segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Os Mutantes, 1968



Os Mutantes, como os conhecemos, nasceu em São Paulo, nos anos 60. Passou por diversas formações e teve vários nomes (Wooden Faces, Six Sided Rockers, O Conjunto, O'Seis) até se consolidar como o trio Os Mutantes, em 1966, em um programa de televisão: Rita Lee, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias. Em 1967, conseguiram o segundo lugar no festival da Record acompanhando Gilberto Gil em "Domingo no Parque".

Em 1968, a banda lançou seu primeiro LP, intitulado "Os Mutantes", com os sucessos "Bat Macumba" (Gil), "Panis et Circensis" e "A Minha Menina" (Jorge Ben Jor. Começava a se firmar uma banda hoje considerada referência em termos de música brasileira de qualidade, com destaque para a extrema criatividade e muito bom humor.
Muito tempo depois, em 2005, "Os Mutantes" foi incluído em uma lista dos 50 discos mais experimentais de todos os tempos, na edição da conceituada revista musical britânica Mojo. Esse álbum também ficou na 12ª posição na lista dos "50 Most Out There Albums of All Time" (algo como os 50 Discos Mais Experimentais de Todos os Tempos), ficando à frente de nomes como Beatles, Pink Floyd, Ennio Morricone e Frank Zappa.

De acordo com a resenha que fala dos Mutantes, a necessidade é mãe da criatividade já que a banda foi influenciada pelos Beatles, mas não dispondo de equipamento do nível, teve que improvisar. "Como viviam, em um país onde pedais (de efeit os) não existiam, os irmãos Baptista, de São Paulo, tiveram que criar seus próprios. O texto fala de sons esquisit os, músicas com tom de desenho animado, louvor à Gengis Khan e insurrieção revolucionária. A revista mostra depois que, apesar de pesquisar bem em música, não vai tão longe assim em história, dizendo que, alguns an os depois da gravação, os integrantes da banda "se separaram e enlouqueceram" . A gente sabe: eles enlouqueceram primeiro. E já começaram muito bem.

Aproveite e baixe aqui essa preciosidade do rock brasileiro.
Copiado de:MercadoDePulgas
Creedence Clearwater Revival - Pendulum (1970)


Creedence Clearwater Revival - Pendulum

1. "Pagan Baby" – 6:25
2. "Sailor's Lament" – 3:49
3. "Chameleon" – 3:21
4. "Have You Ever Seen the Rain?" – 2:40
5. "(Wish I Could) Hideaway" – 3:47
6. "Born to Move" – 5:40
7. "Hey Tonight" – 2:45
8. "It's Just a Thought" – 3:56
9. "Molina" – 2:44
10. "Rude Awakening, No. 2" – 6:22

Creedence Clearwater Revival - Cosmo's Factory (1970)


Creedence Clearwater Revival - Cosmo's Factory

1. "Ramble Tamble" (J. Fogerty) – 7:10
2. "Before You Accuse Me" (Bo Diddley) – 3:27
3. "Travelin' Band" (J. Fogerty) – 2:07
4. "Ooby Dooby" (Wade Moore, Dick Penner) – 2:07
5. "Lookin' Out My Back Door" (J. Fogerty) – 2:35
6. "Run Through the Jungle" (J. Fogerty) – 3:10
7. "Up Around the Bend" (J. Fogerty) – 2:44
8. "My Baby Left Me" (Arthur Crudup) – 2:19
9. "Who'll Stop the Rain" (J. Fogerty) – 2:29
10. "I Heard It Through the Grapevine" (Norman Whitfield, Barrett Strong) – 11:07
11. "Long as I Can See the Light" (J. Fogerty) – 3:33



Creedence Clearwater Revival - Willy and the poor boys

1. "Down on the Corner" (J. Fogerty) – 2:47
2. "It Came Out of the Sky" (J. Fogerty) – 2:56
3. "Cotton Fields" (Leadbelly) – 2:54
4. "Poorboy Shuffle" (J. Fogerty) – 2:27
5. "Feelin' Blue" (J. Fogerty) – 5:05
6. "Fortunate Son " (J. Fogerty) – 2:21
7. "Don't Look Now" (J. Fogerty) – 2:12
8. "The Midnight Special" (Leadbelly) – 4:14
9. "Side o' the Road" (J. Fogerty) – 3:26
10. "Effigy" (J. Fogerty) – 6:31

Creedence Clearwater Revival - Green River (1969)



Creedence Clearwater Revival - Green River

01. Green River
02. Commotion
03. Tombstone Shadow
04. Wrote A Song For Everyone
05. Bad Moon Rising
06. Lodi
07. Cross-Tie Walker
08. Sinister Purpose
09. The Night Time Is The Right Time



Creedence Clearwater Revival - Bayou Country

1. "Born on the Bayou" (J. Fogerty) – 5:16
2. "Bootleg" (J. Fogerty) – 3:03
3. "Graveyard Train" (J. Fogerty) – 8:37
4."Good Golly Miss Molly" (Robert "Bumps" Blackwell, John Marascalco) – 2:44
5."Penthouse Pauper" (J. Fogerty) – 3:39
6. "Proud Mary" (J. Fogerty) – 3:09
7. "Keep On Chooglin'" (J. Fogerty) – 7:43


A ditadura da mídia monopolista mercantil

Emir Sader


O que mais chama a atenção na entrevista do Lula ao Estadão não são seus argumentos mas, antes de tudo, o fato de que o discurso do governo não chega à população. Oferece-se um cardápio aparentemente diferenciado de cronistas, de jornais, de revistas, de canais de televisão, de rádios, mas em nenhum deles a população fica conhecendo a opinião do governo, a justificativa dos seus atos, a palavra do presidente em que o povo majoritáriamente votou para eleger e reeleger como presidente do Brasil.

Os órgãos da mídia da oligarquia privada reivindicam publicidade do governo conforme o que seria a audiência que teriam nas pesquisas. E atacam violentamente qualquer recurso que o governo destine a órgãos públicos de divulgação ou à publicidade das ações do governo.

No entanto, qual é a pesquisa mais abrangente, em que o povo brasileiro, depois de muitos meses de campanha, dispondo de várias alternativas, se pronunciou sobre sua vontade política? O processo eleitoral do ano passado. O que esse processo apontou? Que Lula dispõe de ampla maioria – apesar da brutal oposição monopolista -, delegada democraticamente pelo povo brasileiro para governar o país. O que lhe impõe também a obrigação de relatar ao povo brasileiro sobre as realizações e os problemas do seu governo, o que deve fazer mediante órgãos públicos e divulgação na imprensa em geral.

Um dos maiores erros do governo foi o de minimizar a democratização dos meios de comunicação, como que aceitando que quatro famílias detentoras de meios privados, queiram deter o monopólio da formação da opinião pública. Para testar se há democracia e pluralismo na imprensa brasileira, podemos perguntar-nos: eram conhecidos publicamente os argumentos de Lula? Só na campanha eleitoral, quando as candidaturas dispõem de espaços públicos para se manifestar, independentemente da imprensa monopolista privada. No que depender desta só sua voz domina o espaço público.

Conhecemos a reiteração cotidiana dos argumentos da oposição, em que os jornais são cada vez mais parecidos entre si, as colunas dos jornais e da televisão parecem escritos pela mesma pessoa, em que os desígnios autoritários das quatro famílias se impõem na fabricação ditatorial das informações, em que a editorialização predomina sobre a informação.

Não há na imprensa o ponto de vista do governo, que é majoritário no país. A imprensa monopolista privada, assim, revela ser uma imprensa anti-democrática, não pluralista, que não respeita o direito da maioria, que não reflete a vontade e o interesse da maioria da população. É uma imprensa opositora, derrotada nas eleições gerais do país, de forma democrática e insofismável. Mas que insiste em afimar, de forma falsa, que representa “os interesses do país”, quando na verdade defendem os pontos de vista e os interesses derrotados, minoritários no Brasil.

Valem-se da força que o monopólio privado lhes concede para tentar impor esses interesses contra a maioria da população. Impedem que o ponto de vista majoritário seja expresso nos espaços que controlam. Tentam se situar como juízes da democracia, quando o que impera nas suas empresas é o nepotismo, a propriedade familiar, sem nenhum controle democrático, redações sem democracia, colunistas que escrevem na mesma linha de apoio à posição dos donos do jornal, noticiário totalmente editorializado, espaços sem pluralismo, nem debate entre posições diferenciadas, oposição politica cega, de direita, conservadora, anti-popular. Não há democracia nos meios de comunicação no Brasil, campo dominado por algumas empresas familiares, monopolistas, mercantis. São um núcleo homogêneo nos pontos de vista e nos interesses que defendem, que tem que ser derrotado pela combinação de políticas públicas democráticas, pluralistas, por iniciativas populares e democráticas fora do Estado, que representem os pontos de vista hoje dominantes no país, e que derrotem a hegemonia oligopólica nos meios de comunicação.

Sem democratização dos meios de comunicação, o Brasil nunca chegará a ser uma democracia.

Música - Tim Maia - Tim Maia - 1973

1-Réu confesso
(Tim Maia)
2-Compadre
(Tim Maia)
3-Over again
(Tim Maia)
4-Até que enfim encontrei você
(Tim Maia)
5-O balanço
(Tim Maia)
6-New love
(Roger Bruno - Tim Maia)
7-Do your thing, behave yourself
(Tim Maia)
8-Gostava tanto de você
(Édson Trindade)
9-Música no ar
(Tim Maia)
10-A paz do meu mundo é você
(Mita)
11-Preciso ser amado
(Tim Maia)
12-Amores
(Tim Maia)

Copiado de: CapsulaDaCultura

Jimi Hendrix & B.B. King -The Kings Jam


Copiado de: 360Grauss

Captura e não seqüestro
Bourdoukan

Agora é oficial. A ONU acaba de reconhecer que as Fazendas de Shebaa ocupadas por Israel pertencem ao Líbano. Por tanto, quando os guerrilheiros do Hizbullah enfrentaram o exército israelense, eles estavam defendendo seu país. Sendo assim, e de acordo com o Direito Internacional, eles não seqüestraram, mas capturaram os dois soldados israelenses, motivo esse alegado pelo governo de Israel para invadir o Líbano.

Os guerrilheiros do Hizbullah, por esse mesmo Direito, deixam de ser considerados terroristas e passam a ser patriotas, a exemplo dos maquis franceses durante a ocupação nazista. É claro que falar em Direito Internacional nas atuais circunstâncias não quer dizer muita coisa já que para Bush et caterva, Direito Internacional e nada, é a mesma coisa.

Quando o sistema agoniza, não há Direito que resista. Ou alguém ainda tem dúvidas sobre o ocaso do atual sistema?

Mas voltando ao Hizbullah, e para que não paire nenhuma dúvida, é muito importante ressaltar que ao defender o Líbano contra a invasão sionista, essa sua atitude pode ser comparada também aos resistentes que professavam a religião judaica no gueto de Varsóvia. Eles, igualmente, foram vítimas de um governo títere, a exemplo do governo do Líbano, (ou alguém consegue explicar a imagem constrangedora do presidente Siniora cumprimentando Condoleeza Rice quando o povo libanês era massacrado?) que não esboçou nenhuma resistência e abriu suas portas aos invasores nazistas.

Todo mundo sabe o que aconteceu no gueto de Varsóvia. Os resistentes eram chamados de terroristas (como a mídia faz hoje com o Hizbullah). Foram massacrados e os raros sobreviventes, lamentavelmente, repetiram, e continuam aplicando, os ensinamentos nazistas contra os palestinos.

E mais, em pleno século 21, os israelianos (governantes arianos de Israel) ocupam três nações (Palestina, Líbano e Síria) e ainda posam de vítima. Com apoio, naturalmente, dos pilantras da mídia planetária e de seus asseclas, que confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresa.

*Publicado em Caros Amigos de agosto
Reforma agrária com quem?



Wladimir Pomar


Enquanto o STF resolve aceitar as denúncias contra ex-dirigentes do PT, acusados de ações pouco edificantes, as lideranças e a intelectualidade do movimento camponês procuram demonstrar que a pequena agricultura pode atender às "demandas históricas da sociedade brasileira", em termos de saneamento, moradia e alimentos, em contraposição às distorções que o agronegócio do "velho latifúndio" estaria impondo à sociedade brasileira.

Embora aparentemente uma coisa nada tenha a ver com a outra, ambas são expressões da complexidade da luta social e política no Brasil. Aqueles ex-dirigentes parecem haver acreditado que poderiam utilizar impunemente os métodos dos aliados burgueses, esquecendo que aquilo que a burguesia permite aos seus não permite a seus adversários de classe. As lideranças e a intelectualidade camponesas querem transformar sua defensiva em ofensiva atacando a produção dos biocombustíveis, esquecendo que um ataque ao produto pode não significar um ataque ao sistema que o fabrica.

Elas argumentam que, se fosse para resolver as necessidades energéticas do povo brasileiro, não haveria por que multiplicar a produção da "monocultura de cana". Existiriam outras formas de atender às necessidades do país, como as energias solar e eólica. Aliás, o mesmo argumento que utilizam para opor-se à construção de hidrelétricas.

Também argumentam que, ao dar prioridade ao etanol, haveria incentivo à produção de um combustível para colocar não no tanque dos ônibus e melhorar a condição do transporte coletivo, mas para atender à classe média, para alimentar os carros de quem tem o seu próprio veículo. O padrão de consumo movido a carros individuais, modelo de consumo norte-americano, seria um modelo de sociedade em crise, não o modelo que se quer para a sociedade brasileira.

Argumentam ainda que, ao dar prioridade aos biocombustíveis, estaríamos limitando a produção de alimentos, destruindo o meio ambiente e colocando a vida de trabalhadores em jogo. Finalmente, mas certamente não como final, argumentam que a produção de biocombustíveis apenas serviria para reforçar a concentração da terra e a acumulação do grande capital, nacional e internacional.

Todos são argumentos importantes, mas discutíveis. O primeiro, por envolver problemas econômicos e técnicos que não levaram em conta. O terceiro e o quarto, porque é possível ocorrer tanto o que afirmam, quanto, ao mesmo tempo, aumentar a produção de alimentos, incentivar a proteção ambiental, melhorar a situação dos trabalhadores e forçar a desconcentração da terra e do capital. Porém, no momento, o que nos interessa é o segundo argumento. Afinal, com quem os camponeses vão se aliar para fazer a reforma agrária se colocam como inimiga a classe média urbana? Podem até ter razão sobre o padrão irracional de consumo. Mas, do ponto de vista social e político, seu argumento leva ao isolamento político. O que preferem?

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

A violência Urbana e o Papel do Filósofo Pragmatista


A direita não-radical brasileira imagina que pode conter a violência urbana através da educação. Todavia, seus partidos, uma vez no poder, pouco fazem pela educação brasileira. O MEC já esteve vários anos na mão do PFL (hoje DEM) e de alas conservadoras do PSDB e PMDB e o resultado foi diminuto. A esquerda não radical brasileira imagina que pode conter a violência urbana através de programas sociais. Todavia, seus partidos, uma vez no poder, apelam para uma via ligada mais ao populismo do que a um sólido programa de desenvolvimento. O PT aplica uma política social, hoje, que não é mais criativa que a gerada com o varguismo. Os resultados não indicam êxito quanto a questão da violência urbana.

Para além do que a direita e a esquerda fornecem como soluções, ainda que só verbalmente, há especialistas que entendem que a violência urbana não pode ser pensada sem que tenhamos olhos corajosos para o sistema de punição existente no Brasil, sobre questões específicas da justiça.

Os americanos estão preocupados, hoje, não com a punição em si, mas com o fato deles terem uma sociedade punitiva de um modo muito amplo. Os Estados Unidos possui proporcionalmente muito mais presos do outros países desenvolvidos. Tem 40% a mais de presos do que países que também são campeões nessa modalidade pouco dignificante, como a Rússia ou as Bahamas, por exemplo. A indústria americana da prisão emprega mais gente, hoje, do que a General Motors, a Ford e a rede Wal-Mart juntos. E o número de detentos é assustador: em dezembro de 2006 os Estados Unidos contavam com dois milhões e vinte e cinco mil presos espalhados em cinco mil penitenciárias e cadeias ao longo do país. Vários cientistas sociais americanos estão convencidos de que a ampliação sem critérios da criminalização de inúmeras práticas sociais tem um peso alto nisso tudo.

No Brasil, deveríamos observar esse detalhe. A nossa Justiça é cara – sabemos disso. Mas é, também, lenta, e isso se deve, em boa medida, ao fato de que temos seguido padrões de ampliação indiscriminada do que é que deve ser cuidado por juízes. Pior ainda, ampliamos de modo não criterioso o que deve ser punido com encarceramento. E todas as vezes que tentamos reformular esses padrões, terminamos por deixar soltos apenas os elementos que seriam considerados perigosos em toda e qualquer sociedade. Continuamos, no Brasil, a prender pais pobres que não pagam pensão alimentícia, pessoas que cometeram pequenos furtos e, até mesmo, completos inocentes confundidos com bandidos. E isso sem falar na questão da droga, que não se resolve, pois continuamos sem uma política que seja capaz de desmontar o tráfico; mas, ao contrário, o incentiva na medida em que só sabe ampliar o que deve ser punido com cadeia.

Esses problemas são da ordem daqueles que meu amigo, o antropólogo Luis Eduardo Soares (ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro), tenta resolver. Como eu, ele imagina que alguns ensinamentos do pragmatismo do filósofo estadunidense Richard Rorty, pode no ajudar nisso. Da minha parte, tendo a ficar nas questões mais filosóficas da violência urbana. Por exemplo, estou convencido que nós, filósofos de esquerda e democratas, estamos inexoravelmente no interior de uma “guerra semântica”, ligada à violência. Precisamos encontrar novos jargões para tratar com certos grupos urbanos e certas práticas, de modo a amenizar preconceitos que geram violência – por ódio ou simplesmente por insensibilidade.

Por exemplo, quando olhamos para jovens que queimam índios ou batem em empregadas domésticas e dizem, respectivamente, “parecia que era um mendigo” e “parecia apenas uma prostituta”, imaginando que tais respostas são desculpas possíveis e que amenizariam o que fizeram de errado, devemos pensar melhor sobre o caminho da violência. De modo relativamente independente de classes sociais e de miséria, não há jargões que promovem a violência? “Prostituta” ou “puta” não são expressões que precisariam ganhar uma reformulação?
Todavia, como introduzimos determinados jargões? Meios de comunicação? Salas de aula? Cartilhas governamentais do “politicamente correto”? Tudo isso pode ser útil, menos as cartilhas – elas causam o efeito inverso.

Todavia, devemos imaginar que há palavras que não irão ser trocadas, nos levando a comportamentos menos agressivos, só com ações, digamos, comunicacionais ou educacionais. Às vezes, um novo jargão precisa de um empurrão no campo social um pouco maior para se efetivar. No caso das prostitutas, não adianta muito chamá-las de “profissionais do sexo” se, de fato, elas não forem reconhecidas por lei como profissionais. Uma legislação trabalhista mais avançada deveria dar conta do que é vender serviços que impliquem carinho físico e aconchego. Há babás, para cuidar de crianças. Não há razão de não haver babás de adultos, que cuidam de homens e mulheres que precisam pagar para serem cuidados, e que não estão doentes no sentido de precisarem de enfermeiras, mas estão carentes no sentido de que precisam de acompanhamento que pode envolver relações sexuais.

Há jargões que, sozinhos, conseguem ter força. Mas há alguns que, mesmo solitários, dão sorte. Por exemplo, a troca da palavra “bicha” ou “viado” por “homoerótico” ou “homossexual” não adiantou nada. Mas a troca de todas essas palavras por “gay” adiantou muito, ao menos no Brasil. Muitas pessoas não ficam constrangidas em dizer “gay” para outras ou para si mesmas. Isso avançou e, hoje, muitos gays até se tratam por “viados”, sem achar que há ofensa nisso. Ou seja, a palavra “gay” teve sucesso imenso e até pode, na ressaca de sua revolução, produzir efeitos positivos em relação a outros termos que, no passado, haviam sido substituídos.

É claro que quando se trata dos garotos ricos de Brasília que queimaram o índio e disseram que o confundiram com um mendigo, assustamos. Pois, neste caso, esperávamos que a revolução semântica cristã – que ensinou a associar a palavra “mendigo” a quem precisa de proteção – tivesse alcançado seus lares. Mas não foi o caso. Então, neste ponto, começamos a nos perguntar qual a razão de determinadas semânticas, que pareciam consolidadas, não terem força em determinados grupos. Ora, podemos imaginar que alguns grupos, desde sempre, perceberam que certas semânticas deveriam ser rechaçadas. Por exemplo, sabemos que em determinados grupos há um jargão interno que os blinda contra a sociedade. Há grupos que, em público, não usam a linguagem tomada como preconceituosa, e até fingem estar adotando uma espécie de “politicamente correto”. Mas, uma vez fechados em seus covis, tomam várias palavras associadas a sentimentos de ódio. Grupos de direita, no Brasil, incentivam em comunidades da internet, o uso de termos como “nordestino” e “negro” como palavras que devem denotar “gente baixa”. Às vezes podem passar desapercebidos, pois há grupos que estão aquém (saudavelmente) de perceber que eles estão usando tais termos de modo pejorativo, pois adotam tais termos com orgulho – negro e nordestino, para negros e nordestinos, na maioria, são termos que causam orgulho, e com razão.

Como que esses grupos que se escondem em covis fazem tal coisa? Eles se aproveitam da revolta geral que o “politicamente correto” causa, quando este aparece como censura. Então, em nome de um libertarismo que, no fundo, odeiam – pois são totalitários –, esses grupos conservadores, às vezes até fascistas, provocam campanhas contra o que seria uma censura imposta pelos intelectuais ou pela esquerda. No Brasil, o governo Lula editou cartilhas do “politicamente correto” que só serviram para incentivar a reação de grupos de direita.

Assim, a questão semântica no âmbito da luta pela diminuição da violência urbana é uma questão delicada. A censura é o pior caminho. A idéia de que lições escolares podem resolver, é um caminho ingênuo. O bom caminho é o dos meios de comunicação e, principalmente, o utilizado pelos intelectuais que são tomados como modelos pela sociedade, e que possuem acesso a meios de comunicação. Mas isso não pode ser feito pelo Estado. Celebridades também desempenham um papel central nisso tudo. Quando elas dão sorte – no bom sentido – ao lançarem bordões ou jargões ou palavras, isso pode colaborar com saltos enormes no plano de nosso caminho civilizatório. Há jingles que funcionaram mais que muitas passeatas, contra a violência. No caso dos gays, Jô Soares fez muito em favor da revolução semântica quando criou o Capitão Gay. Não só o personagem, mas o jingle, que era adorado pelas crianças e, então, admitido pelos pais. Aos poucos, eles perceberam que aquela figura engraçada do Capitão (e de seu ajudante) trazia uma música que todos gostavam e que tudo aquilo era, mesmo, muito gay, literalmente falando, ou seja, alegre. Aquilo, sim, foi um trabalho histórico na TV.

Ter clareza sobre isso é um trabalho da filosofia diante dessas pessoas – cotidianamente. E, nesse sentido, filósofos que estão na “guerra semântica”, filósofos rortianos e davidsonianos, têm muito que fazer no contato com pessoas que dominam as atenções do grande público.
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PAULO GHIRADELLI JR., doutor e mestre em filosofia pela USP; doutor e mestre em filosofia da educação pela PUC-SP, livre docente e titular pela UNESP, pós-doutor em medicina social pela UERJ. Diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana – www.pragmatismo.com . Editor da Contemporary Pragmatism de New York. Site pessoal: www.ghiraldelli.pro.br Blog: http://ghiraldelli.blogspot.com

domingo, 2 de setembro de 2007

LED ZEPPELIN - LED ZEPPELIN
Visceral Euforia Virtuosa

Quando se fala em Led Zeppelin, é impossível dissociá-lo do rótulo de precursor do heavy metal. Tanto assim que sua mistura de rock pesado com blues, psicodelia e folk representou um norte e tanto para uma porção de bandas que surgiriam depois. Quanto às influências, apenas para citar algumas, tem-se Elvis Presley, Muddy Waters, Willie Dixon, Beatles, Rolling Stones. O embrião do grupo foi uma banda montada por Jimmy Page, “The New Yardbirds” (obviamente formada a partir das cinzas do Yardbirds, grupo que se notorizou por ter revelado, além de Jimmy Page, outros dois grandes guitarristas ingleses Eric Clapton e Jeff Beck). Em 1967, Page é abandonado pelos músicos da banda. Porém como havia shows pendentes e dívidas a serem pagas, ele foi à cata de uma nova formação. O baixista John Paul Jones, o primeiro a fazer parte do novo projeto, indica o vocalista Robert Plant, membro de um grupo chamado "Hobbstweedle", que se uniu aos dois, trazendo consigo o baterista John Bonham (na minha opinião, um dos maiores bateristas de toda a história da música). Cumpridos os compromissos, em 1968 a banda adota o nome definitivo e grava o primeiro disco “Led Zeppelin”, que é lançado em janeiro do ano seguinte. Este álbum foi o resultado perfeito da combinação do blues + rock, demontrada pelo peso da guitarra de Page, pelo baixo intenso de Jones, pela bateria alucinada de Bonham e pela voz, por vezes, aguda, por vezes, rascante, de Plant. Era um som original, com vínculo (emocional e racional) no blues, mas tocado de modo um pouco mais pesado. Um álbum, enfim, que introduziu signifcativos conceitos para o rock, a partir de uma interpretação extremamente original daquele gênero. O álbum tem início com “Good Times Bad Times”, faixa de um pouco mais de dois minutos e meio que apresenta e sugere a sonoridade adotada pela banda. Com uma bateria vigorosa, a canção conta com um belo solo (embora curto) de Page e apresenta a voz de Plant um pouco mais contida. Canção arrebatadora!! Excelente faixa para abrir um álbum desse calibre. A faixa seguinte é uma das minhas preferidas de toda a discografia da banda: "Babe, I'm Gonna Leave You". Conduzida por uma guitarra acústica, a canção, que não é composição da banda, mas sim uma canção tradicional inglesa, segue por quase um minuto com o dedilhado delicado de Page servindo de base à voz, calma, de Plant. De repente vem a bateria e o baixo, que ficam até mais ou menos quatro minutos se alternando com o vocal solitário de Plant, quando irrompe um hard rock de primeira que se sustenta até o final. Uma aula de como misturar folk com rock pesado. A música seguinte é a versão definitiva para o clássico “You Shooke Me”, de Willie Dixon. O Led Zeppelin toma essa fantástica canção e a transforma em um sedicioso e elétrico rock and roll. Blues sendo tocado de forma pesada e visceral. Três momentos dignos de nota: o órgão tocado por Jones, a harmônica executada por Plant, e o duelo, já na parte final da canção, entre o vocal de Plant e a guitarra de Page. De arrepiar!! E quando, ao ouvir os últimos acordes dessa canção, você pensa em respirar, se refazer, surge - emendada - outra paulada: “Dazed and Confused”, um virtuoso rock pesado, que poderia muito bem ilustrar o tipo de som do grupo. Com uma introdução matadora, na qual o baixo de Jones, soando como se numa valsa, se solidariza aos acordes de Page, que abre espaço para os versos cuspidos por Plant, para em seguida surgir a bateria de Bonham, e dali um riff espetacular, a canção se mantém vigorosa o tempo todo, na qual todos os componentes demonstram a sua competência. São quase seis minutos e meio de puro delírio musical. Um clássico. Há uma versão dessa música no cd ao vivo “The Song Remains the Same”, de 1976, no qual o delírio se prolonga por quase 27(!!!) minutos. Vale a pena dar uma conferida. Na seqüência, as coisas se acalmam um pouco. Primeiro vem “Your Time Is Gonna Come”, uma bela canção folk, meio despretensiosa, mas mesmo assim, marcante. Em seguida, colada a essa, “Black Mountain Side”, que já acenava a influência da música celta para o grupo, o que iria se confirmar em álbuns posteriores. “Communication Breakdown” retoma o peso de antes, fazendo par com a canção de abertura. Música perfeita para se iniciar uma coletânea. Pauleira pura!!! A penúltima canção é mais uma homenagem a um dos ídolos da banda, Willie Dixon. Como se não bastasse “You Shooke Me”, a banda recria mais um clássico do mestre do blues: “I Can´t Quit You Baby”. Blues em estado de graça! Canção para se ouvir “n” vezes sem se cansar. Difícil dizer qual versão é melhor. Na dúvida, fique com as duas. O álbum termina com a épica “How Many More Times”, de oito minutos e meio. Energia rock-blues concentrada em uma única canção. Precisão rítmica e melódica. Canção que beira à excelência para fechar um álbum excepcional. E isso foi apenas o início da banda. Porém, o melhor início que se poderia querer. Nossos corpos, almas e corações, enternecidos, agradecem.
Copiado de:DasTripasMusica
MPF processa TV Globo por enriquecimento ilícito

Por Gláucia Milicio

O Ministério Público Federal ajuizou, na 2ª Vara Federal de São Paulo, Ação Civil Pública contra a TV Globo e a Editora Globo, acusadas de enriquecimento ilícito em razão da promoção "Jogada da Sorte", feita durante o Campeonato Brasileiro de 2003. O sorteio era feito pelo apresentador Fausto Silva, no Domingão do Faustão.

De acordo com o procurador da República Luiz Fernando Gaspar Costa, que assina a ação, a campanha resultou em arrecadação de 14,8 milhões decorrentes da venda de 4,9 milhões de fascículos da promoção. Segundo ele, o MPF constatou que "tal evento foi promovido de maneira ilícita, por contrariar os dispositivos legais presentes na Lei 5.768/71, que trata da distribuição gratuita de prêmios".

De acordo com a lei, a distribuição gratuita de prêmios a título de propaganda, quando efetuada mediante sorteio, vale-brinde, concurso ou operação assemelhada, dependerá de prévia autorização do Ministério da Fazenda. O MPF afirma que não havia autorização.

O procurador ressaltou que a promoção feita pelas rés não foi gratuita e não serviu para fins de dar publicidade a qualquer produto. Segundo ele, o fascículo consistia apenas em uma saída para o consumidor dar dinheiro para concorrer aos prêmios.

"Caso as empresas tivessem feito a promoção nos termos da lei, o montante mencionado não teria sido arrecadado, permanecendo ele em poder das centenas de milhares de pessoas que adquiriram onerosamente os fascículos ilicitamente vendidos nas casas lotéricas de todo o Brasil", registrou o procurador na ação.

Ele ressaltou, ainda, que é necessário reconhecer que o enriquecimento ilícito em favor da TV Globo e da Editora Globo gerou prejuízo às empresas concorrentes das rés. Assim, solicitou que as empresas sejam condenadas a restituir o montante indevidamente adquirido. Saiba mais

Fonte: SJPDF