domingo, 27 de fevereiro de 2011

Esse é o nosso povo...

Impressionante a capacidade mostrada por John Lennon da Silva, dançarino de street dance em uma brilhante coreografia, feita por ele mesmo. E ainda tem gente daqui que despreza nossos jovens pobres, somente atribuindo a eles a desgraça das drogas, roubos e dos assassinatos.
É de emocionar!

Reflexões sobre a intolerância

“Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo” (George Santayana, 1863-1952)

Nesta semana, assisti ao documentário Luz, Trevas e o Método Científico.[1] As imagens mostram guerras religiosas, perseguição à ciência, às mulheres e hereges. A história da humanidade é, também, a história da intolerância.A práxis humana é muito mais complexa do que a vã filosofia maniqueísta imagina. A aposta maniqueísta é interessada e consciente – ou ingênua. Os eventos históricos mostram que as coisas não são tão simples quanto parecem. O bem pode se converter em mal. Reduzir a práxis histórica a apenas duas cores é desconhecer a complexidade dos fatores subjetivos, interesses e práticas dos que fazem a História.
Luz, Trevas e o Método Científico relata a luta da ciência contra a intolerância religiosa e política. Historicamente, a intolerância está presente na esfera das relações humanas fundadas em sentimentos e crenças religiosas e laicas. É uma prática que se autojustifica em nome de Deus – e/ou ideologias – e adquire o status de uma guerra de deuses encarnados em homens e mulheres que se odeiam. Heinrich Mann, em A Juventude do Rei Henrique IV, fornece uma descrição que permite visualizar seus efeitos:
“Mas no país inteiro também se incendiava e matava em nome das crenças inimigas. A diferença das crenças religiosas era levada profundamente a sério, e transformava as pessoas que normalmente nada separava em inimigos extremados. Algumas palavras, especialmente a palavra missa, tinham efeito tão terrível que um irmão tornava-se incompreensível e de sangue estranho para outro”. [2]
José Saramago denominou este ódio recíproco como “O Fator Deus”. [3]
Na Idade Média, a intolerância religiosa se intensificou contra os judeus,as mulheres e os heréticos. “Os inquisidores caçavam dissidentes e os obrigavam a abjurar sua “heresia”, palavra que em grego significa “escolha”, escreve Armstrong. A Inquisição na Espanha forçou os judeus à conversão ao cristianismo e, finalmente, expulsou-os. Esta se tornaria uma prática comum em outras épocas e nações. Com a identificação entre religião e política, a perseguição aos dissidentes foi intensificada e motivada pelos interesses políticos em disputa. A inquisição espanhola foi usada para “forjar a unidade nacional”. Mas a utilização deste recurso não se restringiu ao catolicismo romano. Como relata Armstrong: “Em países como a Inglaterra seus colegas protestantes também foram implacáveis com os “dissidentes” católicos, tidos igualmente como inimigos do Estado”. [4]
Com a formação e consolidação dos Estados nacionais modernos, a intolerância vincula religião e política, identificando uma à outra. O herege religioso é visto como um desafiante da ordem política monárquica; o dissidente político é encarado como um desafiador do dogma religioso adotado pelo Estado-nação. [5] A política terminaria por impor a sua autonomia em relação ao poder religioso. Então, a intolerância tomou a forma de lutas ideológicas.
Maquiavel já anunciara este caminho quando, ainda no renascimento, advogou que os fins justificam os meios, em outras palavras, que a razão do Estado deve se impor a despeito dos meios utilizados. Nestas condições, o problema para Maquiavel não está em usar a violência, mas em saber usá-la, na intensidade certa e no momento oportuno. Em defesa do florentino, observemos que trata-se da construção do Estado e das necessidade deste expressar a autoridade soberana e absoluta. Thomas Hobbes retoma este tema no século XVII, com a defesa de um Estado absolutista, o Leviatã, ao qual submetemos a nossa liberdade. As liberdades dos súditos ficariam restritas aos interstícios onde o soberano não alcança, no mais ele é absoluto. Estes autores expressam a idéia de que o poder político não deve admitir concorrentes, ou seja, o poder político deve ser autônomo em relação ao poder religioso.


[1] O vídeo está dividido em sete partes e disponível a partir do link http://www.youtube.com/watch?v=G0oImVekJzg. Acesso em 11.02.2011.
[2] MANN, Heinrich. A Juventude do Rei Henrique IV. São Paulo: Editora Ensaio, 1993, p.11. Esse período de intensas guerras religiosas envolvendo o continente europeu, que gerou barbáries como a Noite de São Bartolomeu (1572), também é tratado no romance A Rainha Margot, de Alexandre Dumas.
[3] SARAMAGO, José. “O Fator Deus”. Folha de S. Paulo, 16.09.2001. (Publicado também in: Revista Espaço Acadêmico, n. 05, outubro de 2001)
[4] ARMSTRONG, Karen. Em Nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p.24.
[5] Dessa forma, “a intolerância religiosa assumiu formas especialmente virulentas, porque se julgava que a solidez do poder absoluto do rei dependia da aplicação do princípio de que a religião do povo deveria ser a religião do príncipe. Desencadeadas por um massacre de protestantes ocorrido em 1562, as guerras de religião da França se caracterizaram por atrocidades sem precedentes, como a matança de São Bartolomeu (25 de agosto de 1572), e só terminaram mais de 20 anos depois, quando Henrique 4º assinou o Edito de Nantes, concedendo liberdade de culto aos protestantes (1598). Mas a longa história da perseguição à religião reformada ainda não havia terminado, pois em 1685 Luís 14 revogou o Edito de Nantes, o que levou à demolição dos templos, à proibição das assembléias e à emigração forçada de cerca de 300 mil protestantes. Mas estes eram tão intolerantes quanto os católicos”. ROUANET, Sergio Paulo. “O Eros da diferença”. Folha de S. Paulo, Caderno Mais, 09.02.2003. (Publicado também em: Revista Espaço Acadêmico, n. 22, março de 2003).

Maria Gadú TUDO DIFERENTE

Levantes populares: do Oriente Médio ao Meio Oeste


Há apenas algumas semanas, a solidariedade entre jovens egípcios e policiais do Wisconsin, ou entre trabalhadores líbios e funcionários públicos de Ohio, seria algo inacreditável. O levante popular na Tunísia foi provocado pelo suicídio de um jovem chamado Mohamed Bouazizi, universitário de 26 anos de idade, que não encontrava trabalho em sua profissão.Nos conflitos que vemos hoje em Wisconsin e Ohio há um pano de fundo semelhante. A “Grande Recessão” de 2008, segundo o economista Dean Baker, ingressou em seu trigésimo mês sem sinais de melhora. O artigo é de Amy Goodman.


Cerca de 80 mil pessoas marcharam no sábado passado ao Capitólio do estado de Wisconsin, em Madison, como parte de uma crescente onda de protesto contra a tentativa do flamante governador republicano Scott Walker, não só de acossar os sindicatos dos servidores públicos, mas de desarticulá-los. O levante popular de Madison ocorre imediatamente em seguida aos que vêm ocorrendo no Oriente Médio. Um estudante universitário veterano da guerra do Iraque, levava um cartaz que dizia “Fui ao Iraque e voltei a minha casa no Egito?”. Outro dizia: “Walker, o Mubarak do Meio Oeste”.

Do mesmo modo, em Madison, circulou uma foto de um jovem em uma manifestação no Cairo com um cartaz que dizia: “Egito apoia os trabalhadores de Wisconsin: o mesmo mundo, a mesma dor”. Enquanto isso, em uma tentativa de derrubar o eterno ditador Muammar Kadafi, os líbios seguem desafiando a violenta ofensiva do governo, ao mesmo tempo que mais de 10 mil pessoas marcharam terça-feira em Columbus, Ohio, para se opor à tentativa do governador republicano John Kasich de dar um golpe de estado legislativo contra os sindicatos.

Há apenas algumas semanas, a solidariedade entre jovens egípcios e policiais do Wisconsin, ou entre trabalhadores líbios e funcionários públicos de Ohio, seria algo inacreditável.

O levante popular na Tunísia foi provocado pelo suicídio de um jovem chamado Mohamed Bouazizi, universitário de 26 anos de idade, que não encontrava trabalho em sua profissão. Enquanto vendida frutas e verduras no mercado, em repetidas oportunidades foi vítima de maus tratos por parte das autoridades tunisianas que acabaram confiscando sua balança. Completamente frustrado, ele ateou-se fogo, o que acabou incendiando os protestos que se converteram em uma onda revolucionária no Oriente Médio e Norte da África. Durante décadas, o povo da região viveu sob ditaduras – muitas das quais recebem ajuda militar dos EUA -, sofreu violações dos direitos humanos, além de ter baixa renda, enfrentar altas taxas de desemprego e não ter praticamente nenhuma liberdade de expressão. Tudo isso enquanto as elites acumulavam fortunas.

Nos conflitos que vemos hoje em Wisconsin e Ohio há um pano de fundo semelhante. A “Grande Recessão” de 2008, segundo o economista Dean Baker, ingressou em seu trigésimo mês sem sinais de melhora. Em um documento recente, Baker diz que devido à crise financeira “muitos políticos argumentam que é necessário reduzir de forma drástica as generosas aposentadorias do setor público e, se possível, não cumprir com as obrigações de pensões já assumidas. Grande parte do déficit no sistema de aposentadorias se deve à queda da bolsa de valores nos anos 2007-2009”.

Em outras palavras, os mascates de Wall Street que vendiam as complexas ações respaldadas por hipotecas que provocaram o colapso financeiro foram os responsáveis pelo déficit nas pensões. O jornalista vencedor do prêmio Pulitzer, David Cay Johnston disse recentemente: “O funcionário público médio de Wisconsin ganha 24.500 dólares por ano. Não se trata de uma grande aposentadoria; 15% do dinheiro destinado a esta aposentadoria anualmente é o que se paga a Wall Street para administrá-lo. É realmente uma porcentagem muito alta para pagar Wall Street por administrar o dinheiro”.

Então, enquanto a banca financeira fica com uma enorme porcentagem dos fundos de aposentadoria, os trabalhadores são demonizadas e pede-se a eles que façam sacrifícios. Os que provocaram o problema, em troca, logo obtiveram resgates generosos, agora recebem altíssimos salários e bonificações e não estão sendo responsabilizados. Se rastreamos a origem do dinheiro, vemos que a campanha de Walker foi financiada pelos tristemente célebres irmãos Koch, grandes patrocinadores das organizações que formam o movimento conservador tea party. Além disso, doaram um milhão de dólares para a Associação de Governadores Republicanos, que concedeu um apoio significativo à campanha de Walker. Então, por acaso resulta surpreendente que Walker apoie às empresas ao outorgar-lhes isenções se impostos e que tenha lançado uma grande campanha contra os servidores do setor público sindicalizado?

Um dos sindicatos que Walter e Kasich têm na mira, em Ohio, é a Federação Estadunidense de Empregados Estatais de Condados e Municípios (AFSCME, na sigla em inglês). O sindicato foi fundado em 1932, em meio à Grande Depressão, em Madison. Tem 1,6 milhões de filiados, entre os quais há enfermeiros, servidores penitenciários, seguranças, técnicos de emergências médicas e trabalhadores da saúde. Vale a pena lembrar, neste mês da História Negra, que a luta dos trabalhadores da saúde do prédio n° 1733 de AFSCME fez com que o Dr. Martin Luther King Jr. Fosse a Memphis, Tennessee, em abril de 1968. Como me disse o reverendo Jesse Jackson quando marchava com os estudantes e seus professores sindicalizados, em Madison, na semana passada: “O último ato do Dr. King na terra, sua viagem a Memphis, Tennessee, foi pelo direito dos trabalhadores negociarem convênios coletivos de trabalho e o direito ao desconto da quota sindical de seu salário. Não é possível beneficiar os ricos enquanto se deixa os pobres sem nada”.

Os trabalhadores do Egito, formando uma coalizão extraordinária com os jovens, tiveram um papel decisivo na derrubada do regime deste país. Nas ruas de Madison, sob a cúpula do Capitólio, está se produzindo outra mostra de solidariedade. Os trabalhadores de Wisconsin fizeram concessões em seus salários e aposentadorias, mas não renunciaram ao direito a negociar convênios coletivos de trabalho. Neste momento seria inteligente que Walker negociasse. Não é uma boa época para os tiranos.

Tradução: Katarina Peixoto

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Oriente Médio em ebulição, acompanhe país por país


No Bahrein, este sábado foi o décimo-terceiro dia seguido de protestos

Igor Natusch *no Sul21


As atenções do mundo seguem voltadas para a Líbia, onde os protestos contra o governo ditatorial de Muammar Kadafi ganham contornos de guerra civil. Mas vários países árabes continuam em ebulição. Iêmen e Bahrein são os países em que as coisas estão mais complicadas para o poder estabelecido e onde os protestos ganham mais força. Mas mesmo na Tunísia e no Egito, que já derrubaram seus ditadores, os protestos continuam. Manifestantes pedem que as transformações ocorram de fato, e pedem a saída de membros dos regimes derrubados que permanecem no poder durante a transição.
Acompanhe os últimos acontecimentos, país por país:

Manifestantes concentram-se na Praça da Pérola, no Bahrein

Neste sábado (26) ocorreu o 13º dia de protestos no país, que é governado desde 1999 pelo rei Hamad Ben Isa al-Khalifa. As manifestações se concentram na Praça da Pérola, região central de Manama. Paralelamente aos protestos, religiosos da maioria xiita decretaram luto no país, em memória de sete manifestantes mortos nos primeiros dias dos acontecimentos. Os protestos ocasionaram tímidas mudanças anunciadas neste sábado pelo rei. Ele apenas trocou de função cinco ministros, mantendo-os no governo.
Embora parte dos manifestantes exija a mudança completa do regime, as lideranças xiitas parecem não querer a queda de al-Khalifa, pedindo apenas “reformas profundas” no sistema político do país. A posição xiita coincide com sinalizações do governo dos EUA, que defende a permanência de al-Khalifa e o estabelecimento de um diálogo com a oposição. O chefe de Estado-maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen, desembarcou no Bahrein nesta quinta-feira (24) para reunir-se com representantes do governo do país. O rei al-Khalifa garante que está disposto a negociar com “todas as partes”, permitindo inclusive o retorno de Hassan Mushaimaa, líder do movimento xiita Haq, que desembarcou em Manama nesta sábado, sem sofrer restrições por parte do governo do Bahrein.

Líderes tribais aderem a protestos no Iêmen

A pressão sobre o presidente do Iêmen aumentou depois que líderes de duas das principais tribos do país (Hashid e Baqil) passaram a apoiar os manifestantes. Especialistas apontam que o apoio dos Hashid, tribo mais importante do país, aos manifestantes deve ser uma pressão insuportável para Ali Abdallah Saleh, que se mantém há trinta anos no poder.
No Iêmen, a concentração de manifestantes alcançou na sexta-feira o número mais alto desde o começo dos protestos contra o regime de Ali Abdallah Saleh. As estimativas são de que mais de 150 mil pessoas participaram de protestos em todo o Iêmen, na que já é a maior manifestação pública da história do país. Segundo agências internacionais, cerca de 30 mil pessoas estão acampadas na frente de uma universidade da capital Sanaa, em uma manifestação pacífica e sem confrontos com forças governamentais. “Olhe ao redor. Não são apenas jovens, apenas estudantes que estão protestando”, disse o ativista iemenita Khaled Anesi, em entrevista para o Los Angeles Times. “Todos estão aqui. Juntos, nós derrubaremos o regime”.
Em resposta aos protestos contra Ali Abdallah Saleh, que ocupa o poder há 32 anos, o governo iemenita incentiva apoiadores a irem às ruas para defender o regime. Os manifestantes pró-Saleh teriam recebido material diretamente do governo, como cartazes com o rosto do governante iemenita, e entoam cânticos nos quais dizem que Ali Abdallah Saleh trouxe paz e prosperidade ao país. Vinte e quatro mortes ocorreram nos últimos nove dias de protestos no Iêmen.

Governo de transição não cumpre promessas, dizem manifestantes do Egito

O Egito, que recentemente testemunhou a queda do ditador Hosni Mubarak, continua às voltas com protestos. Manifestantes voltaram a se reunir na praça Tahrir, no Cairo, pedindo a formação de um novo governo e que Hosni Mubarak seja levado a julgamento. Mesmo que o regime tenha dado sinais de abertura após a queda de Mubarak, o gabinete de transição é formado, em sua maioria, por nomes que participaram em algum momento do antigo governo. Neste sábado (26), manifestantes que pediam a saída do governo de integrantes leais a Mubarak foram retirados à força da Praça Tahrir.
Segundo pessoas que participaram dos protestos que derrubaram Mubarak, o governo de transição não está cumprindo várias de suas promessas, como a libertação de presos políticos. Os manifestantes exigem também o fim do estado de emergência, que limita a circulação de pessoas no país, além de uma anistia geral. Parte da população pede a renúncia do atual primeiro-ministro Ahmed Shafiq e a criação de um novo gabinete, com representantes escolhidos por critérios técnicos e não por indicações.

Opositores do rei criticam “lentidão” das reformas na Jordânia

Na Jordânia, milhares de pessoas foram às ruas da capital Amã, nesta sexta-feira (25), na maior manifestação popular registrada nos últimos dois meses no país. A concentração aconteceu logo após as preces do meio dia, e coincide com declarações de Hamza Mansour, líder do grupo de oposição Frente de Ação Islâmica, dizendo que o povo está “impaciente” com a “lentidão” das reformas propostas pelo rei Abdullah II. “O povo quer democracia de verdade, mudanças reais. Andem logo com isso”, discursou Mansour em Amã, diante de cerca de 4 mil pessoas.
Os manifestantes pedem o congelamento de preços, a adoção de reformas políticas e um novo parlamento – já que, segundo eles, o atual foi formado a partir de uma fraude eleitoral. No regime de governo da Jordânia, apenas os parlamentares são eleitos por voto direto, cabendo ao rei indicar os ocupantes do executivo. Parte dos revoltosos pede uma mudança constitucional, que permita eleições diretas também para o cargo de primeiro-ministro.

Depois de 19 anos, governo da Argélia suspende regime de emergência

O governo da Argélia confirmou na quinta-feira (24) o fim do regime de emergência no país, que já durava 19 anos. A medida, que vinha sendo sinalizada há semanas, atende uma das principais exigências dos opositores de Abdelaziz Bouteflika, no poder desde 1999. No entanto, as manifestações populares devem ser submetidas a uma série de exigências e aprovadas pelo governo com três dias de antecedência – o que, na prática, faz com que as concentrações populares sejam ilegais no país.
“A suspensão do estado de emergência é positiva, mas não é o suficiente”, disse o líder oposicionista Mustafa Bouchachi, que dirige a Liga Argelina pelos Direitos Humanos. O governo dos EUA, por sua vez, considerou a decisão de Bouteflika como um “sinal positivo”, que mostra que o atual governo argelino está disposto a “escutar as preocupações e responder às aspirações do seu povo”. O regime de Abdelaziz Bouteflika é tratado como “corrupto” pela oposição, que alega que as eleições que reelegeram o presidente em 2009 foram fraudadas. Além disso, os protestos pedem medidas para conter a miséria, o aumento de preços e o desemprego.

Sexta-feira foi “dia de fúria” no Iraque

Na sexta-feira (25), milhares de iraquianos protestaram contra o governo, em manifestações que tomaram conta de vários pontos do país. Os manifestantes chamaram os protestos de “dia de fúria”. Os relatos são de que a repressão está cada vez mais violenta, em especial na praça Tahrir em Bagdá, onde cerca de 5 mil revoltosos se reuniram. A repressão aos revoltosos teria provocado ao menos 14 mortes, segundo agências internacionais. Em cidades como Hawija e Mosul, há relatos de que forças policiais dispararam munição letal contra manifestantes, que tentavam invadir prédios governamentais. No momento, está em vigor decreto que proíbe a circulação de veículos e a concentração de grupos de pessoas nas ruas das principais áreas do país.
O primeiro-ministro ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, garante que não ignorará os pedidos dos manifestantes, mas advertiu que militantes do grupo Al-Qaeda podem tentar “interromper” alguns protestos. Em declarações anteriores, Maliki foi mais explícito, associando os manifestantes com terroristas e com partidários do ex-ditador Saddam Hussein. Os manifestantes, que de modo geral dizem não querer a queda do regime, pedem controle de preços e profundas mudanças no corpo político, como forma de diminuir a corrupção estatal.
Neste sábado, a maior refinaria de petróleo do Iraque parou suas operações, depois de ser atacada. Homens detonaram bombas que provocaram incêndio na refinaria.
Tunísia terá eleições em julho, diz governo provisório
A Tunísia, primeiro país árabe a registrar protestos contra o governo, deve ser também o primeiro país a concretizar os objetivos de sua revolução. Em comunicado divulgado pela rede oficial de notícias TAP, o governo provisório anunciou que as eleições no país devem ocorrer até a metade do mês de julho. Segundo o gabinete de transição, que comanda o país desde a queda de Zine El Abidine Ben Ali, o período de diálogo com os diferentes grupos políticos irá até março, quando deve ser definida a data exata das eleições.
Ainda que a maior parte dos protestos tenha diminuído na Tunísia, numerosos grupos seguem nas ruas, insatisfeitos com a presença de Mohamed Ghannouchi como primeiro ministro do país. Ghannouchi atuou durante mais de uma década no governo de Zine El Abidine Ben Ali, o que leva manifestantes a pedirem sua saída e a instauração de um governo totalmente desligado do antigo regime. Além disso, muitos julgam que a situação de vida da população melhorou pouco depois da queda de Ben Ali
Protestos ocorridos durante a semana chegaram a concentrar 4.000 pessoas nas ruas da capital Túnis. “Revolução até o fim”, gritam os revoltosos, que teriam entrado em confronto com forças de segurança e até mesmo ateado fogo a prédios públicos, segundo testemunhas. Se o antigo governante foi deposto, parece que isso não é suficiente para boa parte do povo tunisiano – e o novo aumento na intensidade das manifestações dá a entender que o processo que varre o mundo árabe está bem longe do final.

* Colaborou Felipe Prestes

Rodrigo Vianna: PT rumo ao centro; e oposição na UTI


Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Agora, faço um balanço político.


Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002.

Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.

O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!

Isso sufoca a direita e a oposição. E aí chegamos a outro ponto importante. Não é à toa que Kassab movimenta-se para romper com o demo-tucanismo e aderir ao lulismo. Kassab sente-se sufocado e percebe que pode perder suas bases conservadoras para o lulismo. O melhor, talvez, seja juntar-se a esse impressionante movimento político (o lulo-petismo) que – nascido na esquerda - capturou a centro-esquerda e agora se expande rumo ao centro.

Vejam o tamanho da hecatombe vivida pela oposição. Katia Abreu, a chefe ruralista, deve seguir os passos de Kassab, rompendo com o condomínio PSDB/DEM. Katia deu entrevista à “Folha”, avisando: “a oposição está na UTI”. Kassab vai levar com ele quase duas dezenas de deputados federais do DEM, 3 ou 4 do PPS e mais alguns tucanos desgarrados. A oposição vai minguar. Essa gente toda deve-se acomodar num “novo” partido, mas o projeto final é terminar no PSB de Eduardo Campos (partido que desde 1989 integra a base lulista).

Esse movimento de ocupação do centro pelo lulismo é fruto, também, dos erros de Serra durante a campanha de 2010. Muita gente avalia que a votação expressiva (de 44 milhões de votos no segundo turno) signficou uma meia-derrota para o paulista da Mooca. Do ponto de vista numérico e eleitoral, isso é verdade. Mas a derrota política de Serra foi acachapante.

Vejamos. Serra abriu mão de defender o programa liberal e privatizante do PSDB, e escondeu o ex-presidente FHC. Depois, tentou-se mostrar como o “verdadeiro” herdeiro de Lula, ajudando assim a legitimar o lulismo. Na reta final, de forma errática, aderiu a um discurso conservador amalucado, trazendo temas morais como aborto para o centro do debate (pra isso, apoiou-se nas tropas de choque monarquistas, na turma da TFP e da Opus Dei).

Serra fez, portanto, um duplo tuiste carpado rumo ao precipício: primeiro, legitimou o lulismo; depois, afundou-se rumo à direita. Achou que podia ganhar assim. E, de fato, ficou perto de ganhar (dados os erros da campanha pouco politizada de Dilma). Mas, no fim, a “meia derrota” eleitoral significou “derrota e meia” política.

Restou a Serra (e a parte do tucanismo) brigar para liderar a direita no Brasil. Aécio quer o PSDB no centro. E Kassab quer ser, ele mesmo, o novo centro.

Lula e Dilma sabem que é mais fácil enfrentar os tucanos desde que eles se mantenham na direita. Por isso, Dilma ocupa o centro. Certamente, com aval de Lula.

Nassif acaba de escrever um artigo excelente, tratando exatamente desse tema:

“Primeiro, não há a menor possibilidade de apostar em um rompimento dela com Lula. Ambos são suficientemente maduros e espertos para não embarcarem nessa falsa competição.

A sensação que passa é de uma estratégia combinada, na qual caberia a Lula manter a influência sobre movimentos populares, sindicalismo e PT; e a Dilma aproximar-se e desarmar os setores empresários e políticos mais refratários ao lulismo-dilmismo.

Do ponto de vista de estratégia política, conseguiram fechar o melhor dos mundos: o antilulismo está sendo carreado pela velha mídia para um pró-dilmismo, resultando um xeque- mate: se o governo Dilma for bem sucedido, ela é reeleita; se for mal sucedido, Lula volta.” (L. Nassif)

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010.

Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

Qual o risco disso tudo?

O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores tradicionais da esquerda… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” (coalizão de centro-esquerda que governou o Chile desde a queda de Pinochet) assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor (até porque o candidato dela, Frei, tinha imagem envelhecida e desgastada). Se não há mesmo diferença, pra que votar na “Concertación” de novo? Foi o que levou o eleitorado chileno a escolher Pinera – um megaempresário ligado à Opus Dei e a setores pinochetistas.

Pinera é um Berlusconi sem os arroubos sexuais do italiano. Paulo Henrique Amorim costuma dizer que, sem politização, a classe “C” de Lula vai eleger um Berlusconi em 2014. O Chile já fez isso: escolheu Pinera.

A tática de Dilma e Lula, de ocupar amplo espectro (da esquerda ao centro), parece inteligente. Mas ao embaralhar o jogo, permite que a direita faça  o mesmo e caminhe para o centro. Desfeitas as fronteiras (Kassab no PSB seria o sinal derradeiro desse movimento), abre-se a incerteza no horizonte, rumo a 2014.

O petismo conta com Pelé no banco. Se o quadro ficar confuso, chama-se Lula. Arriscado. Mas esse parece ser o jogo. Gostemos ou não.

Globo tenta dar golpe nas negociações do futebol: guerra à vista

Escrito por Gabriel Brito, da Redação  do Correio da Cidadania 
 
Nesta semana, nova guerra suja foi deflagrada no futebol brasileiro. Após receber uma tunda do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no meio da testa e ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Rede Globo perdeu seus privilégios monopólicos para adquirir os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nos anos de 2012, 13 e 14.
 
Dessa forma, a concorrência prevista para o dia 11 de março passou a ter contornos muito mais interessantes, especialmente para os clubes, que finalmente viram uma claríssima brecha para elevarem exponencialmente seus ganhos com as milionárias transmissões televisivas. Isso porque antes a Globo tinha direito de preferência na renovação dos contratos, inclusive com acesso às propostas rivais, o que a fez tomar de vez as rédeas como sócia-proprietária do futebol nacional, em parceria com o todo poderoso Ricardo Teixeira, dono da CBF.
 
De agora em diante, por conta da determinação do CADE, a emissora terá de fazer aquilo que historicamente não está acostumada: jogar dentro de regras limpas. Obviamente, a medida acendeu as esperanças de outros canais de TV, sempre excluídos, na prática, das negociações. Record, e seu temido saco sem fundo de dinheiro, e Rede TV já declararam intenções de participar. Fora a Band, que já transmite, mas pode se livrar do jugo global, que lhe impõe o que pode ou não exibir. Na TV fechada, ESPN, Bandsports e Telefônica tentarão fazer frente à Sportv – de propriedade da Globo.
 
E neste ano há a grande novidade de se venderem os direitos de cada mídia separadamente, quando antes todas eram vendidas no mesmo pacote. Agora, TV aberta, fechada, Pay Per View, Celular, Internet e Direitos Internacionais serão negociados separadamente. O lance inicial para a TV aberta é 500 milhões de reais por ano (cifra do atual contrato), sendo que o Clube dos 13 calcula um rendimento total de 4 bilhões de reais ao final do período, na soma de todas as categorias.
 
A Globo já provou do veneno da emissora de Edir Macedo: perdeu os direitos de Londres 2012, pois neste caso não havia conchavo suficiente para que a Vênus Platinada levasse a parada por inércia. Quem deu mais levou, e pronto. No Brasil, não foi sempre assim que funcionou, devido à enorme subserviência de nossos dirigentes, sempre endividados, além de acomodados e aliados ao poderio global, que já fez diversos favores financeiros para apagar incêndios das agremiações.
 
No entanto, após anos de cobrança, o Clube dos 13, que reúne os 20 times mais influentes do país e juridicamente tem a prerrogativa de negociar o contrato de TV, após a providencial prensa do CADE decidiu adentrar o século 21 e elaborar uma licitação de verdade – simplesmente dentro das teorias do jogo capitalista. Ou seja, concorrência livre e aberta, quem der mais leva. Afinal, nossos clubes podem ser submissos e corruptos, mas precisam se resolver financeiramente.
 
Antecedentes
 
Vale lembrar que a Copa do Mundo tem produzido diversas disputas de bastidores no país, com times, estados e dirigentes se digladiando pelo melhor botim possível dos grandes eventos. Um dos casos notórios envolve o choque entre a CBF e o São Paulo FC, que objetivava ter seu Morumbi como sede da Copa, mas acabou passado pra trás por conta de antigas (e atuais) divergências com o imperador Ricardo Teixeira.
 
Assim, e amparado pela avidez por negociatas dos executivos da FIFA, a confederação inventou que o Morumbi não teria condições de sediar jogos do mundial sem uma reforma, que segundo cálculos da citada camarilha beiraria os 600 milhões de reais. O tricolor retrucou com um plano de um terço dos custos. Foi limado.
 
Com o senso de oportunismo em dia, o presidente do Corinthians (que se revela um sujeito congenitamente amoral), Andrés Sanchez, articulou com o presidente-torcedor-do-Timão Lula, a Odebrecht e os governos estadual e municipal a construção de um estádio em Itaquera, sonho da agremiação, mas que neste caso viria com o bônus de também sediar a Copa. Uma belíssima jogada, convenhamos.
 
Além disso, Sanchez se tornou aliado e fiel escudeiro de Ricardo Teixeira nos últimos tempos. Como prêmio, foi nomeado chefe da delegação da seleção brasileira na Copa de 2010. E sobre Globo e Teixeira nem é preciso falar: estão de mãos dadas desde sempre, com a emissora carioca tendo pista livre para cometer todos os desmandos que sempre se permitiu, como os detestáveis jogos às 10 da noite.
 
Fedor no ar...
 
E exatamente quando a concorrência se abriu, passaram a surgir notícias dando conta de uma suposta queda de valor de mercado do futebol, cujas audiências estariam decaindo, o que não justificaria contratos mais polpudos. E tudo tenderia a piorar caso a Record ficasse com os direitos de transmissão e recuasse o horário das partidas, pois neste caso o futebol seria inapelavelmente derrotado pelo Jornal Nacional e a novela.
 
Só faltou alguma prova para respaldar a descarada chantagem. Quer dizer, algumas bem fajutas foram mostradas, no caso, os índices de audiência dos jogos dos estaduais deste ano. Só ‘ignoram’ o fato de que a culpa é do descrédito, desorganização e decadência em que tais torneios se encontram. Mas o Brasileirão é outra história, muito diferente.
 
Com a experiência de Londres ainda viva na memória e o enquadro da autarquia do Ministério da Justiça, bateu o desespero na emissora, que iniciou um claríssimo processo de cooptação dos clubes. Diante da proximidade da decisão final, fatos estranhíssimos passaram a ocorrer em avalanche.
 
O presidente do Corinthians, sempre ele, passou a se queixar de uma falta de democracia na condução das negociações, por parte do Clube dos 13. O detalhe é que a comissão que cuida do assunto foi eleita pelo conjunto dos membros, portanto, todos deram sua anuência a essa forma de elaboração do processo de venda dos direitos.
 
Acusado de não ter assumido seu papel de vanguarda no futebol, tal como se esperava em seu surgimento, o Clube dos 13 jamais fez aquilo a que se propôs ao surgir, isto é, organizar uma liga de clubes que gerenciasse o Campeonato Brasileiro, o que só ocorreu em 1987, ano de sua fundação, quando a CBF se declarou incapaz de realizá-lo, delegando a tarefa à entidade que nascia.
 
E quando finalmente o C-13 resolve tomar uma postura mais protagonista e valorizar seu produto, o futebol, alguns de seus membros começam a sabotá-lo...
 
Golpe global
 
Segundo Ataíde Gil Guerreiro, membro da entidade e um dos responsáveis pela condução da negociação, "a Globo está se sentindo em risco. Ela está num estado de conforto e não quer risco. Ela tem todas as condições de ganhar, mas para que correr risco? Ela não quer fazer a concorrência com a lisura que nós queremos".
 
Ele ainda acrescentou que Sanchez tem se portado como "advogado da Globo", além de apontar, para não deixar dúvidas, que a emissora está querendo comprar os clubes e forçar a cisão na entidade, principalmente com os dois mais populares, Corinthians e Flamengo. Não à toa, a CBF resolveu reconhecer nessa mesma semana, após 24 anos, o título do Flamengo de 87, que sempre foi muito cristalino, mas que a oportunista entidade tinha tratado de furtar através de uma canetada da justiça comum.
 
Já Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, foi ainda mais incisivo. "É uma baderna, tentaram avacalhar. Em princípio, o Clube dos 13 nasceu para isso (ser uma liga dos clubes), mas perdeu o trem da história. Nós temos que, primeiro, nos fortalecer como entidade de classe", declarou à ESPN Brasil. Para em seguida arrematar: "O Corinthians podia perfeitamente assumir a liderança do processo, queremos mudar a história e o patamar do C-13. O Flamengo também poderia. A avacalhação, o tumulto de não querer sentar na mesa que é revoltante".
 
E claro que a balbúrdia é patrocinada pela Globo, que muito obviamente tem agido na ilegalidade e oferecido supostas vantagens, por fora, aos clubes, como, por exemplo, empréstimos e adiantamento de cotas. Além disso, ofereceu aquilo que o presidente do Corinthians alega desejar para aumentar seus ganhos: negociações individuais, algo cada vez menos aceito no mundo do esporte. Sanchez crê que, negociando somente a parte alvinegra, poderá ganhar mais ainda, já que preside o time mais forte do país em termos de mercado.
 
Por sua vez, após ‘reaver’ o título de 87 o Flamengo resolveu aderir à dissidência, sendo seguido por Vasco, Botafogo e Fluminense, temerosos de se oporem a um rival mais poderoso que os três juntos no mercado. Além disso, Coritiba e Goiás também embarcaram e outros podem engrossar a debandada.
 
Mas a atual liderança do C-13 resolveu bater o pé e comprar a briga de vez. "O CADE está sendo estuprado, mais do que isso: o povo do futebol está sendo estuprado", declarou Kalil. "Vamos raciocinar linearmente. Estamos aqui em um jogo de dinheiro", completou, querendo dizer que não interessa quem transmitirá, e sim quem pagará mais. Sem a vitória garantida e tendo de abrir a carteira, a Globo faz de tudo pra melar o processo. "É caso de polícia, de Ministério Público", completou o dirigente atleticano.
 
Contrariando o ditado brasileiro, lei existe para ser cumprida...
 
Porém, há um grande entrave para quem quiser deixar o C-13: dívidas, pois os clubes também devem uns bons milhões à entidade. "Quem quiser pode sair. É só vir aqui, acertar as pendências e se desfiliar. Como qualquer um que pretende fechar uma conta corrente no banco", jogou na cara Fabio Koff, o presidente, que ainda chamou Sanchez de "moleque e irresponsável".
 
Diante do escárnio de Globo-CBF, repudiado pelo público, os revoltosos já amenizam o discurso, pois uma batalha judicial tem tudo pra reservar a derrota ao bloco, além do inevitável desgaste com as próprias torcidas, que podem emparedar seus dirigentes e indagar por que dificultam uma concorrência que tende a propiciar um enorme aumento das receitas de TV. "Eu quero sair dos meus 13 milhões por ano para 40. Acho que os outros não são idiotas e também querem", disparou Kalil.
 
Não seria a primeira vez que os clubes nacionais perderiam o "trem da história", mas agora, quando todo o mundo burguês exalta a exuberância da economia brasileira e o país se aproxima dos mega(bilionários)eventos, uma nova capitulação a déspotas tão conhecidos e desgastados não será facilmente engolida. Dessa vez, parece que a Globo, adotada e turbinada por uma ditadura, terá de enfrentar as autênticas regras de uma democracia capitalista.
 
Gabriel Brito é jornalista.

Reforma Política: dando nome aos bodes


Milton Temer   
Milton TemerMilton TemerOs principais colunistas políticos do Globo entraram pesado, nesta semana, na pauta da Reforma Política. E, como era de se esperar, entraram para atender ao senso comum, conservador e reacionário.
Atacam por duas vias: referem-se à baixa qualidade crescente dos representantes nas chamadas instituições republicanas, o que não é novidade, mas sem ir à raiz das causas dessa degradação do sistema, a não ser por rápidas pinceladas em seus aspectos mais óbvios. E se limitam à discussão simplista de um famigerado conceito "distritão", puro, ou mesclado com uma parcela de votos proporcionais, sem corrigir suas distorções.
O nosso sistema eleitoral é um horror. E não o é por incompetência, mas, sim, por deliberação consciente dos responsáveis por sua formulação. Sua forma atual é da lavra do "experiente ex-senador do PFL de Pernambuco Marco Maciel, cuja vocação conservadora remonta ao tempo em que era quadro proeminente do regime autoritário que nos atazanou por duas décadas. Estabeleceu regras draconianas para a formação de novas legendas – caso do PSOL – mas não ousou liquidar legendas de aluguel que fazem linha auxiliar dos partidos tradicionais.
Para democratizar e dar transparência ao processo eleitoral, há uma preliminar a solucionar – a representatividade.
Hoje, por conta da existência de um teto e um piso por Estado da Federação, um eleitor no Acre, que elege 8 deputados, tem um poder quase 20 vezes superior a outro eleitor do Acre, se este votar em São Paulo. Isto tem que acabar. É preciso dar um fim a esses parâmetros máximo e mínimo por Estado, estabelecendo quociente nacional único. E sem problema para a questão da relação igualitária entre Estados, pois ela está garantida pela representação de 3 senadores para cada unidade da federação, a despeito de área geográfica e população.
Vem depois a questão do poder econômico, que nunca será neutralizado, a não ser com o financiamento público das campanhas e o voto de lista. É um ponto fundamental, na linha contrária do que vem sendo proposto pelo Vice-Presidente Michel Temer (com quem não tenho, felizmente, nenhum laço familiar). Seu "distritão" prioriza a lista dos mais votados e liquida com a legenda partidária, portanto só se sustenta com financiamento privado, com a hegemonia do grande capital. Ou seja; aqueles que têm maior poder econômico para fazer as campanhas mais ricamente mentirosas se impõem sobre os que batalham apenas no campo das ideias. Muito mais democrático é estabelecer o voto de lista, com a lista sendo composta através de prévias entre os filiados dos partidos, o que torna a votação final muito mais consciente. Ao invés de votar em pessoas, vota-se em programas definidos.
Caminhos para isso já estão abertos, através de projeto de lei aprovado no Senado, que ficou brecado na Câmara por acordo espúrio de partidos conservadores.

Milton Temer é jornalista e Diretor Técnico da Fundação Lauro Campos

Hitler falava em nome dos cristãos?



        Hitler é o da direita

 
Estou cansado de ler textos analíticos de esquerda e de direita sobre o Oriente Médio.

E todos acabam se perdendo em elucubrações sobre o islamismo.

Como se o islamismo fosse  um bicho papão.

Isso na verdade é o preço que se paga ao se ilustrar pela mídia corporativa que não vende informações, mas adjetivos.

O islamismo, como toda religião, tem seus altos e baixos.

O perigo é a generalização.

Associar o radicalismo ao islamismo é o mesmo que associar o cristianismo ao nazismo e o sionismo ao judaísmo.

Nem todo cristão é nazista e nem todo judeu é sionista.

Ambas as religiões tem seu lado bom e seu lado ruim.

O que está acontecendo no Oriente Médio não tem nada a ver com religião.

Tem a ver com a miséria, exclusão, fome e opressão.

No Oriente Médio ha nações ocupadas fisicamente – Iraque, Palestina, Líbano, Síria, o que as transforma em nações colonizadas em pleno século 21.

E há nações ocupadas monetariamente por corporações que mantêm no poder títeres cuja única preocupação é assaltar seus países e manter suas populações sob o jugo dos carrascos.

O que ocorre agora na região não tem nada a ver com religião, mas com revoluções que num primeiro momento prescindem das armas, mas todos sabemos o que pode acontecer num segundo momento.

Sempre se fala que a vontade do povo é soberana, que a voz do povo é a voz de Deus, mas ai do povo que acreditar nisso.

Acaba pagando um preço muito alto.

No entanto e independente disso, a roda da História sempre caminha para frente.

Pode até haver alguns recuos para que o sistema tenha alguma sobrevida, mas que ela anda para a frente, ela anda.

E se o povo do Oriente Médio entender que o islamismo pode sim ajudar na realização de bons governos, que assim seja.

Pelo menos o islamismo não produziu a inquisição, nem as duas guerras mundiais e nem jogou bombas atômicas sobre Nagazaki e Hiroshima.

Então que tal deixarmos o islamismo em paz e nos atermos ao que de fato interessa?

Revolução: a vez do Bahrain e da Arábia Saudita?


Revolta popular cresce na pequena monarquia e desponta no maior produtor mundial de petróleo. Mas são aliados dos EUA — e, portanto, “modernos” para a velha mídia…

Por Pepe Escobar, do Asia Times Online | Tradução: Coletivo VilaVudu


Nessa terça-feira, nada menos que 20% da população do Bahrein reuniu-se na rotatória Lulu (Pérola) (na foto) em Manama na maior manifestação contra a monarquia feudal, ação intimamente conectada à grande revolta árabe de 2011. Amostra de toda a sociedade bahraini – professores, advogados, engenheiros, suas mulheres e filhos – numa marcha infinita, em volta do monumento, coluna compacta nas cores vermelho e branco, da bandeira nacional.
Na quinta-feira, havia motivos para crer que a revolta alcançara o santo graal, i.e., a Casa de Saud, quando 100 jovens saíram às ruas de Hafar al-Batin, nordeste da Arábia Saudita, exigindo o fim dessa monarquia feudal encharcada em petróleo. O extraordinário é que tenha acontecido justamente quando o “Guardião das Duas Mesquitas Sagradas”, rei Abdullah da Arábia Saudita, 85 anos, voltava para casa depois de três meses de tratamento médico e cirurgia nos EUA e convalescença no Marrocos – em plena onda de massiva propaganda do regime, completada com toques de orientalismo, como um homem vestido de branco dançando danças tradicionais beduínas sobre tapetes especialíssimos.

Para a Casa de Saud, a revolta é o pesadelo absoluto: como todo o mundo já está sabendo, um Bahrain microscópico, de maioria xiita, mas também microscópica, faz fronteira com a região da Arábia Saudita, de grande maioria xiita, onde está o petróleo.

Mas não surpreende que a revolta tenha eclodido nem bem o rei Abdullah pôs o pé nos seus tapetes, e apesar de toda a ação preventiva para evitar que surgissem espasmos pró-democracia entre as massas, com lançamento de um programa de 35 bilhões de dólares, que inclui um ano de benefícios para jovens desempregados, além da criação de um fundo nacional de desenvolvimento que permitirá que os jovens comprem casa, abram pequenos negócios e casem.

Em teoria, a Arábia Saudita prometeu nada menos que 400 bilhões de dólares em programas, até o final de 2014, para melhorar a educação, a saúde pública e a infraestrutura. Economista-chefe do Banco Saudita Fransi, John Sfakianakis, diz, eufemisticamente, “o rei tenta criar ampla via para o enriquecimento, sob a forma de bem-estar social”.

Como sempre, todos os eufemismos param na política: não se vê sinal algum de qualquer investimento real na direção de atender as aspirações políticas dos súditos – partidos políticos, sindicatos e qualquer tipo de manifestação pública continuam totalmente proibidos. E não se vê qualquer sinal, tampouco, de que o rei esteja preocupado com os enormes problemas sociais – da repressão policial, à intolerância religiosa – exatamente os problemas que o encurralaram e obrigaram a tentar seu gambito multibilionário da “ampla via”.

Adivinhem, então, quem se apresentou para dar as boas vindas ao rei Abdullah e discutir “a crise” – palavra-código para “A Grande Revolta Árabe de 2011”? Acertaram: o monarca feudal sunita vizinho, rei Hamad al-Khalifa, do Bahrein.

Assassinato soft, com nossa trilha sonora

A narrativa inventada no ocidente, à Disneyworld, de que o rei Hamad seria “reformista progressista”, interessado em “fazer avançar a democracia” e “preservar a estabilidade” foi totalmente detonada quando o exército real realmente mercenário atirou, com munição real, usando armamento antiaéreo, de APC, contra manifestantes que levavam flores, ou quando helicópteros marca Bell, americana, sobrevoaram e perseguiram pessoas, sem parar de atirar.

Mensagem pelo tuíter, semana passada, vinda da jornalista bahraini Amira al-Husseini, resumiu tudo: “Também amo o Bahrein. Nasci no Bahrein. Meu sangue é bahraini – e vi meu país assassinado hoje, à vista dos próprios filhos.”


A rebelião xiita contra a dinastia al-Khalifa de mais de 200 anos – invasores, vindos do continente –, está em andamento, de fato, há décadas; inclui centenas de prisioneiros políticos em quatro prisões, na cidade e nos arredores da capital Manama, presos e torturados por “conselheiros” jordanianos; e um regime cujo exército é composto, basicamente, de soldados punjabi e baloques paquistaneses.

Demorou um pouco – mas, então, aconteceu aquele telefonema estratégico de Washington, que deu ânimo para que al-Khalifa se decidisse a tratar do assunto da matança com um pouco mais de aplicação.

O relato de como a política externa dos EUA agilmente se adaptou à Grande Revolta Árabe de 2011 oferece algumas lições. Hosni Mubarak expulso do Egito e o rei Hamad do Bahrein são “moderados” e certamente não são “o mal”. Afinal, um foi e o outro é, respectivamente, pilar da “estabilidade”, como se lê em MENA (Middle East-Northern Africa [em http://en.wikipedia.org/wiki/2010–2011_Middle_East_and_North_Africa_protests ].
Por outro lado, Muammar Gaddafi da Líbia e Bashar al-Assad da Síria são realmente péssimos, porque não se submetem nunca aos diktats de Washington. A escala moral que determina a resposta dos EUA é diretamente proporcional a o quanto o monarca ditador feudal em questão comporte-se como sátrapa a serviço dos EUA.

Assim se explica a instantânea repulsa (que o Departamento de Estado manifestou anteontem e o presidente Obama só hoje, quinta-feira) aos ataques de Gaddafi contra seu próprio povo, enquanto a mídia-empresa nos EUA e legiões de analistas de think-tanks disputam entre eles a glória de ter encontrado o adjetivo que mais elaboradamente ensina a crucificar Gaddafi. Ninguém é melhor que essa gente, quando se trata de denunciar ditador que não se encaixa no modelo de lacaio que os EUA prefiram.

Simultaneamente, não se ouviu no MENA nem um pio quando o aparelho de repressão de Hamad – parcialmente importado da Arábia Saudita – matou seus próprios cidadãos na rotatória da Pérola. OK, terrorista reabilitado, Gaddafi sempre foi doido, mas ao Bahrain aplica-se todo um longo mantra, como “aliado próximo” dos EUA; “nação pequena mas estrategicamente valiosa”; lar da 5ª Frota, essencial para garantir que o petróleo continue a fluir pelo Estreito de Ormuz; defesa contra o Irã etc.

Seja como for, mesmo depois do massacre, Sheikh Ali Salman, líder do maior partido de oposição, xiita, o partido al-Wefaq, e também Ebrahim Sharif, líder do partido secular Wa’ad, e Mohammed Mahfood da Sociedade de Ação Islâmica, todos aceitaram encontrar-se com o Príncipe Coroado Salman bin Hamad al-Khalifa, para um diálogo proposto pela monarquia.

Husain Abdullah, diretor de Americans for Democracy and Human Rights no Bahrein, não está convencido: “Não sei se a própria família reinante, eles próprios, merecem alguma confiança para algum diálogo sério, porque, se se assiste à televisão do Bahrain, nada se vê além de ataques sectários contra a multidão que permanece na praça-rotatória Lulu.”

Para Abdullah, o que está de fato acontecendo é que “mais e mais pessoas estão exigindo abertamente o fim do regime, por meios pacíficos, e querem que o Bahrein seja governado pelo povo do Bahrein. Além disso, há conclamação séria de desobediência civil completa (não parcial, como até agora), em todo o país, para expulsar do país a família reinante, como foi feito na Tunísia e no Egito.” Não surpreende que a Casa de Saud esteja em pânico.
O levante dos 70% de xiitas do Bahrein, mais alguns poucos sunitas – o mantra principal do protesto era “Nem xiitas nem sunitas. Todos bahrainis” – começou como movimento de direitos civis. Mas o príncipe coroado melhor fará se concordar rapidamente – ou a coisa ali também se transformará em revolução. Por enquanto, há muita retórica sobre “estabilidade”, “calma”, “segurança”, “coesão nacional”, mas nada de sério sobre reforma eleitoral e constitucional.

Há razões para crer que Salman – aconselhado pelos sauditas – talvez tente uma saída à Mubarak e faça algumas promessas vagas para algum futuro distante. Todos sabemos como a coisa acabou, na praça Tahrir.

Os manifestantes começaram por pedir primeiro-ministro eleito, monarquia constitucional e o fim da discriminação contra os xiitas. Agora, Matar Ibrahim, um dos 18 deputados xiitas do Parlamento, já diz que há um abismo de distância entre os manifestantes da rotatória da Pérola e os deputados da oposição que se reuniram com o Príncipe Coroado. A palavra de ordem que mais se ouve na rotatória da Pérola já é “Fora, Fora Khalifa”.

Milhares de trabalhadores da fábrica gigante de alumínio Alba já deixou claro que um poderoso sindicato e vários movimentos sindicais já apoiam os manifestantes em sua maioria xiitas. O presidente do sindicato de trabalhadores da Alba, Ali Bin Ali – que é sunita, mas isso nada muda – já alertou que há greve organizada para eclodir a qualquer momento.

Queremos nossos direitos sociais

Se houver mudança democrática de regime no Bahrein, os megaperdedores serão a Arábia Saudita e os EUA.
O Bahrein é caso clássico de colusão entre o império das bases dos EUA e uma ditadura/monarquia feudal sem sal. Naturalmente, o chefe do Estado-maior dos EUA favorece a “ordem-e-estabilidade” comandada pela ditadura – e o mesmo aconteceu com o velho poder colonial britânico; os massacres de civis no Bahrein e na Líbia chegam até vocês por especial cortesia da Royal Military Academy Sandhurst e dos sistemas BAE [para saber o que é, veja http://www.baesystems.com]
O rei Hamad é formado pela Escola Militar de Alto Comando dos EUA (orig. US Army Command and General Staff School) em Fort Leavenworth, Kansas, e “tem papel destacado na direção da política de segurança do Bahrein” – como se leu em telegrama de 2009 publicado por WikiLeaks. Foi ministro da Defesa de 1971 a 1988 e é fã do armamento pesado dos EUA.

O Príncipe Coroado, renomado por sua “abordagem muito ocidental”, por sua vez, estudou na escola que o Departamento de Defesa mantém no Bahrein e graduou-se na American University em Washington. Tradução: dois vassalos cabeça-de-Pentágono, estão hoje encarregados de fazer reformas democráticas no Bahrein.

A Grande Revolta Árabe de 2011, por todas as razões específicas nos diferentes países, não é, não, de modo algum, sobre religião (como Mubarak, Gaddafi e Hamad tentaram fazer parecer que seria). É revolta da classe trabalhadora, diretamente provocada pela crise global do capitalismo.

Choque de civilizações, fim da história, islamofobia e outros conceitos igualmente tolos estão mortos e enterrados. As pessoas querem direitos sociais, querem navegar em águas da democracia política e da democracia social.

Nesse sentido, a rua árabe é hoje a vanguarda do mundo. Se al-Khalifa não entender, será arrancado de lá.

Ecoa, nessa frase, a primeira linha do Manifesto Comunista, Marx e Engels, 1848: “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo [em http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf (NTs)].