quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Marina, a Eco...capitalista....

Morena Marina... 

Gilvan Rocha - Correio da Cidadania

É saudável termos na disputa eleitoral uma figura do quilate de Marina Silva. Pessoa de luta, leal e convicta. Se bem que já se tenha dito ser a convicção mais grave do que a mentira, pois uma convicção pode representar uma intransigência no erro. Adolf Hitler e Mussolini tinham, sim, as suas convicções e por elas deram as suas próprias vidas.
 
As qualidades de Marina são insuficientes para a tarefa histórica que se faz necessária. Para ela, o problema reduz-se à ecologia. E vai mais longe com seu equívoco de imaginar e praticar uma política fundada em especialistas. Ora, o nosso problema crucial é salvar o universo da catástrofe para que o capitalismo nos arrasta e isso não será obra apenas de experts, trata-se de uma obra social. O socialismo e o ambientalismo exigem, como tudo, o conhecimento, mas sobretudo a sua democratização.
 
Quando Plínio de Arruda Sampaio, nosso provável candidato à presidência da República (caso prevaleça a lucidez política), considerou que Marina era apenas uma ecocapitalista ele o fez com justeza.
 
É preciso dizer que não somos ameaçados apenas pelo aquecimento global, essa é uma questão. Centenas de outras questões colocam-se como responsáveis pela ameaça à sobrevivência da humanidade. É que os trovões, os furacões, os tsunamis são mais agressivos e tocam mais fortemente os nossos olhos e ouvidos. Mas não está aí o centro da questão.
 
Houve uma redução política. Passou-se a considerar a direita tão somente àqueles que defendem o Estado mínimo, o livre mercado. Enquanto isso, os partidos dos grupos e movimentos de esquerda passaram a ser definidos como defensores do "Estado máximo", atropelando o conceito socialista de que Estado é um instrumento de dominação de uma classe sobre outra.
 
Não falam mais em classes sociais. Segundo eles, isso é coisa do passado, o Estado seria apenas o árbitro das questões sociais ou, sobretudo, o promotor da justiça e do bem estar social. Ora, quem assim pensa, por desinformação ou má-fé, não pode ser considerado de esquerda. E nós queremos candidatos realmente socialistas nas próximas eleições.
 
Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.
 

Um filme sobre a violência conjugal liberta a fala das palestinas

Le Monde

Benjamin Barthe

O diretor de gabinete do chefe da polícia de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, ainda está pasmo. No fim do mês de outubro, no espaço de 48 horas, ele recebeu 14 telefonemas de jovens mulheres, vítimas de assédio sexual dentro de suas próprias famílias. "Em um ano, costumamos receber menos de dez confissões desse gênero", explica o tenente Emad Salameh. "Em uma sociedade tão tradicional quanto a nossa, as mulheres preferem se calar". O estopim dessa onda de pedidos de socorro foi um documentário de 15 minutos, intitulado "Sementes de romã douradas", exibido alguns dias antes pela Al-Fajer TV, a cadeia de televisão de Tulkarem, e dedicado ao tabu do incesto.
  • Ahmad Gharabli/AFP   
  • Cenário aterrador No fim do mês de outubro, no espaço de 48 horas, o gabinete do chefe da polícia de Tulkarem, no norte da Cisjordânia, recebeu
    14 telefonemas de jovens mulheres, vítimas de assédio sexual dentro de suas próprias famílias
    .
Produzido pela Shashat ("telas", em árabe), uma ONG palestina que promove o cinema feminino, esse curta-metragem faz parte de um projeto da União Europeia chamado "Masarat" ("itinerários") que pretende suscitar o debate sobre o lugar da mulher na sociedade.

Quatro filmes foram realizados dessa forma, e depois projetados durante o outono em dezenas de associações, centros culturais e universidades de territórios ocupados, e entre eles "Sementes de romã douradas", dirigido pela documentarista palestina Ghada Terawi. Essa bela e dolorosa obra intercala entrevistas de jovens mulheres, que contam seu calvário nas mãos de um pai libidinoso e de uma mãe que finge não ver, com a apresentação de um conto folclórico sob forma de desenho animado.

É a história de uma jovem chamada "Sementes de romã douradas", martirizada pelo xeque de seu vilarejo que ela surpreendeu enquanto devorava uma criança, mas que ela se recusa a denunciar. O filme termina com a súplica de uma das mulheres que depõe, com o rosto à sombra para que não seja reconhecida: "Não fiquem em silêncio. Falem... mesmo que seja ao vento... mas falem, falem..."

A mensagem foi recebida muito além de qualquer expectativa. Duas horas após a projeção do filme no anfiteatro de uma universidade da Cisjordânia, duas alunas entraram na sala do diretor e lhe falaram dos apalpamentos feitos pelo pai. Após a exibição do filme na Gamma TV, o canal local de Nablus, Abir Kilan, a diretora, recebeu cerca de cinco telefonemas, principalmente de mães de família. Mas foi em Tulkarem que o impacto foi mais forte. O celular do tenente Salameh, que havia participado do debate televisionado após a projeção do filme, e que comunicou seu número nessa ocasião, não para de tocar. "Entre os chamados, houve o de uma jovem violentada por seu irmão e seu tio ao mesmo tempo; e também o de uma mãe de família submetida às agressões de seu pai, porque seu marido está preso em Israel e ela teve de voltar a viver com seus pais", ele conta.

Nos escritórios da Shashat, em Ramallah, a diretora Alia Arasoughly continua estupefata diante da reação, quase catártica, gerada por esse filme de 15 minutos. "Costumamos abordar os tabus da sociedade, mas eu não imaginava que desencadearíamos um fenômeno assim", ela afirma. "É como se tivéssemos aberto a caixa de Pandora sem querer".

Entretanto, a realização do projeto foi trabalhosa. Duas universidades, a de Tulkarem e a de Hebron, imediatamente boicotaram o filme, alegando que a acusação de um "xeque" por uma das mulheres entrevistadas poderia entrar em conflito com o conservadorismo prevalente. Muitas outras organizações que inicialmente concordaram foram abaladas pelas críticas que acusavam a Shashat de "promover uma causa ocidental".

Foi necessário o apoio da prestigiosa universidade An-Najah de Nablus, bastião da ortodoxia palestina, para que o ciclo de projeções tivesse início. "Os relatos dos debates chegavam até nós, e então percebemos que na maioria deles uma mulher expunha um abuso contra ela ou contra uma amiga ou parente", diz Alia Arashougly. "É como um imenso tapa na cara. Então para quê serviram os milhões de euros investidos nesses colóquios e outras conferências sobre os direitos da mulher?"

Maha Abu Dayeh, diretora do principal centro de auxílio jurídico para as mulheres na Cisjordânia, reconhece a gravidade. Segundo ela, o caos econômico e social causado pela repressão da Segunda Intifada agravou o flagelo das violências domésticas, comum a todas sociedades patriarcais. "Um homem que é humilhado, privado de meios para prover as necessidades de sua família, traumatizado pelas torturas sofridas na prisão, pode se sentir tentado a reafirmar sua virilidade ridicularizada às custas de sua mulher e de seus filhos", ela diz.

Apesar do trabalho de sensibilização iniciado, em especial junto à polícia, ela reconhece que a lei do silêncio ainda amordaça as mulheres com muita frequência. "A unidade familiar é o cimento de nossa sociedade frente às investidas dos sionistas", afirma Maha Abu Dayeh. "Muitas famílias preferem abafar o escândalo, manter uma aparência de unidade, em vez de ir ao tribunal".

O que acontecerá com as quatorze rebeldes de Tulkarem? "Tenho medo de que elas tenham falado em vão, que ninguém se arrisque a realmente escutá-las", suspira Ghada Terawi, a cineasta. Por enquanto, somente duas delas ousaram passar pela porta da delegacia para prestar queixa oficialmente.

Tradução: Lana Lim

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abbas deve proclamar Estado Palestino unilateralmente


 

Roberto Blum - Correio Internacional

Ha’aretz – Tel-Aviv


É precisamente agora que o presidente palestino Mahmoud Abbas não pode perder as esperanças, e não pelo doce discurso vazio que Shimon Peres pronunciou na manifestação na última noite de sábado [07/11] sobre pessoas perdendo as esperanças em Ramallah. Como se na residência do presidente todos os dias fossem Carnaval, e não apenas quando ele está fazendo as malas para sua viagem ao Brasil.
Abbas estava certo quando decidiu anunciar que em breve renunciaria: é impossível manter negociações “sem condições prévias” enquanto o povoamento [israelense sobre terras palestinas] está acontecendo. Por 42 anos Israel vem semeando condições prévias e feitos consumados por todos os lados, marcando-os com telhas vermelhas e tornando o processo de paz nada mais que uma negociação sem fim.
Mas antes que Abu Mazen [Abbas] desista, ele tem apenas mais um trabalho a fazer: Ele precisa proclamar, unilateralmente, o estabelecimento do Estado Palestino independente. Palestina agora.
Ambos os lados tem o direito de atuar unilateralmente. Abbas deve isso a seu povo, a si próprio e a nós [israelenses]. Nesta semana, saíram relatórios em que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considera tal possibilidade muito assustadora, e espera que os americanos cortem o mal pela raiz. Mas o seu pesadelo é nossa única chance para pôr um fim à ocupação em nossa época.
Quando ele declarar a independência, Abbas deve fazer um chamado aos judeus que vivem no Estado Palestino para que preservem a paz e façam sua parte na construção do novo país como cidadãos plenos e iguais, gozando de representação justa em todas as instituições. David Ben-Gurion não ficaria desapontado com um ato tão bonito de plágio da sua Declaração de Independência.
E deste modo, Abbas se tornará o Ben-Gurion palestino. As condições não eram menos nebulosas nem as circunstâncias mais seguras quando Ben-Gurion declarou independência em 1948. Mas nosso pai fundador se arriscou, e temos sorte de que o tenha feito.
O risco que Abbas estaria tomando é muito menor. Dos 192 estados-membro das Nações Unidas, mais de 150 reconheceriam uma Palestina livre, e esta logo se tornaria o 193º. Embora a posição dos Estados Unidos seja desconhecida, é difícil acreditar que Barack Obama concordaria em arrastar de volta seu país ao isolamento agora que recém começou a fazer parte do mundo novamente.
E o que faria Netanyahu? Invadir e reconquistar a Cisjordânia? Restaurar o governo militar no Muqata [sede da Autoridade Nacional Palestina] em Ramallah?
E que ordens Ehud Barak daria a seu exército? A Sérvia não ousou invadir Kosovo após sua declaração de independência, e mesmo a grande Rússia não se permitiu permanecer no território soberano da Geórgia após a guerra.
Imediatamente após a declaração, comemorações começariam na capital, Jerusalém do Leste, e pessoas de todas as partes do mundo se uniriam a eles, inclusive israelenses. As massas da Casa de Ishmael desfilarão alegremente pelos bairros da cidade, e especialmente naqueles em que foram evitados por pessoas com pretensões sacerdotais. Isso terá de ser alegre sem nenhuma manifestação de violência, nem sequer uma pedra arremessada.
Esta semana, telefonei a Abbas, depois de não haver falado com ele por pelo menos quatro anos. Contei-lhe tudo que estou escrevendo agora. Também lhe contei mais uma coisa: o que aconteceu com o muro em Berlim 20 anos atrás, e com o Apartheid alguns meses depois, também acontecerá com a ocupação: entrará em colapso, mesmo se tentativas para reforçá-la forem feitas com unhas e dentes.

Yossi Sarid

Tradução: Felipe Martini
Para acessar o texto original, clique aqui

Adeus, FHC

Adeus também foi feito pra se dizer
 
Fernando Henrique Cardoso foi um presidente da República limítrofe, transformado, quase sem luta, em uma marionete das elites mais violentas e atrasadas do país. Era uma vistosa autoridade entronizada no Palácio do Planalto, cheia de diplomas e títulos honoris causa, mas condenada a ser puxada nos arreios por Antonio Carlos Magalhães e aquela sua entourage sinistra, cruel e sorridente, colocada, bem colocada, nas engrenagens do Estado. Eleito nas asas do Plano Real – idealizado, elaborado e colocado em prática pelo presidente Itamar Franco –, FHC notabilizou-se, no fim das contas, por ter sido co-partícipe do desmonte aleatório e irrecuperável desse mesmo Estado brasileiro, ao qual tratou com desprezo intelectual, para não dizer vilania, a julgá-lo um empecilho aos planos da Nova Ordem, expedida pelos americanos, os patrões de sempre.
Em nome de uma política nebulosa emanada do chamado Consenso de Washington, mas genericamente classificada, simplesmente, de “privatização”, Fernando Henrique promoveu uma ocupação privada no Estado, a tirar do estômago do doente o alimento que ainda lhe restava, em nome de uma eficiência a ser distribuída em enormes lucros, aos quais, por motivos óbvios, o eleitor nunca tem acesso.
Das eleições de 1994 surgiu esse esboço de FHC que ainda vemos no noticiário, um antípoda do mítico “príncipe dos sociólogos” brotado de um ninho de oposição que prometia, para o futuro do Brasil, a voz de um homem formado na adversidade do AI-5 e de outras coturnadas de então. Sobrou-nos, porém, o homem que escolheu o PFL na hora de governar, sigla a quem recorreu, no velho estilo de república de bananas, para controlar a agenda do Congresso Nacional, ora com ACM, no Senado, ora com Luís Eduardo Magalhães, o filho do coronel, na Câmara dos Deputados. Dessa tristeza política resultou um processo de reeleição açodado e oportunista, gerido na bacia das almas dos votos comprados e sustentado numa fraude cambial que resultou na falência do País e no retorno humilhante ao patíbulo do FMI.
Isso tudo já seria um legado e tanto, mas FHC ainda nos fez o favor de, antes de ir embora, designar Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal, o que, nas atuais circunstâncias, dispensa qualquer comentário.
Em 1994, rodei uns bons rincões do Brasil atrás do candidato Fernando Henrique, como repórter do Jornal do Brasil. Lembro de ver FHC inaugurando uma bica (isso mesmo, uma bica!) de água em Canudos, na Bahia, ao lado de ACM, por quem tinha os braços levantados para o alto, a saudar a miséria, literalmente, pelas mãos daquele que se sagrou como mestre em perpetuá-la. Numa tarde sufocante, durante uma visita ao sertão pernambucano, ouvi FHC contar a uma platéia de camponeses, que, por causa da ditadura militar, havia sido expulso da USP e, assim, perdido a cátedra. Falou isso para um grupo de agricultores pobres, ignorantes e estupefatos, empurrados pelas lideranças pefelistas locais a um galpão a servir de tribuna ao grande sociólogo do Plano Real. Uns riram, outros se entreolharam, eu gargalhei: “perder a cátedra”, naquele momento, diante daquela gente simples, soou como uma espécie de abuso sexual recorrente nas cadeias brasileiras. Mas FHC não falava para aquela gente, mas para quem se supunha dono dela.
Hoje, FHC virou uma espécie de ressentido profissional, a destilar o fel da inveja que tem do presidente Lula, já sem nenhum pudor, em entrevistas e artigos de jornal, justamente onde ainda encontra gente disposta a lhe dar espaço e ouvidos. Como em 1998, às vésperas da reeleição, quando foi flagrado em um grampo ilegal feito nos telefones do BNDES. Empavonado, comentava, em tom de galhofa, com o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, das Comunicações, da subserviência da mídia que o apoiava acriticamente, em meio a turbilhão de escândalos que se ensaiava durante as privatizações de então:
Mendonça de Barros – A imprensa está muito favorável com editoriais.
FHC – Está demais, né? Estão exagerando, até!
A mesma mídia, capitaneada por um colunismo de viúvas, continua favorável a FHC. Exagerando, até. A diferença é que essa mesma mídia – e, em certos casos, os mesmos colunistas – não tem mais relevância alguma.
Resta-nos este enredo de ópera-bufa no qual, no fim do último ato, o príncipe caído reconhece a existência do filho bastardo, 18 anos depois de tê-lo mandado ao desterro, no bucho da mãe, com a ajuda e a cumplicidade de uma emissora de tevê concessionária do Estado – de quem, portanto, passou dois mandatos presidenciais como refém e serviçal.
Agora, às portas do esquecimento, escondido no quarto dos fundos pelos tucanos, como um parente esclerosado de quem a família passou do orgulho à vergonha, FHC decidiu recorrer à maconha.
A meu ver, um pouco tarde demais.

O Espelho: Título Original: Zerkalo, 1975


Com o Espelho, o legendário cineasta russo, Andrei Tarkovsky, realiza talvez o seu filme mais envolvente e mais profundo. O que começou por ser para Tarkovsky um plano para uma série de entrevistas com a sua própria mãe, transformou-se numa meditação lírica e complexa sobre o amor, a lealdade, as memórias e a história. Trata-se de um surpreendente confissão da sua própria vida, com um espelho quebrado, intercalando memórias de uma infância sofrida com realidades adultas e resultando numa autobiografia abstrata e numa evocação à inocência da infância. As memórias de Tarkovsky e de sua mãe entrelaçam-se e desenrolam-se no período que antecede à segunda Guerra Mundial e uma Rússia sumptuosa e de sonho é evocada pela voz do pai de Tarkovsky recitando a sua própria poesia elegíaca. A natureza sempre em mudança é captada pela câmara de Tarkovsky como que por magia.

TORRENT E LEGENDA

Elis Regina – Elis Live In Montreux (1996)


download




Créditos: UmQueTenha








A bomba atômica do Irã: Lula dá um show de diplomacia e o PiG (*) se estrebucha


Israel pode. Eles não

Israel pode. Eles não
O Irã tem um programa nuclear que provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG (*).
Israel tem bomba atômica, o que não provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG.
O Irã diz que o programa nuclear é para fins pacíficos.
O Irã desenvolveu uma tecnologia original dentro da cadeia da indústria nuclear.
O Brasil, o maior produtor de urânio do mundo, tem um programa nuclear e desenvolveu uma tecnologia original para processar urânio.
O Brasil defendeu essa tecnologia com unhas e dentes para evitar cópias piratas.
O Irã diz que defende a sua tecnologia original também com unhas e dentes e, por isso, dificulta o acesso dos Estados Unidos ao seu programa.
O Brasil, aparentemente, não quer fazer a bomba. Essa seria uma das heranças malditas do governo FHC, pior do que a indicação de Gilmar Dantas (**) para o Supremo.
Fazer ou não a bomba é um problema que a sociedade brasileira breve terá de discutir. E o Conversa Afiada desde já se manifesta a favor da bomba.
Os Estados Unidos tem bomba; a Inglaterra tem bomba; França tem bomba; a China tem bomba; a Índia tem bomba; o Paquistão tem bomba e Israel tem bomba. Por que o Brasil não pode ter?
Se o Irã também quer, problema dele.
O Irã diz ao Brasil que o seu programa é pacífico. O Brasil e 99% dos países do mundo acreditam.
O PiG, não.
Problema do PiG.
Se o Farol de Alexandria não tivesse renunciado à bomba como renunciou à soberania nacional, o PiG diria que a bomba só não é melhor do que os vinhos Bordeaux do Renato Machado.
O problema do PiG não é nem a bomba nem o Irã.
O problema do PiG e dos chanceleres do PiG é o sucesso da política externa independente do Presidente Lula e seu chanceler, Celso Amorim.
O presidente Lula honrou uma tradição da política externa brasileira, defendeu o Estado de Israel, a contenção dos assentamentos dos colonos judeus e a criação de um Estado Palestino Autônomo.
E fez isso diante do ilustre convidado.
O Irã é hoje um dos maiores consumidores de carne bovina brasileira.
O Farol e seus chanceleres, hoje sublocados à Globo, são adeptos da política externa da genuflexão.
A diplomacia brasileira desempenha com o Irã e outros países da região do Oriente Médio uma política de potência.
O Conversa Afiada tira o chapéu à colonista (***) Eliane Cantanhêde que, hoje na Folha (****), faz uma análise isenta da relação Brasil-Irã.
O PiG, de resto, está acometido de um vírus que combina provincianismo com golpismo. Nesse aspecto, a Fox News que, aqui no Brasil, se sintoniza na Globo e na Globo News, continua a desempenhar um papel partidário, do partido do Calabar.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(****) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.
Publicado por admin · Canal: Bigpost, Brasil 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais um golpe?????

Golpe no Paraguai? ''Estamos nas mãos de Deus,'' diz irmã de Lugo

Mercedes Lugo sorri amavelmente e responde com um tom doce e calmo. Mas seus olhos movediços delatam seu desconforto com o momento que vive seu irmão, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Ela mede cada palavra que pronuncia, mas não pode evitar a transmissão de uma sensação de desamparo ante as ameaças que cercam o governo paraguaio. “Estamos nas mãos do Senhor”, responde a professora aposentada, 67 anos, sobre a possibilidade de um golpe de Estado no seu país, como o que sofreram os hondurenhos.

Nesta semana a primeira dama paraguaia passou três dias em Buenos Aires para visitar alguns hospitais e discutir projetos bilaterais com o ministro da Saúde da Argentina e a ministra do Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, uma mulher que como ela, acompanhou o irmão no poder. Antes de voltar para Assunção, ela concedeu a entrevista abaixo. Sua nora a acompanha e prepara o mate. O mate da campanha eleitoral, com sua foto e a do seu irmão sorrindo vitoriosos. Apenas um ano atrás.

Hoje a situação é um pouco mais dramática. O presidente Lugo perdeu o apoio do seu vice-presidente, o conservador Federico Franco, e de grande parte do Partido Liberal, seu principal apoio institucional. Com muito poucos amigos no Congresso e a Justiça e a Mídia contra, o ex-bispo já balançou duas vezes no seu primeiro mandato. A primeira, em abril, quando se descobriu que era pai de uma criança de dois anos – concebida quando ainda era bispo – e talvez mais outros cinco. A segunda, em outubro, com o sequestro de um fazendeiro e a ameaça de um levantamento em armas dos fazendeiros. Esta última vez o presidente teve que mudar toda a cúpula militar e desativar as negociações no Congresso para aprovar o seu julgamento político.

Durante 40 anos, Mercedes Lugo, deu aulas em escolas e universidades e, nos últimos 22 anos, ocupou o cargo de diretora de uma escola pública. Há tempo já tinha idade para se aposentar, mas não quis deixar de dar aulas. Somente no ano passado aceitou abandonar a sala de aula para seguir os passos do seu irmão até o Palácio do Governo. Em poucos meses, ela aprendeu a evitar as perguntas incômodas e se manter dentro do seu papel, mas ainda conserva essa paciência e aconchego que somente uma mestra pode transmitir.

Como seu irmão, Mercedes é muito religiosa. Não fala do povo paraguaio, mas da família paraguaia. Ela prefere a Palavra de Deus. Inclusive para defender a paternidade do seu irmão, um tema tabu entre os aliados e os amigos mais próximos do ex-presidente.

“Quem está livre de pecado que atire a primeira pedra. Um sacerdote, um bispo, um Papa é um homem, em corpo, alma e sangue. A carne é fraca e qualquer um pode cair numa debilidade... e se há filhos, que sejam bem-vindos porque eles são uma bênção de Deus”, assegurou a primeira dama, perdendo por um instante o seu falar calmo e paciente. Uma coisa é falar de política, outra, muito diferente, é meter-se em assuntos familiares. Confira abaixo a entrevista concedida por ela ao Página/12

Página/12: Na campanha, a senhora costumava dizer que os amigos se fazem na prisão e no hospital. Quem foram os amigos do presidente Lugo nesta crise política?
Mercedes Lugo: O presidente Lugo tem integridade, fortaleza e consciência limpa. Não tem medo de nada. Quem nada tem, nada teme. Talvez 90% da população segue acreditando nele.

Página/12: Mas não os políticos...
Mercedes Lugo: Há muitos problemas, certamente. Ele não tem a maioria no Parlamento e isso dificulta muito as coisas. Mas apesar de tudo, segue adiante.

Página/12: Parece que ele perdeu, inclusive, o apoio dos liberais.
Mercedes Lugo: O Partido Liberal não motivos para colocar obstáculos porque é parte do governo. Mas apesar disso o faz. Tenho a esperança de que por meio do diálogo cheguemos a um consenso, novamente.

Página/12: Mesmo com o nível de violência, física e verbal, que se desencadeou entre os fazendeiros?
Mercedes Lugo: A violência está em todas as partes, mas o governo sempre está investigando as causas de tanta violência. O certo é que não se pode mudar uma hegemonia de 61 anos em um ano. Fernando Lugo está fazendo o seu trabalho como prometeu durante a sua campanha. Está encontrando muita oposição, mas isso não o desanima, mas lhe dá mais força. Creio que vai conseguir cumprir o seu objetivo: um Paraguai com habitantes com os mesmos direitos, jovens felizes e uma família reintegrada.

Página/12: Então a senhora descarta a possibilidade de um golpe de Estado, como admoestaram o movimento camponês e alguns funcionários do governo paraguaio?
Mercedes Lugo: Olha, isso não posso dizer, mas se ocorrer, o que vamos fazer? Muitas vezes é preciso aceitar as coisas como são e se produz uma tal situação podemos tentar revertê-la. Estamos nas mãos do Senhor, que Deus faça o que tem que ser feito.

Fonte: Página 12
Créditos: www.vermelho.org.br

domingo, 22 de novembro de 2009

saiu no Prensa Latina....





  O presidente venezuelano, Hugo Chávez, convocou ontem a V Internacional Socialista em um encontro com representantes de mais de 50 Partidos de Esquerda reunidos em um evento realizado aqui desde esta quinta-feira.

  Atrevo-me a convocar a V Internacional para retomar a I, a II, a III, a IV,disse entre aplausos dos participantes Chávez, que na sua opinião "chegou a hora da V Internacional".

Recordou que passaram 145 anos da convocação de Karl Marx da I Internacional; 120 anos da II Internacional convocada por Friedrich Engels; 90 anos da convocação de Lenin da III Internacional e 71 anos da convocação de Trotsky da IV Internacional.

Na opinião do mandatário, o mundo novo, necessário e possível, nasceu só que o império estadunidense e seus aliados o querem liquidar antes de que cresça.

Manifestou que esse império velho, essa classe dominante de idéias retrógadas, racistas e fascistas anda cheio de ódio com a espada levantada tratando de cercear a esperança que nasceu.

Acho que a V Internacional, disse, é uma responsabilidade porque a crise a nível mundial se acelera.

Se fosse possível ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e outro partido deste mundo conformar o primeiro núcleo da V Internacional o faríamos.

Mas, acrescentou, estou certo de que se poderia contar com mais levando em conta que estão aqui reunidos 52 organizações partidárias de esquerda.

Chávez lançou a convocação a V Internacional um dia antes do início do I Congresso do PSUV onde se definirão os estatutos e documentos programáticos da organização partidária mais numerosa do país (mais de sete milhões de inscritos).

"O Congresso extraordinário vai se instalar no próximo sábado 21 às cinco da tarde e começam as deliberações, funcionará até os dias de Natal para fazer um recesso e voltará de novo em janeiro, fevereiro, março", informou o governante nesta quarta-feira em um ato com os 772 delegados eleitos no domingo passado.




sábado, 21 de novembro de 2009

Burkina Faso: IDH avança, mas o desenvolvimento ainda é distante

Le Pays – Uagadugu

O lançamento do Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano 2009, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), aconteceu no último dia 11 de novembro. Abordando a questão das migrações sob o título “Rompendo barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos”, o documento classifica os países de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ainda que o Burquina Fasso continue nas profundezas da lista, melhoras consideráveis têm acontecido ano a ano.
O Burquina Fasso está classificado em 177º, entre 182 países, com um índice de desenvolvimento humano de 0,389. Em 2008, o país dos homens íntegros, como é conhecido, foi classificado em 176° entre 182 países, com um IDH de 0,367. Constata-se que o índice apresenta uma curva ascendente, apesar do recuo do país na classificação. Conforme comentou o coordenador do sistema das Nações Unidas, “este avanço resulta dos esforços empreendidos pelo governo no setor de saúde, e pelas melhorias na renda da população. Os resultados do ranking 2009 sugerem ao Burquina Fasso um esforço mais sustentado na alfabetização, na educação formal, na saúde, assim como pelo aumento da renda das camadas mais vulneráveis da população. A classificação do Burquina, disse o coordenador do programa da ONU, não melhorou porque outros países também fizeram esforços. Conclui-se das declarações, que o país parte com um importante atraso desde a instauração desta classificação em 1990.
Os critérios principais do IDH são renda, saúde (expectativa de vida), educação (média ponderada da taxa de escolarização global nos ensinos primário, secundário e superior e da taxa de alfabetização dos adultos com mais de 15 anos). O critério educação seria o principal responsável pela estagnação do país na parte de baixo do ranking. A taxa de alfabetização continua entre as mais baixas do mundo, com 28%, enquanto que a taxa de escolarização é de 32%. O PNUD revela, entretanto, que a taxa de escolarização avançou 20% em dez anos. O nível de escolarização no ensino secundário é igualmente sofrível, com apenas 15,6% em 2005.
A classificação foi feita com base nos dados de 2007 para o conjunto dos 182 países. O coordenador do programa da ONU encorajou o governo de Burquina a consolidar seus esforços com o apoio de parceiros técnicos e financeiros a fim de que estes desafios sejam levados em conta na formulação da Estratégia de Crescimento Acelerado e de Desenvolvimento Sustentável (SCADD, na sigla em francês).
Sob o tema “Rompendo barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos”, o relatório analisa o fenômeno das migrações e seus impactos sobre o desenvolvimento, fazendo ainda recomendações com base no fato de que a mobilidade é um princípio de liberdade humana. A Europa e os Estados Unidos são considerados regiões de destino, mas o estudo revela ainda que as migrações intra-continentais também são importantes. Os africanos, por exemplo, se movem muito mais dentro do próprio país e do próprio continente do que imigram para a Europa. As razões são essencialmente de ordem econômica, na busca de melhor qualidade de vida. Os pobres são os que se deslocam com mais frequência. No caso do Burquina Fasso, 94% dos emigrados estão no próprio continente.
O relatório evoca ainda os fluxos financeiros em direção aos países de origem, que contribuem para o equilíbrio macroeconômico. Como exemplo, os imigrantes do Burquina enviam 50 milhões de dólares anualmente, enquanto os senegaleses mandam 400 milhões.

Abdoulaye Tao
Tradução: Carlos Gorito
Para acessar o texto original, clique aqui.