quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os efeitos do jornalismo de esgoto


Um dos pontos centrais das políticas de direitos humanos é o chamado direito à privacidade. Desde que não afete a vida de terceiros nem desrespeite as leis, toda pessoa tem o direito à sua privacidade.
O caso Murdoch expôs uma das características mais repelentes do jornalismo-espetáculo e do jornalismo "partido político": a exposição da vida de pessoas, os ataques pessoais, os chamados assassinatos de reputação como ferramentas não apenas para aumento de audiência, mas como arma política.
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Ocorreu nas eleições de Barack Obama. Comentaristas da Fox News, acumpliciados com redes anônimas de internautas, espalhavam que Obama não teria nascido nos Estados Unidos, que seria muçulmano, uma liderança infiltrada na política norte-americana visando destruir o país.
Esse mesmo modelo foi utilizado na campanha eleitoral do ano passado. Em qualquer escola de São Paulo, crianças eram contaminadas pela versão de que a candidata Dilma Rousseff "assassinou pessoas", que seria a favor do aborto. Ao mesmo tempo, havia ataques destemperados contra nordestinos. Na outra ponta, o preconceito contra qualquer pessoa que pertencesse à classe média para cima.
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A intolerância global foi particularmente feroz contra muçulmanos e árabes em geral, especialmente após o episódio terrorista que derrubou as Torres Gêmeas. Proliferaram sites e analistas preconizando o fim da civilização ocidental, com a invasão da Europa pelos muçulmanos.
Na França, proibiu-se o uso da burka. Diferenças culturais foram apontadas como desvios morais. Em um mundo cada vez mais globalizado, e enfrentando o fantasma da crise econômica, essa pregação espalhou-se como um rastilho, especialmente pelos países europeus. Da mesma maneira que a intolerância que se seguiu ao crack de 1929 da Bolsa de Nova York.
Por aqui, a pregação limitou-se ao chamado Foro de São Paulo - que, segundo alguns alucinados, visaria tomada do poder na América Latina pelos esquerdistas.
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O massacre de Oslo foi conseqüência direta de um clima de intolerância que teve em Murdoch o ponto central de disseminação, o exemplo no qual se espelharam grupos de mídia pelo mundo afora. Esse movimento foi facilitado pela ampliação da Internet, com o caos inicial que marca a entrada de novas mídias - especialmente uma descentralizada e onde é possível a prática dos ataques anônimos.
Nesse ambiente, houve o oportunismo de muitos comentaristas de mídia, explorando a intolerância que se manifestava na classe média - acossada, de um lado, pela tributação pesada, de outro, pela ascensão das novas massas consumidoras.
Abriu-se espaço para um modismo repelente, o "politicamente incorreto", que tornou de bom tom zombar das minorias, dos defeitos físicos, da feiura.
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O episódio Murdoch-Oslo deve servir de reflexão não apenas na Inglaterra, mas sobre a comunicação de massa em geral, sobre o respeito às diferenças, sobre os direitos individuais, sobre a responsabilidade na hora de se atacar pessoas ou grupos.
El Pais chamou a esse jornalismo de Murdoch de "cloaca". Por aqui, tornou-se comum a expressão "jornalismo de esgoto" para definir esse estilo.

Pessoas com deficiência cobram cobertura igualitária da mídia


Juliana: “É preciso construir rampas para as cabeças das pessoas” | Ramiro Furquim/Sul21

Vivian Virissimo no Sul21

Organizadora do “Seminário Mídia e Deficiência”, a cadeirante Juliana Carvalho iniciou as atividades do evento realizado nesta quarta-feira (27) com uma frase de impacto: “É preciso construir rampas para as cabeças das pessoas”. Com sua declaração, Juliana resumiu o sentimento das pessoas com deficiência que lutam tanto para garantir acessibilidade quanto para diminuir o preconceito na sociedade e nos meios de comunicação.
Juliana é jornalista e coordenadora do Projeto Assembleia Inclusiva e apresentadora do programa Faça a Diferença veiculado na TV Assembleia e na TVE. O Seminário promovido no Teatro Dante Barone debateu o papel da comunicação no processo de inclusão.
Jairo Marques, chefe de reportagem da Agência Folha, ressaltou que a linguagem utilizada nas matérias não contribui para a diminuição dos preconceitos. “Eu não tenho nada de ‘especial’. No momento em que se olha para o outro como alguém ‘especial’, essa comunicação já começa de forma equivocada. Além disso, esse ‘especial’ nos afeta muito”, disse Marques, cadeirante desde a infância, ao fazer a crítica das linguagens que sustentam os tabus vigentes na sociedade.
“Só conseguiremos quebrar estes conceitos irracionais da cabeça das pessoas com um trabalho exaustivo. Precisamos quebrar este paradigma de que a pessoa com deficiência é uma coitada”, disse Jairo, acrescentando que duas abordagens recorrentes na mídia prejudicam o debate da inclusão. “É uma verdadeira bobagem atrelar a condição da pessoa com deficiência somente a casos de ‘superação’. Outra abordagem negativa é a pauta científica que enfatiza a divulgação de pesquisas que estão muito longe de serem implementadas”, criticou.

"Precisamos quebrar este paradigma de que a pessoa com deficiência é uma coitada” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

O jornalista Gustavo Trevisi, que tem paralisia cerebral, reforçou a necessidade de engajamento para garantir visibilidade na mídia. “Muitos veículos consideram que fazem a inclusão oferecendo tecnologias como a legenda em programas, o closed caption, ou garantindo cotas nos seus quadros de funcionários”, criticou. Segundo Trevisi, a verdadeira inclusão ocorre com a garantia de espaços fixos e específicos para tratar temas de inclusão com regularidade e isso não ocorre na maioria dos meios. “Os veículos consideram que elaborar matérias que tratam do assunto é uma coisa maravilhosa, mas não fazem mais que sua obrigação como concessionários de uma licença pública”, sustenta.
O coordenador do curso de Jornalismo da Unisinos, Edelberto Behs, salientou a importância da atuação dos jornalistas na diminuição da desinformação que cerca os temas relacionadas à inclusão. “Os jornalistas são artesãos da palavra. Palavras empoderam, destroem e constroem e, sobretudo, interferem na quebra de preconceitos”, disse Behs.
“Os pré-conceitos são transmitidos culturalmente e a religião é uma das correias dessa transmissão. Em certos trechos da bíblia era sugerido que as pessoas com deficiência teriam algum tipo de culpa. Essa visão já perdeu força, mas ainda está presente. Antigamente as pessoas se escondiam e não apareciam na sociedade, hoje essa situação está mudando”, explicou.

Imoralidade explícita

Editorial do CORREIO DA CIDADANIA

Qual a justificativa para isentar de licitação obras destinadas a cumprir as exigências da FIFA a fim de sediar o Campeonato Mundial de Futebol, aqui no Brasil?

Como foi anunciado, estas obras estão orçadas em 35 bilhões de reais. Os entendidos avaliam em muito mais.

Antes, porém, de responder à questão colocada no início, é preciso dizer que tais exigências são descabidas e prepotentes.

Não deveríamos aceitá-las. Nossos estádios e nossos aeroportos são mais do que suficientes para admitir todas as pessoas desejosas de assistir aos jogos. Um país com enormes carências sociais como o nosso não pode se dar o luxo de gastar bilhões para proporcionar conforto exagerado a turistas.

Vencida a preliminar vamos ao mérito: contrato de obra pública sem concorrência é sinônimo de propina. Se, com licitação e tudo, é difícil impedir a corrupção, imagine-se sem esse obstáculo...

A indústria dos “aditamentos” irá funcionar a pleno favor, como se acabou de ver no escândalo que derrubou o ministro dos Transportes e toda a plana maior do Ministério – um verdadeiro festival de propinas, em preparação às campanhas eleitorais de 2012.

Caberia ao Congresso, e na sua falta à Justiça, frustrar a bandalheira. Do Congresso não se pode esperar grande coisa, porque está completamente abastardado, incapaz de exercer suas funções devido ao atrelamento ao governo. Da Justiça também não há muito o que esperar, a menos que um promotor firme resolva tocar o processo.

O órgão específico para fiscalizar os contratos, o Tribunal de Contas da União, tornou-se uma repartição destinada a outorgar o prêmio de consolação que os governos dão aos correligionários derrotados nas eleições, e não tomam a menor providência que possa prejudicar seus benfeitores.

Resta, portanto, apenas a sociedade civil entrar na parada e manifestar energicamente sua contrariedade para que o problema seja satisfatoriamente resolvido. Infelizmente, esta também anda anestesiada, incapaz de mobilizar-se e defender seus direitos.

Enquanto este for o seu estado de espírito, é rezar para que o Brasil não seja mais escolhido para sediar eventos internacionais importantes.



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Fumageira é condenada a indenizar agricultores em Bagé, no RS


Da Redação do Sul21
A Justiça de Bagé, na região da Campanha no Rio Grande do Sul, determinou a anulação de um contrato de 52 agricultores assentados com a empresa fumageira Alliance Tabacos. A empresa, que cobrava dívidas dos agricultores depois de uma safra frustada, terá ainda que pagar R$ 5 mil a título de indenização por danos morais a cada um dos 52 assentados.
A empresa financiou o plantio de fumo, oferecendo também tecnologia, assistência técnica permanente e um sistema de seguros através Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). No entanto, a cultura não se adaptou à região e a safra foi toda a perdida, ficando os agricultores em dívida com a empresa. A fumageira protestou títulos contra os assentados e passou a exigir os pagamentos dos financiamentos.
O juiz Roberto Coutinho Borba, da 3ª Vara Cível da Comarca de Bagé, entendeu que a empresa buscou explorar o plantio do fumo na região em tentativa de ampliação de seus limites de atuação e produção, em uma “bem tramada relação negocial de adesão”. Por isso, o juiz determinou a suspensão dos contratos.
Com informações do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

domingo, 24 de julho de 2011

Publicização do privado e espetacularização da política

Editorial do sul21

decisão da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul põe as coisas no devido lugar. Não cabe indenização à ex-governadora Yeda Crusius em virtude da manifestação realizada pelo CPERS em frente à sua residência. Ainda que seja uma decisão de 2ª instância e ainda caiba recurso, fica estabelecido, ao menos enquanto a sentença não for reformada (e se o for) por instância superior, que se um governante decide morar fora da residência oficial (ou seja, o Palácio Piratini) sua casa passa a ser uma extensão da sede do governo.
Qualquer manifestação pública ocorrida nas imediações desta extensão passa a ser uma manifestação tão legítima como qualquer outra manifestação e/ou protesto realizado diante de qualquer órgão público. Isto vale para a ex-governadora e para todos os governantes gaúchos que preferirem fixar residência fora do Palácio Piratini.
Aparentemente um ato de desprendimento do governante, por abrir mão das “mordomias” do palácio, a decisão de continuar habitando sua própria casa acarreta despesas extras ao tesouro público, tanto pela necessidade de realizar reformas na residência como, por exemplo, a construção de guaritas de guarda e aposentos para acomodação de seguranças, quanto pelo dispêndio de salários extras para os servidores deslocados para a segurança e para os despachos “em casa”.
No caso específico da ex-governadora Yeda Crusius a situação se agrava, uma vez que foram despendidos recursos também para o mobiliário da casa, sem se considerar a celeuma em torno da compra da própria casa e da origem dos recursos para tal. Não cabe também, no entender do Tribunal, indenização por danos morais, em virtude dos constrangimentos sofridos pelos netos da ex-governadora no momento do protesto. Tais constrangimentos teriam sido motivados por decisões tomadas pela própria governante e também por sua filha, mãe das crianças,  de mantê-las em um anexo do palácio e de expô-las aos protestos.
O destempero de Yeda Crusius, portanto, não se limitava aos atos públicos, mas invadia também o âmbito e o círculo de suas relações privadas – que deveriam manter-se privadas, não fosse sua própria decisão de trazê-las a público, como no caso em pauta.
Esta talvez seja a principal lição deste episódio. Sempre que se confundem os espaços públicos e privados cometem-se deslizes e/ou abusos. Seja privatizando o que é público, o que caracteriza o fenômeno do patrimonialismo, tão frequente em nossa história política, seja publicizando o que é privado, o que não deixa de ser uma forma de espetacularizarização da política, prática que está se tornando cada vez mais frequente em todo o mundo. Cada vez mais, premidos pela necessidade de manter-se em evidência para que possam garantir votos, os políticos buscam tornar-se “celebridades” midiáticas e, muitas vezes, caem no ridiculo.

Filme africano: Souleymane Cissé - Finyè (1983)




Mali | Souleymane Cissé | 1983 | Drama | IMDB 
Bambara | Legenda: Português/Francês
105 min | 1,36 Gb 

Créditos: CINE-AFRICA

Finyè / O vento

Dois adolescentes malineses, Bâ e Batrou, oriundos de classes sociais diferentes, encontram-se no liceu e tornam-se namorados. Bâ é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Os jovens pertencem a uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em xeque a sociedade.

"Na vida de cada ser humano, há sempre momentos em que você precisa fazer uma pausa, a fim de descobrir o que tem sido feito e o que ainda precisa ser feito. Finyé coloca esta pergunta dupla." Souleymane Cissé

Prêmios:
1982: Carthage Film Festival - Tanit d'Or
1983: Ouagadougou Panafrican Film and Television Festival - Grand Prize: Etalon de Yennega
 





Sobre o diretor
 
Souleymane Cissé, nascido em 1940, é um cineasta de Mali e foi, ao lado de Ousmane Sembene, um dos mais reconhecidos cineastas africanos do século XX.
Durante sua adolescência viveu em Dakar, Senegal. Após o seu regresso a Mali, em 1960, sua paixão por filmes se desenvolveu em sua vocação de vida. Obteve uma bolsa de estudos e foi para o VGIK em Moscou (Instituto de Cinema do Estado), onde foi projecionista antes de se tornardiretor.
Em 1970, tornou-se um operador de câmara para o Ministério Maliano da Informação. Dois anos mais tarde, ele dirigiu "Cinco dias em uma vida", que recebeu um prêmio no Festival de Cinema de Cartago. Dois de seus filmes, Baara (Trabalho) e Finyé (O Vento), receberam o prêmio Etalon de Yenenga no FESPACO. Yeelen (Light) e seu Prêmio do Júri de Cannes de 1987 revelou Souleymane Cissé para um público maior.
Um cineasta dedicado, Souleymane Cissé é desde 1997 o presidente da Union des créateurs et entrepreneurs du cinéma et de l'audiovisuel de l'Afrique de l'Ouest (UCECAO). Em reconhecimento ao seu trabalho, foi nomeado Commandeur de l'Ordre National de Mali em 2006 e Commandeur des Arts et des Lettres da França. Seu último filme, Min Ye, estreou no Festival de Cannes de 2009.
Fonte
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Em defesa da Causa Palestina...

Palestina, Palestina


Georges Bourdoukan - Jornalista e escritor
Para Hannan Ashrawi
Às profundezas da história,
À impiedade e ao medo,
À realidade invisível,
À ocupação e à exclusão,
Ao Ocidente que buscou aliviar a culpa de seus anti-semitas,
Uma nação torturada resiste!
O coração palestino palpita.
Tentam abafar seu grito de liberdade,
Suas pedras revidam contra a injustiça,
Contra o racismo e a intolerância!
A estrela busca a purificação com sangue
E ao muro dirige suas preces.
Existirá um limite para a brutalidade?
Existirá um limite para a indiferença?

SOMÁLIA: AS REAIS CAUSAS DA FOME

Há 20 anos a Somália se vê envolvida em uma "guerra civil", em meio à destruição de suas economias tanto rural quanto urbana.

O país enfrenta agora uma fome generalizada. De acordo com as últimas informações, dezenas de milhares de pessoas morreram de desnutrição nos últimos meses. As vidas de milhões de pessoas estão ameaçadas.

A mídia hegemônica atribui a fome casualmente a uma forte seca sem examinar questões de fundo.

Uma atmosfera de "ilegalidade, brigas de gangues e anarquia" também é apontada como uma das maiores causas por detrás da fome.

Mas quem está por trás da ilegalidade e das gangues armadas?

A Somália é categorizada como um "estado falido", um país sem governo.

Mas como ela se tornou um "estado falido"? Há ampla evidência de intervenção estrangeira, assim como apoio às milícias armadas. Criar "estados falidos" faz parte da política externa dos EUA. É parte de sua agenda de inteligência militar.

De acordo com a ONU, a situação de fome prevalece em Bakool e Shabelle, áreas parcialmente controladas pela Al Shahab, uma milícia jihadista afiliada à Al Qaeda.

Tanto a ONU quanto a administração Obama acusaram a Al Shahab de impor uma "proibição de agências de ajuda estrangeiras em seus territórios em 2009". O que as notícias não mencionam, no entanto, é que a Jarakat al-Shabaab al-Mujahideen (HSM) ("Movimento da Juventude em Luta") foi fundada pela Arábia Saudita e financiada por agências de inteligência ocidentais.

O suporte ocidental de milícias islâmicas é parte de um padrão histórico mais amplo de suporte a organizações jihadistas e afiliadas à Al Qaeda em vários países, incluindo, mais recentemente, a Líbia e a Síria.

A grande questão é: que forças externas precipitaram a destruição do Estado Somali no início da década de 1990?

A Somália foi autosuficiente em alimentos até o final dos anos 1970 apesar de recorrentes secas. No início da década de 1980, sua economia nacional foi desestabilizada e a agricultura alimentar destruída.

O processo de desarticulação econômica precedeu a guerra civil em 1991. O caos econômico e social resultante da "economia de recuperação" do FMI preparou o terreno para a guerra civil financiada pelos EUA.

Todo um país com uma rica história de comércio e desenvolvimento econômico foi transformado em um mero território.

Ironicamente, este território possui uma significante reserva de petróleo. Quatro gigantes petroleiras estadunidenses já estavam alertas antes mesmo do começo da guerra civil em 1991.

O início dos anos 1980 foi um ponto decisivo.

O programa de ajuste estrutural do FMI e do Banco Mundial foi imposto na África subsaariana. As fomes recorrentes de 1980 e 1990 são em grande parte as consequências da "economia de recuperação" do FMI e do Banco Mundial.

Na Somália, dez anos de economia de recuperação do FMI jogaram o país numa economia desarticulada e no caos.

No final dos anos 1980, depois de recorrentes "medidas de austeridade" impostas pelo consenso de Washington, os salários no setor público caíram a três dólares mensais.

Tradução e edição de Glauber Ataide para o Marxista/leninista

sábado, 23 de julho de 2011

A obsessão e o complexo de vira-lata



Até os jornais brasileiros tiveram de noticiar. Uma força-tarefa criada pelo Conselho de Relações Exteriores, organização estreitamente ligada ao establishment político/intelectual/empresarial dos Estados Unidos, acaba de publicar um relatório exclusivamente dedicado ao Brasil, -pontuado de elogios e manifestações de respeito e consideração. Fizeram parte da força-tarefa um ex-ministro da Energia, um ex-subsecretário de Estado e personalidades destacadas do mundo acadêmico e empresarial, além de integrantes de think tanks, homens e mulheres de alto conceito, muitos dos quais estiveram em governos norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos. O texto do relatório abarca cerca de 80 páginas, se descontarmos as notas biográficas dos integrantes da comissão, o índice, agradecimentos etc. Nelas são analisados vários aspectos da economia, da evolução sociopolítica e do relacionamento externo do Brasil, com natural ênfase nas relações com os EUA. Vou ater-me aqui apenas àqueles aspectos que dizem respeito fundamentalmente ao nosso relacionamento internacional.
Logo na introdução, ao justificar a escolha do Brasil como foco do considerável esforço de pesquisa e reflexão colocado no empreendimento, os autores assinalam: “O Brasil é e será uma força integral na evolução de um mundo multipolar”. E segue, no resumo das conclusões, que vêm detalhadas nos capítulos subsequentes: “A Força Tarefa (em maiúscula no original) recomenda que os responsáveis pelas políticas (policy makers) dos Estados Unidos reconheçam a posição do Brasil como um ator global”. Em virtude da ascensão do Brasil, os autores consideram que é preciso que os EUA alterem sua visão da região como um todo e busquem uma relação conosco que seja “mais ampla e mais madura”. Em recomendação dirigida aos dois países, pregam que a cooperação e “as inevitáveis discordâncias sejam tratadas com respeito e tolerância”. Chegam mesmo a dizer, para provável espanto dos nossos “especialistas” – aqueles que são geralmente convocados pela grande mídia para “explicar” os fracassos da política externa brasileira dos últimos anos – que os EUA deverão ajustar-se (sic) a um Brasil mais afirmativo e independente.
Todos esses raciocínios e constatações desembocam em duas recomendações práticas. Por um lado, o relatório sugere que tanto no Departamento de Estado quanto no poderoso Conselho de Segurança Nacional se proceda a reformas institucionais que deem mais foco ao Brasil, distinguindo-o do contexto regional. Por outro (que surpresa para os céticos de plantão!), a força-tarefa “recomenda que a administração Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É curioso notar que mesmo aqueles que expressaram uma opinião discordante e defenderam o apoio morno que Obama estendeu ao Brasil durante sua recente visita sentiram necessidade de justificar essa posição de uma forma peculiar. Talvez de modo não totalmente sincero, mas de qualquer forma significativo (a hipocrisia, segundo a lição de La Rochefoucault, é a homenagem que o vício paga à virtude), alegam que seria necessária uma preparação prévia ao anúncio de apoio tanto junto a países da região quanto junto ao Congresso. Esse argumento foi, aliás, demolido por David Rothkopf na versão eletrônica da revista Foreign Policy um dia depois da divulgação do relatório. E o empenho em não parecerem meros espíritos de porco leva essas vozes discordantes a afirmar que “a ausência de uma preparação prévia adequada pode prejudicar o êxito do apoio norte-americano ao pleito do Brasil de um posto permanente (no Conselho de Segurança)”.
Seguem-se, ao longo do texto, comentários detalhados sobre a atuação do Brasil em foros multilaterais, da OMC à Conferência do Clima, passando pela criação da Unasul, com referências bem embasadas sobre o Ibas, o BRICS, iniciativas em relação à África e aos países árabes. Mesmo em relação ao Oriente Médio, questão em que a força dos lobbies se faz sentir mesmo no mais independente dos think tanks, as reservas quanto à atuação do Brasil são apresentadas do ponto de vista de um suposto interesse em evitar diluir nossas credenciais para negociar outros itens da agenda internacional. Também nesse caso houve uma “opinião discordante”, que defendeu maior proatividade do Brasil na conturbada região.
Em resumo, mesmo assinalando algumas diferenças que o relatório recomenda sejam tratadas com respeito e tolerância, que abismo entre a visão dos insuspeitos membros da comissão do conselho norte-americanos- e aquela defendida por parte da nossa elite, que insiste em ver o Brasil como um país pequeno (ou, no máximo, para usar o conceito empregado por alguns especialistas, “médio”), que não deve se atrever a contrariar a superpotência remanescente ou se meter em assuntos que não são de sua alçada ou estão além da sua capacidade. Como se a Paz mundial não fosse do nosso interesse ou nada pudéssemos fazer para ajudar a mantê-la ou obtê-la.

Neonazistas suspeitos dos atentados na Noruega



A polícia já excluiu a hipótese de terrorismo internacional e estabeleceu a ligação entre o suspeito preso, um norueguês, e os dois ataques que provocaram pelo menos 16 mortos e muitos feridos graves. Nesta sexta à tarde, uma bomba explodiu junto à sede do governo em Oslo, fazendo sete mortos e nove feridos graves. Pouco depois, pelo menos um atirador semeou o pânico a poucos quilômetros da capital, no acampamento dos jovens do partido trabalhista, com nove mortos confirmados ao princípio da noite.

O suspeito dos ataques claramente dirigidos politicamente é norueguês e segundo a polícia terá ligações a um "meio circunscrito adversário do sistema político", a terminologia usada para referências aos movimentos neonazis e de extrema-direita.

Esta sexta à tarde, uma bomba explodiu junto à sede do governo em Oslo, fazendo sete mortos e nove feridos graves. Pouco depois, pelo menos um atirador semeou o pânico a poucos quilômetros da capital, no acampamento dos jovens do partido trabalhista, com nove mortos confirmados ao princípio da noite. No local do acampamento foram também encontrados explosivos por detonar.A polícia norueguesa prendeu um suspeito do ataque ao acampamento desta se e diz já ter estabelecido uma ligação entre os dois ataques. O suspeito é norueguês, o que afasta a hipótese de um atentado com origem internacional.O edifício do governo ficou muito destruído quando uma ou mais bombas explodiram por volta das 15h30 locais. O primeiro-ministro trabalhista Jens Stoltenberg não se encontrava no local e veio mais tarde classificar a situação de "muito grave".A vinte quilômetros da capital, realizava-se o acampamento dos jovens do partido trabalhista, quando um atirador disparou sobre os presentes.