terça-feira, 8 de abril de 2008

Art Pepper & Sonny Redd - Two Altos (1957)

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http://i29.tinypic.com/34sgzfl.jpg

UPLOADER: redbhiku

Personagens:
1 & 6
Art Pepper (alto saxophone)
Jack Montrose (tenor saxophone)
Claude Williamson (piano)
Monty Budwig (bass)
Larry Bunker (drums)
2 & 4:
Sonny Redd (alto saxophone)
Pepper Adams (baritone saxophone)
Wynton Kelly (piano)
Doug Watkins (bass)
Elvin Jones (drums)
3:
Art Pepper (alto saxophone)
Russ Freeman (piano)
Bob Whitlock (bass)
Bobby White (drums)
5:
Art Pepper (alto sax)
Hampton Hawes (piano)
Joe Mondragon (bass)
Larry Bunker (drums)

gravado em: 04 de março de 1952; 29 de março de 1953; 25 de agosto de 1954; 12 de novembro de 1957.

Faixas:
1. Deep Purple (3:58)
2. Watkins Production (9:36)
3. Everything Happens To Me (3:08)
4. Redd's Head (9:13)
5. These Foolish Things (2:41)
6. What's New (3:25)

A arte de desconstruir um governo e de construir uma ilusão

ZH não produziu uma só manchete claramente questionadora de alguma política do Governo Yeda ao longo de três meses. Zero de crítica. Para o jornal, a administração Yeda ronda a perfeição, pouco importando que no mundo real arraste-se com um desempenho constrangedor. Já o Governo Lula padece nas manchetes de ZH, embora no mundo real obtenha a aprovação da grande maioria da população e a imagem do presidente seja ótima de acordo com todas as pesquisas de opinião.

Ayrton Centeno



Expostas nas bancas e nas sinaleiras, apregoadas pela publicidade em cartazes, rádio e TV, percebidas mesmo pelos mais desatentos, as manchetes de capa são o hall, o espaço mais visitado dos jornais. Mesmo quando apenas vislumbrado, captado num relance, pode-se dizer que seu enunciado se aloja, de algum modo, na mente de leitores e de não-leitores. Por conta desta alta visibilidade, sem a pretensão de ciência que não posso ter, resolvi anotar e catalogar as manchetes de Zero Hora do último trimestre.

Sabe-se que, no jornal, a criação de manchetes de capa observa, num processo de defesa e ataque, alguns padrões de conteúdo. A barragem de fogo político e ideológico destina-se, quase sempre, ao Governo Lula. Sob o ataque das letras graúdas também costumam estar a base parlamentar do governo federal, os movimentos sociais, as propostas de superação da desigualdade, o Estado brasileiro, o próprio Brasil como um país fragilizado, indigno de confiança, os aliados do Governo Lula na América Latina, notadamente Hugo Chávez, Evo Morales, Fidel Castro, Rafael Correa. Aqui, tenta-se desconstruir o Brasil, Lula, seu governo, seus aliados, suas relações internacionais e seus projetos.

O afago benevolente vai para o Governo Yeda Crusius, o agronegócio, as papeleiras, o mercado e o Rio Grande. Aqui, ao inverso, a idéia é de construir o Grande Rio Grande mítico e empreendedor, cavalgando as propostas com o timbre do Piratini ou os planos de indústrias de se instalarem no Estado, muitas vezes montado apenas em intenções. Aqui, constrói-se uma quimera.

Alguém poderá dizer que não seria necessário dar-se a este trabalho já que a realidade nos informa disto suficientemente. Não deixará de ter certa razão. Mas custa apenas alguns minutos diários e uma dose de omeprazol para proteger as paredes do estômago. Além do mais, é bom escarafunchar estes escaninhos, saciar a curiosidade e perceber como se traduz em números e percentuais esta engrenagem de demolição e edificação de pessoas, partidos e poderes.

Provavelmente embalado pelo ócio de final de ano, comecei a registrar as capas sirostskianas no apagar das luzes de 2007, separando as manchetes em categorias. De pronto, descartei as vinculadas às investidas institucionais da RBS. No período, muitas capas de ZH foram dedicadas a si própria, ou seja, à agenda que implementou com sua campanha de trânsito. Neste movimento, os acidentes, as medidas das autoridades, as cifras de feridos e mortos são apropriados pela campanha e noticiados sob o logo e o slogan correspondentes. Coloquei de lado também àquelas que chamei de neutras. Somadas, as manchetes institucionais, auto-referenciadas, e as neutras são maioria absoluta no trimestre. São neutras - pelo menos dentro do proposto embora, de fato, nunca sejam neutras - geralmente as manchetes relacionadas às festas (Carnaval, Navegantes, Natal, Ano Novo), tragédias, meteorologia, ciência, polícia, esporte, etc.


Feita esta depuração e ajustando o foco apenas nas manchetes políticas, ou seja, aquelas que usam um determinado viés para gritar algo associado às disputas de poder na sociedade e que flagram como o veículo se posiciona diante destas mesmas disputas não obstante invoque o véu da imparcialidade, constata-se que 30,2% delas exploraram fatos negativos para o Governo Lula/PT/Aliados/Brasil, ao passo que somente 7,5% trataram de fatos positivos.

E, de inhapa, 7,5% das manchetes ainda abordaram negativamente fatos relacionados aos aliados latino-americanos do Governo Lula. Esta é a mão que apedreja. Em contrapartida, a mão que afaga acariciou o Governo Yeda/Aliados/Rio Grande com 40% das manchetes positivas e somente 12,5% das negativas.

Como as principais forças que comandam os dois governos são antagônicas, pode-se dizer que ZH prestou um serviço ao governo estadual e aos seus aliados, seja ao enfocar seus temas favoravelmente, seja ao enfocar desfavoravelmente seus adversários, ao publicar praticamente 80% de suas manchetes políticas. Desfavoreceu o Governo Yeda e seus aliados em 20% de suas manchetes.

O mais extravagante de tudo é que, excluídas as manchetes referentes às atribulações do pessoal do aprisco da governadora na CPI do Detran, ZH não produziu uma só manchete claramente questionadora de alguma política do Governo Yeda ao longo de três meses. Zero de crítica. De modo que, na avaliação do jornal, a administração Yeda ronda a perfeição, pouco importando que no mundo real arraste-se com um desempenho constrangedor. De outra parte, o Governo Lula padece nas manchetes de ZH embora no mundo real obtenha a aprovação da grande maioria da população e a imagem do presidente seja ótima de acordo com todas as pesquisas de opinião.

Este desligamento da realidade exterior a que Zero Hora se entrega – de resto, ao lado do PIG – desnuda um desejo de viver na fantasia autoproduzida. Um desejo legítimo, embora bizarro, se suas consequências se restringissem à pessoa física do dono do diário. O que parece anti-jornalístico e anti-democrático é usar um jornal - que pratica o marketing da pluralidade e da “vida por todos os lados” - para favorecer a visão de um lado só. Para, no limite, apresentar aos outros ficção como se fossem fatos. E fatos como se fossem ficção.

Créditos:

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Marty Friedman - Discografía en Solitario - 2




Loudspeaker - 2006




Music For Speeding - 2002




True Obsessions - 1996



Créditos: LooLoBLog

A reinvenção do cinema e os jurássicos

A digitalização e a internet podem transformar todo o processo cinematográfico, democratizando a produção e multiplicando as platéias. Mas, agarrada a seu monopólio, a indústria do audiovisual quer manter as tecnologias superadas e a idéia de que arte é para quem pode pagar

Felipe Macedo - Diplo-brasil

O cinema mudou pouco até o advento das tecnologias digitais. O som, a cor, melhoramentos nas películas, na projeção, entre muitos outros, foram aperfeiçoamentos numa tecnologia básica que se consolidou no finalzinho do século 19, na famosa sessão dos irmãos Lumière. O modelo básico de produção, de circulação e de exibição permaneceu o mesmo. Já a digitalização das imagens e sons mudou tudo. Criou um paradigma novo, em que todas as etapas do processo cinematográfico se transformam: a captação, montagem, finalização; a difusão, que já nem precisa ser física; e a exibição, que gera novos formatos, espaços, relações. Essas mudanças implicam também, é obvio, em novas bases e condições econômicas para todas as etapas.

Este período – e processo – de adaptação do paradigma de cinema, que estamos vivendo, tem curiosas similitudes com o que aconteceu na época do surgimento do cinema. Durante um tempo, não se sabia muito bem o que fazer com ele. É certo que aquilo podia dar dinheiro, mas não havia um modelo de negócio (como se diz hoje) estabelecido. Que formato deveria ter o espetáculo; como devia ser negociado, distribuído, exibido? Os primeiros vintes anos do cinema foram de formatação do produto, com o desenvolvimento da linguagem e o estabelecimento de uma narrativa adequada ao consumo. Foi um período de formação de platéias, que evoluíram das feiras e teatros de variedades para as salas fixas proletárias e finalmente para um público mais "respeitável". Foram anos de uma verdadeira guerra, para que se estabelecesse um modelo de comercialização entre produtores, distribuidores e exibidores.

Hoje há interessantes analogias com aquelas situações. As novas tecnologias criam novas possibilidades, que se tornam formatos, que necessitam de novas formas de distribuição e consumo, engendrando novos mercados, que pedem novos modelos de comercialização. E quanto isto estará mexendo com a linguagem?

O fato é que essa etapa de grandes transformações está estruturada em um modelo. Um modelo que não é muito duradouro, que ainda não tem regras estáveis – apenas entendimentos comerciais mais ou menos provisórios. Uma situação que procura segurança, tão cara aos grandes negócios, mas que de momento trava batalhas complexas e violentas pela repartição dos mercados. Uma realidade que, para a quase totalidade da população e para os produtores e realizadores audiovisuais, é elitista, excludente, unilateral e concentradora.

Retratos da exclusão atual: mais de 60% dos jovens entre 15 e 29 anos nunca foram ao cinema. E 92% dos municípios não têm sequer uma sala

Há trinta anos, o Brasil tinha pouco mais da metade da população de hoje e pouco menos de 5 mil salas de cinema. O número de espectadores, por ano, andava em torno de 300 milhões. Nos anos 70 e 80, o modelo foi se transformando, de um cinema barato e popular para o figurino atual. Houve um período de crise aguda, quando o número de salas caiu para cerca de 900 e o público para quase 70 milhões anuais. Foi o fim dos cinemas na grande maioria das cidades e o desaparecimento dos cinemas de bairro.

Depois de uma “recuperação”, sob o novo modelo de consumo de elite, nos multiplexes de xópins, o número de salas chegou a 2.200. No entanto, essas salas são bem menores que as daquele tempo não tão distante (que tinham 500 lugares ou mais) e fica a dúvida de se houve efetivamente um aumento do número de assentos oferecidos. Porque o público cresceu pouco, e tem rondado em torno de 90 milhões de espectadores anuais.

O senso comum diagnostica rapidamente: “é por causa do vídeo, do DVD, da TV a cabo, da banda larga”. No entanto, nos países onde há mais acesso a todos esses recursos audiovisuais, o cinema apresenta números muito mais significativos. Nos EUA, são quase 40 mil salas de cinema. Mesmo no México, com condições mais parecidas e a metade da nossa população, o número de salas de cinema é 40% maior.

Em outras palavras, segundo dados de uma distribuidora estadunidense, mais ou menos 10% da população “vai pelo menos uma vez por ano ao cinema”. Ou seja, 90% não vão nunca. Mais de 60% dos jovens entre 15 e 29 anos, nunca foram ao cinema. Outro corte: 92% dos municípios brasileiros não têm sala de cinema. Aliás, quase a metade dos cinemas (48%) está concentrada nos estados de São Paulo e Rio. Sergipe, com 75 municípios, só tem cinemas em Aracaju; de fato, 17 estados brasileiros têm 15% das salas de cinema do País.

O cinema plural, mundial, é exibido numa rede minúscula, de menos de uma dezena de cidades brasileiras, que contam com um bom “circuito de arte”

Do lado da produção, o Brasil hoje faz quase 70 filmes de longa metragem por ano. No entanto, pelo menos 30% desses filmes simplesmente não são exibidos. Dos que conseguem chegar aos cinemas, quase todos são exibidos em situações muito precárias – de salas, datas – raramente atingindo números minimamente significativos. Explicando melhor: os filmes brasileiros ocupam cerca de 10% do mercado de exibição, ou seja, atingem em torno de 9 milhões de espectadores por ano. Desse público, uns dois terços concentra-se em dois ou três filmes (geralmente os que têm participação financeira de distribuidoras hollywoodianas, ou estão associados a empresas de comunicação), conforme o ano. E os outros 30, 40 filmes “partilham” o restante do público. Resumindo: 10% de um mercado que mal atinge 10% da população, significa que o cinema nacional se relaciona com menos de 1% dos brasileiros.

Que não se confunda esta constatação com uma forma qualquer de xenofobia. O cinema mundial — quer dizer, europeu, asiático, latino-americano, e mesmo o dos Estados Unidos, quando não é produto das corporações daquele bairro famoso de Los Angeles — enfrenta uma situação ainda pior. Na verdade é o concorrente, por excelência, do cinema brasileiro na mesma estreita faixa de 10% do mercado. O cinema plural, mundial, é geralmente exibido num circuito ainda mais limitado, de menos de uma dezena de cidades brasileiras, que contam com um bom “circuito de arte”. No ano passado, durante várias semanas, dois títulos apenas ocuparam mais de 70% de todas as salas do País. Logo em seguida esse número passou para três títulos, em cerca de 80% dos cinemas. Ou seja, mesmo com uma arquitetura multiplex, a exibição é cada vez mais simplex, concentrada. Hoje entra no Brasil um terço do número de filmes que vinha nos anos 80, inclusive norte-americanos. E 85% das bilheterias de cinema no Brasil estão concentrados em três distribuidoras de Hollywood.

As tecnologias digitais, associadas aos recursos propiciados pela internet, criam condições para uma democratização muito grande da produção. A distribuição elimina as cópias em película — que custam milhares de reais cada uma — e a própria instalação de salas e equipamentos de projeção diminuem muito de custo. Tudo aponta para a oportunidade e a necessidade de um modelo de circulação dos produtos audiovisuais em bases diferentes das atuais e, principalmente, com ingressos a preços compatíveis com o poder aquisitivo da população. É como um novo parto do cinema, na virada de outro século.

No entanto, na transição de paradigmas, a chamada indústria do audiovisual tem procurado garantir um controle exclusivo do processo, garantindo suas “margens” através da manutenção de tecnologias superadas, pela restrição do acesso e com a preservação de uma situação geral de monopólio. Desta forma, o modelo não serve para o público, não atende às necessidades dos realizadores e impede uma verdadeira integração cultural com o mundo.

domingo, 6 de abril de 2008

Alphaville, de Jean-Luc Godard



Formato: rmvb
Áudio: Francês
Legendas: Português
Duração: 99 min
Tamanho: 324 MB
Partes: 4
Servidor: 4shared
Créditos: F.A.R.R.A - Eudes Honorato
Título Original: Alphaville
Gênero: Drama/Ficção Científica
Origem/Ano: FRA-ITA/1965
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard

Elenco:

Eddie Constantine...Lemmy Caution
Anna Karina...Natacha Von Braun
Akim Tamiroff...Henry Dickson

Sinopse:O agente secreto Lemmy Caution parte em missão para a cidade futurista de Alphaville (onde os sentimentos foram abolidos) com o objetivo de persuadir o professor von Braun a voltar aos "planetas exteriores". Natacha, filha do professor, lhe serve de guia. Lemmy reencontra Henri Dickson, antigo agente secreto, que lhe envia uma mensagem para "destruir Alpha 60 e salvar aqueles que choram". Lemmy presencia uma execução pública. Depois, é submetido a um interrogatório conduzido por Alpha 60, o computador que governa a cidade, e é condenado à morte. Natacha, aos prantos, lhe murmura as palavras proibidas".




Críticas:

http://www.geocities.com/contracampo/alphaville.html
http://www.geocities.com/contracampo/alphavilleeasemanticageral.html

Links:

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Ana Carolina - Dois Quartos: Multishow Ao Vivo (Áudio do DVD 2008)




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Bush no Céu - Relexões de Fidel Castro


Como se morássemos numa casa de loucos. Por Fidel Castro Ruz.

• ATENHO-ME nesta reflexão a notícias recebidas pelas mais diversas vias, das agências de notícias internacionais — sem mencionar especificamente cada uma delas como fontes de origem, mas com fiéis ao texto —, livros, documentos, internet e até perguntas formuladas a fontes informadas.

Vemos ao nosso redor uma grande azáfama, como se morássemos numa casa de loucos. Nossos conhecidos personagens continuam seu agitado andar.

Do Brasil e do Chile, Condoleezza foi rumo a Moscovo para perscrutar o novo presidente. Ela quer saber o que ele pensa. Vai acompanhada do chefe do Pentágono que, com um braço luxado, por causa do trambolhão dado em fevereiro, exclamou: "Com um braço distorcido não serei tão difícil assim como negociador". Uma piada que não deixa de ser tipicamente ianque. Calcule-se seu efeito no orgulhoso ouvido de um russo, cujo povo perdeu tantos milhões de filhos lutando contra as hordas nazistas que reclamavam espaço vital — o que hoje seria denominado petróleo barato, matérias-primas e mercados seguros para os excedentes de mercadorias.

Em Bagdá, são conhecidas as aventuras de McCain e Cheney, um que aspira a ser chefe do governo e outro, ainda sendo vice-chefe, dá decide mais que seu próprio chefe. Foram recebidos com os mais inesperados e violentos presságios. Investiram nisso mais de dois dias, o bastante para inundar o mundo de sinistros prognósticos.

Bush proferia um discurso em Washington, enquanto o ouro e o petróleo aumentavam aceleradamente o preço.

Cheney não se detém. Foi para o Sultanato de Omã — 774 mil barris de petróleo a cada dia em 2005, e 780 mil em 2004. No ano passado Omã revelou seus planos de investir US$10 bilhões nos próximos cinco anos, para elevar sua produção de petróleo para 900 mil barris diários e alcançar a cifra de 70 a 80 milhões de metros cúbicos de gás por dia. É isso que informaram as autoridades do Sultanato em 15 de janeiro de 2007.

Cheney, acompanhado da família, saiu no iate "Kingfish I" do sultão para pescar nos limites das águas de Omã e o Irã. Que temeridade! Os prêmios Nobel deveriam também entregar-se aos super-corajosos que correm o risco de morte ou de mutilação, após um suntuoso almoço de família, com um espinha de peixe na garganta. A ausência do proprietário do luxuoso navio foi a que estragou a festa do herói.

McCain também não se detém. Percorre de helicóptero o território onde os soldados israelenses, procurando os líderes palestinos, matam constantemente, com meios técnicos sofisticados, mulheres, crianças, adolescentes e jovens, em território da Cisjordânia. Nisso o candidato republicano é experto.

Viaja para Jerusalém, e lá promete ser o primeiro a reconhecer aquela cidade, na íntegra, como capital de Israel, o qual os Estados Unidos e a Europa transformaram em potência nuclear sofisticada, cujos projéteis, dirigidos por satélite, podem cair sobre Moscou, a mais de 5 mil quilômetros, em questão de minutos.

Não haverá estado com reservas petrolíferas ou de gás que Cheney deixe de visitar antes de retornar, para informar o presidente de seu país a respeito da felicidade do mundo.

Bush, por sua parte, fala no dia 17 por uma razão, em 18, por outra, e em 19 pelo início da genial guerra. Cuba, como é de supor, não deixa de ser alvo de seus insultos.

No caos criado pelo império, as guerras são companheiras inseparáveis. A do Iraque acaba de completar cinco anos. Analistas calculam o número de pessoas afetadas aos milhões e seu custo total em trilhões de dólares. Perderam-se 4 mil soldados regulares e 30 feridos em cada soldado morto no tipo de guerra travada. Fósforo vivo e bombas de fragmentação são o pão nosso de cada dia. Tudo é permitido, exceto viver.

Cheney e McCain concorrem, um como pai da criatura e o outro como padrasto. Os dois se reúnem com chefes de Estado, exigem compromissos: a produção de petróleo e gás deveria ser aumentada; usar tecnologia ianque, fornecimentos ianques, armas do complexo militar industrial; autorizar bases militares ianques.

De Jerusalém, McCain foi para Londres para falar com Gordon Brown. Antes, ao falar na Jordânia, enganou-se e informou que o Irã, país xiita, treina al-Qaeda, organização sunita. Não se interessa com isso, nem sequer pede desculps pelo erro.

Cheney vai para o Afeganistão. A guerra ianque e da OTAN transformou o país no maior exportador de ópio do mundo. A URSS se desgastou e se afundou numa guerra similar. Bush desferiu o primeiro golpe bélico, e com ele, a OTAN.

É feito todo o necessário para preparar as reuniões em paralelo da luta contra o terrorismo e da OTAN.

Uma coisa é certa: Nos dias 1, 2 e 3 de abril vão se reunir em Bucareste, capital da Romênia, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, e Jaap de Hoop Scheffer, autoridade máxima da OTAN, com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, para participar do Fórum Transatlântico de Bucareste. Simultaneamente terá lugar a conferência convocada pelo GMF (German Marschall Fund of the United States), pelo Ministério das Relações Exteriores da Romênia, e Chatham House, que reunirá um grande número de estrategistas e políticos para tratar de temas de interesse vital para a OTAN. Participarão, declarou o presidente do GMF, nove chefes de Estado, 24 primeiros-ministros e ministros, e 40 presidentes de institutos de pesquisa da Europa e da América que constituem a Organização do Atlântico Norte (OTAN), a qual dissolveu a Iugoslávia de Tito e lançou a guerra de Kosovo. Qualquer coincidência com os interesses do imperialismo ianque, todo mundo compreenderá que é puro acaso. A situação dos Bálcãs, a defesa antimíssil, o fornecimento de energia e o controle das armas são temas obrigatórios.

Como Bush precisa cumprir seu papel de protagonista, já elaborou seu programa: irá à cidade de Neptun, do mar Negro, para se reunir com o presidente da Romênia, Traian Basescu, nas vésperas do da conferência. Nas mãos dele estão os destinos da humanidade, que contribui com mais-valia e sangue.

Fidel Castro Ruz

sábado, 5 de abril de 2008

Milho transgênico da Monsanto é banido da Romênia por falta de segurança

A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia

A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia



Correio da Cidadania


O governo romeno anunciou no dia 27 de março que vai banir do país o milho geneticamente modificado MON 810 da Monsanto. A decisão é particularmente importante já que o milho é o único cultivo comercial de transgênicos permitido na Europa. Essa variedade é a mesma que foi aprovada em 2007 para plantio comercial no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A Romênia é o principal produtor de milho da União Européia em total de hectares plantados, com cerca de 3 milhões de hectares cultivados anualmente. Do milho MON 810 foram plantados 300 hectares no país desde 2007, representando apenas 0,01% do total de produção de milho da Romênia.

Com o anúncio do ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Romênia, Attila Korodi, o maior produtor de milho da Europa se tornará livre de transgênicos. A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia.

Preocupações sobre a segurança do milho MON 810 levaram o governo romeno a agir. Estudos científicos mostram que o milho MON 810 provoca danos à fauna, solo e saúde humana. Sua toxina embutida, programada para matar uma de suas pragas, entra no solo e provoca danos a minhocas, borboletas e aranhas. Provas de sua segurança para a saúde humana e animal são inconclusivas.

Um recente estudo do professor Gilles Eric Séralini, especialista do governo alemão em transgênicos da Universidade de Caen, encontrou sinais de toxicidade nos órgãos internos de animais alimentados com milho transgênico.

No final de 2007, o Comissário da União Européia para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, usou estudos similares para bloquear o cultivo de outras duas variedades de milho transgênico, parecidos com o MON 810, na União Européia. Ele também fez referências a novos estudos que mostram que a toxina Bt produzida pelo milho transgênico tem efeitos negativos nos ecossistemas aquáticos.

"Enquanto a Europa proíbe o milho MON 810, da Monsanto, o Brasil está pronto para abrir suas terras a essa variedade transgênica suspeita de causar tantos problemas", critica Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. "Esse milho foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizada pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que reúne 11 ministros. Deram às costas para o meio ambiente e à saúde dos brasileiros, privilegiando o agronegócio e uma tecnologia que não consegue comprovar sua segurança".


Contaminação genética

A contaminação de plantações convencionais por transgênicos é um problema sério. Em 2007 apenas, houve 39 novos casos de contaminação em 23 países. Apesar disso, não há padrões internacionais para responsabilizar as empresas de biotecnologia pelos danos causados e perdas financeiras.

O relatório Registro de Contaminação Transgênica 2007 (sumário executivo em português), produzido anualmente pelo Greenpeace e pelo Gene Watch UK, já constatou 216 casos de contaminação genética em 57 países diferentes, desde que as plantações geneticamente modificadas começaram a ser feitas comercialmente (em 1996). (Correio da Cidadania)

Escolas não garantem a segurança de suas alunas

Adital

O relatório "Escolas seguras: o direito de cada menina", apresentado pela Anistia Internacional, revelou que os governos estão falhando com as meninas no mais básico: o direito de ir à escola de forma segura. Em todo o mundo, meninas enfrentam perigo no caminho para o colégio, ao chegarem lá e, até mesmo, dentro das salas de aula.

"O fato de que (os governos) não resolvem o problema da violência contra elas nas escolas é inaceitável", disse Widney Brown, diretora geral da Anistia. As escolas são espaços em que o governo tem responsabilidade direta, pois estão sob sua direção. Por isso, a Anistia pede que os Estados deixem de ficar apenas no discurso e partam para ações concretas.

A violência está onipresente nas instituições educativas e no entorno delas, as meninas têm que conviver com ameaças, intimidações e o real perigo de serem agredidas sexualmente. Segundo o documento, as meninas que pertencem a determinados grupos, como minorias étnicas, lésbicas ou portadoras de necessidades especiais, correm mais perigo que as outras.

"Nas escolas, muitas meninas sofrem violência psicológica, perseguição escolar e humilhação. Algumas recebem agressões ou golpes em nome da disciplina. As meninas sofrem ameaças de agressão sexual de outros estudantes, escutam como professores lhes oferecem notas mais altas em troca de favores sexuais, e inclusive são violadas na sala de professores", disse o Informe.

No Haiti, a população foi quase unânime em opinar que a violência nas escolas é um fenômeno generalizado, mas que raramente se tem informação sobre ele. As crianças do país - incluído os meninos - enfrentam castigos corporais, castigos com varas e cabos elétricos; são obrigados a ficar de joelho no sol; não recebem alimentação. As meninas sofrem ainda abusos sexuais e maus tratos psicológicos. Esse problema afeta especialmente as escolas em conflito.

Nos Estados Unidos, 83% das meninas entre 12 e 16 anos sofreram algum tipo de intimidação sexual. Em 2006, em Malawi, 50% das estudantes disseram já terem sido tocadas sem permissão por professores, ou colegas de sala de aula, com alguma intenção.

"As meninas não só sofrem com o efeito da violência em sua saúde física e mental. No âmbito do ensino, a violência pode fazer que abandonem os estudos e percam toda a esperança de escapar da pobreza e da marginalização política", disse o Informe.

Para Brown, a garantia do acesso à educação é a chave para o empoderamento das mulheres. E são elas também que mais sofrem com a as taxas cobradas por escolas públicas - irregulares, pois o direito internacional determina que o ensino primário seja gratuito -, já que os pais tiram-nas da aula antes dos meninos quando falta dinheiro.

A Anistia chama os países a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - um deles determina a redução do número de crianças fora da escola -, mas lembra que para conquistar a igualdade entre os gêneros no âmbito da educação exige um maior compromisso e um esforço imediato.