terça-feira, 23 de junho de 2009

Artigo de Frei Beto....

Esqueceram de mim ou o Fracasso do G-20






Frei Betto *Adital -

Meu nome é miséria. Comprometo, hoje, a vida de cerca de 1,5 bilhão de pessoas, sobretudo crianças desnutridas, vulneráveis à morte precoce.

Tinha esperança de que na reunião em Londres, no início de abril, o G-20, que reúne as 20 maiores economias do planeta, se lembrasse de mim. Hoje, devido à indiferença dos que governam o mundo, ameaço a maioria da população da África, cuja situação é agravada por cerca de 25 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV. Em menor proporção, estou presente também na Ásia e na América Latina.

No Brasil, sou encontrada a olhos vistos no Vale do Jequitinhonha (MG), na fronteira entre Alagoas e Pernambuco, no interior do Maranhão e do Pará, nas tribos indígenas e entre a população quilombola. E, de modo aberrante, nas favelas que circundam as grandes cidades.

Esperava que o G-20, frente à crise financeira mundial, fosse destinar recursos para reduzir a minha incidência global. Segundo as Metas do Milênio, da ONU, bastariam US$ 500 bilhões para erradicar a fome crônica que, hoje, castiga 950 milhões de pessoas.

Os governantes do G-20 sofrem de hiperopia, o contrário da miopia: enxergam muito mal de perto. Em vez de debaterem como livrar o mundo da minha presença, decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para "salvar o mercado", entenda-se, FMI, BID, Banco Mundial, grandes empresas e bancos - os responsáveis pela crise.

O capitalismo neoliberal deu um tiro no próprio pé. Agora apela aos cofres públicos para socorrer os "pobres" miliardários que costumam transformar a injeção de recursos em bônus astronômicos aos executivos de empresas sob risco de falência.

Que decepção o G-20! Pensei que daria fim aos paraísos fiscais. Em vez de fechar o bordel, decidiu divulgar o nome de seus frequentadores. Viva o império dos laranjas! Já deve ter gente abrindo empresas capazes de dividir a grana do narcotráfico e da corrupção em porções mais palatáveis.

Por que o G-20 não proibiu governos, empresas e pessoas físicas de terem ativos em paraísos fiscais ou de se associarem a instituições ali estabelecidas? A resposta é óbvia: encarregou a raposa de manter fechado o galinheiro...

Vários países europeus são verdadeiros Éden para as finanças escusas: Suíça, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, a City de Londres etc. Quem garante que esses feudos de riqueza ilícita (no mínimo, sonegadora de impostos em seus países de origem) vão mesmo quebrar o sigilo bancário de seus clientes, como quer o G-20?

E por que entregar toda essa fortuna de US$ 1,1 trilhão ao FMI, de triste memória? Todos sabemos tratar-se de uma instituição atrelada à Casa Branca e à política exterior usamericana; mete o nariz nas finanças dos países que lhe tomam dinheiro emprestado; impõe medidas econômicas que favorecem privatizações, aumento da desigualdade social, oligopolização de empresas e bancos etc.

Em suma: os contribuintes, ou seja, o povo, que mais paga impostos, está compulsoriamente convocado a canalizar fortunas para tentar aplacar a crise financeira dos donos do mundo. Estes temem que, sem crédito, os países emergentes deixem de comprar produtos manufaturados das nações ricas, aumentando o desemprego, e sigam o exemplo do Equador, que decretou moratória enquanto durar a crise.

Antes de pensar em contribuir com US$ 10 bilhões para a "vaquinha" do FMI, o Brasil deveria curar-se da hiperopia e olhar um pouco mais para mim: com esse recurso eu seria progressivamente erradicada e haveria aqui mais educação, menos violência urbana e, portanto, mais qualificação profissional e menos desemprego.

[Autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros.


Maria Alcina - Maria Alcina (1974)




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segunda-feira, 22 de junho de 2009

GARRINCHA - A "OVELHA NEGRA"


Por Adriano C. Tardoque

A final da Copa do Mundo de 1962, entre Brasil e Tchecoslováquia (resultando em 3 a 1 para a seleção canarinho) foi a primeira a ser transmitida ao vivo pela televisão, em preto e branco, para alguns países do mundo. Além do bicampeonato mundial para o Brasil, este torneio selava na ausência de Pelé, contundido, o nascimento da mítica figura de Garrincha como ídolo do futebol. Considerado indisciplinado e boêmio, o “Mané”, como era chamado, não se enquadrava no perfil do atleta moderno, das capacidades físicas plenas e obediência:

“Algum de seus muitos irmãos batizou-o de Garrincha, que é o nome de um passarinho inútil e feio. Quando começou a jogar futebol, os médicos o desenganaram: diagnosticaram que aquele anormal nunca chegaria a ser um esportista. Era um pobre resto de fome e de poliomielite, burro e manco, com um cérebro infantil, uma coluna vertebral em S e duas pernas tortas para o mesmo lado” [1]

O futebol mostrou que o “cérebro infantil” de Garrincha, tal qual a sua atribuição, o levava a brincadeiras dentro de campo que representavam a mais pura arte e descontração, características do futebol brasileiro. Suas “pernas tortas” como instrumentos de sua mente brincalhona desesperava seus adversários, arregalando olhos e derrubando os queixos nas arquibancadas. Expulso no jogo da semifinal, na vitória de 4 a 2 contra o Chile, o Mané contou com uma intervenção direta do presidente do Brasil, João Goulart, para sua participação no jogo da final:

“Jango acompanhava todos os jogos através do rádio, tendo a seu lado o popular ministro da guerra, marechal Henrique Lott (1894-1984), ou o primeiro-ministro, Tancredo Neves (1910-1985), o que a imprensa nacional noticiava fartamente. Veio a semifinal, e Garrincha foi expulso. O Brasil, que já perdera Pelé por contusão no segundo jogo, ficaria sem seus dois principais jogadores. O presidente acionou o primeiro-ministro e os dirigentes do nosso futebol para que intercedessem junto a FIFA, e aos organizadores do torneio, para que Garrincha fosse perdoado, o que, de fato, ocorreu" [2]

Sua arte lhe rendeu dinheiro e fama, e como não poderia deixar de ser, fez pesar sobre sua imagem, responsabilidades além daquelas que escolhera. Estar nas “graças” de João Goulart, não seria bom negócio, nos dias anos subsequentes. Logo estava perseguido pela mídia e pela “moral pública”, após a revelação de sua relação com a cantora Elza Soares, por quem abandonara a família. Elza, politizada e apoiando o então presidente João Goulart esteve presente no discurso pró-reformas em 13 de março de 1964, para quem se apresentou em show no dia 30 de março do mesmo ano, um dia antes do golpe militar. Como resultado destas “relações”, Elza e Garrincha tiveram sua casa invadida e sofreram ameaças:

“Os homens que invadiram a casa de Garrincha e Elza podiam pertencer a qualquer um desses grupos (exército e marinha), mas não deixaram registro escrito em nenhum órgão daquela época. E também não apresentaram cartões de visita (...) Na casa estavam Garrincha, Elza, dona Rosária, e três filhos de Elza: Carlinhos, Dilma e Gilson. Os homens os puseram nus contra a parede da sala enquanto reviravam a casa pelo avesso. Não disseram se estavam, procurando alguém ou alguma coisa, mas, no meio da confusão, Elza julgou ouvir várias vezes o nome de Jango. Não podiam estar procurando o presidente deposto – este já estava posto em sossego desde o segundo dia do golpe, numa de suas fazendas no Uruguai (...) Aparentemente satisfeitos com o estrago, os sujeitos foram embora. Não levaram nada. Mas, para provar que não estavam brincando, um deles antes de sair, trouxe a gaiola com o mainá para a sala. Abriu a portinhola e tirou o mainá lá de dentro. Depois de exibi-lo para Garrincha e os outros, torceu-lhe o pescoço. Atirou-o morto no chão e saíram (...) Dois dias depois os jornais deram a notícia , mas convenientemente maquiada: a casa de Garrincha e Elza fora arrombada enquanto eles dormiam. Os ladrões haviam matado o pássaro que ele ganhara de Lacerda. Os homens teriam entrado e saído em silêncio que só de manhã os donos da casa viram o que acontecera (...) Elza queria evitar que a notícia ganhasse conotação política. Garrincha tentou minimizar a história' [3]

Garrincha que não tinha engajamento político algum, por força das suas relações cotidianas e pessoais, se vê entre embates de “direita e esquerda” pelo simples fato de ser uma estrela do futebol. Suas escolhas independem algumas vezes de sua própria vontade, ficando a mercê de políticos ou cartolas:

“O jogador brasileiro é de todos o que menos dura em atividade e talvez não haja na história do futebol, crueldade maior do que a praticada contra Garrincha, reconhecido no exterior após o bicampeonato (1962) como melhor ponta direita do mundo. 1963, o joelho do campeão começa a falhar, a cada partida incha e dói. Interessado na bilheteria, o Botafogo se recusa a interna-lo para operar e o induz a aceitar o “joelho aplicado” – infiltração de analgésico antes do jogo e punção de água que se formava em torno da rótula. No mesmo ano, o Juventus (Itália) oferece 700 mil dólares àquele clube e 60 milhões de cruzeiros ao jogador pelo passe., comprometendo-se a trata-lo. O Botafogo não aceita a proposta e nega a Garrincha os 18 milhões de cruzeiros requeridos para renovar o contrato. Em 1966 vende-o ao Corinthians quase de graça" [4]

Em 1966, já decadente, Garrincha disputou sua última copa do mundo pelo Brasil. Graves problemas no joelho, alcoolismo e ostracismo, levam-no ao encerramento da carreira e a morte na pobreza e esquecimento, em 1983. Representava de longe o “bom mocismo” do futebol, imagem esta que Pelé, carregava só e muito bem amparado.

[1] Galeano, Eduardo. Futebol ao Sol e Sombra. p.106
[2] Barreto, Túlio Velho. “A copa do mundo no jogo do poder”. In: Nossa História. Ano 3 no 32 – Junho 2006. p. 61
[3] Casto, Ruy. Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha. P. 324-325
[4] Milan, Betty. Brasil: o País da Bola. p.26

* Publicado originalmente como capítulo da monografia "A Construção da Democracia Corintiana" para Trabalho de Conclusão do Curso de História na Universidade Nove de Julho, em 2006, sob orientação do Professor Fabio Franzini.

A ALBA continua crescendo...


Aumentam as adesões de países da America na ALBA( alternativa bolivariana para os povos da nossa américa), agora foi a vez de São Vicente & Granadinas, o Equador e Antígua e Barbados, já somando nove países...leia mais aqui

Enquanto isso no Irã...

Persiste a tensão em Teerão
incentivada pelo Ocidente


Nos últimos dias não houve manifestações nas ruas de Teerão. A que tinha sido anunciada foi desconvocada após o discurso pronunciado pelo Ayatollah Ali Khamenei na Universidade.

Em diferentes bairros da capital foram, porém, registados actos de violência provocados por grupos bem organizados. Uma mesquita foi incendiada, lojas e carros destruídos e uma esquadra atacada a tiro.

O correspondente da BBC foi expulso, acusado de difusão intencional de notícias falsas e o presidente Ahmadinejah pediu aos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido que se abstenham de intervir nos assuntos internos do Irão responsabilizando-os por declarações e atitudes que visam a desestabilizar o país.

É óbvio que a sociedade iraniana está dividida. A contestação dos resultados eleitorais por Mir Hussein Mousavi e os outros candidatos derrotados não teria atingido a amplitude que assumiu em Teerão se um amplo segmento da população não fosse receptivo aos apelos ao protesto. A situação da mulher, no contexto da Revolução Islâmica, contribui, aliás para a má imagem do regime no exterior.

A dimensão do descontentamento popular, de difícil avaliação, foi entretanto apresentada no Ocidente, no âmbito de uma intensa campanha de manipulação e desinformação mediática, como prova de uma gigantesca fraude eleitoral que teria privado da vitória Mir Mousaid. Os números citados pela oposição e largamente difundidos pelos grandes medias dos EUA e da Europa, são, porém, fantasistas e não resistem a uma análise serena dos acontecimentos.

É significativo que um jornal como The Washington Post e a revista Time tenham reconhecido que mais milhão menos milhão, Ahmadinejah venceu a eleição por larga margem, pelo que o sentido dos resultados não foi afectado por fraudes. Mousaid perdeu inclusive nas províncias onde a sua etnia, a azeri (turca), é maioritária.

Um jornalista como o britânico Robert Fisk, que não esconde a sua aversão por Ahmadinejah, sublinha nas suas reportagens que os enviados ocidentais, com raríssimas excepções, desconhecem a história e a geografia de um país multinacional, sete vezes maior do que a Grã-Bretanha. Mas falam com arrogância do que sente e pretende um povo que desconhecem, e escrevem e prevêem o futuro sem sequer, segundo ele relata, terem saído dos hotéis de luxo da zona Norte de Teerão onde vive a grande burguesia iraniana que exige a repetição das eleições.

Merece, aliás, referência que nas três grandes cidades do Interior – Isphaan, Shiraz e Mashad –, todas com mais de dois milhões de habitantes, não há notícia nem de desfiles nem de protestos populares expressivos.

O Governo iraniano diz ter provas de iniciativas destabilizadoras desenvolvidas por organizações estrangeiras – nomeadamente a CIA – envolvidas em acções terroristas nas fronteiras e na capital. Jornais web estadunidenses têm a mesma opinião.

O Ayatollah Khamenei nas suas criticas à ingerência estrangeira, afirmou que a esperança dos EUA de promover no Irão uma «revolução de veludo», ou «laranja», etc., como as que tiveram êxito na ex-Checoslováquia, na Ucrânia e na Geórgia, é reveladora de um profundo desconhecimento da história milenar do Irão. As circunstâncias e a realidade social são outras.

Tudo indica que a tensão social se vai manter em Teerão, tal como as provocações que se poderão estender às fronteiras com o Iraque e o Afeganistão. Para o imperialismo, a recusa do país a submeter-se às suas exigências, nomeadamente no que se refere ao desenvolvimento da energia nuclear, justifica por si só, independentemente destas eleições, uma politica de hostilidade e cerco.

A ameaça de Mousavi de apelar a uma greve geral é esclarecedora, pelo seu carácter provocatório, da imprevisibilidade da evolução da conjuntura.

A situação existente é tão preocupante, com forças empenhadas em agravá-la através de incidentes potencialmente explosivos, que não se pode sequer excluir a possibilidade de uma provocação ou agressão militar contra o Irão, há muito exigida pelo Estado sionista de Israel. Enquanto o Presidente do BCE e alguns analistas se revelam apreensivos relativamente às implicações da tensão no Irão e sobre o Irão no agravamento da profunda crise financeira e económica mundial.


OS EDITORES DE ODIARIO.INFO

Amigos do MST...

Os Camaradas: campanha de solidariedade ao MST

Alguns dos trabalhos vendidos

Clique aqui para ver as obras

Ao longo destes 25 anos de existência, o MST sempre contou com a solidariedade de milhares de homens e mulheres que acreditam na luta pela Reforma Agrária e pela transformação social.

Há alguns anos, o artista plástico Gershon Knispel se propôs a fazer uma coleção de gravuras, mesclando a saga da luta dos povos, desenhos de Oscar Niemeyer e a luta pela Reforma Agrária. Simbolicamente, em nosso aniversário, nos presenteou com uma série de 20 gravuras como parte de sua contribuição ao MST.

Gershon Knispel, radicado no Brasil, nasceu em Koln, na Alemanha, em 1932. Aos três anos de idade foi com os pais para a Palestina, fugindo do nazismo. É artista plástico, comunista e militante da luta contra a ocupação da Palestina pelo exército de Israel. Já expôs suas obras em importantes museus da Rússia, Alemanha, Israel, Brasil e outros países. Recebeu prêmios na Alemanha e em Cuba. Gershon Knispel também é articulista da revista Caros Amigos.

A partir deste gesto tão grandioso, estamos desenvolvendo uma Campanha de Solidariedade ao MST, que tem como objetivo angariar fundos para nossa organização, com a venda de uma coleção com 10 reproduções dessas gravuras.

Contamos mais uma vez com o apoio e solidariedade de todos os amigos, amigas do MST e admiradores de belas obras de arte, em mais esta campanha que certamente nos ajudará a seguir realizando nossas atividades em várias frentes, especialmente nos campos da educação, formação e cultura.

Para saber como adquirir a coleção, entre em contato conosco por meio do endereço eletrônico oscamaradas@mst.org.br, ou pelo telefone (11) 2131-0880

domingo, 21 de junho de 2009

Do sitio do greenpeace....

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INDÚSTRIA DA PECUÁRIA NA AMAZÔNIA É O MAIOR VETOR DO DESMATAMENTO DO MUNDO


Uma investigação de 3 anos do Greenpeace revela como a parceria perversa entre a indústria do gado e o governo brasileiro estão resultando em mais desmatamento, trabalho escravo e invasão de terras indígenas.

Grandes marcas reconhecidas mundialmente, como Nike, Adidas, Timberland, Unilever e Carrefour parecem acreditar que seus produtos excluem matéria-prima da Amazônia. A investigação do Greenpeace expõe pela primeira vez como o consumo leviano de matéria-prima está alimentando o desmatamento e, consequentemente, o aquecimento global.


Clique aqui para ver os locais da investigação feita pelo Greenpeace. Para visualizar as fazendas, as imagens aéreas das regiões destruídas pela pecuária e fazer o tour interativo é preciso ter instalado o Google Earth. Se você não possui, faça o download aqui.

Veja no Google Maps:


Inicia na próxima quarta feira em Porto Alegre o Fórum de Software Livre....

Com Licença, sim?

A disputa entre aqueles que defendem o uso dos softwares livres e dos que utilizam o softwares proprietários não envolve apenas questões tecnológicas. A escolha do usuário tem efeitos na política, na economia e no desenvolvimento sustentável de um país como o Brasil

Cíntia Guedes, Matheus Araújo


Navegar é preciso, pagar não é preciso

É quase sempre proibido copiar, distribuir, reproduzir ou modificar a maioria dos produtos que tem como matéria-prima a informação, a tecnologia ou o conhecimento. Acostumamos com o tal dos ‘direitos reservados’, e é assim com a imensa maioria dos livros, CDs, softwares etc. Até pouco tempo, só com muito dinheiro era possível acompanhar o ritmo das inovações. Agora, proliferam-se no mundo inteiro movimentos que defendem a bandeira do sistema colaborativo de produção de conhecimento criando soluções palpáveis, inteligentes e rentáveis de produção, entre outras coisas, de Softwares Livres. Alternativas, aparentemente, mais acessíveis e bem mais justas [1].

A principal característica de um software livre é a abertura do código fonte. O usuário pode estudar como o software funciona e adaptá-lo às suas necessidades, alterando-o num sistema de soma e não de sobreposição, uma vez que um problema é solucionado ou uma nova adaptação é feita ela é divulgada e pode ser usada por todos, sem pagar nada. O software proprietário trabalha de maneira oposta: não permite que o usuário tenha acesso ao código fonte e cobra preços de softwares novos por pequenas inovações. Ou seja, enquanto o Software Proprietário é padronizado, o Software Livre permite adequações aos mais diferentes usos.

O exemplo maior desta disputa parece ser entre o Software Proprietário Windows e o Software Livre Linux, ambos, sistemas operacionais para computadores. Há diferenças bem marcadas entre os dois. A atualização do Linux é muito mais rápida, uma vez que não há necessidade de uma nova versão: os erros podem ser corrigidos por usuários em qualquer lugar do mundo. Já o Windows demora mais tempo para ser atualizado, pois o acesso às novas versões depende da Microsoft e do lançamento do produto no mercado. O Vista, a mais recente atualização do Windows, foi lançado em 2007, cinco anos depois de seu antecessor, a versão XP. Isso acontece porque o Windows utiliza a licença de reserva de direitos autorais enquanto o Linux utiliza outra licença - a GPL (General Public License ou Licença Pública Geral). [2].

Ao navegar pelo Software Proprietário que conferiu a Bill Gates o status de homem mais rico do mundo durante anos, encontramos uma interface altamente amigável, com ferramentas simples e práticas.- Além disso, o uso massivo do Windows faz com que ele seja, na maioria das vezes, muito mais familiar. Já o Linux, à primeira vista, parece coisa de outro planeta. O usuário comum, acostumado com a interface do Windows e sem conhecimentos aprofundados de informática, demora a habituar-se ao Linux. Segundo o estudante de jornalismo Breno Fernandes, que usa tanto o Windows quato o Linux, a maior dificuldade para um iniciante em Software Livre é dar-se conta de que não entende tanto de computadores como pensava. O exemplo é bastante ilustrativo: “imaginemos que a pessoa só usou o Internet Explorer toda a vida; e aí quando chega no Linux vai logo buscar o ezinho azul e o nome internet. Nesse momento, falta, ou tarda a vir, a informação de que Internet Explorer não é a Internet, mas um browser ou navegador, uma ferramenta, um software que te permite acessar a internet. ”. Ainda a superação do estranhamento inicial depende, em parte, da predisposição do usuário em conhecer um novo sistema.

Pensando justamente nesse tipo de consumidor, foi desenvolvido o Ubuntu - Linux for human beings (Linux para seres humanos) http://www.ubuntu-br.org/, um sistema operacional baseado no Linux e que promete ser muito mais fácil de usar.

O que chama atenção nesta disputa é que ela abrange não somente questões tecnológicas; toca também a política, a economia e a esfera do desenvolvimento social. “Construir e utilizar o software livre é uma maneira de trabalhar com a perspectiva de que o processo educacional tem que formar um cidadão para que ele seja autor, produtor de conhecimento e de culturas e não só um consumidor de informações”, afirma Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da UFBA, fundador do Projeto Software Livre Bahia (PLS-Ba) e do projeto Tabuleiro Digital, que disponibiliza para a comunidade, na Faculdade de Educação, computadores em tabuleiros que se assemelham aos das baianas de acarajé. Os tabuleiros funcionam para navegação na internet por um curto intervalo de tempo – tempo de comer um acarajé – e todas as máquinas utilizam softwares livres.

Liberdade em verde e amarelo

"O software livre tem um significado fundamental para um país como o Brasil, porque tem como princípio a ideia de autonomia", afirma Pretto. Ao que parece, os empresários brasileiros já se deram conta dessa vantagem: segundo pesquisa publicada no blog Cultura Digital (http://www.cultura.gov.br/blogs/cultura_digital), do Ministério da Cultura, já em 2007, 53% das empresas no país utilizam Softwares Livres e esse número sobe para 73% quando contadas apenas as empresas de grande porte (aquelas com mais de mil funcionários).

O discurso governamental veiculado tanto em jornais de grande circulação no país quanto nos aparatos de comunicação do Estado (blogs do governo, por exemplo ) afirma que o Brasil tem ferramentas para despontar no desenvolvimento de SL, principalmente para o mercado de exportação. Nesse setor, a região nordeste tem chances de abocanhar grande fatia da produção, uma vez que no eixo sul-sudeste existem indústrias para exportação de software proprietário que absorvem muito mais mão de obra e, possivelmente, deixam o mercado menos suscetível às investidas do SL.

Atualmente Pernambuco desponta na produção de SL; Salvador, embora ainda não possua filiais de grandes empresas de produção de SL, é referência no desenvolvimento. Foi em terras soteropolitanas que surgiu, por exemplo, o primeiro Twiki do Brasil. SL que permite a interação de grupos usando um mesmo navegador, um Twiki é uma plataforma de criação colaborativa de conteúdo, a exemplo da Wikipédia. E o que tornou Salvador pioneira foi a criação do Twiki do Instituto de Matemática da UFBA, que permite uma melhor comunicação entre alunos e professores, pois todos são cadastrados e podem consultar informações sobre as disciplinas do curso, ler e baixar arquivos.

Parecendo andar na contramão, o governador da Bahia, Jacques Wagner, assinou no primeiro semestre de 2008 um protocolo de intenções com a Microsoft, em que acertavam a parceria do governo do estado com a empresa para o desenvolvimento de ações de inclusão digital. Entre as ações, está prevista a doação de computadores para escolas públicas, obviamente com o Windows já instalado.

A bandeira do SL foi levantada pelo Governo Lula desde a campanha presidencial de 1998, e quem não se lembra do ex- ministro Gilberto Gil, logo depois de assumir o Ministério da Cultura em 2003, usando um pingüim na lapela? Era o Tux, um pingüim farto após ter comido vários peixes, mascote escolhido por Linus Torvalds pra representar o Linux. O uso do SL nas instituições federais foi incentivado principalmente pelo MinC e pelo Ministério da Educação, contudo, a decisão da adoção do SL fica a cargo do gestor de cada instituição. Ainda não há nenhuma lei que regulamente a questão.

Bahia.br

"E o Linux começa a incomodar", é o que pontua Daniel Cason, estudante do curso de Ciências da Computação da UFBA e membro do Graco (Gestores da Rede Acadêmica de Computação) que gerencia parte da rede de computadores da sua faculdade desde 2005. O grupo de gestores funciona como uma oficina de redes prática, ou seja, o aluno trabalha efetivamente com o desenvolvimento e a manutenção de uma rede - o que para Cason deveria ser uma disciplina da grade curricular de qualquer curso de computação.

De acordo com Cason, a opção do Graco pelo uso de soluções livres é fundamental não só para o seu aprendizado acadêmico ou pelo fato de não serem cobradas licenças pelos softwares, mas também para uma eficiente manutenção da rede. A cada nova necessidade ou ideia que é apresentada e a cada falha encontrada os alunos têm a possibilidade de intervir nos softwares e de adequá-los às suas intenções. Afinal, eles próprios, através de um processo de criação conjunta, podem solucionar os problemas que encontram.

Vale ressaltar que o uso de um software livre não significa um uso necessariamente não comercial. No mercado de Salvador algumas empresas já apostam no uso do SL, seja buscando benefícios financeiros ou por ideologia, elas podem encontrar suporte em cooperativas que trabalham exclusivamente com tecnologias livres, e que oferecem desde serviços relacionados ao desenvolvimento de softwares até a migração de Software Proprietário para Software Livre. Este é o caso da Colivre www.colivre.coop.br , cooperativa soteropolitana, que oferece seus serviços desde a pessoas físicas, políticos, órgãos governamentais, ONG’s até mesmo a empresas privadas.

A cooperante Joselice de Abreu chama a atenção para a relação entre SL e Economia Solidária: "a gente desenvolve o software aqui e, se a população consome o nosso software, isso vai desenvolver a economia local". Para ela, a questão é simples. Trata-se do consumo consciente, já que o capital que é investido localmente, num bairro, cidade ou estado tem um retorno muito mais rápido. “Quando usamos o suporte de uma empresa a qual podemos contatar por telefone ou ‘bater na porta’ é diferente de usar os serviços de uma multinacional, cujo suporte está em outro país”, exemplifica Abreu .

O caso parece simples: as tecnologias desenvolvidas próximas à comunidade possibilitam o retorno mais rápido do capital investido para a própria comunidade. Em Salvador, o movimento Software Livre cresce quase que escondido, em meio ao frenesi pelos pseudo-super-novos Softwares Proprietários que economizam seu tempo, ou seja, pela sempre nova (e cara!) solução dos seus problemas. A grande sacada é sempre a da multinacional, que pensa de maneira organizada e inteligente na inserção dos seus produtos no mercado. Ainda assim, mesmo para aqueles não muito dispostos com a causa do Software Livre, ele pode ser uma opção econômica e tanto ou mais eficiente do que o Software Proprietário. Mas quem sabe valha a pena inverter a lógica e refletir sobre o caso, ou como disse o professor Nelson Pretto: "Farinha pouca, um pouquinho de farinha pra todo mundo".



[1] Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Fraude: ano p5 - n.06 - Salvador/Bahia. Essa publicação é realizada pelos bolsistas do Programa Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação da UFBA

[2] Em termos gerais, a GLP se baseia em quatro liberdades:
Liberdade n.o 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;
Liberdade n.o 1: A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
Liberdade n.o 2: A liberdade de resdistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo;
Liberdade n.o 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles. O acesso ao código-fonte também é um pré-requisito para esta liberdade
Fonte: Wikipédia

LED ZEPPELIN: THE SONG REMAINS THE SAME - 1976



Tamanho : 434 MB
Duração: 2:12:17
Formato: RMVB
Servidor: Rapidshare (Dividido em 5 partes)

http://rapidshare.com/files/119585972/LdZplin-TSRTS-FORUM_FARRA.escarlath.zip.001
http://rapidshare.com/files/119594914/LdZplin-TSRTS-FORUM_FARRA.escarlath.zip.002
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http://rapidshare.com/files/119632164/LdZplin-TSRTS-FORUM_FARRA.escarlath.zip.005


Este filme de grande impacto retrata o lendário concerto do grupo no Madison Square Garden (Nova York) em 1973, e mistura às cenas de música ao vivo registros dos membros do grupo tanto em suas casas como em cenários fantásticos.
http://farra.clickforuns.net
Upload by escarlath

Set List

1. Rock and Roll
2. Black Dog
3. Since I've Been Loving You
4. No Quarter
5. The Song Remains the Same
6. The Rain Song
7. Dazed and Confused
8. Stairway to Heaven
9. Moby Dick
10. Heartbreaker (Takes)
11. Whole Lotta Love


Screenshots


Clique nas imagens para ver em tamanho real


Para descompactar os arquivos postados por mim, USE O 7-ZIP
http://baixaki.ig.com.br/download/7-Zip.htm

Créditos: F.A.R.R.A.- escarlath

sexta-feira, 19 de junho de 2009

enquanto isso no Afeganistão...

A nova Elite de Cabul
Afeganistão - ódio ao invasor





A guerra de ocupação do Afeganistão, tal como aconteceu e acontece no Iraque é um negócio chorudo, não só mantém elevada taxa de lucro da indústria de guerra como constitui, neste tempos de crise, uma “oportunidade” de elevados lucros para empresas contratadas e de elevados salários para os mercenários civis e militares.
Patrick Cockburn* - www.odiario.info

As agências de ajuda ocidentais estão, generosamente, a gastar elevadas quantidades de dinheiro com os seus altos cargos no Afeganistão, ao mesmo tempo que a extrema pobreza está a levar jovens afegãos a lutar juntamente com os talibans. O preço normal pago pelos talibans por um ataque a um posto de controlo da polícia naquele país é 4 dólares, mas os assessores estrangeiros em Cabul, pagos com os orçamentos de ajuda estrangeiros, podem dispor de salários anuais entre 250.000 e 500.000 dólares.

Os elevados custos para pagar, proteger e alojar num estilo de vida faustoso os altos funcionários das agências ocidentais ajudam a compreender por que razão o Afeganistão ocupa um lugar entre 174º e 178º na classificação da riqueza dos países elaborada pelas Nações Unidas. Isto, apesar do esforço de ajuda internacional em que só os Estados Unidos gastaram 31.000 milhões de dólares desde 2002 até ao final deste ano.

Durante muito tempo o elevado montante de dinheiro gasto na ajuda ao Afeganistão foi um segredo sussurrado. Em 2006, o então director no país do Banco Mundial, Jean Mazurelle, calculou que entre 35% e 40% da ajuda tinha sido «mal gasta». «O esbanjamento da ajuda é elevadíssimo», disse. «Está a dar-se um autêntico saque, fundamentalmente por parte das empresas privadas. É um escândalo».

Do ponto de vista político, a reputação que o esforço da ajuda estadunidense no Afeganistão tem de disfuncional é crucial porque, com o apoio de Gordon Brown, Barack Obama prometeu enviar para o Afeganistão uma vaga de peritos não militares para fortalecer o governo e fazer com que os acontecimentos se voltassem contra os talibans. O número destes técnicos poderá chegar aos 600, incluindo agrónomos, economistas, juristas, ainda que Washington tivesse admitido há semanas que estava a ter dificuldades no recrutamento das pessoas suficientes e com o perfil adequado.

Ocuparam-se zonas inteiras de Cabul ou foram reconstruídos para alojar os trabalhadores ocidentais da agência de ajuda ou das embaixadas. «Acabo de alugar este edifício por 30.000 dólares mensais a uma organização de ajuda», afirmou Torialai Bahadery, director de Property Consulting Afganistán, especializado em alugueres a estrangeiros. «Foi tão caro porque tem 24 quartos com casa-de-banho, portas blindadas e janelas à prova de bala» explicou, ao mesmo tempo que mostrava uma foto de uma enorme e horrorosa mansão.

Ainda que 77% dos afegãos não tenha acesso a água limpa, o sr. Bahadery afirmou que as agências de ajuda e as empresas estrangeiras contratadas que trabalham para elas tinham insistido em que cada quarto devia ter casa-de-banho privada, o que faz duplicar o preço do alojamento.

Além deste caro alojamento, os trabalhadores estrangeiros em Cabul estão invariavelmente protegidos por companhias de segurança, caras, e cada casa converte-se numa fortaleza. Os estrangeiros têm uma liberdade de movimentos muito limitada. «Nem sequer posso ir ao melhor hotel de Cabul» queixou-se uma mulher que trabalha numa organização de ajuda governamental estrangeira. Acrescentou que para viajar até uma zona que os afegãos considerem completamente livre de talibans teve de ir de helicóptero e depois num veículo blindado até onde ela queria ir.

Em Cabul houve muitos ataques a estrangeiros e os atentados suicida tem sido, sob o ponto de vista dos talibans, tão eficazes que obrigaram os trabalhadores estrangeiros a irem para complexos luxuosos, mas onde estão tão confinados como numa prisão. Isto significa que a maioria dos estrangeiros enviados para o Afeganistão para ajudar a reconstruir o país e a máquina estatal têm um contacto escasso com os afegãos, aparte os seus choferes e os afegãos com quem trabalham directamente.

«Evitar riscos tem inutilizado o esforço de ajuda internacional» disse um técnico em Cabul. «Se o governo está verdadeiramente preocupado com o risco, então não deveria mandar as pessoas para aqui e fazê-la trabalhar em condições tão limitadas».

No Iraque, a efectividade dos assessores e técnicos estrangeiros é ainda mais limitada, devido ao pouco tempo que permanecem no país. «Muitas pessoas vão-se embora ao fim de nove meses», disse um trabalhador estrangeiro que pediu anonimato. «Além disso, alguns trabalhadores têm duas semanas livres por cada seis de permanência no país, para lá das suas férias habituais».

A alguns quadros que trabalham para organizações não governamentais no Afeganistão preocupa-os a quantidade de dinheiro que os altos cargos dos governos estrangeiros e das suas agências de ajuda gastam com o pessoal, em comparação com a pobreza do governo afegão.

«Estive na província de Badakhshan no norte do Afeganistão, que tem uma população de 830.000 habitantes, a maioria dos quais dependentes da agricultura», afirmou Matt Waldman, director de política e serviços legais de Oxfam em Cabul. «Todo o orçamento do departamento local de agricultura, irrigação e pecuária, que é extremamente importante para os agricultores de Badakhshan, é de apenas 40.000 dólares. Isto é o que cobraria, em poucos meses um consultor estrangeiro em Cabul».

Matt Walkman, autor de vários e muito detalhados artigos sobre o fracasso da ajuda no Afeganistão, diz que nas mais altas esferas se investe um elevado montante de dinheiro, mas que ele é desviado antes de chegar aos afegãos comuns, os que estão ao mais baixo nível. Está de acordo que os problemas que há que enfrentar são horríveis, num país que sempre foi pobre, e que foi arruinado por 30 anos de guerra. Aproximadamente 42% dos 25 milhões de afegãos vivem com menos de um dólar por dia, e a esperança de vida é de apenas 45 anos. O índice total de alfabetização é de 34%, e no caso das mulheres é 18%.

Mas a maior parte do dinheiro da ajuda vai para as companhias estrangeiras que subcontratam até cinco vezes e cada contratado, por sua vez, ganha entre 10% e 20%, antes de fazer qualquer trabalho para o projecto. O maior doador do Afeganistão é os EUA, cujo departamento de ajuda ao estrangeiro, USAID, entrega a cinco grandes contratadores estadunidenses quase metade do seu orçamento de ajuda ao Afeganistão.

Os exemplos referidos num relatório de Oxfam incluem a construção de uma estrada pequena, entre o centro de Cabul e o aeroporto internacional, em 2005, que, depois da subcontratação a uma companhia afegã, custou 2,4 milhões de dólares o quilómetro ou, o que é o mesmo, quatro vezes o custo médio de construção de uma estrada no Afegnistão. Também é frequente a ajuda ser gasta no país doador.

Outra consequência do uso de contratadores estrangeiros é não ter havido qualquer impacto no desemprego entre os jovens afegãos, o que é fundamental para derrotar os talibans. De acordo com um relatóriodo Instiituto para Informar sobre a Guerra e a Paz, nas províncias do sul, como Farah, Helmans, Uruzgan e Zabul, mais de 70% dos combatentes talibans são jovens sem trabalho e sem motivação ideológica a quem se entrega uma arma e se lhes paga uma miséria antes de cada ataque. Ao recorrer a estes combatentes a tempo parcial como carne para canhão, os talibans podem ter poucas baixas entre os seus veteranos combatentes, ao mesmo tempo que infligem perdas entre as forças governamentais.

Descuidaram-se algumas formas simples e óbvias de gastar dinheiro em benefício dos afegãos. Will Beharrell da organização caritativa Turquoise Mountain, que fomenta o artesanato tradicional afegã e a reconstrução da cidade velha, afirma que as melhorias simples e tangíveis são importantes. «Participámos na limpeza do lixo porque é simples e proporciona emprego. Nalguns lugares, com a limpeza fizemos com que o nível das ruas baixasse dois metros, afirmou.

Um facto surpreendente em Cabul é que, enquanto as ruas principais estão pavimentadas, as ruas laterais não passam de terra batida com montes e buracos e enormes poças de água suja. Construíram-se novas estradas entre as cidades, como Cabul e e Kandahar, mas são muito perigosas de percorrer, devido aos pontos de controlo móveis dos talibans onde quem quer que tenha a ver com o governo é imediatamente abatido.

O programa de ajuda internacional é particularmente importante no Afeganistão, pois o governo tem poucas fontes de receitas para além dessa. As doações dos governos estrangeiros representam 90% da despesa pública. A ajuda é muito mais importante que no Iraque, onde o governo tem receitas provenientes do petróleo. Um salário mensal de um polícia no Afeganistão é de apenas 70 dólares, que não é suficiente para viver sem subornos.

Desde a queda dos talibans que o governo afegão tem procurado dirigir um país em que a infra-estrutura física foi destruída. Cabul recebe a electricidade do Uzbequistão, mas 55% não tem qualquer electricidade e apenas 20% a tem durante todo o sai. O exército estadunidense pode distribuir o dinheiro mais rapidamente, mas isto pode não acabar com o apoio político aos talibans na medida esperada.

Os próprios afegãos estão entusiasmados com os planos do presidente Obama de um maior comprometimento civil e militar dos Estados Unidos no Iraque. E o fracasso da ajuda estrangeira no momento de proporcionar uma vida melhor aos afegãos também contribui para explicar a queda a pique do apoio ao governo de Cabul e aos seus aliados estrangeiros. Matt Waldman, da Oxfam, acredita que uma ajuda melhor organizada poderia proporcionar os benefícios que os afegãos esperavam obter quando se derrotou os talibans, em 2001, mas adverte: «Está a começar a ser demasiado tarde para fazer bem as coisas».

Vejamos os números: gastos ocidentais no Afeganistão:
• 57 dólares de ajuda estrangeira per capita ao Afeganistão, face aos 580 per capita depois do conflito bósnio.
• 250.000 dólares é o salário médio dos consultores estrangeiros no Afeganistão, incluindo cerca de 35% de subsídio por trabalho em condições difíceis e 35% de subsídio de perigosidade. Os funcionários afegãos têm um salário de cerca de 1.000 dólares anuais.
• 22.000 milhões de dólares é o deficit das doações em relação ao que a comunidade internacional calcula que o Afeganistão necessita, aproximadamente 48%.
• Cerca de 40% é a percentagem do orçamento de ajuda internacional que regressa aos países de procedência, soba a forma de lucros das empresas e salários dos consultores, mais de 6.000 milhões de dólares desde 2001.
• 7 milhões de dólares diários de ajuda são gastos no Afeganistão. A despesa militar diária do governo estadunidense é de aproximadamente 100 milhões de dólares.


* Jornalista irlandês, presentemente correspondente do The Independent no Médio Oriente


Este texto foi originalmente publicado em www.counterpunch.org/patrick05012009.html


Tradução de José Paulo Gascão