domingo, 20 de junho de 2010

A "lógica" do pensamento único.....

Armadilhas da meritocracia

REJANE DE OLIVEIRA*

Dentro da lógica do mercado, hoje está colocada na sociedade a discussão sobre a avaliação do trabalho dos educadores casada com o pagamento por mérito. Pouco, no entanto, discute-se a respeito da qualidade da educação oferecida em todas as redes, sobretudo na pública. Na rede estadual do Rio Grande do Sul a avaliação qualitativa dos profissionais já é feita dentro dos planos de carreira, onde a progressão nos níveis e nas classes se dá mediante a capacitação, portanto, por merecimento. Só que este mérito não está inserido dentro da visão mercadológica.

A meritocracia ora em discussão parte de aferições voltadas a estabelecer um ranqueamento de “bons e maus profissionais”, de “bons e maus alunos”, de “boas e más” escolas. Desconsidera por completo a diversidade sócio-econômica-cultural de cada comunidade escolar. Se olharmos um pouco adiante, perceberemos que o ranqueamento forçaria a migração de alunos e educadores para as ditas escolas de melhor qualidade, justificando os processos de multisseriação, enturmação e municipalização. E o que é mais grave, levaria ao fechamento de escolas, uma vez que a meta é retirar do Estado o papel de garantidor de políticas públicas. Teríamos então um conjunto de escolas de excelência e outro conjunto de escolas com portas fechadas.

A meritocracia também rotularia os profissionais entre os que são garantidores e os que não são garantidores da qualidade. Já os alunos seriam classificados entre os que conseguem e os que não conseguem aprender. Nestes casos, desconsidera-se por completo o processo de construção do conhecimento. É uma forma de justificar demissões de servidores públicos concursados. O trabalho do educador tem de ser avaliado pelo cidadão e não por burocratas encastelados em órgãos públicos. Além disso, como já temos um processo de avaliação, quem precisa ser avaliado é o Estado, que teoricamente é o responsável pela oferta de um serviço público de qualidade. Essas são premissas básicas. Outras são apenas defesas de uma visão privada.

A qualidade da educação, que jamais se conseguirá com o pagamento por mérito, passa por investimentos na qualificação profissional, na infraestrutura das escolas, em materiais pedagógicos, no pleno funcionamento de bibliotecas e laboratórios. É preciso, por exemplo, que o Estado cumpra a lei que determina a instalação (e funcionamento) de bibliotecas em todas as escolas da rede. Sem estas condições é difícil garantir uma educação com um mínimo de qualidade. A meritocracia insere-se na visão de que a única ferramenta capaz de avaliar o aluno é o estabelecimento de provas padronizadas, um equívoco em relação ao que realmente significa a construção do conhecimento.

O processo educacional exige que se leve em consideração a realidade local, as experiências e a bagagem de cada aluno. A escola cumpre um importante papel social no desenvolvimento de valores, sendo responsável pela elaboração de um pensamento crítico e pela formação plena para a cidadania. Portanto, ao estabelecer disputas dentro de um espaço que deve ser de construção de valores a meritocracia anda na contramão do que se entende por uma educação que liberte e desperte para o desenvolvimento de consciências críticas.

* A Professora REJANE DE OLIVEIRA é presidente do CPERS/Sindicato
Artigo publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, edição do dia 10 de junho de 2010
http://www.cpers.com.br/index.php?&cd_artigo=301&menu=36

O Dunga pisou na bola....


Guerreiros da cerveja.
 
 Marcos Rolim*

Dunga tem recebido muitas críticas na crônica esportiva. Diante delas, fico sempre com a impressão de que não se trata do técnico, nem das partidas de futebol, mas da ideia que cada um tem sobre o futebol e sobre os modelos – sempre idealizados – do que seja “jogar bem”. Sim, é claro, Dunga poderia ter levado Ganso e Neymar, ao invés de, digamos, Josué e Grafite. Mas, convenhamos, isso não deveria importar muito diante do fato incontestável de que temos um time competitivo com o qual podemos ser campeões.

Nem deveria obscurecer os méritos de Dunga na formação de um conceito que se desloca – até aqui vitoriosamente – em campo. Bem, mas esta não é uma crônica sobre futebol. Antes, penso que seja uma crônica sobre o silêncio.O maior erro de Dunga não foi objeto de atenção dos comentaristas, nem produziu debate na imprensa brasileira. Refiro-me ao fato de o técnico da Seleção estar alugando sua merecida e respeitável imagem de “guerreiro” à venda de uma cerveja.

Como se sabe, alguns dos titulares da Seleção Brasileira também foram contratados para este papel de garotos-propaganda de bebida alcoólica. Tivemos, aqui e ali, uma ou outra observação sobre o fato, mas nenhum debate. Tudo se passa como se fosse um episódio “normal”. Será? Penso que não. Ilana Pinsky, em artigo na Folha de S. Paulo, chamou atenção para o fato de que 87% do merchandising e mais de 70% das propagandas da TV aberta de bebidas alcoólicas são veiculadas nos intervalos ou durante os programas esportivos. Só isso já seria preocupante quando se sabe, segundo estudos da Organização Mundial de Saúde, que os custos derivados do consumo de bebidas alcoólicas na América do Sul representam de 8% a 15% do total dos gastos com saúde pública, o que contrasta com o comprometimento médio de 4% dos orçamentos na área no resto do mundo. Bebe-se muito por aqui, então. Muito mais do que seria razoável.

Mas quando associamos o consumo de bebidas alcoólicas à prática esportiva – e, especialmente, quando vinculamos simbolicamente nossas maiores conquistas e nossos ídolos no futebol ao hábito de beber – o que fazemos é aumentar o problema.O consumo de bebidas alcoólicas no Brasil é um hábito firmado no público jovem – entre 18 e 29 anos – e se concentra muito entre os homens (78%). Não por acaso, então, as estratégias de marketing envolvem mensagens apelativas com mulheres (o que permite a associação entre desejo sexual masculino e bebidas) e esportes (destacadamente o futebol). A ironia é que o álcool deprecia as possibilidades de qualquer atleta e tende a transformar os mais ardentes sonhos sexuais masculinos em pesadelos patéticos.

Mais do que isso, o consumo de bebidas alcoólicas está correlacionado fortemente à violência, ao sexo desprotegido e aos acidentes de trânsito. Tratamos, então, queiramos ou não, dos estímulos que a propaganda pode oferecer à morte. Mas o que é a morte diante de lucros bilionários e milhões em verbas publicitárias? Um brinde ao silêncio, então.

Estudantes de Porto Rico também lutam...


Estudantes de Porto Rico em luta pela universidade pública

Elaine Tavares no seu blog Palavras Insurgentes

Nestes tempos de Copa do Mundo, quando o planeta inteiro vira uma bola e as emissoras de televisão dão destaque aos mínimos fazeres dos craques do futebol, um pequeno país do Caribe, a menor das ilhas das Antilhas Maiores, vive um movimento de luta que já dura quase dois meses, mas permanece no silêncio da mídia. E não é para menos, Porto Rico é um pedaço de terra agregado dos Estados Unidos, um país dominado e subjugado, sem direito a gritar por liberdade, apesar de oficialmente chamar-se “estado livre associado”. Conquistado pela Espanha em 1493, o pequeno país foi ocupado militarmente pelos Estados Unidos em 1898, trocando de dono desde então. Porto Rico foi colônia até 1952, quando passou a ser considerado um estado autônomo, tendo direito inclusive a eleição de seus dirigentes. Essa “concessão” por parte dos Estados Unidos não aconteceu por bondade. Ela foi alavancada pela luta do povo que se levantou em rebelião no chamado “grito de Jayuya”. Por conta desta luta veio autonomia, mas ela existe só na aparência, uma vez que a moeda, a defesa, e as políticas de relações exteriores e comerciais de Porto Rico são totalmente comandadas pelos Estados Unidos.

A luta da gente de Porto Rico por independência nunca cessou. Vem desde os Tainos, povos originários que foram dizimados pelos espanhóis, e segue até hoje. Muitas foram as revoltas e revoluções, todas abafadas militarmente pela metrópole colonial. Os Estados Unidos realizaram vários plebiscitos para que a população escolhesse entre ser livre, permanecer como estado autônomo ou se integrar à nação estadunidense, sendo o último deles no ano de 1998. A maioria decidiu por permanecer como está, mas este resultado é contestado pelas gentes que lutam por libertação. “É preciso que se compreenda como se forma essa maioria, o poder financeiro que está por trás, a despolitização causada pela própria condição de colônia”. A velha Borinquen (nome originário que significa ilha do senhor valente), de 176 quilômetros de comprimento por 56 de largura, que foi uma das primeiras ilhas vistas por Cristóvão Colombo, volta e meia assoma em meio ao domínio estadunidense e as gentes se lembram quem são. Então ressurgem as lutas de libertação.

Os estudantes
Em todo o mundo os estudantes são quase sempre a ponta de lança nas revoltas e revoluções. Por estarem num ambiente de conhecimento e por possuírem a deliciosa rebeldia juvenil, eles abrem janelas nos muros escuros da opressão e saltam por elas, com suas bandeiras e utopias. Assim tem sido em Porto Rico desde que o país foi entregue aos Estados Unidos como despojo de guerra. Ocupado militarmente, Porto Rico precisou se levantar em muitas batalhas para defender sua cultura e sua história. E, quando os Estados Unidos tentaram imputar uma nova língua ao povo local em 1902, os estudantes disseram não. E resistiram no que ficou conhecido como “guerra da língua”. Até hoje o país mantém o espanhol como língua oficial por se entender mais para a América Latina do que para o norte. Hoje, são os estudantes universitários, outra vez, que escrevem mais uma página da história do pequeno país, numa greve memorável na qual reivindicam a autonomia para a universidade e lutam contra a privatização do ensino público.

No dia 21 de abril de 2010 os estudantes da Universidade de Porto Rico iniciaram uma greve contra uma nova lei que prepara a privatização da instituição, privando a universidade de recursos, assim como também a saúde, a cultura e a assistência social. Em pouco tempo, o que era só um movimento estudantil passou a ser uma luta nacional. Como se um grande dique de sonhos e esperanças estivesse se rompido as gentes começaram a identificar na luta particularista dos estudantes um projeto de nação. No grito contra a privatização e pela autonomia da universidade, também os estudantes foram percebendo que a questão era muito mais profunda e assomou, de novo, o desejo de liberdade popular.

A lei que levou os estudantes às ruas acabou por provocar o congelamento de salários dos trabalhadores públicos e também eles, mais de 15 mil, foram para as ruas defender seus direitos e os serviços públicos em geral. Como a população mais pobre depende dos serviços públicos no que diz respeito à educação, saúde e assistência social, o apoio às lutas dos trabalhadores e estudantes foi imediato. Já em 2005 os estudantes universitários tinham realizado greves, uma vez que o processo de privatização vem se fazendo devagar, como em quase toda América Latina, mas, este ano, as medidas do governo, reduzindo o orçamento e aumentando o valor das matrículas foram decisivas para outra explosão que, com a parceria dos trabalhadores, se transformou numa tormenta.

Já se vão quase dois meses e a luta segue firme em Porto Rico. E, como sempre acontece, a repressão tem sido violenta. Os estudantes fizeram greve de ocupação e o governo colocou a universidade sob sítio impedindo a entrada de água e alimentos. Mas, o povo, solidário, tem encontrado maneiras de fazer chegar a comida e a água. A medida de força levou o país a se levantar e sindicalistas, artistas, trabalhadores de todos os tipos realizam marchas, atos políticos, colocam o país em efervescência.

No mês de maio o governo ameaçou suspender o ano acadêmico e declarou que a UPR iria perder sua condição de universidade pública. Alegava que a greve era abusiva, ilegal e, por isso, endurecia na repressão e na criminalização dos estudantes. Como se pode notar, tudo muito igual, receita da cartilha neoliberal e entreguista bem comum aos governantes desta nossa América Latina. Mas, os estudantes não se intimidaram. Exigiam negociações e mantinham a greve. A mobilização popular tomava dimensões gigantescas e o governo teve de recuar, abrindo negociações. De qualquer forma há uma guerra midiática em curso. Na televisão porto-riquenha o governo e entidades empresariais gastam fortunas tentando convencer a população de que a greve na universidade é ruim para o país. Por outro lado, os estudantes, através da “Rádio Huelga” (http://radiohuelga.com/wordpress) buscam o diálogo com o povo, mostrando que quando as gentes estão unidas, podem vencer, como já aconteceu no final dos anos 90, quando mobilizações como essa tiraram as tropas estadunidenses da região de Vieques.

Hoje, na metade do mês de junho, a luta no campus de Río Piedras continua. Os estudantes que seguem acampados na UPR realizam atos, fazem formaturas simbólicas, criam hortas comunitárias, fazem limpeza, promovem teatro, chamam a população para visitar o campus, para que possa ver como é possível existir uma universidade autossustentada, autônoma, e livre para pensar a realidade nacional. As negociações seguem de maneira lenta, a universidade continua sitiada, a repressão recrudesce.

Os estudantes estão esperançosos com um novo mediador do conflito, o ex-juiz Pedro Lopez Oliver, que parece estar conseguido fazer avançar as conversas e pode até ser que nos próximos dias as coisas se resolvam, com o governo voltando atrás no aumento das taxas de matrícula e na retirada de orçamento da universidade e garantindo que nada será privatizado. Os grevistas também querem garantias de não punição uma vez que há ameaças de expulsão das lideranças. Só assim o movimento encerra.

Veja a fala dos estudantes numa mensagem ao país!

http://www.youtube.com/watch?v=ED03HiVzRd0

A luta continua para os aposentados....

Lula veta o fim do fator previdenciário e sanciona os 7,72% aos aposentados

O governo Lula esperou estarem todos de olho na estréia Seleção do Brasil na Copa do Mundo, para anunciar o veto ao fim do fator previdenciário. Entretanto, os aposentados e pensionistas obtiveram o reajuste de 7,72%, contra os 6,14% que o governo pretendia pagar; essa foi uma vitória
A decisão, na realidade, já estava anunciada. Mesmo a contragosto, o presidente Lula sancionou o reajuste de 7,72% aos 8,1 milhões de aposentados e pensionistas que ganham mais que um salário mínimo. Essa foi uma grande vitória dos aposentados e organizações que lutaram em defesa desse reajuste. Afinal, não podemos esquecer quando a medida provisória ainda era analisada na Câmara dos Deputados, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), chegou a dizer que os aposentados “não tem o que reclamar”. Ele defendeu arduamente o reajuste rebaixado que havia sido acordado com as centrais CUT e Força Sindical. “Os 6,14% foram um acordo entre as centrais e o governo federal. Não foi um número cabalístico”, alardeou.
Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já anunciou que o governo fará cortes no orçamento para compensar os gastos com o reajuste. “O presidente Lula nos liberou para fazer os cortes necessários, que vão compensar os 7,7%”, disse.
Fator previdenciário - O veto ao fim do fator previdenciário também já era anunciado. Lula iria vetar essa medida mesmo tendo sido aprovada pela Câmara e pelo Senado, após inúmeras mobilizações dos aposentados, da Conlutas e outras entidades.
O fator foi imposto pelo governo FHC em 1999. Era parte de uma política neoliberal de adiar ao máximo as aposentadorias, de sugar cada vez mais a vida do trabalhador. FHC instituiu, Lula manteve. O fim da aposentadoria por tempo de contribuição em troca da aposentadoria por idade, levando em conta ainda que a expectativa de vida aumentou, mas em levarem conta o quanto o trabalhador mais necessitado começa a trabalhar cedo e, na maioria das vezes, em péssimas condições de trabalho.
Se mantido o veto, o trabalhador levará mais tempo para se aposentar ou receberá aposentadoria menor. O fator previdenciário obriga os trabalhadores a trabalharem cada vez mais, sob o risco de terem seus benefícios reduzidos.
Manter a luta – O veto do presidente Lula ao fator previdenciário não significa que essa luta acabou. O Congresso pode ainda derrubar o veto. Os trabalhadores paraguaios estão dando um exemplo de luta nessa semana. Apesar de o Congresso ter aprovada a jornada de seis horas semanais aos servidores públicos, direito já adquirido na Constituição, o presidente Fernando Lugo vetou. A Mesa Coordenadora Sindical e outras entidades estão convocando novas mobilizações dos servidores para exigir que o Congresso derrube o veto do presidente.
No Brasil, não podemos fazer diferente. Entidades de luta, os aposentados precisam voltar as mobilizações para o Congresso para garantir que os parlamentares derrubem o veto do presidente Lula e acabe com esse famigerado fator.
"Acredito que nós aposentados fizemos a nossa parte. Avançamos nas conquistas e ganhamos o respeito das autoridades, mostramos que somos fortes e organizados. Cumprimos nossa missão, mas continuaremos a lutar pela derrubada do veto do fator e pela aprovação do PL 4434/08, que recompõe as perdas do passado", informou o presidente da Confederação Brasileira dos aposentados e Pensionistas (COBAP), Warley Martins.

(Com informações dos sites do UOL, Copab e PSTU) via ConLutas

sábado, 19 de junho de 2010

Uma singela homenagem a Saramago...

Uma grande perda....

SARAMAGO REPRESENTA UM TRIUNFO PARA A LÍNGUA PORTUGUESA

 
O escritor português José Saramago morreu nesta última sexta-feira, 18/06, aos 87 anos. Fontes da família confirmaram a agências internacionais que o escritor estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde morava há vários anos. Vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1998, Saramago nasceu em Azinhaga em novembro de 1922. Autodidata, publicou seu primeiro trabalho, "Terra do Pecado", em 1947. Alguns amigos de Saramago já se manifestaram, como o Eduardo Galeano, escritor uruguaio: "Era o mais jovem dos escritores. E seguirá sendo". Mia Couto, escritor moçambicano: "Éramos amigos. Ele esteve por perto em momentos da minha obra, fez a apresentação de dois dos meus livros, em 1989 e há três anos, quando já estava doente. Se nós somos [os lusófonos] uma família linguística, quem nos abriu as portas para o mundo foi Saramago. O português era uma língua periférica, ele ajudou a vencer essa barreira". E Eduardo Agualusa, escritor angolano: "O que mais admirava em Saramago era a sua vitalidade e a sua combatividade de homem que acreditava em causas. Mudou a forma como a nossa língua passou a ser percebida em todo o mundo". Confira abaixo várias fotos de momentos de Saramago:

Saramago posa para foto no dia de seu 86º aniversário, em Lisboa. (foto: Isabel Bastos/Efe)
Posando para foto com a “imortal” brasileira Nélida Piñón, durante encontro na ABL, no Rio de Janeiro (RJ). (foto: Marcelo Sayão/Efe)
Durante lançamento do livro "A Viagem do Elefante". (foto: Tuca Vieira/Folhapress)
Posando para foto antes da sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, em São Paulo (SP), em 2008. (foto: Tuca vieira/Folhapress)
Chegando à cerimônia do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em Lisboa. (foto: Nacho Doce/Reuters)
Mostrando o diploma de Doutor Honoris Causa da Universidade do Uruguai, em Montevideo; à direita está o reitor Rafael Guarga. (foto: Reuters)
Durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, em São Paulo (SP). (foto: Tuca Vieira/Folhapress)
Abraçando o escritor argentino Ernesto Sabato, em Getafe, Espanha. (foto: Efe/AP)
Durante entrevista onde fala sobre o seu novo lançamento, o livro "As Intermitências da Morte", em São Paulo (SP). (foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
Ainda sobre o livro "As Intermitências da Morte", falando sobre o que ocorreria se a morte deixasse de matar. (foto: Daniel Kfouri/Folhapress)
Durante um ato comemorativo pelo décimo aniversário de seu Prêmio Nobel de Literatura, em Lisboa, em 2008. (foto: Antonio Cotrim/Efe)
Recebendo o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 do rei Carl Gustaf, da Suécia, em Estocolmo. (foto: Peter Mueller/Reuters)
Conversando com Maria Kodama, viúva do escritor argentino Jorge Luis Borges. (foto: Rickey Rogers/Reuters)
Escritor lançando o livro "A Viagem do Elefante", em 2008, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. (foto: Jose Patricio/AE)Fernando Meirelles e Saramago promovendo o excelente filme "Ensaio Sobre a Cegueira". (foto: Susana Vera/Reuters)
+ Saramago na Literatura Clandestina:
Resenha do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”.
Fernando Meirelles participou do projeto “Cinema de Artista”, promovido pelo Museu de Arte Moderna da Bahia, e fala sobre o filme “Ensaio sobre Cegueira”.
Saramago falando sobre o “Muro da Vergonha” do Rio de Janeiro.

O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes

 Belo documentário mostrando a vida de um dos mais emblemáticos politicos de esquerda do Brasil. De lider "tenentista" à secretário geral do Partido Comunista brasileiro(PCB), o "Cavaleiro da Esperança" foi um dos personagens mais marcantes da historia política brasileira do século vinte. Os créditos pertencem ao blog AcervoNacional...




Sinopse:

O fim da guerra fria e da ditadura militar tornou possível a realização de um filme inédito sobre um dos personagens mais emblemáticos da história do Brasil no século XX: Luiz Carlos Prestes. Um nome, por si só, carregado de estigma, aversão, entusiasmo, desconfiança ... O Velho, a história de Luis Carlos Prestes é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa. Um comunista convicto que carregou ideais, hoje soterrados pelos escombros do muro. O roteiro atravessa setenta anos da história contemporânea brasileira, da qual Prestes foi um dos agentes principais. O caminho de "ouro de Moscou" na insurreição comunista de 35; Olga Benário, o primeiro amor de Prestes, na verdade espiã do Exército Vermelho; a participação dos agentes estrangeiros no levante; o cruel assassinato de Elza por importantes dirigentes do PCB; o surpreendente acordo entre Vargas e Prestes em 46; a equivocada posição do Velho diante do iminente golpe de 64 ... Finalmente, estes fatos marcantes e obscuros são trazidos à tona para ajudar a entender nosso passado recente. Foram colhidos os depoimentos de políticos, historiadores, escritores, jornalistas, amigos, família e ex-membros do Comitê Central do PCB. Uma exaustiva pesquisa de filmes de época na precária memória da país revela imagens raríssimas de Luiz Carlos Prestes. O Velho é um abrangente painel sobre a história da esquerda brasileira. Sempre clandestinos ou foragidos, poucos registros visuais sobre os comunistas brasileiros resistiram à feroz perseguição policial. É a primeira iniciativa do gênero, um filme sobre a história não oficial do Brasil. O Velho carregou durante toda sua vida um projeto coletivo. Neste final de século, onde as utopias viraram pó histórico e a humanidade se encontra envolvida com seus pequenos projetos individuais, o filme nos resgata a trajetória de um Quixote que entregou sua vida a uma causa social. No índice remissivo da história, as páginas da vida de Prestes, como o destino do Brasil, estão coladas num epílogo sem fim ...

Ficha Técnica:

Direção: Toni Venturi
Roteiro e assistência de direção: Di Moretti
Fotografia: Cleumo Segond
Montagem: Cristina Amaral
Edição de som: Aritana Dantas
Música: Marcelo Goldman
Narração: Paulo José
Produção: Renato Bulcão e Toni Venturi
Co-produção: Casa de Produção (Renato Bulcão) e Olhar Imaginário Filmes (Toni Venturi) e finalizado com recursos provenientes da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Ano de produção: 1997
Duração: 105 minutos
Distribuição em cinema: Riofilme
Distribuição em vídeo: Riofilme


Download Link Direto (Avi, 698Mb)

A Carne é Fraca - 2005

 A Carne é Fraca" mostra os bastidores das fazendas industriais que quase nunca chegam ao conhecimento do grande público, assim como as conseqüências que o ato corriqueiro de comer carne tem para a saúde, para o sofrimento dos animais e para o meio ambiente. Um dos pontos fracos deste documentário é que muito dos depoimentos apresentados são repetições de lugares-comuns sentimentais e argumentos pouco sofisticados. Com algumas exceções, como é o caso dos depoimentos da filósofa Sônia Felipe, há muito amadorismo e pouco conhecimento dos argumentos apresentados na área. Mas apesar desses defeitos ainda estamos falando de um filme bastante informativo, que merece nossa atenção.Os Créditos do filme ficam a cargo do sitio Laranja Psicodélica...




SINOPSE
O documentário tenta traçar um panorama geral do consumo da carne animal nas refeições, como também suas implicações diretas e indiretas para o meio ambiente e para a nossa saúde. Para isso, eles vão aos pastos, matadouros, frigoríficos, mercados e restaurantes, tentando acompanhar o bife do momento em que ele nasce até a hora em que ele é engolido por um satisfeito esfomeado. O objetivo do vídeo não é transformar as pessoas em vegetarianos, mas sim apresentar uma faceta da realidade que a grande massa desconhece sobre a maneira como tratamos os animais com crueldade.

DADOS DO ARQUIVO
Diretor: Denise Gonçalves
Áudio: Português
Duração: 54 min.
Qualidade: DVDRip (AVI)
Tamanho: 389 MB
Servidor: Uploading (4 partes)

LINKS
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Parte 4

Industria petroleira: descaso com o planeta...

Cortina de fumaça, manchas de petróleo

Essa válvula, em Kegbara Dere, foi mais uma a vazar. Vê-se como é "bem cuidada"
Enquanto o óleo jorra sem parar do  furo no fundo do mar  deixado pela plataforma “Deepwater Horizon”, na maior catástrofe ambiental que os Estados Unidos, o New York Times publica uma matéria intitulada “Longe do Golfo, vazamento de petróleo na Nigéria dura 50 anos”.
Confesso que em um primeiro momento, pensei se tratar de uma “cortina de fumaça”, já que os dados técnicos contidos na matéria datam de 2006, e me pareceram “convenientemente requentados” para dizer algo como:  “É, aqui no Golfo está ruim… mas lá está  pior!”  Ou seja , uma matéria para amenizar a irresponsabilidade da British Petroleum no episódio . Sabem como é, de tantas que a nossa mídia faz, a gente fica assim
Mas  a reportagem  é chocante, sobretudo pela postura “Pôncio Pilatos”  assumida pelas multinacionais que operam na região justificam a catástrofe. Com uma população majoritariamente miserável, reservas gigantes de petróleo, e uma economia que depende quase que exclusivamente de sua extração, fica fácil descobrir quem manda realmente na Nigéria.
O sistema de concessões, tão elogiadopor nossos privatistas, é o que vigora na Nigéria. Nas licitações, claro que todos os projetos de perfuração e exploração são “limpos e seguros” . Na realidade, como mostram as fotos, a coisa é diferente. Segundo a reportagem  até  “546 milhões de galões de petróleo foram derramados no Delta do (Rio) Níger nas últimas cinco décadas, ou quase 11 milhões de galões por ano, concluiu um relatório de 2006 feito por uma equipe de especialistas do governo da Nigéria e de grupos ambientalistas locais e internacionais”
O incrível é que o óleo derramado, segundo a matéria, não é unicamented oriundo de problemas nos poços, mas também dos oleodutos e árvores de natal (aquela válvula que “tampa” os poços terrestres) abandonadas.  Ou seja, pela pura falta de manutenção e monitoramento. O óleo invade manguezais próximos ao delta do rio Níger, expulsando pescadores, forçando os moradores a buscar água para beber, banhar-se e cozinhar, cada vez mais longe de suas casas. “Há petróleo Shell no meu corpo” – resume Hannah Baage, moradora do entorno da região afetada.
Segundo Ms. Wittgenstein, da Shell, a culpa por esse pântano estar assim é dos nigerianos
Segundo os moradores, quando recauchutam um cano, logo outro estoura, e não parece haver muita vontade do governo em melindrar seus principais patrocinadores, que preferem culpar a população.  Veja a inacreditável declaração de Caroline Wittgenstein, porta-voz da Shell no país:
“Nós não discutimos vazamento individuais” – “a vasta maioria é causada por sabotagem ou roubo, com apenas 2% devido à falha de equipamento ou erro humano. Nós não acreditamos que nos comportamos de forma irresponsável, mas operamos em um ambiente único onde a segurança e a ilegalidade são os maiores problemas”.
O que ela quer dizer é que o derrame é culpa dos nigerianos miseráveis que furam os oleodutos para obter combustível e de movimentos políticos que estariam sabotando os dutos. Os ambientalistas, porém, apontam a falta de manutenção como o vilão ecológico.
Boa parte dos “ladrões” de petróleo, aliás, são as pessoas que ali moram há séculos, milênios, e que nas últimas décadas já nem conseguem mais o que pescar para seu próprio sustento.
A mancha de óleo no Golfo do México é um  notícia , e tem que ser mesmo um  escândalo. A mancha de óleo na Nigéria é um escândalo, mas não é notícia.
Amanhã vou publica um vídeo muito interessante, de uma escritora nigeriana, Chimamanda Adichie, que mostra como o Ocidente “civilizado” “entende”  os africanos. Não deixe de assistir, é uma luz que se abre em nossas cabeças sobre o quanto somos incapazes de entendermos que somos uma só humanidade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reflexões de Fidel...

A contenda inevitável
 
(Extraído de CubaDebate)
 

RECENTEMENTE, afirmei que o mundo esqueceria em breve a tragédia que estava prestes a produzir-se, como resultado da política aplicada, durante mais de dois séculos, pela superpotência vizinha: os Estados Unidos.
Temos conhecido sua forma sinuosa e ardilosa de agir; o impetuoso crescimento econômico atingido a partir do desenvolvimento técnico e científico; as enormes riquezas acumuladas a custa da imensa maioria de seu povo trabalhador e do resto do mundo por uma exígua minoria que, nesse país e nos demais, dispõe e desfruta de riquezas sem limite.
Quem é que se queixam senão os trabalhadores, os profissionais, os que prestam serviços à população, os aposentados, os que carecem de emprego, as crianças de rua, as pessoas desprovidas de conhecimentos elementares, que constituem a imensa maioria dos quase sete bilhões de habitantes do planeta, cujos recursos vitais se esgotam visivelmente?
Como são tratados pelas chamadas forças da ordem que deveriam é protegê-los?
Em quem batem os polícias, armados com todos os instrumentos de repressão possível?
Não preciso descrever fatos que os povos em todos lados, incluído o dos Estados Unidos, percebem através dos televisores, dos computadores e outros meios de informação em massa.
Um bocado mais difícil é desvendar os projetos sinistros daqueles que têm em suas mãos o destino da humanidade, pensando absurdamente que se pode impôr semelhante ordem mundial.
O que é que escrevei nas últimas cinco Reflexões com as quais ocupei o espaço do jornal Granma e do site CubaDebate, entre 30 de maio e 10 de junho de 2010?
Já os elementos básicos de um futuro muito próximo foram expostos com clareza e não têm recuo possível. Os impactantes acontecimentos da Copa Mundial de Futebol na África do Sul, no decurso de uns breves dias, concentraram a atenção de nossas mentes.
Mal temos tempo de respirar durante as seis horas de jogo que se transmitem o vivo e em direto pela televisão de quase todos os países do mundo.
Tendo assistido os jogos entre as seleções de mais prestígio em apenas seis dias, e aplicando meus pouco confiáveis pontos de vista, atrevo-me a considerar que entre a Argentina, Brasil, Alemanha, Inglaterra e Espanha se encontra o campeão da Copa.
Já não resta seleção proeminente que não tenha mostrado suas presas de leão nesse esporte, onde antes eu não via mais do que pessoas correndo no extenso campo de uma rede à outra. Hoje, graças a nomes famosos como Maradona e Messi, conhecedor das façanhas do primeiro como o melhor jogador da história deste esporte e seu critério de que o outro é igual ou melhor que ele, posso já diferenciar o papel de cada um dos onze jogadores.
Conheci também nestes dias que a nova bola de futebol é de geometria variável no ar,  mais veloz e rebota muito mais. Os próprios jogadores, a começar pelos goleiros, queixam-se destas novas características, porém, inclusive, os atacantes e os defesas também se queixam, e muito, de que a bola viaja mais rápido, pois a vida toda eles aprenderam a manipular outra. Os dirigentes da FIFA é que decidem sobre o assunto em cada Copa Mundial.
Desta vez transfiguraram esse esporte; é outro, embora continue se chamando da mesma forma. Os fãs, que não conhecem as mudanças introduzidas na bola — que é a alma de um grande número de atividades esportivas— e lotam as bancadas de qualquer estádio, são os que desfrutam imenso e aceitarão tudo, sob o mágico nome do glorioso futebol. Até Maradona, que foi o melhor jogador de sua história, aceitará tranquilamente que outros futebolistas marquem mais gols, a maior distância, mais espetaculares e com maior pontaria que ele, na mesma rede e do mesmo tamanho, do que aquela onde sua fama atingiu patamar tão alto.
No beisebol amador era diferente, os tacos passaram de madeira a serem de alumínio, ou destes novamente a madeira, só estabelecendo determinados requisitos.
Os poderosos clubes profissionais dos Estados Unidos decidiram aplicar normas rígidas com relação ao taco e outros requisitos tradicionais, que mantêm as características deste velho esporte. Realmente, deram interesse especial ao espetáculo e também nos enormes lucros derivados da assistência do público e da publicidade.
No atual turbilhão esportivo, um esporte extraordinário e nobre como o vôlei, que tanto gosta em nosso país, está imerso em sua Liga Mundial, o torneio mais importante desta especialidade cada ano, excetuando os títulos que derivam do primeiro lugar numas competições olímpicas ou campeonatos mundiais.
Sexta e sábado da semana passada, na Cidade Desportiva, de Havana, efetuaram-se os penúltimos jogos que devem ter lugar em Cuba. Nosso time até agora não perdeu nenhum jogo. O último adversário foi nada mais nada menos que a Alemanha. Entre seus atletas tinham um gigante alemão de 2m14 de altura, excelente rematador. Foi uma verdadeira façanha ter vencido todos os set, exceto o terceiro do segundo jogo. Os membros de nossa seleção, muito jovens, um dos quais apenas conta com 16 anos, mostraram uma surpreendente capacidade de reação. O atual campeão da Europa é a Polônia, e o time alemão venceu nos dois encontros com aquele time. Antes destes sucessos, ninguém supunha que a seleção de Cuba estaria de novo entre as melhores do mundo.
Infelizmente, por outro lado, na esfera política, o caminho está prenhe de enormes riscos.
Um assunto ao que me referi antes, entre os elementos básicos de um futuro muito próximo expostos por mim, que não têm recuo possível, é o afundamento do Cheonan, navio insígnia da marinha sul-coreana, que naufragou em 26 de março, em questão de minutos, matando 46 marinheiros e deixando dezenas de feridos.
O governo da Coreia do Sul ordenou uma investigação para conhecer se o fato foi em  consequência de uma explosão interna ou externa. Ao comprovar que vinha do exterior, acusou o governo de Pyongyang pelo afundamento do navio. Coreia do Norte apenas dispunha de um velho modelo de torpedo de fabrico soviético. Carecia de qualquer outro elemento, exceto a lógica mais simples. Não podia sequer imaginar outra causa.
No passado mês de março, como primeiro passo, o governo da Coreia do Sul ordenou a ativação dos alto-falantes de propaganda em 11 pontos da fronteira comum desmilitarizada que separa as duas Coreias.
O alto comando das forças armadas da República Popular Democrática da Coreia, de sua parte, declarou que destruiria os alto-falantes tão logo fosse reatada essa medida, que tinha sido suspensa no ano 2004. A República Popular Democrática da Coreia declarou textualmente que converteria Seúl em um "mar de fogo".
Sexta-feira passada, o exército da Coreia do Sul anunciou que a iniciaria tão logo o Conselho de Segurança anunciasse suas medidas, pelo afundamento do navio sul-coreano Cheonan. Ambas as repúblicas coreanas já estão com o dedo no gatilho.
O governo da Coreia do Sul nem sequer podia imaginar que seu estreito aliado, os Estados Unidos, tinha colocado uma mina no fundo do Cheonan, como relata em um artigo o jornalista investigador Wayne Madsen, publicado pelo Global Research, em 1º de junho de 2010, com uma explicação coerente do acontecido. Alicerça no fato de que a Coreia do Norte não possui nenhum tipo de missil ou instrumento algum para afundar o Cheonan, que não pudesse ter sido detectado pelos sofisticados equipamentos do caça-submarinos.
A Coreia do Norte tinha sido acusada de uma coisa que não fez, o qual determinou a viagem urgente de Kim Jong Il à China, no trem blindado.
Quando estes fatos se produzem de súbito, na mente do governo da Coreia do Sul não havia nem há espaço para outra causa possível.
Em meio do ambiente esportivo e alegre, o céu escurece-se cada vez mais.
As intenções dos Estados Unidos são óbvias desde há algum tempo, na medida em que seu governo age obrigado por seus próprios desígnios sem alternativas possíveis.
Seu propósito —acostumados à imposição de seus desígnios pela força—, é que Israel ataque as instalações produtoras de urânio enriquecido no Irã, utilizando os mais modernos aviões e o armamento sofisticado que, irresponsavelmente, a grande potência lhe fornece. Estados Unidos sugeriram a Israel, que não tem fronteiras com Irã, solicitar da Arábia Saudita permissão para sobrevoar o país por um longo e estreito corredor aéreo, encurtando consideravelmente a distância entre o ponto de partida dos aviões atacantes e os objetivos a destruir.
Segundo o plano, que em suas partes essenciais foi divulgado pelos órgãos de inteligência de Israel, esquadrilhas de aviões atacarão uma e outra vez, até esmagar os objetivos.
Em 12 de junho passado, importantes órgãos da mídia occidental, publicaram a notícia acerca de um corredor aéreo concedido pela Arábia Saudita a Israel, prévio acordo com o Departamento de Estado norte-americano, com o objetivo de fazer testes de voo com os caça-bombardeiros israelenses para atacar por surpresa o Irã, que já estes tinham realizado no espaço aéreo saudita.
Porta-vozes de Israel nada negaram, declarando apenas que os mencionados países tinham mais medo do desenvolvimento nuclear iraniano que o próprio Israel.
Em 13 de junho, quando o Times de Londres publicou uma informação extraída de fontes de inteligência, assegurando que a Arábia Saudita divulgara um acordo que concede permissão a Israel para a passagem por um corredor aéreo sobre seu território para o ataque a Irã, o presidente Ahmadinejad declarou, ao receber as cartas credenciais do novo embaixador saudi no Teerã, Mohamad ibn Abbas al Kalabi, que havia muitos inimigos que não desejavam relações estreitas entre ambos os países, "...Mas se o Irã e a Arábia Saudita permanecem um ao lado do outro, esses inimigos abrirão mão de continuarem com a agressão… ".
Do ponto de vista iraniano, segundo a minha opinião, essas declarações eram justificadas, quaisquer que fossem as suas razões para o fazer. Possivelmente não desejava ferir no mais mínimo seus vizinhos árabes.
Os ianques não disseram uma única palavra, o que reflete mais do que nunca seu desejo fervente de varrerem o governo nacionalista que dirige o Irã.
É preciso preguntar agora, quando o Conselho de Segurança examinará o tema do afundamento do Cheonan, outrora navio insígnia da armada sul-coreana; que conduta seguirá depois que os dedos nos gatilhos das armas na península coreana as façam disparar; se é verdade ou não que a Arábia Saudita, de acordo com o Departamento de Estado, autorizou um corredor aéreo para que as esquadrilhas de modernos bombardeiros israelenses ataquem as instalações iranianas, o que possibilita inclusive,  o emprego das armas nucleares fornecidas pelos Estados Unidos.
Entre jogo e jogo da Copa Mundial de Futebol, as diabólicas notícias vão deslizando aos poucos, de forma tal que ninguém se ocupe delas.
 
Fidel Castro Ruz