sábado, 19 de abril de 2008

AS ELEIÇÕES NO PARAGUAI


Frei Betto - Adital

No próximo domingo, 20 de abril, os eleitores paraguaios irão às urnas escolher, em turno único, o novo presidente do país. Disputam a eleição o ex-arcebispo católico Fernando Lugo; Blanca Ovelar, do Partido Colorado; e o general Lino Oviedo, ex-dirigente deste partido, acusado de participar do assassinato, em 1999, do ex-vice presidente Luis María Argaña (o que o obrigou a exilar-se quatro anos no Brasil).

Lugo, 57 anos, lidera as pesquisas eleitorais. Identificado com a Teologia da Libertação, faz questão de frisar que a sua "opção preferencial pelos pobres" não é política, é pastoral. Sabe que representa uma séria ameaça à hegemonia do Partido Colorado, há 60 anos no poder, inclusive através da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Fernando Lugo vive na pele a trágica história recente de seu país. Seu pai esteve preso mais de 20 vezes. Três de seus irmãos foram torturados e expulsos do Paraguai. Em 1983, também o expulsaram, devido a sermões considerados subversivos. Retornou em 1987. Ordenado bispo de San Pedro em 1994 renunciou ao ministério episcopal e aceitou candidatar-se frente ao apelo público subscrito por mais de 100 mil eleitores.

Apoiado pela Aliança Patriótica para a Mudança, que reúne nove partidos, e o Movimento Tekojoja (Vida Partilhada, articulação de movimentos populares), Lugo considera que seus principais adversários são a corrupção, a pobreza e a ignorância. "A maneira mais rápida de fazer fortuna no Paraguai é fazer política", assinala. Por isso, teme-se a tentativa de fraude na eleição de domingo.

Com pouco mais de 6,5 milhões de habitantes, e reservas de US$ 2,5 bilhões, o Paraguai ainda depende de sua economia agropecuária, voltada à exportação, sobretudo para a Argentina e o Brasil. Mais de 50% da população vivem abaixo da linha da pobreza, e 35% na miséria absoluta.

O país, no entanto, é rico em reservas de petróleo e recursos hídricos, e grande exportador (e não consumidor) de energia elétrica, através das usinas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá, construídas com capitais brasileiro e argentino, e cujos tratados foram assinados por ditaduras militares.

Se eleito, Lugo está decidido a convocar o Brasil a renegociar o Tratado de Itaipu. A energia paraguaia é vendida ao Brasil a baixo preço, que ele pretende multiplicar por sete, o que garantiria ao país vizinho uma arrecadação anual de US$ 1,8 bilhão. Tudo indica que o presidente Lula não poria obstáculos à renegociação.

Lugo quer ainda promover a reforma agrária para beneficiar 300 mil famílias sem-terra (70% das terras produtivas pertencem a 2,5% dos proprietários); e valorizar cooperativas e pequenas empresas, de modo a sintonizar o crescimento econômico com o desenvolvimento social. Propõe-se também superar a relação assimétrica do Paraguai com os demais países do Mercosul.

O Partido Colorado domina todo o aparelho estatal e judiciário do Paraguai. Lugo se dispõe a resgatar a autonomia dos juízes e despartidarizar a máquina estatal. Cerca de 90% da população é bilíngüe, se expressa em espanhol e guarani, embora este povo indígena represente, oficialmente, apenas 0,7% da população. Mas, pela primeira vez na história do Paraguai, uma indígena guarani é candidata a senadora.

No século XIX, o Paraguai foi o país mais independente, justo e evoluído da América do Sul. Instigados pela coroa britânica, Brasil, Argentina e Uruguai o guerrearam de 1864 a 1870. Dos 160 mil soldados e oficiais brasileiros, 50 mil não retornaram. E pelo menos 300 mil paraguaios, entre civis e militares, morreram na guerra.

As Forças Armadas do Brasil devem à nação a abertura dos arquivos da guerra do Paraguai, e também da ditadura militar (1964-1985).

* Frei dominicano. Escritor.

Janis Joplin & Jorma Kaukonen - The Typewriter Tape - 1964


img187/8702/typewriter1gu3qh2.jpg

1. Trouble In Mind 3:44
2. Long Black Train 3:59
3. Kansas City Blues (False Start) 0:19
4. Kansas City Blues 3:01
5. Hesitation Blues 4:18
6. (Strumming) 0:14
7. Nobody Knows When You're Down 3:18
8. Daddy, Daddy, Daddy 3:58

Gravado em 30 de junho de 1964.

http://img73.imageshack.us/img73/2476/47319335hj2.jpg

Janis Joplin - Vocals
Jorma Kaukonen - Guitar
Margareta Kaukonen - Typewriter

A primeira gravação de Janis, com
Jorma Kaukonen o futuro guitarrista de Jefferson Airplane,
gravado na casa dele e com
Margareta Kaukonen fazendo as percussões com una máquina de escrever (typewriter).

Créditos:LoLoBLog


O Poder Paralelo

Fausto Brignol

Fica cada vez mais claro que a chamada "abertura" política, com a consequente nova Constituição e eleições diretas, em 1989, foi mais uma concessão dos militares do que uma conquista do povo. Isso aconteceu em toda a América Latina onde haviam ditaduras militares orquestradas pelos Estados Unidos. Houveram acordos tácitos, não escritos, entre as elites civil e militar para que o povo pudesse votar a cada dois ou quatro anos, elegendo os seus representantes, o que pareceria, aos olhos do próprio povo, que estaria vivendo em uma democracia.
O recente episódio entre o comandante militar da Amazônia e o presidente Lula mostra de que lado estão os militares, que são e sempre foram golpistas de plantão a serviço dos Estados Unidos. Eles são treinados nas bases amerikanas e obedecem, servilmente, as ordens de seus verdadeiros patrões. Haja vista a intervenção brasileira no Haiti, ajudando a formar uma "força de paz" da ONU - leia-se Estados Unidos - contra o que eles apelidaram de bandidos e desordeiros e que, na verdade, são pequenos focos de guerrilha contra a situação calamitosa daquele país.
A declaração dos militares de que as Forças Armadas não obedecem aos Governo, mas ao Estado deixa claro a consciência que os militares tem, atualmente, de que estão acima do Governo. E isso é um sintoma de golpismo. Da mesma forma, a aceitação subserviente do Ministro Nelson Jobim revela o quanto o Governo encontra-se desarmado e inerte em relação ao poder paralelo representado pelas Forças Armadas.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Cuba liberaliza agricultura:
de volta ao capitalismo?


Anunciadas discretamente, medidas visam sanar enorme déficit alimentar da ilha e retomam um antigo debate: como organizar a produção, em sociedades não comandadas pelo mercado?
As duas medidas começaram a ser adotadas sem alarde: nenhum discurso de dirigentes, nenhum artigo no Granma ou no Juventud Rebelde. Mas são para valer. Em diversas reuniões regionais com produtores rurais, autoridades do ministério da Agricultura de Cuba têm anunciado que: a) o planejamento da produção rural deixará de ser feito em Havana, e passará ao plano local; b) os agricultores poderão comprar autonomamente os insumos (ferramentas, equipamentos de irrigação, fertilizantes, cercas e roupas apropriadas) de que precisam para produzir, ao invés de recebê-los do Estado. As primeiras lojas já foram abertas. Não se aceitam pesos cubanos — apenas CUCs, atrelados ao dólar.

As mudanças confirmam o sentido de dois discursos pronunciados pelo novo presidente, Raúl Castro, nos últimos meses. Em julho do ano passado, ao falar na província agrícola de Camaguey, ele preconizou mudanças “estruturais” no campo, considerando-as necessárias para produzir mais alimentos e reduzir a dependência externa. Em 24 de fevereiro último, ao assumir o posto que era de seu irmão, ele afirmou que algumas restrições impostas aos camponeses “causam mais mal que bem” e prometeu eliminá-las em breve. Além disso, o secretário de Cultura do Partido Comunista Cubano, Eliadas Acosta, acaba de declarar (19/3) à imprensa internacional que o governo está estudando uma série de medidas “que o povo espera e são necessárias”. Não especificou quais são.

É possível que o semi-sigilo em torno das últimas decisões esteja relacionado ao prolongado (e quase sempre tenso) debate que a tradição marxista travou, pelo menos desde a Revolução Soviética, sobre o papel do planejamento estatal na construção do socialismo. Muitos dos participantes desta polêmica veriam as decisões agora adotadas em Cuba como um retorno à lógica do capital. Era esta a posição que prevalece na ilha hoje — embora tenha havido diversos ziguezagues, desde a tomada do poder pela guerrilha comandada por Fidel, em 1959.

A crítica do marxismo ao mercado era precisa.
O problema foram as alternativas…


Para o marxismo do século 20, a construção do socialismo baseava-se na conquista do poder e no controle da produção. O mercado era visto (corretamente…) como uma máquina de produzir desigualdades e irracionalidade. Ele tende a criar um abismo cada vez mais largo entre os mais e os menos favorecidos, numa sociedade. Imagine, para um exemplo muito simples, uma feira livre onde os camponeses oferecem diretamente seus produtos ao público. Aqueles que têm solo mais fértil, água mais abundante, conhecimentos ou capacidade empreendedora superiores, poderão vender produtos melhores ou mais baratos, conquistar fregueses, ampliar seus ganhos, adquirir máquinas e equipamentos que os tornarãm cada vez mais eficientes e competitivos.

Devido à própria eficiência, obrigarão os demais a vender suas terras, tornar-se assalariados e… ser demitidos, por ocasião das ondas de modernização tecnológica. O mesmo mercado, cujas leis básicas são o egoísmo e o lucro, estimulará os agricultores, neste exemplo, a devastar florestas e utilizar maciçamente agrotóxicos e sementes transgênicas. Farão isso sempre que houver relação custo-benefício favorável — ainda que as conseqüências para a natureza, ou a saúde dos consumidores, sejam ruins.

Preciso na crítica, o velho socialismo fracassou em oferecer uma saída superior ao comando dos mercados. A estatização da produção (em Cuba, 90% do PIB é gerado em empresas sem nenhuma autonomia real frente ao Estado) e o planejamento central separaram (”alienaram”) quem produz de quem decide. Ao invés de empreender, esperam-se ordens. Todas as decisões essenciais sobre o que e como produzir no setor rural da ilha eram tomadas, por exemplo, no edifício de 17 andares do ministério da Agricultura. Os próprios dirigentes locais do ministério eram vistos como “gente que apenas joga os problemas para a frente, porque não tem nem recursos, nem poder, para resolver nada”, segundo o presidente de uma cooperativa agrícola ouvido por Mark Frank, repórter da Agência Reuters.

Os agricultores queixavam-se. “A terra não espera, quando precisa de algo”, disse a Patrícia Grogg (da Agência IPS), Rubén Torres, um agricultor familiar de Villa Clara. Talvez por isso, a ineficiência da produção cubana de alimentos é caricatural. As importações necessárias para manter a população (11 milhões de habitantes, menor que a da cidade de S.Paulo) alimentada ultrapassam 1 bilhão de dólares ao ano, num país com enorme carência de divisas. A comida que um cubano médio pode adquirir num mercado é certamente menos variada, e de pior qualidade, do que a que se obtém na “xepa” de uma feira livre de uma capital brasileira.

As reformas são provocadas pela necessidade de encarar
o pós-Fidel. Mas julgá-las “capitalistas” seria grosseiro


As reformas são certamente impulsionadas pelo fim da era Fidel. Por quanto tempo uma população bem-formada, instruída e crítica poderá suportar a penúria alimentar (e a de itens básicos em geral), quando já não houver mais o símbolo humano que corporifica a revolução e suas conquistas?

Julgar que as novas medidas são, por si mesmas, um “retorno ao capitalismo”, seria empobrecer ao extremo o leque de alternativas ao sistema. Não haverá, além do estatismo, outras formas superar as lógicas do capital? Por que não dar ao agricultor liberdade de produzir — estabelecendo ao mesmo tempo, por exemplo, um sistema de tributos que redistribua a riqueza; normas severas de proteção ambiental; estímulos aos que optam por cultivar produtos orgânicos?
Reorganizar a produção de riquezas é um dos grandes desafios de Cuba, nos próximos anos. Será preciso (e não apenas no campo) superar a fase do planejamento burocrático, mantendo ao mesmo tempo conquistas como a igualdade, o acesso de todos a Educação e Saúde excelentes, o elevado nível cultural da população.

Haverá, certamente, impasses e solavancos. Instituído para atrair dólares e custear as importações, o sistema de duas moedas é uma terrível armadilha. Amplia incessantemente os privilégios dos cubanos com acesso a divisas estrangeiras, desfazendo a idéia de que todo es para todos e corroendo um dos trunfos simbólicos da revolução. Além disso, décadas de centralismo minaram a capacidade de empreendimento e autonomia.

Mas as mudanças revelam que a liderança cubana não está acomodada ao legado de Fidel, nem se limita a seguir burocraticamente seus passos. Busca saídas. É possível que aposte em trunfos como uma população intelectualmente refinada e criativa, ou o apoio e solidariedade internacional que Cuba sempre desperta, quando lança ao mundo sinais de esperança.

Créditos: EsquinaDemocratica

Egberto Gismonti - Dança das Cabeças (1977)



download parte I

download parte II





Mariza Abreu x Professores


A edição de hoje do Diário Oficial do Estado indica que a secretária estadual de Educação, Mariza Abreu, resolveu partir para o confronto com as entidades que representam os professores. Contrariando posicionamentos históricos de ex-secretários de Educação, Abreu preteriu os nomes preferenciais da lista tríplice indicados pelo CPERS para ocupar as vagas no Conselho Estadual de Educação. Mas não foi só. A secretária também preteriu o nome indicado pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Sinpro).

Enquanto isso, professores realizaram plenárias em seis municípios do Estado. Segundo o CPERS, as aulas foram suspensas em pelo menos 40 escolas de Porto Alegre, Caxias do Sul, Passo Fundo, Cachoeira do Sul, Santiago, Carazinho e Santana do Livramento. Em debate a pauta de reivindicações entregue ao governo do Estado no fim de março que, segundo os professores, até agora não avançou. Em Passo Fundo, centenas de educadores e estudantes promoveram uma caminhada no centro da cidade em protesto contra a política educacional do governo Yeda.

Na avaliação do CPERS, a intransigência de Mariza Abreu está impossibilitando qualquer avanço na discussão de temas que preocupam educadores, pais e estudantes. O Rio Grande do Sul está retrocedendo em suas políticas educacionais, denuncia o sindicato. “O Estado passou a conviver com salas de aula superlotadas, multisseriação e falta de professores e de funcionários. A precarização avança com o fechamento de laboratórios e bibliotecas”. No dia 25 de abril, os professores da rede pública estadual realizam sua segunda assembléia geral, no Gigantinho, em Porto Alegre.

Créditos:

Mephisto


Alemanha, 1930. Hendrik Höfgen (Klaus Maria Brandauer), é um ambicioso ator que não se interessa por política, se dedicando somente à sua carreira. Porém, quando os nazistas começam a tomar o poder, ele aproveita a oportunidade para interpretar peças de propaganda nazista para o Reich, e logo acaba se transformando no mais popular ator da Alemanha. Consumido pela fama, Handrik agora precisa sobreviver em um mundo onde a ideologia do mal é seu pior pesadelo e o verdadeiro preço da alma de um homem, se transforma na medida mais desprezível de todas.
créditos: Makingoff - parkyns
Gênero: Drama
Diretor: István Szabó
Duração: 144 minutos
Ano de Lançamento: 1981
País de Origem: Hungria / Alemanha
Idioma do Áudio: Alemão
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0082736/

Qualidade de Vídeo:
DVD Rip
Vídeo Codec: XviD
Áudio Codec: MP3
Áudio Bitrate: 128 kbps
Frame Rate: 23.976 FPS
Tamanho: 696 Mb
Legendas: No torrent


Klaus Maria Brandauer ... Hendrik Hoefgen
Krystyna Janda ... Barbara Bruckner
Ildikó Bánsági ... Nicoletta von Niebuhr
Rolf Hoppe ... Tábornagy
György Cserhalmi ... Hans Miklas
Péter Andorai ... Otto Ulrichs
Karin Boyd ... Juliette Martens
Christine Harbort ... Lotte Lindenthal
Tamás Major ... Oskar Kroge, színigazgató
Ildikó Kishonti ... Dora Martin, primadonna
Mária Bisztrai ... Motzné, tragika
Sándor Lukács ... Rolf Bonetti, bonviván


- Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (1981)
- Vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro em Cannes (1981)
- Indicado à Palma de Ouro em Cannes (1981)
- 7 outros prêmios conquistados. Lista completa em http://www.imdb.com/title/tt0082736/awards
István Szabó, diretor de Mephisto, nasceu em Budapeste, no dia 18 de fevereiro de 1938. Diplomou-se pela Escola Superior de Artes Teatrais e Cinematográficas, saindo da qual começou a rodar curtas-metragens (Concerto, Variações sobre o mesmo tema, Você). Seu primeiro longa-metragem foi Tempo de sonhar, seguido por biografias de gerações (Pai, Filme de Amor, Rua dos Bombeiros nº 25), seguido do filme alegórico intitulado Histórias de Budapeste. Em 1979 rodou sua obra intitulada Confiança, também indicada para o Oscar, reconhecimento que acabou vindo somente com seu filme seguinte, Mephisto, baseado num romance de Klaus Mann, e rodado em 1981. (Dentre seus filmes posteriores, Coronel Redl e Hanussen também tiveram indicações para o Oscar). Além de filmes para o cinema, fez também filmes para televisão e óperas. É vice-presidente da Academia Européia de Artes Cinematográficas desde 1991, e membro de diversas instituições nacionais e internacionais de cinema. É um excelente artista detentor do prêmio Kossuth.

Ganhou o Prêmio Joseph Pulitzer em 1996 pela produção da série "O cinema faz cem anos" da TV húngara Magyar Televízió. Em 1997 ganhou o prêmio Corvinus do Instituto Europa de Budapeste. É também importante sua atividade pedagógica: leciona como professor universitário desde 1985 na Universidade de Artes Teatrais e Cinematográficas.

Seu filme intitulado O gosto da luz do sol (Sunshine) produzido em 1999, ganhou o Prêmio de Cinema Europeu, e no ano 2000 foi eleito pelo The National Board of Review norte-americano, a Associação Nacional de Críticos, como um dos dez melhores filmes do ano.
Crítica
Mephisto é uma angustiada reflexão sobre a manipulação que os sistemas de força impõem aos indivíduos. O ator Heindrick (numa extraordinária interpretação do austríaco Klaus Maria Brandauer), que, no passado, em Hamburgo, esteve ligado a um teatro bolchevique, revolucionário e antiburguês, torna-se em Berlim mais uma força do nazismo, que acaba por manipular sua criatividade.

A linguagem de Mephisto é sóbria e sombria; há sempre uma objetividade muito forte, apesar dos símbolos goethianos de que se vale o cineasta húngaro. Buscando em Mefistófeles um equivalente da alma alemã (vendida ao nazismo), Mephisto é um trabalho de extrema sinceridade sobre a manipulação que o poder totalitário exerce sobre a personalidade das pessoas.

Se o nazismo se vale do facho de luz para atordoar os indivíduos e melhor dominá-los, o cinema, nas mãos de autores como István Szabó, dele se utiliza para aclarar a cabeça dos espectadores e alertá-los do perigo de ver estancadas suas aspirações mais pessoais graças à ingestão, em seu interior, dum simples facho de luz. (Eron Fagundes)

NÃO ESQUEÇA DE FAZER SEU REGISTRO NO MAKINOFF ANTES DE BAIXAR O FILME

Coopere, deixe semeando ao menos duas vezes o tamanho do arquivo que baixar.

Arquivo anexado Mephisto.DVDRip.XviD.by.MakingOff.Org.torrent


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Big Brother legislativo

Frei Betto

As CPIs andam precisando recorrer à UTI para uma cirurgia reparadora. Agem como delegacia em inquérito policial. Fulanizam denúncias de corrupção, como se meter a mão em dinheiro escuso decorresse apenas de desvios de caráter. Esquecem que a ocasião faz o ladrão, e não questionam as instituições nem a própria legislação do país, pela qual os parlamentares são responsáveis.

A exposição televisiva das CPIs fez delas uma espécie de Big Brother legislativo. O público fica de olho para ver quem vai para o paredão. Na onda do voyeurismo que assola o país, há uma perversa atração pelo espetáculo de humilhados e ofendidos por deputados que disputam a tapa as atenções da platéia de modo a angariar prestígio e votos. Prova disso é que poucos demonstram preparo para inquirir. Não investigam, não lêem relatórios, atuam movidos pelo ímpeto de destruir o partido adversário e blindar o próprio.

Uma casa legislativa não merece ser confundida com delegacia. Não condiz com a sua natureza pressionar os interrogados até que, sob tortura psicológica, passem à condição de réu. O ônus da prova cabe a quem acusa. A menos que o interrogado tome a iniciativa de admitir sua culpa, como ocorreu com vários acusados.

Não se pode reduzir a ética ao comportamento individual, como se fosse ele o único responsável pela corrupção. Há que levar em conta a teia de relações sociais e conexões institucionais configuradoras de realidade. Não basta identificar o corrupto, é preciso ir às causas da corrupção. Este o papel que distingue uma CPI de um inquérito policial.

Cabe ao Legislativo normatizar as instituições nacionais, imprimir-lhes legalidade, estabelecer seus direitos, deveres e limites, e também pesquisar as brechas na legislação que favorecem a corrupção. Como as empresas burlam o fisco e fazem caixa dois? Por que a facilidade em remeter fortunas ao exterior? O que dificulta a transparência na contabilidade dos partidos? Onde estão os furos nos financiamentos de campanhas? Por que tantas fraudes em licitações? Isso, sim, é legislar.

Uma CPI não deveria jamais encerrar seus trabalhos apresentando à nação um rol de suspeitos. Para não correr o risco de falso testemunho, melhor não nomeá-los se não há provas convincentes e contundentes. Toda pessoa, cuja honra é maculada levianamente em poucos minutos está fadada a passar o resto da vida tentando limpar o seu nome.

Cabe ao Ministério Público e à polícia investigar, apontar e punir os que comprovadamente infringiram a lei. As CPIs deveriam sobremaneira debruçar-se sobre o desempenho do Congresso e apurar as causas da corrupção, da malversação, da quebra do decoro parlamentar. E essas causas muitas vezes deitam raízes na própria legislação que rege as nossas instituições e que mais parece um queijo suíço, tantos os buracos pelos quais se introduz a ação criminosa. E a legislação tem sua origem no Congresso. Legislar é a função precípua dos que são eleitos parlamentares.

O povo tem o direito de fazer tudo que a lei não proíbe; contudo, as autoridades só deveriam fazer o que a lei permite. É desalentador ver uma CPI desaguar num mar de ilações, quando se esperava que, alertado por ela, o Congresso tomasse a si a tarefa de apressar a reforma política. O que é feito para impedir que partidos incorram novamente em maracutaias?

Desde que me entendo por gente observo que certas palavras resumem os paradigmas que mobilizam a nossa vida política. Nos anos 50/60, o tema era desenvolvimento; nos anos 70/80, democracia; nos anos 90, modernização; agora, ética.

A ética resvala para o moralismo udenista quando desvinculada da produção de sentido. Note-se que a moral tende a cair no moralismo, mas sequer existe o vocábulo ‘eticismo’. Porque a ética, tão bem enfatizada nas obras de Aristóteles, implica princípios universais, perenes, norteadores dos grandes projetos humanos. É ela que nos fornece os elementos para o “discernimento militante”, como diz Emmanuel Mounier.

Se os nossos partidos políticos perdem de vista as estratégias históricas, trocam o projeto de nação pelo de eleição, deixam de produzir sentido à nação, e se tornam meros consórcios de disputa de poder, então a ética volatiliza-se na abstração dos discursos demagógicos e os políticos resvalam para o terreno da hipocrisia. Hipócrata era o ator que, no antigo teatro grego, fazia parte do coro que proclamava o contrário do que de fato ocorria no palco.

Mais grave que a corrupção é uma eleição desancorada de consistentes projetos capazes de fazer o Brasil não ter vergonha de si mesmo, de suas crianças consumidas pelo narcotráfico, de multidão deambulando sem-terra, enfim, projetos que alterem o mais grave de nossos problemas nacionais: a desigualdade social. Não é a um candidato que o eleitor quer dar o seu voto, é à esperança.

Frei Betto é escritor, autor de A mosca azul – reflexões sobre o poder (Rocco), entre outros livros.

TERROR TOTAL: PRESIDENTE DO PARAGUAI DIZ QUE PARTIDÁRIOS DE LUGO FARÃO ATAQUES DOMINGO

Blog do Azenha

SÃO PAULO - As eleições no Paraguai, marcadas para o próximo domingo, serão disputadas em um clima de grande tensão. O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, disse hoje que observadores equatorianos e venezuelanos, que estão hospedados em hotéis de Assunção, são na verdade agitadores que pretendem causar violência no próximo domingo.

"Falei com o procurador-geral e pedi que inicie investigações e envie seus agentes a alguns lugares que identificamos, onde existem grupos afins ao luguismo, acostumados à violência e à morte, que estão se organizando para causar uma onda de violência assim que for declarada a vitória contundente do Partido Colorado no próximo domingo", declarou ao visitar Caaguazú. O Partido Colorado, que tem como candidata a ex-ministra da Educação, Blanca Ovelar, está no governo há 61 anos.

Caaguazú fica a 150 quilômetros de Assunção e é uma importante base de apoio a Fernando Lugo, que lidera a Aliança Patriótica para a Mudança, uma coalizão que vai da centro-direita à extrema-esquerda.

"Temos a informação de que estes grupos planejam atacar postos de gasolina e lugares públicos. Também sabemos que em algumas rádios comunitárias de São Pedro estão escondendo explosivos. Assim, os promotores devem intervir e fazer buscas. Eu responsabilizo Fernando Lugo e Federico Franco por qualquer ato de violência que aconteça no dia das eleições depois de nossa vitória", afirmou o presidente.

Federico Franco, vice na chapa de Lugo, é do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) - uma espécie de PMDB do Paraguai.

O jornal La Nacion, que publicou as declarações, diz que checou em um hotel mencionado pelo presidente e não encontrou observadores hospedados. Nicanor atribuiu a partidários de Lugo dois acontecimentos que resultaram em violência nos últimos dias: uma passeata de sem-teto em Assunção, que foi duramente reprimida pela polícia, e um ataque de lavradores locais contra produtores brasileiros da cidade de Santa Rosa de Aguaray.

Para completar, Nicanor disse que um dos envolvidos no seqüestro e morte de Cecília Cubas, filha do ex-presidente Raul Cubas, fugiu do Paraguai usando um automóvel que pertencia ao então bispo Fernando Lugo.

Ao longo da semana, a mãe de Cecília Cubas apareceu continuamente na TV paraguaia, em entrevista gravada, acusando Lugo por envolvimento na morte da filha e pedindo aos eleitores que não votassem nele. Militantes de um partido de esquerda, o PPQ, estavam entre os presos, julgados e condenados pelo crime.

Semanas antes, o outro candidato da oposição, Lino Oviedo, já havia comparado Lugo a Evo Morales e Hugo Chávez, em propaganda que acabou suspensa pela Justiça Eleitoral. O ex-general Oviedo tem grande apoio entre os 300 mil agricultores brasileiros que vivem no Paraguai, dentre os quais estão alguns dos maiores latifundiários.


quarta-feira, 16 de abril de 2008

Olho grande sobre o urânio brasileiro

Um poderoso lobby age em silêncio, no Congresso e junto ao Executivo, para quebrar o monopólio estatal sobre o combustível. Interesse: exportá-lo em estado primário, num momento em que os preços internacionais não param de subir e o país desenvolveu tecnologia para processá-lo

Sergio Ferolla, Paulo Metri

O Balanço Energético Nacional de 2007 nos indica que, para a geração elétrica no mundo em 2005, foram utilizadas as seguintes fontes: o carvão mineral com participação de 40,3% do total gerado, o gás natural com 19,7%, a energia hidráulica com 16,0%, a nuclear com 15,2%, os derivados de petróleo com 6,6% e outras fontes com 2,2%. Com o preço do barril de petróleo ultrapassando a barreira dos US$ 100 e, obviamente, os preços dos derivados e do gás natural acompanhando essa escalada, somado ao fato da ameaça do efeito-estufa, em decorrência da queima dos hidrocarbonetos e do carvão, a humanidade enfrenta o desafio da busca de fontes geradoras de eletricidade mais limpas e competitivas. Alguns aproveitamentos hidráulicos causam fortes impactos ambientais, que proíbem seu uso, e muitas das fontes alternativas ainda não foram suficientemente desenvolvidas, como a solar, de forma que ainda fornecem eletricidade a preço proibitivo.

As necessidades de mais curto prazo estão a impor caminhos já conhecidos e a energia nuclear desponta sempre como forte candidata. Nesse contexto, os programas nucleares existentes no mundo começam a serem revisados, inclusive impondo-se a antecipação da construção de novas usinas. Como decorrência, prevê-se um crescimento considerável do consumo de urânio, em futuro próximo, com a acelerada valorização desse estratégico energético. Com o término da guerra fria, por volta de 1990, estoques de urânio destinados, inicialmente, para fins militares, foram ofertados em torno de US$ 10 por libra de urânio (U3O8), no mercado de geração elétrica, tanto pelos Estados Unidos como pela Rússia. Quando os estoques militares mostraram sinais de esgotamento, a libra de urânio atingiu US$ 130 em 2007, estando atualmente em torno dos US$ 95.

Aceitar a concessão seria cercear as conquistas da tecnologia nacional, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia

O Brasil, além de possuir 309 mil toneladas de reservas de urânio conhecidas, através da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), domina a tecnologia do enriquecimento, que agrega enorme valor ao produto, caso seja decida a exportação. O enriquecimento, em escala industrial, é realizado na INB, que também fabrica, depois do urânio ser enriquecido, os elementos combustíveis, significando nova agregação de valor ao produto final. Nossa capacitação tecnológica e industrial no setor nuclear precisa ser levada em consideração pelos órgãos federais e pelos congressistas, nesse momento em que algumas mineradoras, inclusive estrangeiras, demonstram a intenção de produzir urânio para exportá-lo na forma mais primária (U3O8).

Aceitar esse tipo de concessão significará o cerceamento das conquistas da tecnologia nacional, com a conseqüente limitação dos benefícios para toda a sociedade, permitindo que tais mineradoras abasteçam unidades de enriquecimento no exterior, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia. O lobby das mineradoras junto ao Executivo e ao Legislativo é enorme, pois, para poderem atuar nesse setor é necessário que o monopólio estatal do urânio seja extinto, sabendo-se que, para tal, um deputado já apresentou proposta de emenda à Constituição, a PEC 171.

A demanda por fontes de energia tem motivado guerras e tragédias sociais em várias regiões do globo, causando a denominada geopolítica do petróleo, presente nos planos e ações das grandes potências industriais e militares. A exaustão dos hidrocarbonetos, a agressão ao meio ambiente pela queima dos combustíveis fósseis e o irreversível crescimento de muitas nações emergentes, exigindo maior suprimento de energia, levará, em futuro muito próximo, à aparição da geopolítica do urânio. Para esse cenário de forte e disputada demanda por energéticos geradores de eletricidade, impõe-se preservar nossas reservas de urânio como monopólio inflexível do Estado, bem como expandir e aperfeiçoar as preciosas conquistas da engenharia e da técnica nacional, no domínio do combustível nuclear.