Terminando
esta série de artigos sobre as diferenças entre o gênero estritamente
feito nos EUA, mas que os europeus (italianos e espanhóis) moldaram que
um pouco mais que realisticamente, vou falar sobre como os americanos
reagiram ao sucesso dos europeus, o fim dos “faroestes spaghetti”, e a
decadência do gênero nos EUA, embora com um “leve retorno” ao gênero no
início dos anos de 1990.
Todo aquele sucesso dos westerns europeus acabou de fato provocando uma nova onda de faroestes americanos, pois aparentemente enciumados, Hollywood voltou a dar atenção ao gênero, mas desta vez, todos os clichês e moldes mitológicos do tema, e a legenda áurea de seus cowboys, eram substituídos por assuntos mais sérios e polêmicos dentro do Velho Oeste.
Todo aquele sucesso dos westerns europeus acabou de fato provocando uma nova onda de faroestes americanos, pois aparentemente enciumados, Hollywood voltou a dar atenção ao gênero, mas desta vez, todos os clichês e moldes mitológicos do tema, e a legenda áurea de seus cowboys, eram substituídos por assuntos mais sérios e polêmicos dentro do Velho Oeste.
Nos
Estados Unidos, a partir de 1964, foi feito faroestes quase que
similares aos europeus, pois seus “mocinhos” já não eram os mocinhos dos
áureos tempos, mas sim personagens perturbados, sofridos, e muitas
vezes traumatizados, ou como outras vezes, pessoas frias que impunham o
medo dentro de comunidades, como foi o caso de Yul Brynner (1915-1985)
em Convite a um Pistoleiro (Invitation to a Gunfighter), que foi uma produção de Stanley Kramer. Já o diretor Martin Ritt resolveu seguir os passos de Sergio Leone, em Quatro Confissões (The Outrage),
um western violento abordando estupro e assassinato, algo nada visto
anteriormente nos faroestes americanos. No elenco, Paul Newman, Claire
Bloom, Laurence Harvey e Edward G. Robinson.
O outro, dos bons mas ignorado Rio Conchos (idem), dirigido por Gordon Douglas, de estrelado por Stuart Whitman e Richard Boone; e Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumm),
último western dirigido pelo Mestre John Ford (1895-1973), onde ele
defendeu a causa dos índios e procurava se redimir pela matança deles
durante toda sua carreira. Como ele mesmo disse: “Matei mais índios no
cinema do que o General Custer nos campos de batalha!”. O filme, com
locações no Monument Valley – como grande parte dos westerns do diretor
que faleceu em 1973- resultou lento e cansativo em seus quase 160
minutos de projeção, e nem o elenco all-star, como Richard Widmark
(grande mocinho dos faroestes americanos da década de 1950), Carroll
Baker, Ricardo Montalban, Gilbert Roland, Edward G. Robinson, Dolores
Del Rio, e numa participação, James Stewart.
Mas
nem todos em Hollywood queriam aceitar estas mudanças. Os heróis dos
faroestes Classe B americanos (conforme explicado na parte 1), ainda
representados por Rory Calhoun, Audie Murphy, e Dale Robertson (este
ainda vivo), ainda preferiram ser os mocinhos “limpinhos e barbeados”,
muito embora Murphy (que morreu em maio de 1971 num acidente aéreo) foi o
mais assíduo e aproveitou o embalo dos westerns spaghetti e
protagonizou Bandoleiro Temerário (The Texican),
dirigido por Sidney Salkow e rodado na Espanha, onde ainda tinha no
elenco (e como vilão) um ator ganhador do Oscar (e com a carreira em
declínio) – Broderick Crawford (1911-1986).
Em 1969, Elvis Presley (1935-1977) também estrelou um western americano com moldes “Spaghetti”, Charro (idem). Elvis, cujo seu primeiro filme era um western (Ama-me com Ternura/Love-me Tender, 1956) e em 1960 foi o astro de Estrela de Fogo (Flaming Star), em papel reservado para Marlon Brando, não ficou nada mal como um pistoleiro a lá Django, com barba por fazer e tudo mais.
Ainda
na década de 60, e em seus meados, a disputa continuava cada vez mais
acirrada entre os americanos e europeus, e por isto, alguns diretores
hollywoodianos deixaram o orgulho de lado e passaram a imitar os
Spaghetti, como é o caso de A Marca do Vingador (Ride Beyond), estrelado pelo astro da série de TV O Homem do Rifle, Chuck Connors (1921-1992), e contando ainda com Michael Rennie, Bill Bixby (da série O Incrível Hulk),
e Claude Akins, com quem tem com Connors uma sensacional cena de luta
num saloon, onde é explícito a violência e o tema da vingança, muito
comum nos faroestes italianos.
OS PROFISSIONAIS (The Professionals),
de Richard Brooks, situou esta obra no México como a maioria dos
concorrentes latinos, e estrelado por um elenco de primeira grandeza:
Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, e não por
coincidência, uma atriz italiana, se não mais que a bella Claudia Cardinale.
SANGUE EM SONORA (Appaloosa),
em 1966, dirigido por Sidney J. Furie, também utilizou locações
mexicanas. Western racista e muito violento, estrelado por Marlon Brando
e John Saxon.
E quem diria, o MAIS SPAGHETTI WESTERN AMERICANO DE TODOS: A MARCA DA FORCA (Hang em High),
em 1968, produzido e estrelado por Clint Eastwood, já consagrado, que
tão logo voltou ao Estados Unidos resolveu projetar uma película aos
moldes de seu grande Mestre, Sergio Leone. Para dirigi-lo, Clint chamou
Ted Post, um velho conhecido dos tempos em que ele estrelava a série de
TV Couro Cru (Rawhide). A boa acolhida da maioria
desses filmes deixou claro que o público agora dava preferência a
faroestes mais realistas, e que aqueles “cowboys imaculados” portando
revólveres reluzentes de coronha de marfim, estavam com seus dias
contados.
Apesar
daquela nova tendência, John Wayne (1907-1979), com seus faroestes
tradicionais, ainda continuava sendo sinônimo de bilheteria. Com o
sucesso estrondoso de Meu ódio será sua Herança (The Wild Bunch),
em 1969, de Sam Peckimpah (1928-1983), os produtores acharam que era o
momento oportuno para o veterano ator de 62 anos voltar ao seu habitat e
experimentar o novo estilo. Wayne concordou, mas com uma condição:
teria que ser a sua maneira.
O resultado foi Bravura Indômita (True Grit),
dirigido por Henry Hathaway, não era propriamente um western
desmistificador e nem muito violento, mas certamente, era diferente dos
filmes que o velho Duke vinha fazendo por quase 40 anos. Seja como for,
Wayne ficou perfeito no papel do delegado gordo, bêbado e falastrão,
usando um tapa-olho, tão perfeito que acabou ganhando o Oscar de melhor
ator do ano (que mereceria muito mais por Rastros de ódio/The Searchers, 1956 caso fosse indicado). Uma nova versão de Bravura Indômita em breve chegará aos nossos cinemas, com Jeff Bridges no papel que foi de Wayne.
A
PARTIR DA DÉCADA DE 1970, Hollywood mergulhou de cabeça no Western
violento e desmistificador (algo que não agradava John Wayne, este um
tradicional e devoto admirador da legenda áurea do gênero), para
competir com os europeus. Um bom exemplo disso é um western dirigido por
Michael Winner (o mesmo de “Desejo de Matar”, com
Charles Bronson), que escolheu a dedo dois dos maiores atores que o
cinema já teve: Burt Lancaster (1913-1994) e Robert Ryan (1909-1973),
amigos na vida real e que pela segunda vez voltavam a trabalhar juntos
(a primeira foi também no Western “Os Profissionais” (1966), e a terceira e última no drama político “O assassinato de um Presidente” (1973), que foi o último filme de Ryan, que morreu em julho de 1973), em MATO EM NOME DA LEI/Lawman , em 1970. Lancaster ainda participaria em Quando os Bravos se encontram e A Vingança de Ulzana, que abusaram da violência ao extremo, temperando o filme com psicologia e racismo.
E OS FAROESTES ITALIANOS?
Enquanto
isso, na Europa, os últimos cineastas a explorarem o estilo
“tradicional” (que eles já consideravam violento), davam uma releitura
em um estilo cômico (como nas séries de “Trinity”, com Terence Hill e
Bud Spencer), mas depois de uma dúzia de filmes como estes, já mostravam
sinais de extremo desgaste, e o tradicional Bang Bang à Italiana,
apesar de ter durado bem, estava com seus dias contados como o gênero em
geral (mesmo os americanos). Mas mesmo assim, os faroestes spaghetti
poderiam contar com diretores como Sergio Corbucci, Sergio Leone, Duccio
Tessari, entre outros, e mocinhos europeus como Franco Nero (que para
quem não sabe, recentemente participou de uma minisérie sobre a vida de
Santo Agostinho, interpretando o religioso na fase da velhice), Giuliano
Gemma, Tomas Milian, Terence Hill, entre outros.
Entre
1963 a 1978, foram produzidos cerca de 600 westerns europeus. E foi
nesse ano de 1978 que veio a acabar definitivamente a munição do Bang
Bang à Italiana. Sella D’ Argento (Sela de Prata-
1978), dirigido por Lucio Fulci, e estrelado por Giuliano Gemma e Ettore
Manni, é considerado oficialmente o último faroeste europeu do cinema.
Odiado pelos puristas e considerado trash pela crítica, mas queira ou não, os westerns spaghettis foram responsáveis pelo revigoramento dos faroestes de Hollywood, que não saíam dos mitos, e deram uma retomada. Se não fosse pelos europeus, teríamos sido privados de obras como “Meu ódio Será sua Herança”, “Josey Wales”, e “O Pequeno Grande Homem”.
Odiado pelos puristas e considerado trash pela crítica, mas queira ou não, os westerns spaghettis foram responsáveis pelo revigoramento dos faroestes de Hollywood, que não saíam dos mitos, e deram uma retomada. Se não fosse pelos europeus, teríamos sido privados de obras como “Meu ódio Será sua Herança”, “Josey Wales”, e “O Pequeno Grande Homem”.
CONTUDO,
a retirada dos Westerns europeus não significou a vitória dos
americanos. O premiado diretor Michael Cimino (5 Oscars por Franco-Atirador,
incluindo melhor diretor) tinha a plena convicção que o western em
estilo épico que estava prestes a dirigir para a United Artist seria um
dos grandes ápices de sua carreira. O Portal do Paraíso,
entretanto, não conseguiu repercussão nos Estados Unidos, embora os
franceses tenham gostado. Isto motivou a expulsão de Cimino em Hollywood
e o início da falência da United Artist. A maioria dos estúdios
evitavam o gênero, e com isto, o Western, gênero americano por
excelência, parecia estar com seus dias contados.
Em 1985, Clint Eastwood produziu e dirigiu O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider),
onde estrelou como um “Pistoleiro sem nome e sobrenatural”, mas um
pistoleiro do bem. O roteiro escolhido por Eastwood era uma mistura de Shane e Matar ou Morrer,
dois clássicos por excelência do gênero, mas nem por isso, fez tanto
sucesso. Eastwood voltaria novamente ao gênero em 1992, dessa vez em um
tema psicológico e desmistificador, em Os Imperdoáveis (Unforgiven), onde estrelou e dirigiu. No elenco, Gene Hackman como um bom vilão, Morgan Freeman, e o talentoso Richard Harris.
Aqui,
Eastwood fazia o papel de um ex-pistoleiro frio e sanguinário
perseguido pelos fantasmas do passado, que embora regenerado, volta a
empregar em armas para ajudar uma prostituta que foi estraçalhada. O
filme foi um grande sucesso de crítica e público, e possibilitou uma
pequena volta ao gênero na década de 1990 aos cinemas (Wyatt Earp, Tombstone- A Justiça esta Chegando, Quatro Mulheres e um Destino, Rápida e Mortal,
este estrelado por Sharon Stone), principalmente, graças aos 4 (quatro)
Oscars conquistados, onde Clint Eastwood, então com mais de 30 anos em
Hollywood, subiu ao palco para receber a estatueta de melhor diretor;
Gene Hackman foi o melhor ator coadjuvante; OS IMPERDOÁVEIS ganhou o Oscar de melhor filme de 1992, além de quebra, ter ganho também um Oscar de melhor edição.
ARTIGOS ANTERIORES SOBRE O TEMA, ACESSEM:
1)http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/06/o-western-americano-e-o-western-europeu.html
2)http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/08/o-western-americano-e-o-western-europeu.html
BIBLIOGRAFIA: 100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primaggio Mantovi- Editora Opera Graphica.
Um comentário:
Por que você acha que "Sangue em Sonora" é "racista"? O personagem principal é um "gringo" filho adotivo de uma família de mexicanos que parte justamente de membros dela o monopólio da decência, da fidelidade, do amor e do bom senso na estória! Acho que você não assistiu o filme.
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