ex-embaixador Manuel Rocha chamava-me de Bin Laden.

Il Manifesto: Como viu a saída de Fidel Castro do poder?
Evo Morales: Como o Che, Fidel é um símbolo imbatível para toda a humanidade. É um homem histórico. Em minhas conversas de horas e horas com Fidel ele sempre me falava da vida, da saúde e da educação Hoje isso se materializou na Bolívia com a Operação Milagre, com mais de 100 mil pessoas operadas dos olhos gratuitamente. Ficará um grande vazio.

* Entrevista publicada originalmente em Il Manifesto, Itália

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

"O socialismo cubano não deve deixar de sonhar"

Para o cantor, antes e depois de Fidel, o socialismo deve ser sempre aperfeiçoável. "Somos parte do chamado Terceiro Mundo, onde o modelo neoliberal está em crise. Ou seja, por história, por possibilidades, nível de desenvolvimento e até por geografia acho que o sistema que nos corresponde é o mesmo que temos, ou seja o socialismo", diz Silvio Rodriguez.

O cantor cubano fala em uma entrevista sobre a sucessão de Fidel e garante que não poderia suportar "que se pretenda humilhar nossa história e submeter nossa soberania"

Il Manifesto: Como você imagina a evolução do seu país depois da renúncia de Castro?
SILVIO RODRIGUEZ: Antes, e também depois, da renúncia de Fidel, meu desejo é que o socialismo cubano, sem deixar de pensar no amanhã, esteja também à altura das necessidades de hoje. Que não deixe de sonhar e desejar um ser humano e uma sociedade melhores, mas desde a perspectiva que a atualidade dá, não desde aquela que prefiguraram os pioneiros do socialismo. Uma vez eu já disse isso na Assembléia, quando fui Deputado: que o nosso socialismo devia ser sempre aperfeiçoável.

IM: Que papel terá o Partido Comunista Cubano (PCC)? Pode atrapalhar a abertura, se chegasse a ter uma?
SR: Desde a minha visão de homem sem partido, ainda que com critério, o PCC tem o dever de recolher todas as opiniões do país, não só a daqueles que estão em seu favor. O PCC, por ser partido único, está obrigado a ser plural e polêmico em si mesmo, porque as contradições, a crítica e a autocrítica são fontes muito importantes para o avanço de qualquer sociedade.

IM: E quanto à emigração e exílio?
SR: Ambas as palavras parecem substantivas. A gente diz emigração e pensa em economia, e diz exílio e imediatamente pensa em política. Acho que ambas podem ter um papel no futuro cubano, cada uma na sua medida. A emigração porque tem sido uma vítima da realidade. O exílio porque é uma resposta para si mesma. A única coisa que não suporta nem acho que venha a suportar a maioria dos cubanos é que se pretenda humilhar nossa história e submeter nossa soberania, e com isso trair os ideais de José Martí.

IM: Qual é o principal risco que corre Cuba neste novo período?
SR: Uma interpretação errada dos sinais sociais, ficarmos cegos diante da necessidade de um crescimento, apesar de que não acredito que isso seja o que vai acontecer. Eventualmente, também poderia aparecer algum "gênio" da Casa Branca que de repente decida "nos ajudar" com marines. Esse tipo de barbaridade está sempre latente, por desgraça.

IM: Você acha que a ingerência estrangeira poderia levar a Cuba para a Guerra Civil?
SR: Uma ingerência estrangeira fundiria a nação cubana na sagrada função de se defender.

IM: Que papel pode desempenhar a Espanha neste processo?
SR: Acho que o papel que está desempenhando ultimamente não está mal. Um diálogo fraterno sempre ajuda.

IM: Que modelo de país, que sistema você desejaria para o progresso de Cuba?
SR: Somos parte do chamado Terceiro Mundo, onde o modelo neoliberal está em crise, por ser caminho de exploração e submissão. Ou seja, por história, por possibilidades, por nível de desenvolvimento e até por geografia acho que o sistema que nos corresponde é o mesmo que temos, ou seja o socialismo. Também não tenho dúvida de que o socialismo algum dia pode ceder lugar a um sistema superior, mas isso ainda está por ver.

IM: Ainda é possível ser revolucionário?
SR: Em Cuba, na América Latina, sem dúvida. Espero que também seja possível, ou que pelo menos se compreenda, na Europa.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Thiago Espírito Santo - Thiago (2005)




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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Hank Mobley - Workout [1961]

É impossível imaginar que esse play tem mais de 40 anos.
A pegada desse cara é embaçada, e ainda tem o Grant Green
e Paul Chambers pra deixar o som mais redondo.
Esse disco do Hank Mobley é fora de serie.
Recomendadíssimo mesmo!
Créditos:Saravaclub


1. Hank Mobley - Workout
2. Hank Mobley - Uh huh
3. Hank Mobley - Smokin'
4. Hank Mobley - The best things in life are free
5. Hank Mobley - Greasin' easy
6. Hank Mobley - Three coins in a fountain


FELICIDADE REALISTA

Mário Quintana

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o
que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais
complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos,
além de saúde, ser
magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a
comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa
cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos
alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em
quando. Isso é pensar
pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos
estar visceralmente
apaixonados, queremos ser surpreendidos por
declarações e presentes
inesperados, queremos jantar à luz de velas de
segunda a domingo, queremos
sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e
não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes!
Ana Moura - Para Alem da Saudade
Album dedicado a todos os Portugueses e todos aqueles que gostam de fado. Uma grande cantora com uma grande voz!

01. os buzios
02. e viemos nascidos do mar
03. a voz que canta a nossa história
04. Águas do sul
05. o fado da procura
06. rosa cor de rosa
07. primeira vez
08. não fui eu
09. mapa do coração
10. aguarda-te ao chegar
11. até ao fim do fim
12. fado das horas incertas
13. vaga no azul amplo solta
14. velho anjo
15. a sós com a noite

Créditos:PirataTuga

Estamos apoiando também....

PESQUISA COM CÉLULAS EMBRIONÁRIAS NÃO É INCENTIVO AO ABORTO; ASSINE A PETIÇÃO

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Em março de 2005, o Congresso Nacional aprovou a Lei 11.105, que autoriza o uso de células-tronco embrionárias em pesquisa e tratamento de doenças hoje incuráveis. O placar foi estrondoso: 96% dos senadores e 85% dos deputados federais deram-lhe a vitória. O presidente Luís Inácio Lula da Silva rapidamente a sancionou. Só que ela foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), porque o então procurador geral da República, Cláudio Fonteles, alegou que é inconstitucional. A motivação é religiosa. Fonteles é católico.

Finalmente, na próxima semana, dia 5 de março, a ação irá a julgamento. Contra a lei, a Igreja Católica, representada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A favor, grande parte da sociedade brasileira, associações de portadores de várias doenças e familiares e 16 mil cientistas. São membros de 50 sociedades científicas, entre as quais a Academia Brasileira de Ciências, a Federação de Sociedades de Biologia Experimental e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

De um lado, o obscurantismo, que prefere preservar embriões congelados que sobram nas clínicas de fertilização assistida. Do outro, o direito à liberdade de pesquisa, ao progresso de tratamentos e à esperança de cura ou melhor qualidade de vida para milhares de brasileiros com mal de Parkinson, diabetes, doenças neuromusculares, câncer e secção da medula espinhal por acidentes e armas de fogo. Entre eles, os músicos e compositores Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso) e Marcelo Yuka (ex-RAPPA, hoje F.U.R.TO -- Frente Urbana de Trabalhos Organizados) e o adolescente João.

Herbert, 47 anos, ficou paraplégico após acidente com ultraleve. Marcelo, 41, durante tentativa de assalto, quando levou nove tiros que o deixaram paralisado da cintura para baixo. João tem distrofia muscular de Duchenne. A doença é genética, letal e afeta apenas meninos, degenerando todos os músculos do corpo. No Brasil, existem cerca de 28 mil casos. Aos 3, 4 anos de idade, começam a ter quedas freqüentes e dificuldades para subir escadas, correr; aos 12, muitos param de andar; ao redor dos 17, a maioria morre por insuficiência respiratória ou cardíaca. João já tem 15.

E você, o que acha? Veja as fotos abaixo. Chocam, mesmo! Mas estas imagens ajudam a reforçar o absurdo e a desumanidade que representariam a revogação da atual lei. As duas primeiras são do João: aos 6 anos, fofinho como todo menino da sua idade, e recentemente. A terceira é de um tubo de congelação, onde o embrião fica armazenado nas clínicas de fertilização assistida.

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Quem você acha que tem mais direito de viver: o João ou os embriões excedentes nas clínicas de fertilização, que permanecerão eternamente nesses tubinhos ou irão para o lixo? É a escolha que os 11 ministros do STF terão que fazer na próxima semana. Ou decidem pela vida dos Herberts, Marcelos e Joões de todas as idades, que não têm tempo para esperar. Ou pela vida dos embriões, que nunca serão gentes de carne e osso.

Mentiras sobre o uso das células-tronco embrionárias estão sendo disseminadas a torto e a direito. É fundamental, portanto, colocar a questão em pratos limpos. É, de novo, pela vida de milhares de Herberts, Marcelos, Joões...

Células-tronco embrionárias: a rejeição delas é mentira

As células-tronco embrionárias são encontradas em embriões humanos de até 14 dias. São as únicas capazes de formar os 216 tipos de tecidos do corpo humano – inclusive neurônios, as células nervosas -- e de produzir cópias idênticas de si mesmas.

Por isso, as pesquisas com as células embrionárias (é o seu outro nome) sugerem que elas realmente representam uma possibilidade de tratamento para inúmeras condições que desafiam a medicina. Por exemplo: 1) doenças neuromusculares, algumas letais, como a distrofia muscular de Duchenne do João e as escleroses múltipla e lateral amiotrófica; 2) doenças que afetam o sistema nervoso central (cérebro), como o mal de Parkinson; 3) pessoas com lesão da medula espinhal por acidentes, como Herbert Vianna, ou armas de fogo, como Marcelo Yuka, que provocam paraplegia e às vezes tetraplegia (paralisação do pescoço para baixo).

Os cientistas não sabem ainda quando isso será realidade, mas têm certeza: as células-tronco embrionárias são a esperança para curar ou melhorar a qualidade de vida de portadores dessas doenças.

Conseqüentemente, a liberação das suas pesquisas é questão de vida. É mentirosa a informação de que seriam rejeitadas pelo corpo humano. Por uma razão: até hoje, elas – atenção! -- nunca foram injetadas em seres humanos.

Embriões excedentes em clínicas de fertilização, o alvo

A reprodução assistida permite que casais, que não conseguem engravidar por meio da relação sexual, tenham filhos. É a fertilização in vitro, uma opção quando a natureza falha. O “encontro” dos óvulos e espermatozóides se dá em laboratório, fora do organismo materno. Caso haja fecundação, formam-se embriões. Aí, dois ou três são implantados no útero e os restantes congelados. No instante em que isso ocorre, os embriões não são visíveis a olho nu -- são menores que um ponto na letra i. Não têm bracinho, mãozinha, carinha, perninha, corpinho, ao contrário do fazem crer alguns opositores do uso das células-tronco embrionárias.

Outra mentira difundida: os cientistas acabariam utilizando todos os embriões disponíveis em clínicas de reprodução assistida. Primeiro, os cientistas que apóiam as pesquisas defendem as restrições previstas na Lei 11.105. Segundo, a própria lei é rigorosa. Ela estabelece que apenas poderão ser usados em pesquisas e tratamento:

* Os embriões que sobram nas clínicas de fertilização assistida. São embriões inviáveis para a reprodução, pois têm, por exemplo, doenças genéticas.

* Ou os congelados há mais de três anos. É que, com o passar dos anos, os embriões deterioram-se, perdendo o “prazo de validade”. Após três anos a probabilidade de gerar um ser humano é quase zero.

Importante: em qualquer dessas circunstâncias, os embriões só serão usados em pesquisas com consentimento prévio dos genitores. Portanto, casais contrários a tal uso terão o desejo respeitado, independentemente do motivo.

Falso problema ético, desinformação ou hipocrisia

A lei 11.105 é taxativa. É proibida a produção de embriões produzidos especificamente para a pesquisa. Somente podem ser utilizados os congelados há mais de três anos e os inviáveis.

Ou seja, são embriões que nunca serão implantados em um útero humano. Logo, não tem sentido discutir neste caso a questão do início da vida, como defendem os opositores das pesquisas com células embrionárias. É um falso problema ético. Insistir sugere desinformação ou hipocrisia.

Tem mais. Se esses embriões não forem utilizados em pesquisas serão descartados. Em português: a revogação da lei não mudaria em nada o destino inglório deles – o lixo; em compensação, prejudicaria o futuro de milhares de crianças, adolescentes, adultos e idosos, que precisam urgentemente que as pesquisas com células embrionárias avancem no Brasil.

“Ah, mas tem gente defendendo a adoção dos embriões. Não é uma saída?"

Não. A proposta é absurda. Se nos orfanatos brasileiros sobram milhares de crianças à espera de adoção, como é possível alguém pensar em adotar um tubinho? Tudo bem, embrião congelado não dá trabalho. Você não tem que dar mamadeira, educar, dar banho, levar à escola, às festas dos amiguinhos. É só pagar a clínica de reprodução assistida para guardá-lo. Mas será a opção a mais digna e humana? Por que não utilizá-los de forma ética e responsável em benefício do futuro e da evolução da humanidade, salvando vidas? Detalhe: a maioria dos casais que tem embriões congelados se recusa a doá-los para implantação em outro útero.

Pesquisa com embriões congelados não é aborto!

Opositores da Lei 11.105 também apregoam que as pesquisas com células embrionárias seriam aborto. É mentira. Pesquisar embriões congelados não significa interrupção de gravidez em andamento nem nada parecido. Afinal, se eles não forem inseridos no útero, nunca haverá gestação. Logo, nãoaborto.

A questão do aborto, porém, é igualmente importante. É problema de saúde pública no Brasil. O seu debate tem que ser feito separadamente do das células embrionárias, pois envolve outras questões éticas, jurídicas e de saúde.

Células reprogramadas podem provocar tumores

Os opositores das pesquisas com células-tronco embrionárias alardeiam que existem mais de 65 doenças sendo tratadas com células-tronco adultas. Infelizmente, é outra mentira. Basta consultar as mais respeitadas publicações científicas do mundo para descobri-la.

Aliás, se as células-tronco adultas permitissem resultados tão espetaculares, por que os pesquisadores que trabalham com elas insistiriam na necessidade de continuar as investigações com as células embrionárias?

“Mas e o anúncio de que as células de pele podem ser programadas para se comportarem como embrionárias... Elas não seriam o recurso para se dispensar o uso de embriões em pesquisas?”

Realmente, trabalhos recentes sugerem que células-tronco adultas, como as da pele, podem ser programadas para se comportarem como embrionárias. Mas os próprios cientistas responsáveis por esses estudos e a maioria daqueles que trabalham com células-tronco adultas são categóricos: a pesquisa com células embrionárias é fundamental. São elas que ensinarão os cientistas a programar as células adultas, de modo a que se transformem nos tecidos desejados.

Além disso, as células reprogramadas estão associadas a:

* maior risco de geração de tumores;

* introdução de um vírus no organismo, cujos efeitos são imprevisíveis;

* ativação de mutações que se acumulam nas células-tronco adultas (mas estão silenciadas) e que podem ser muito patogênicas em tecidos derivados de células-tronco embrionárias reprogramadas.


O motivo desses riscos é o fato de a reprogramação das células adultas ir na contramão da natureza. É como se o pano de uma calça pronta fosse usado para fazer uma saia. Explicamos. Imagine um tecido novinho, que nunca foi utilizado para nada. Você pode fazer dele o que desejar: calça, camisa, saia, vestido, blusa. Ele equivale à célula-tronco embrionária.

Agora, experimente pegar a calça pronta e transformá-la em saia. A roupa pode ficar com um furinho ou outra imperfeição que já existia na calça, mas você não via. É possível, inclusive, que ela fique tão comprometida que você não poderá usá-la. A roupa pronta equivale à célula-tronco adulta. É impossível prever no que resultará ao ser transformada em embrionária.

Academias de ciências dos Estados Unidos e da Itália apóiam

Conclusão: tanto as pesquisas com células embrionárias quanto as com células-tronco adultas têm que ser feitas simultaneamente e comparadas.

É a opinião majoritária dos cientistas, aqui e no exterior. Isso inclui as academias de ciências ao redor do mundo, entre as quais a dos Estados Unidos e a da Itália, onde fica o Vaticano, a sede mundial da Igreja Católica.

Afinal, o que os cientistas querem é curar os pacientes. Dois anos de pesquisas com células-tronco adultas, realizadas após a aprovação da Lei 11.105, confirmam essa necessidade.

A luta pela vida está acima de todos os credos religiosos

É preciso que fique bem claro: respeitamos todos os credos religiosos; defendemos a liberdade e a tolerância religiosa. Consideramos, porém, que a liberdade de pesquisa não pode ser restringida por questões religiosas num Estado laico, como é do Brasil. Não se pode misturar ciência com religião. A junção é obscurantismo.

Não à toa 41 mil brasileiras e brasileiros – de diferentes níveis socioeconômicos, profissões, etnias, crenças religiosas, inclusive católicos – assinaram a petição Pró-células-tronco embrionárias, destinada ao Supremo Tribunal Federal. A petição representa a voz sociedade civil. O Viomundo ajudou a divulgá-la desde o início. Luiz Carlos Azenha foi um dos primeiros a assinar. “A causa é justa”, justifica.

Faça o mesmo. Quem quiser apoiá-la, ainda dá tempo. Hoje são os Herberts, os Marcelos e os Joões que precisam que as pesquisas com células-tronco embrionárias prossigam. Amanhã talvez seja um de nós ou alguém muito querido.

Portanto, as Ministras e os Ministros do STF terão, no dia 5 de março, a chance de tomar uma decisão histórica: aprovar – já! -- a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, e ajudar os cientistas a mudar a vida de milhares de brasileiros que hoje padecem e outros tantos que adoecerão nos próximos dias, meses e anos. A questão não é só de humanidade. É também de soberania científica do País. A não-aprovação das pesquisas com células tronco embrionárias excluirá irreversivelmente o Brasil desses avanços da ciência e da medicina.

Senhoras Ministras e senhores Ministros, por favor, não joguem a esperança no lixo! É por todos nós e pelas futuras gerações.

A cientista Mayana Zatz, professora de Genética da USP, assina embaixo. Ela é a porta-voz da Academia Brasileira de Ciências no tema células embrionárias e há 30 anos trabalha com doenças neuromusculares letais ou altamente incapacitantes. Já viu milhares de crianças, jovens e adultos afetados morrerem sem qualquer chance de cura. Daí o seu desejo: “Que a esperança vença o obscurantismo”.

Solidariamente é também o anseio desta repórter e o do Azenha. Ah, quer assinar a petição e passá-la adiante? É só clicar abaixo:

Roberta Sá - Braseiro (2004)




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A INCONSCIÊNCIA DO TERCEIRO MUNDO

Por Raúl Crespo

Todos vivemos sob a ameaça constante de nossa própria aniquilação. Parece que buscamos a morte e a destruição tanto como a vida e a felicidade. Estamos como impulsionados a assassinar e a ser assassinados, igual que a viver e deixar viver. Só mediante a mais ultrajante violação de nós mesmos, conseguimos aperfeiçoar nossa capacidade de vida, adaptados a uma civilização dirigida para a sua própria destruição.

Por isso temos tanto medo de viver e de amar como de morrer.

Povos cuja cultura foi alterada para a domesticação e o conformismo por décadas de ocupação, carecem de clareza e consciência de objetivos prioritários, que r lhes permite ver as próprias polaridades, paradoxos não resolvidos e assim, desconfiaremos uns dos outros, sentiremos que nos querem fazer dano e tentaremos fazê-lo.

Enquanto se invistam milhões em congressos e aparelhagem de paz, ou bobagens destrutivas, enquanto não nos valorizarmos, enquanto não apreciarmos o desenvolvimento intelectual, educativo, social para a transformação individual primeiro, coletiva depois e, conseguir tornar-nos pessoas livres seguiremos como estamos cheios de conflitos.

Todas as escolas, universidades devem se comprometer em resgatar o homem marginal, que tanto abunda em suas salas de aula em qualidade de alunos e professores, para levar essa transformação para o mesmo povo.

O homem de hoje, o capitalista de ontem, neoliberal específico como resultado do costumbrismo explorador, com avanços modernos que a ciência descobre segue sendo um marginal. Temos construído os últimos gritos de conforto e comodidade, ficamos à margem, fora sem nos levarmos em conta, assim a existência não tem sentido ao perder a consciência, o contato com nós mesmos.

O fenômeno se manifesta de maneira mais profunda nas grandes cidades, cópias das grandes urbes dos países desenvolvidos. Conglomerados de prédios, escritórios, centros comerciais, avenidas, autopistas, tudo em função da comodidade, rapidez e efetividade procurando o comprador compulsivo para o desperdício e, o homem cada vez mais só, adoecendo, se suicidando, em conflito consigo mesmo, acompanhado das pílulas e a televisão, sempre se guardando, receando a sua permanente falta de fé no ser humano, fundamentalmente em si próprio.

O pobre homem vive em locais luxuosos, com veículos de luxo, muitos com motoristas e empregados tratados com discriminação, roupa importada com nomes alheios, indo a festas com outros pobres homens, onde se anula, se elogia, se critica a vida de todos, sem mais entretenimento que uma viagem de drogas ou álcool, uma sedução furtiva designada no geral à decepção, confirmando mais uma vez sua pouca fé na humanidade. Quando não se sabe viver no presente, o futuro resulta ser sempre uma ameaça trágica. Assim foi no passado, assim poderá ser no futuro.

Dividir para vencer é o slogan imperial em ação desde faz um século ou mais para povos colonizados.

Se você confia lhe traem; se fala, lhe mal interpretam. Você sempre brigará por seus direitos, viver com medo e apreensão será uma constante. A violência, o sadismo, a vingança são parte permanente da vida dessas grandes cidades capitalistas, depósito de todas essas ingratidões e inconsciências que são parte da natureza humana em grandes proporções.

Se você decide deixar de ser marginal, se encontrará com as mais variadas desculpas para impedir-lhe as saídas. As travas da capitalização, por ser pobre, mal vestido, por ser veado, por ter cometido erros, por ser mulher, por estar grávidas, por ser de tal ou qualquer religião, por ser negro, por ser de tal partido, por ser mãe solteira, por ter sido guerrilheiro. É tanta a criatividade demonstrada pelos marginais para impedir que escapassem de tua ignorância mental e desestima. Impedir-lhe o crescimento e desenvolvimento é a estratégia, é quase inútil falar constantemente de paz, amor, prazer; você encontrará a negação do ser. São pequenos os grupos que procuram alternativas, poucos os que forcejam para sair desses novos campos de concentração férteis de mentiras e enganos.

No nosso assim chamado terceiro mundo, de grotesco modelo cultural, imperial, nos impõe que seres entediados existencialmente presos em ser peões carentes de sentido planificam, educam, orientam, fazem leis e se atrevem a corrigir as condutas de outros. Um marginal escravo mental planifica uma cidade sem árvores, uma comunidade sem espaço para correr e desfrutar, não atende as necessidades de outros porque desconhecem as suas próprias. Pendurando nas paredes dos escritórios, diplomas sem vida, com muitos programas ou modelos de exploração para os povos, e muito poucas mudanças para os outros.

No entardecer estes marginais especialistas voltam para suas casas, fecharão a cortina do autêntico, então voltarão a falar mal, esquivos, rancorosos, tomarão suas doses diárias de calmantes, brigarão com a família para lhes lembrar quem manda, levantarão cansados e entrarão sérios no escritório fazendo muito para que nada aconteça.

Este é o programa imposto de inconsciência para o terceiro mundo, onde os organismos de independência lhe dizem o que fazer, como fazê-lo e quando. Os títeres governantes de turno, os partidos políticos, os organismos públicos são ineficazes, porque sua militância, suas bases não são efetivas. As famílias não são efetivas porque seus pais e filhos o são. O sistema é medíocre porque seus componentes são marginais e, assim todos os povos aprendem a não serem efetivos, marginais de seus líderes e dirigências.

Nações, Estados, sociedades marginadas econômica, educativa, cultural, social, ecologicamente excluídas dos valores dos próprios costumes, povos que estão nos próprios países que não estão dentro deles, presos em duas culturas sem pertencer a nenhuma delas.

Escrevo em um sentido geral que direta ou indiretamente abrangem todas as formas possíveis de marginalidade. Ficamos ali no etimológico, estamos à margem e assim permanecemos. Marginalidade que não é necessariamente pobreza ainda que em nosso o seja, historicamente faz dela uma constante forma de vida como posição existencial, multidimensional. É um status de pobreza mental, de negação da própria experiência sul-americana, não consciência, não contato com as necessidades e objetivos nacionais e pessoais.

Versão em português: Tali Feld Gleiser de América Latina Palavra Viva.